A fuga do passado
Estamos, mais uma vez, na imensidão do espaço, acordando como um Sleeper: robôs andróides com memórias humanas emuladas em seus circuitos, tratados como objetos para trabalhos absurdos e extremamente perigosos. Uma vida medíocre e árdua, abaixo da escravidão. Não temos nem tempo para perceber onde estamos, pois nosso personagem está em fuga com outro escravo, o jovem rapaz Serafin, do nosso antigo senhor, o temido Laine.Escapando rapidamente do misterioso homem e da estação espacial Darkside, a dupla chega à estação Hexport para abastecer e, logo, o Sleeper descobre que ele está em Starward Belt, o cinturão de asteróides na marginal do sistema Helion, anteriormente propriedade do conglomerado Solheim, que, ao falir, deixou apenas migalhas para os pobres infelizes que viviam de seus trabalhos. Com Laine logo atrás do Sleeper e Serafin, e ele tendo destruído Hexport logo após deixarem a estação, a dupla decide contratar desgarrados por onde passam e formar uma tripulação para, assim, ter uma chance de escapar permanentemente do escravista.
Tal como seu antecessor, Starward Vector oferece uma narrativa densa e bastante interessante, com temas fortes sobre identidade, legado, liberdade e força de vontade, alinhados a belíssima direção de arte e trilha sonora imersiva que ecoa a vastidão espacial. A imersão e a narrativa são melhores que o anterior, pela sensação de cooperação e convivência entre os personagens. Enquanto a solidão do primeiro jogo é um dos principais sentimentos que a narrativa passa, especialmente como os personagens tentam sobreviver nas ruínas de Solheim, o fato de agora termos uma tripulação amplia muito a visão de como essas pessoas vivem no cinturão de asteroides e o que as move.
Outra grande mudança é que, enquanto antes tínhamos apenas a estação Erlin’s Eye para explorar e realizar pequenos trabalhos aqui e ali em a cada ciclo, agora há, ao todo, 11 estações espaciais espalhadas pelo cinturão de asteroides. Cada uma contendo suas próprias infraestruturas de trabalho e recursos; algumas precisando de upgrades para serem acessíveis, enquanto outras ficam permanentemente inacessíveis após algum evento na história, como é o caso de Hexport. A adição de novos ambientes amplia o universo já interessante de Citizen Sleeper e é justamente nelas que encontramos trabalhos para conseguir dinheiro e, em certas oportunidades, personagens para integrar nossa tripulação.
Bicos estelares
O fluxo de gameplay é bastante similar ao do jogo anterior, mas corrige certos empecilhos que poderiam tornar a jogabilidade lenta e entediante. A necessidade de sempre tomar algum medicamento para arrumar a validade foi substituída pela onipresente ameaça de Laine, eternamente crescente a cada ciclo que passa no jogo, obrigando o jogador a estar sempre atento aos recursos para poder ir a outro sistema e fugir de Laine, enquanto adquire capital e suprimentos para manter a tripulação. além de ser uma desculpa para ir para outro sistema e conseguir novos trabalhos, criando um ciclo de jogo natural e bastante imersivo com a proposta da trama.As mecânicas de dados mantêm-se: temos à disposição cinco dados (agora desde o começo do jogo, em vez de serem adquiridos gradualmente) com pontuações de um a seis, o menor número tendo chances iguais de resultados neutros e negativos, enquanto o maior número garante sucesso absoluto.
A utilização deles é a mesma que no anterior, usufruindo das chances para conseguirmos efetuar as tarefas e literalmente apostar no resultado.As ações são influenciadas pelas classes e pontos de habilidades que o Sleeper tem e tendo ainda em vista o nível das ações poderem ser seguras ou perigosas. Resultados negativos podem criar estresse no Sleeper e, com o tempo, danificar os dados até que eles se quebrem e se tornem inacessíveis (nas dificuldades fácil e média, é possível restaurar a integridade dos dados). Também é preciso estar atento à eventualidade de dados com glitches, que oferecem alta chance de resultado negativo e uma pequena oportunidade de resultado positivo, independente das capacidades do Sleeper. São gambitos que tornam o ciclo tanto intuitivo quanto vicioso, oferecendo a satisfação de concluir uma tarefa bem feita, mas ao mesmo tempo, certa frustração ao atingir um resultado negativo mesmo tentando de novo e de novo.
Um dos pontos mais interessantes ao escolher quem levar, além da possibilidade de quem pode suprir as necessidades das tarefas, são as interações entre os personagens e seus pensamentos sobre os trabalhos. Esses diálogos aumentam ainda mais a imersão no universo e reforçam um dos principais temas da duologia: o coração pulsante que bate em qualquer humano.
Um aspecto novo e bastante bem-vindo é o menu de ajuda e dicas, que traz todas as informações sobre os sistemas do jogo, não deixando o jogador à mercê da própria memória para lembrar de cada nuance da gameplay. Infelizmente, tudo está em inglês e, em um jogo onde a interpretação e leitura são parte do cerne da experiência, isso pode alienar uma parte de jogadores, além da evidente ausência de um compendium para descrever todo esse universo interessante e complexo.
A versão de Switch 2 oferece melhor resolução, atingindo 4K na TV e 1080p no modo portátil, e melhor performance no geral, rodando agora a 60 quadros por segundo. São adições bem-vindas, mas, tal como a versão Switch 2 do primeiro jogo, são os únicos atrativos do upgrade. O título não faz uso do recurso mouse nem da tela tátil do hardware, funcionalidades que poderiam deixar o jogo mais agradável e até mais dinâmico, como selecionar a atividade ou nossa árvore de habilidades.
A utilização deles é a mesma que no anterior, usufruindo das chances para conseguirmos efetuar as tarefas e literalmente apostar no resultado.As ações são influenciadas pelas classes e pontos de habilidades que o Sleeper tem e tendo ainda em vista o nível das ações poderem ser seguras ou perigosas. Resultados negativos podem criar estresse no Sleeper e, com o tempo, danificar os dados até que eles se quebrem e se tornem inacessíveis (nas dificuldades fácil e média, é possível restaurar a integridade dos dados). Também é preciso estar atento à eventualidade de dados com glitches, que oferecem alta chance de resultado negativo e uma pequena oportunidade de resultado positivo, independente das capacidades do Sleeper. São gambitos que tornam o ciclo tanto intuitivo quanto vicioso, oferecendo a satisfação de concluir uma tarefa bem feita, mas ao mesmo tempo, certa frustração ao atingir um resultado negativo mesmo tentando de novo e de novo.
Houve, no entanto, uma grande substituição entre os dois jogos, que vai em coro com a temática de companheirismo, trocando a necessidade de hackeamento do cerne cibernético pelos bicos que encontramos pelas estações. Assim, é possível levar até dois tripulantes para realizar os trabalhos, oferecendo dois dados por ciclo, da mesma forma que o Sleeper. E tal como o Sleeper, eles têm suas classes que podem tornar uma atividade mais segura ou mais difícil de executar. Só é preciso estar atento que os parceiros também podem sofrer estresse e, atingindo o limite, deixam a missão e tornam as coisas mais difíceis, então todo cuidado é crucial.
Um dos pontos mais interessantes ao escolher quem levar, além da possibilidade de quem pode suprir as necessidades das tarefas, são as interações entre os personagens e seus pensamentos sobre os trabalhos. Esses diálogos aumentam ainda mais a imersão no universo e reforçam um dos principais temas da duologia: o coração pulsante que bate em qualquer humano.
Um sonho similar, muito similar
Tal como o primeiro jogo, Citizen Sleeper 2 não oferece saves manuais, o que pode causar certa frustração para corrigir os resultados negativos quando jogamos os dados. Há apenas saves automáticos, realizados toda vez que saímos de uma tarefa, então, fica a dica: se errar, basta apertar pausa, voltar ao menu e recarregar o jogo. Com a performance melhorada do Switch 2, o processo é bem rápido, mesmo que se torne repetitivo, dependendo da sua sorte. Identifiquei, no entanto, um bug estranho: ao retornar para o jogo, nossas opções podem não ficar visíveis e é preciso resetar o jogo. Raramente isso me ocorreu, mas vale mencionar.A versão de Switch 2 oferece melhor resolução, atingindo 4K na TV e 1080p no modo portátil, e melhor performance no geral, rodando agora a 60 quadros por segundo. São adições bem-vindas, mas, tal como a versão Switch 2 do primeiro jogo, são os únicos atrativos do upgrade. O título não faz uso do recurso mouse nem da tela tátil do hardware, funcionalidades que poderiam deixar o jogo mais agradável e até mais dinâmico, como selecionar a atividade ou nossa árvore de habilidades.
Bem-vindo à Rig
Citizen Sleeper 2: Starward Vector – Nintendo Switch 2 Edition continua sendo Citizen Sleeper 2: um excelente jogo que melhora em todos os aspectos do título original, especialmente relacionados à sobrevivência e conhecer seus personagens, mantendo seu belo universo imersivo. A adição de companheiros é algo que realmente enriquece a experiência, tornando o jogo memorável, um clássico dormente (em inglês, sleeper hit; trocadilho totalmente proposital).No entanto, é um tanto frustrante que a versão para Switch 2 traga poucos atrativos, somente relegados a performance, deixando de lado recursos que poderiam aprimorar ainda mais a jogabilidade. Dando continuidade à minha última análise, posso afirmar: joguei o dado e o valor foi 5, encontrei praticamente tudo melhor em comparação ao anterior, mas ainda tem espaço para perfeição.
Prós
- História mais pessoal sobre liberdade e fuga, tornando a jogabilidade mais íntima e significativa;
- Expansão natural do universo, com personagens complexos e maior explicação do sistema Helion;
- Sistema de trabalhos e companheiros bastante bem-vindo e muito bem incrementado;
- Gráficos e trilha sonora em par com a já excelente direção de arte do primeiro jogo;
- Mecânicas do primeiro jogo aperfeiçoadas, eliminando partes desnecessárias e focando mais em sobrevivência e integridade;
- Performance melhorada no Switch 2.
Contras
- Ausência de localização em PT-BR, o que pode deixar os textos cansativos e longos demais;
- Bug estranho e eventual que dificulta a jogabilidade;
- Sem adições realmente significativas para o Switch 2;
- Um compendium e save manual ajudariam bastante para se localizar entre as atividades.
Citizen Sleeper 2: Starward Vector – Nintendo Switch 2 Edition — Switch 2 — Nota: 8.5
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Fellow Traveller
