Após anos de acertos e tropeços, a Sonic Team encontrou em Sonic Frontiers uma forma de reinventar a franquia sem abrir mão da velocidade que tornou o ouriço azul um dos maiores ícones dos videogames. Trocando as tradicionais fases lineares por vastas áreas abertas repletas de exploração, desafios e combates, o jogo apresentou uma proposta ousada que dividiu opiniões, mas também mostrou um caminho promissor para o futuro da série. Agora, Sonic Frontiers – Edição Definitiva chega ao Nintendo Switch 2 reunindo todo o conteúdo adicional lançado desde a estreia original e aproveitando o novo hardware para oferecer uma experiência mais fluida, visualmente aprimorada e tecnicamente mais consistente. As novidades não reinventam a aventura, mas fazem desta a versão mais completa para quem deseja explorar as misteriosas Starfall Islands pela primeira vez — ou revisitar essa jornada.
Liberdade para correr
As Starfall Islands funcionam como grandes playgrounds. Em vez de seguir um único caminho, somos incentivados a explorar livremente, encontrando quebra-cabeças, trilhos suspensos, plataformas, inimigos, colecionáveis e diversos desafios espalhados pelo cenário. Essa liberdade é, sem dúvida, o maior diferencial de Sonic Frontiers. A sensação de avistar uma montanha ao longe e simplesmente correr até ela, descobrir um novo percurso ou conectar diferentes trilhos rende momentos muito divertidos e reforça por que Sonic sempre foi sinônimo de velocidade.O problema é que essa excelente ideia perde força na execução. Falta um level design mais consistente e uma maior coesão entre os elementos do mapa, fazendo com que a exploração, em alguns momentos, pareça mais um conjunto de atrações isoladas do que um mundo cuidadosamente construído.
Essa sensação é reforçada pela própria ambientação. Embora eu entenda que a proposta das ilhas seja transmitir isolamento, senti falta de um mundo que parecesse mais vivo. Alguns inimigos vagando pelo cenário, mais interações com o ambiente ou pequenos eventos acontecendo já fariam uma enorme diferença. Do jeito que está, existem pouquíssimos elementos que passam a impressão de que aquele lugar já foi habitado. Em vários momentos, tive a sensação de estar explorando um mapa gigantesco onde apenas Sonic realmente existe, o que acaba reduzindo o impacto da exploração.
Outro fator que contribui para isso é o excesso de elementos espalhados pelo cenário. Trilhos, plataformas, molas, paredes para escalada e estruturas de quebra-cabeças aparecem em praticamente todos os cantos, muitas vezes sem qualquer integração com o ambiente. Em vez de enriquecer a exploração, eles acabam transmitindo a sensação de um grande protótipo de mecânicas, como se diferentes ideias estivessem competindo pela atenção do jogador. Conforme avancei na aventura, isso foi diminuindo meu interesse em explorar cada novo trecho das ilhas.
Um combate surpreendentemente
Outra grande novidade está no sistema de combate. Pela primeira vez em muito tempo, enfrentar inimigos deixa de ser apenas apertar um botão para atacar. Os golpes corpo a corpo lembram bastante os vistos em Sonic Battle, ampliando o repertório ofensivo do ouriço.Sonic desbloqueia habilidades ao longo da aventura, permitindo criar combos, lançar ataques especiais e utilizar o criativo Cyloop para resolver puzzles ou explorar fraquezas dos adversários. O resultado é um sistema simples de aprender. Contudo, a quantidade de golpes disponíveis acaba tornando difícil memorizar todos eles, fazendo com que, na prática, você utilize sempre as mesmas habilidades.
Os inimigos comuns cumprem seu papel, mas pouco acrescentam à experiência. Apesar de apresentarem pequenas variações de ataques, os confrontos são rápidos e raramente oferecem desafios interessantes, fazendo com que eu simplesmente ignorasse boa parte deles.
Já os confrontos contra os Guardiões rendem batalhas criativas e variadas, mas é nos embates contra os gigantescos Titãs que Sonic Frontiers realmente brilha. Foi nesses momentos que eu mais me diverti durante a campanha. Com trilhas sonoras marcantes, uma escala colossal e uma apresentação cinematográfica de encher os olhos, essas lutas estão entre as melhores que a franquia já entregou. A sensação é de participar de um grande confronto de anime, repleto de transformações e golpes devastadores. E faz todo sentido: para enfrentar esses inimigos, precisamos reunir as Esmeraldas do Caos e assumir a poderosa forma de Super Sonic, tornando cada batalha um verdadeiro espetáculo.
Uma história mais madura
Narrativamente, Frontiers também representa uma evolução — e uma bastante necessária. A trama aposta em um tom mais contemplativo, explorando temas como memória, perda e inteligência artificial sem abandonar o humor característico da franquia. A atmosfera mais sombria funciona muito bem, e os mistérios apresentados despertam curiosidade suficiente para manter o jogador interessado em descobrir o que realmente está acontecendo e quem é a misteriosa Sage que vigia Sonic durante toda a jornada.Os diálogos oferecem bons momentos para Sonic, Tails, Knuckles e Amy (que precisam ser salvos), respeitando as principais características de cada personagem, enquanto Eggman segue tentando entender como utilizar toda aquela tecnologia a seu favor. Já Sage rapidamente conquista espaço como uma das personagens mais interessantes desta nova fase da franquia com seu ar ingênuo e misterioso. Felizmente, para nós tupiniquins, o jogo conta com legendas em português do Brasil, permitindo aproveitar plenamente os diálogos e as interações entre os personagens.
A Edição Definitiva também incorpora todo o conteúdo disponibilizado após o lançamento original, incluindo melhorias de qualidade de vida, novos desafios e um desfecho expandido. A mudança é muito bem-vinda, já que a versão inicial encerrava a aventura de maneira pouco satisfatória, obrigando o jogador a concluir o modo Hard para enfrentar o verdadeiro chefe final.
A melhor versão para consoles Nintendo
No Switch original, Sonic Frontiers já impressionava pelo esforço de adaptar uma experiência ambiciosa ao hardware híbrido, mas algumas limitações técnicas eram inevitáveis. No Switch 2, esses obstáculos diminuíram consideravelmente. Ainda assim, é preciso escolher entre o modo Desempenho, que prioriza os 60 quadros por segundo, ou o modo Gráfico, que entrega uma melhoria visual perceptível.A resolução mais alta, a taxa de quadros mais estável e os tempos de carregamento reduzidos tornam a movimentação muito mais fluida. Como a velocidade é um dos pilares da jogabilidade, essas melhorias fazem diferença durante toda a campanha. Visualmente, os cenários também ganham mais nitidez, melhor distância de renderização — embora ainda apresente algumas limitações — e efeitos mais consistentes, valorizando a atmosfera das ilhas sem comprometer a performance.
Ainda existem pequenas imperfeições herdadas do projeto original, como animações um pouco rígidas e objetos surgindo repentinamente no cenário. Contudo, os maiores problemas continuam ligados ao próprio design do jogo.
Os estágios do Ciberespaço, pequenos desafios nos quais é preciso cumprir objetivos como bater recordes de tempo, coletar todos os anéis vermelhos ou coletar uma quantidade mínima de anéis recompensam o jogador com itens importantes para obter as Esmeraldas do Caos. Entretanto, falta criatividade em seus cenários, muitos deles claramente inspirados em fases já existentes da franquia. Além disso, controlar Sonic nesses estágios ainda transmite certa falta de precisão, levando a diversas tentativas e diminuindo a vontade de completar todos os objetivos.
Vale a pena?
Sonic Frontiers — Edição Definitiva é, ao mesmo tempo, um dos jogos mais ousados e mais irregulares da franquia. A Sonic Team encontrou um caminho promissor para o futuro do ouriço, mas ainda tropeça na execução de muitas de suas ideias. A minha sensação é de que este jogo funciona mais como um grande laboratório para os próximos títulos do que como a experiência definitiva que muitos esperavam.Embora as melhorias e os conteúdos adicionais tornem a experiência mais completa, ainda existe bastante espaço para evolução. Um mundo mais coeso e vivo, controles mais precisos e uma árvore de habilidades menos extensa, porém mais significativa, parecem ser os próximos passos para consolidar esse novo formato. Talvez resgatar parte da simplicidade que marcou os primeiros jogos seja justamente o ingrediente que falta para Sonic finalmente encontrar sua melhor versão em 3D.
As melhorias visuais e de desempenho do Nintendo Switch 2 tornam esta a melhor versão disponível nos consoles da Nintendo, mas não conseguem esconder problemas estruturais de design que acompanham o jogo desde seu lançamento. Para quem nunca explorou as Starfall Islands, esta continua sendo a melhor porta de entrada para essa nova fase da franquia. Já quem espera um mundo aberto realmente vivo, controles impecáveis e uma execução tão boa quanto suas ideias talvez termine a aventura com a mesma sensação que eu: a de que Sonic Frontiers acertou na direção, mas ainda está longe da linha de chegada.
Prós
- Exploração livre incentiva a curiosidade;
- Batalhas contra os Titãs são espetaculares;
- História mais madura e envolvente;
- Todo o conteúdo adicional já está incluído;
- Excelente desempenho e carregamentos rápidos no Switch 2.
Contras
- Mundo aberto vazio e pouco orgânico;
- Level design inconsistente;
- Estágios do Ciberespaço reaproveitados e pouco criativos;
- Controles ainda passam sensação de falta de precisão em alguns momentos;
- A boa ideia da proposta esbarra em uma execução irregular.
Sonic Frontiers — Edição Definitiva — Switch 2 — Nota: 7.5
Revisor: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela SEGA














