Originalmente lançado para o PlayStation 3, o pacote Final Fantasy X | X-2 HD Remaster parece estar disponível em praticamente todos os lugares; portanto, não é surpresa que também tenha recebido uma versão dedicada para o Nintendo Switch 2. O que surpreende — e decepciona — é que essa nova edição é quase indistinguível da versão lançada anteriormente para o Switch original.
O retorno a Spira, agora no Switch 2
A trama narra a história de Tidus, que acaba se envolvendo em uma jornada ao lado de Yuna para proteger o mundo da destruição causada por Sin. O jogo também destaca o relacionamento entre os dois e com os demais membros do grupo — Lulu, Auron, Wakka, Kimahri e Rikku —, reservando inúmeros momentos tocantes e comoventes entre os personagens.
A narrativa permanece como um destaque não apenas na franquia Final Fantasy, mas em todo o gênero de RPGs; o sistema de progressão por esferas (Sphere Grid) mantém-se como um dos elementos mais memoráveis, em comparação com os clássicos sistemas de níveis e aumento automático de atributos.
Já Final Fantasy X-2 adota uma proposta bem diferente em relação à narrativa e à jogabilidade. Embora ainda seja um RPG de turnos, ele retorna ao sistema de batalha em tempo real (ATB), introduzido em Final Fantasy IV, e apresenta um elenco principal composto por apenas três personagens: Yuna, Rikku e Paine. As três atuam como caçadoras de esferas que buscam esferas de vídeo para descobrir mais sobre o mundo de Spira e utilizam as Dresspheres como forma de trocar de classe — podendo, inclusive, mudar de vestimenta no meio da batalha, conforme a situação exigir.
A história também se desenrola de forma muito mais não linear em comparação com o jogo anterior, contando com capítulos e missões, em vez de uma trama única e direta. A partir de sua nave, o trio viaja de um lugar para outro, completando objetivos, enfrentando inimigos aleatórios e adquirindo novas esferas.
Facilidades de vida e os modificadores para acelerar o ritmo da aventura
Falando um pouco mais sobre os aspectos técnicos, a versão do Nintendo Switch original roda na resolução de 1080p a 30 FPS; já a versão do Nintendo Switch 2 alcança 1440p de resolução, também travada a 30 FPS. No novo console, as texturas são levemente aprimoradas em relação ao hardware anterior, e isso é praticamente tudo o que há de diferente visualmente. Como a base do projeto remete à era do PS2, o título mantém aqueles modelos tridimensionais mais pontiagudos. Por se tratar apenas de um remaster, não espere visuais refinados ou personagens modelados com o nível de detalhamento dos lançamentos atuais.
O ponto forte desta nova versão reside na introdução de modos de conveniência que deixam a experiência mais ágil para novos jogadores — recursos que não estavam presentes na versão do Switch original. Durante a jogatina, ao pressionar o botão + e em seguida o X, acessamos um menu de configurações com quatro opções para otimizar o ritmo de jogo:
- Turbo: permite acelerar a velocidade do jogo em 2x ou 4x durante as batalhas e a exploração. Essa opção não se aplica às cutscenes, o que faz todo sentido, já que o pilar do título é a sua história e a relação entre os personagens.
- Supercharge: mantém a barra de especial dos personagens constantemente cheia a cada turno, independentemente de ter sido utilizada na ação anterior.
- Enemy Encounter Override: permite aumentar ou diminuir a taxa de encontros aleatórios contra inimigos pelo mapa.
- Auto Battle: faz com que os personagens lutem automaticamente, utilizando a inteligência artificial do próprio jogo.
Além desses recursos, a edição do Switch 2 faz uso da tela de toque do console, adicionando atalhos práticos para curas rápidas fora de combate e acelerando as animações de troca de roupas em X-2.
No menu inicial, o conteúdo completo da coleção continua impressionando: o pacote conta com as versões internacionais de ambos os títulos, o vídeo The Eternal Calm (que serve de ponte entre as duas histórias), a expansão Last Mission de Final Fantasy X-2 (que traz uma dungeon extra no estilo roguelike) e uma galeria de créditos com artes conceituais e faixas bônus.
O saldo de um clássico indispensável
Final Fantasy X | X-2 HD Remaster é um pacote excelente se avaliarmos apenas os méritos dos dois jogos individualmente. No entanto, fica claro o surgimento de um padrão questionável: a Square Enix continua relançando títulos antigos para o Switch 2 em edições completas, sem oferecer opção de um caminho de upgrade, pago ou gratuito, para quem já possui a versão anterior. Fica a torcida para que as distribuidoras sejam mais flexíveis no futuro, a fim de recompensar os fãs que já apoiaram suas bibliotecas. Para quem é iniciante na franquia Final Fantasy, ou um veterano que nunca jogou Final Fantasy X, este remaster continua sendo um ótimo ponto de partida.
Prós
- Duas narrativas marcantes, com sistemas de combate clássicos e a inesquecível Sphere Grid, que continua sendo uma referência no gênero;
- A adição de aceleradores, como o modo Turbo, batalhas automáticas e ajustes de encontros aleatórios, torna a experiência muito mais ágil;
- O pacote é extremamente completo e conta com todo o conteúdo das edições internacionais;
- Os atalhos pela tela de toque do console trazem uma praticidade bem-vinda para curas rápidas e para acelerar as trocas de roupas em X-2.
Contras
- A atualização gráfica é muito modesta, mantendo modelos e animações rígidas que deixam o jogo praticamente idêntico à versão do Switch original e à do PlayStation 2;
- A ausência de suporte a 60 FPS é uma oportunidade desperdiçada para um port de um título que nasceu no PlayStation 2;
- A decisão da Square Enix de não oferecer um caminho de atualização ou transferência de dados pune quem já possui a versão anterior.
Final Fantasy X | X-2 HD Remaster — Switch/Switch 2/PS4/PS3/Vita/XBO/PC — Nota: 7.5Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix