Lembro-me da primeira vez em que joguei The Legend of Zelda: A Link to the Past e de como fiquei maravilhado com aquele mundo enorme em pixel art, descobrindo o quão divertido era explorá-lo. Em The Adventures of Elliot: The Millennium Tales, aquela sensação foi totalmente resgatada. Apresentando um universo vasto e encantador, repleto de personagens extremamente carismáticos e com um estilo artístico impecável, o título chegou para conquistar aqueles que amam um bom Action-RPG aliado a uma excelente história.
O futuro da humanidade está em suas mãos
A nossa aventura se passa nos limites de um continente infestado por tribos ferais. O Kingdom of Huther é o último reduto da humanidade, mantido em segurança pela magia de Selfkeeping da princesa Heuria, que cria uma barreira capaz de impedir as feras de entrarem no reino, mantendo a população longe do perigo. Porém, esse feitiço tem o seu limite e eles precisam encontrar um meio de se protegerem sem a dependência da princesa.
O rei, junto de seu Primeiro-Ministro Kifried e do cientista Euygene, discute o que pode ser feito. É então que recebem a notícia de que ruínas antigas foram encontradas, mas precisam de alguém para explorá-las. É nesse momento que entra o nosso protagonista, Elliot, um aventureiro órfão, gentil e de bom coração que auxilia a todos que precisam. Ao explorar as ruínas, Elliot descobre uma porta capaz de levá-los de volta através do tempo, e é em torno desse mistério que a nossa história começa a se desenrolar.
Já posso começar dizendo que a história foi um dos pontos altos do jogo para mim, não só por envolver viagem no tempo — algo que eu gosto muito —, mas também por apresentar múltiplos finais. Os personagens são muito carismáticos, e a trajetória de cada um deles faz você se apaixonar por suas jornadas. As próprias side quests disponíveis são um exemplo disso: toda a trama é aprofundada através delas, fazendo com que até mesmo personagens secundários sejam interessantes de se interagir.
Normalmente, em jogos de RPG, costumamos ter mais de um personagem jogável, porém neste título controlamos apenas um. Os desenvolvedores deram o máximo de si para que o nosso protagonista fosse marcante e contasse com uma excelente história, justamente para podermos criar empatia e gostar de jogar com ele até o fim, e posso afirmar que isso realmente acontece. E claro, não posso deixar de destacar que até esses personagens menos centrais possuem dublagem, o que achei fantástico!
O jogo é todo em HD-2D, trazendo uma arte pixelizada. Nos momentos de narrativa, temos uma imagem de destaque do personagem que mostra as suas expressões; juntando isso à dublagem, o título ficou ainda mais rico em carisma. E eu me enganei completamente em relação ao visual: como disse em minha prévia, o estilo artístico não tinha me agradado muito no início, mas o acabamento em HD-2D provou-se lindo e perfeito para o jogo, combinando perfeitamente com ele!
O dinamismo do combate e a exploração que dita a narrativa
O gameplay não fica atrás da história, sendo inclusive o segundo ponto alto do jogo. Como o título é um Action-RPG, não temos batalhas por turnos; a ação acontece em tempo real, permitindo atacar, pular e usar o escudo. Temos sete armas disponíveis que podem ser alternadas, e cada uma possui características próprias, além de ser possível encontrar versões mais poderosas desses mesmos equipamentos.
Por não seguir o modelo tradicional de turnos, o jogo não conta com um sistema de atributos que aumentam conforme subimos de nível. Em vez disso, o que utilizamos para ficar mais forte são as magicites: pedras mágicas que servem para criar gemas e equipá-las em nossas armas, garantindo bônus de ataque ou propriedades elementais. Por exemplo, ao utilizar o martelo, podemos equipar uma gema de magicite que concede o poder de invocar raios, permitindo atingir uma área maior ao nosso redor.
Também temos a nossa companheira de viagem, a fada Faie. Ela é a nossa principal fonte de feitiços e pode conjurar até cinco magias diferentes, essenciais para a locomoção e exploração, além de nos auxiliar atacando os inimigos.
A exploração é algo extremamente importante e essencial. Como mencionado na prévia, temos até quatro eras diferentes para viajar no tempo. Nessas quatro épocas o mapa geográfico é o mesmo, porém os baús — onde encontramos itens úteis para a jornada — estão espalhados por lugares distintos. O acesso às dungeons também varia drasticamente dependendo do período em que você está. Por exemplo, na era presente, as ruínas estão deterioradas e um teto desabado pode impedir o avanço; já se voltarmos ao passado, essa mesma masmorra estará intacta e totalmente disponível para exploração, apresentando batalhas de chefes incríveis e recompensas muito úteis para o progresso.
Não só isso, mas, como mencionei anteriormente, o título conta com múltiplos finais. Para conseguir atingir o melhor desfecho, a exploração minuciosa é obrigatória. O jogo nem sempre entrega de bandeja para onde você deve ir, por isso é fundamental estar atento e investigar tudo o que encontrar durante a jornada por este vasto continente. Se posso deixar uma dica preciosa sem dar spoilers: quando estiver prestes a enfrentar o último chefe, retorne às vilas e cidades humanas que você visitou. Pode ser que haja algo novo por lá que ajude a desbloquear o final verdadeiro.
Para mim, o único ponto negativo real do título é o fato de ele não estar legendado em português. Não há como negar que o jogo possui bastante texto; para compreender a história — que é justamente um dos pontos altos da experiência —, é fundamental entender os diálogos dos personagens. Por conta disso, aqueles que não têm domínio do inglês podem acabar perdendo detalhes cruciais que tornariam a jornada muito mais rica.
O triunfo de uma jornada que estabelece sua própria identidade
The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é um título que transmite a mensagem de que, não importa as dificuldades que enfrentamos, a esperança de algo melhor sempre estará lá. O jogo foi uma maravilhosa surpresa, destacando-se com sua ótima narrativa, um gameplay extremamente prazeroso e uma exploração imensa. Além disso, a trilha sonora é belíssima e até mesmo o conteúdo secundário é muito bem aproveitado. Espero, de verdade, que possamos ver mais do nosso protagonista e desse universo que me encantou. Para os fãs de RPGs à la Zelda, este é um título obrigatório e indispensável.
Prós
- A história baseada em viagens no tempo e múltiplos finais é envolvente e incentiva a exploração minuciosa de cada época;
- O visual em HD-2D se provou belíssimo, combinando perfeitamente com a proposta nostálgica do jogo;
- O combate em tempo real com sete armas alternáveis e o sistema de customização por magicites deixam a jogabilidade muito dinâmica;
- O modo cooperativo local permite que um segundo jogador controle a fada Faie de forma criativa usando o Joy-Con;
- O level design inteligente obriga o jogador a alternar entre as quatro eras para abrir caminhos e acessar masmorras que mudam com o tempo.
Contras
- A ausência de legendas em português é uma barreira para um jogo com tanto texto e focado em uma narrativa cheia de detalhes.
The Adventures of Elliot: The Millennium Tales — Switch 2/PS5/XSX/PC — Nota: 9.5Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix
