O ano era 1996 e dois pequenos cartuchos de Game Boy foram lançados no Japão. Não havia nada de gráficos ou uma história revolucionária, apenas uma ideia simples: capturar criaturas, treiná-las e batalhar. Ninguém imaginava que aquele conceito se tornaria a maior franquia de entretenimento da história.
E cá estamos, 30 anos depois: Pokémon não é apenas um anime, um jogo ou um jogo de cartas; Pokémon se tornou um fenômeno cultural que atravessou gerações, continentes e tecnologias. Mas, a pergunta é: como uma franquia que permaneceu com a mesma estrutura durante três décadas consegue continuar lucrativa, relevante e mágica? É isso que vamos discutir no artigo de hoje.
A simplicidade revolucionária dos primeiros cartuchos no Game Boy
Para isso, precisamos revisitar os jogos clássicos. Em 27 de fevereiro de 1996, no Japão, os primeiros jogos da franquia, Pokémon Red e Pokémon Green, foram lançados. Os dois games tinham uma premissa única e simples: capturar monstrinhos, treiná-los, batalhar e trocar, além de termos mapas simples divididos em pequenas rotas e as batalhas que eram por turnos.
Pokémon, antes mesmo de existirem redes sociais, era um jogo voltado para o social, pois, para completar 100% do jogo, você precisaria da ajuda de um amigo com a outra versão do game. Isso era necessário tanto para evoluir Pokémon que só evoluem por troca quanto para trocar os monstrinhos exclusivos de uma versão para outra.
E assim, lá para o ano de 1998/1999, tivemos a estreia do anime Pokémon, e aí, meu amigo, você mesmo deve lembrar a febre que foi. Na escola não se falava em outra coisa; lembro até hoje de amigos meus com cards de Pokémon, trocando e batendo figurinha. Tínhamos vários produtos de Pokémon: camisetas, mochilas, cadernos, bonecos e muitos vão lembrar da época do Guaraná Caçulinha, que vinha com Pokémon como brinde. A franquia foi se tornando onipresente.
O salto tecnológico e a transição da franquia
Porém, conforme a tecnologia foi crescendo, Pokémon precisou “evoluir” junto. Pokémon Gold & Silver trouxe os primeiros jogos com cores; Pokémon Ruby & Sapphire foram os primeiros a trazer batalhas em duplas, habilidades e naturezas, dando início ao Pokémon competitivo; Pokémon Diamond & Pearl e Pokémon Black & White foram os títulos que melhoraram o conceito de batalhas competitivas e trouxe a conexão online para os jogos; com Pokémon X & Y, a franquia entrou definitivamente na sua era 3D e, agora, com a chegada do Nintendo Switch, tivemos Pokémon Scarlet & Violet com um jogo de mundo aberto.
Mas, com essa evolução também vieram os problemas. Não houve apenas a crítica de manter os jogos na mesma fórmula, mas os últimos títulos da franquia principal vieram com uma baixíssima qualidade técnica.
Quem não se lembra dos vários vídeos na internet mostrando os bugs e crashes que aconteciam em Pokémon Scarlet & Violet? Eu mesmo presenciei um no meu próprio jogo, e houve até mesmo casos de jogadores perdendo os seus saves e tendo que iniciar a jornada novamente do zero. Muitos reclamaram e disseram que não iriam jogar nem comprar, mas, ainda assim, Pokémon Scarlet & Violet foi o terceiro jogo da franquia que mais vendeu, pois eles mantêm a identidade e a sua essência.
A essência de Pokémon nada mais é do que aquela que tivemos em Pokémon Red & Green: capturar nossos monstrinhos, treinar os nossos favoritos, batalhar com eles e explorar o mundo Pokémon. Simples e curto, desse jeito.
Eu tenho certeza de que, mesmo com a qualidade técnica dos jogos recentes, essa essência foi resgatada. Posso usar como exemplo eu mesmo: jogando Pokémon Legends: Arceus, percebi que aquela essência estava totalmente lá! Porém, com a nova fórmula de poder capturar um Pokémon sem precisar entrar em batalha — algo que víamos no anime desde crianças e que colocaram no jogo —, foi de explodir a cabeça quando vi o trailer pela primeira vez e percebi que essa mecânica estaria presente.
A preservação da essência original como pilar de sustentação da marca
Hoje, Pokémon faz-se presente não apenas através de jogos, mas também por seu anime, jogo de cartas, bonecos, parques temáticos, jogos para celulares, presença em eventos ao redor do mundo, mangás e por aí vai; a lista é enorme. Pokémon foi e é uma franquia que cresceu conosco e continua crescendo; é como se voltássemos à nossa época de criança e vivenciássemos toda aquela magia e aventura novamente.
Pokémon explora o nosso instinto humano de querer colecionar; ele ativa a nossa conexão emocional com os nossos amados monstrinhos e o sentimento de progresso e aventuras constantes. Pokémon é memória, faz parte da nossa identidade e da vida de milhões de pessoas ao redor do globo.
Então, Pokémon ainda é imbatível? Na minha opinião a franquia é inteligente: ela não precisa se reinventar drasticamente, como outras precisam para continuar no mercado, porque a essência de Pokémon está sempre lá. Ao comprarmos um novo jogo, já sabemos que vamos experienciar essa essência; por isso é tão difícil largar e por isso Pokémon é esse sucesso absoluto, mesmo após 30 anos de vida.
E você, caro leitor? Acha que Pokémon continua sendo uma franquia imbatível ou acredita que estamos caminhando para o declínio devido à qualidade dos últimos jogos entregues? Deixe sua opinião nos comentários!
Revisão: Johnnie Brian






