Análise: Kabuto Park faz da captura de insetos uma experiência leve e cativante

Com visual encantador e clima de férias de verão, o jogo celebra pequenas descobertas em uma aventura acolhedora e descomplicada.

em 03/06/2026

Kabuto Park transforma a experiência infantil de passar as férias de verão capturando besouros, borboletas e outros insetos em uma aventura curta, relaxante e acolhedora. Inspirado por uma atividade bastante popular entre crianças japonesas, o jogo aposta em uma proposta despretensiosa que troca grandes jornadas e sistemas complexos por uma experiência compacta, repleta de charme, nostalgia e pequenas descobertas.

Um mês para se tornar campeã dos insetos

Acompanhamos Hana, uma garota que passa suas férias de verão em Kabuto Park, um parque repleto de insetos de todos os tipos. Durante um mês, ela participa de um campeonato local em que crianças disputam batalhas utilizando os bichinhos que encontram pelo cenário. A premissa é simples, mas funciona muito bem para criar uma atmosfera leve e divertida desde os primeiros minutos.


Mais do que uma competição, a aventura busca transmitir a sensação de passar dias inteiros explorando a natureza sem grandes preocupações. O foco está nas pequenas descobertas, na coleção de novas espécies e naquela sensação nostálgica das amizades de infância, quando bastava um interesse em comum para iniciar uma conversa. Os diálogos acompanham essa proposta com interações descontraídas e personagens bastante simpáticos.

A estrutura do jogo é dividida em três atividades principais. A primeira delas é a captura de insetos. Podemos visitar diferentes áreas do parque e interagir com pontos específicos para procurar novas espécies. Quando encontramos um inseto, inicia-se um minigame simples baseado em tempo e precisão, no qual precisamos movimentar a rede no instante correto para garantir a captura. É possível, inclusive, imitar o movimento com o JoyCon para pegar os bichinhos. Conforme avançamos, novas regiões passam a oferecer espécies diferentes e mais raras.


A segunda atividade envolve a montagem dos grupos de combate. Cada inseto possui atributos próprios e cartas de ação que serão utilizadas durante as batalhas. Podemos formar equipes com três integrantes e fortalecê-los utilizando recursos obtidos ao longo da aventura. 

Já a terceira atividade são as disputas entre crianças. As batalhas funcionam como uma espécie de sumô de insetos realizado sobre um pandeiro, em que o objetivo é empurrar a equipe adversária para fora da arena. Os confrontos alternam automaticamente entre momentos ofensivos e defensivos, enquanto utilizamos cartas para ativar habilidades capazes de aumentar a defesa, fortalecer ataques ou empurrar os oponentes.


Além dessas atividades, existe uma pequena lojinha que ajuda a expandir as possibilidades da aventura. Lá encontramos itens como galochas, que permitem acessar novas áreas do parque, e uma enciclopédia que aumenta as chances de encontrar insetos raros. Também podemos comprar mel para facilitar as capturas e docinhos que aceleram a evolução dos bichinhos, tornando-os mais eficientes durante os combates.

O encanto relaxante de férias infantis

Kabuto Park é um jogo simples, assumidamente construído em torno da fantasia de passar as férias de verão explorando o campo em busca de insetos. Tudo em sua apresentação reforça essa identidade. As ilustrações possuem um traço que lembra desenhos feitos com giz de cera, as músicas são suaves e agradáveis, enquanto os diálogos em português ajudam a transmitir o carisma das crianças que rapidamente fazem amizade e compartilham seus interesses.


O visual merece destaque especial. Tudo é extremamente fofo, desde os cenários até os próprios insetos, que apresentam uma boa variedade de formatos, cores e características. Mesmo criaturas que normalmente poderiam causar estranhamento acabam ganhando uma aparência amigável e simpática. Gostei bastante da possibilidade de colocá-los em um terrário para observá-los interagindo, um detalhe simples que ajuda a criar apego pela coleção construída ao longo da aventura.

As mecânicas seguem a mesma filosofia acessível. Capturar insetos raramente apresenta dificuldades e os combates possuem um funcionamento bastante automatizado. Ainda assim, existe espaço para estratégia na montagem das equipes. 


Em determinado momento, tive dificuldade ao utilizar uma mariposa e uma borboleta contra três besouros gigantes: como os insetos voadores eram mais voltados para suporte e ataques leves de vento, meu grupo simplesmente não conseguia exercer pressão suficiente. A solução foi reorganizar a equipe com um inseto grande para ataque, um voador para suporte e um besouro médio capaz de equilibrar as funções do grupo.

Uma competição simplificada

A simplicidade aconchegante é claramente o foco de Kabuto Park. Por outro lado, o nível de desafio permanece bastante baixo durante quase toda a campanha: bastou fortalecer um único grupo para superar a maioria dos confrontos sem grandes preocupações. Em diversas batalhas, minha equipe estava tão poderosa que eu praticamente não precisava utilizar cartas, apenas assistir aos insetos empurrando os adversários para fora da arena. A exploração também é bastante simplificada, já que consiste basicamente em visitar áreas e interagir repetidamente com os mesmos pontos de procura. 


Ainda assim, essas limitações fazem parte da proposta adotada pelos desenvolvedores. O jogo busca ser uma experiência relaxante e descomplicada, e cumpre bem esse objetivo. A aventura pode ser concluída em cerca de duas horas, embora eu tenha sentido falta de conteúdos extras que prolongassem sua duração. Ainda assim, é uma recomendação fácil para quem procura algo tranquilo para passar o tempo e também uma excelente opção para crianças.



Férias aconchegantes com insetos

Kabuto Park conquista pelo charme, pela atmosfera acolhedora e pela forma como transforma a simples atividade de capturar insetos em uma aventura cheia de personalidade. As belas ilustrações, os bichinhos carismáticos e a ambientação nostálgica ajudam a tornar a experiência memorável, mesmo com mecânicas bastante simples. A curta duração e a ausência de conteúdos adicionais impedem que ele vá além de uma proposta mais modesta, mas isso não diminui seus méritos. No fim das contas, trata-se de uma aventura descompromissada, agradável e perfeita para quem deseja relaxar durante algumas horas.

Prós

  • Atmosfera aconchegante e cheia de charme;
  • Insetos carismáticos e grande variedade de espécies;
  • Combates simples, mas com boas possibilidades de combinação.

Contras

  • Baixo nível de desafio na maior parte da aventura;
  • Pouco conteúdo além da campanha principal.
Kabuto Park — PC/Xbox Series/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Seaven Studio
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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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