Apesar do foco nas competições multiplayer de batalhas de tinta, a série Splatoon explorou ideias em aventuras solo distintas, buscando ideias únicas e expandindo a narrativa deste universo. Splatoon Raiders, primeiro título da franquia exclusivo para Switch 2, aposta em um conceito parecido com uma campanha single player focada em tiroteios ágeis por um arquipélago repleto de perigos. A ação continua frenética e ágil, com direito a opções de customização, mas uma estrutura pouco criativa e presença de muita repetição fazem com que a aventura tenha destaque limitado.
Um trio de artistas em busca de riquezas
A aventura em Splatoon Raiders se passa nas ilhas Spirhalite, uma região pouco conhecida e tomada por uma densa névoa. Farejando tesouros, o trio de músicos Deep Cut viaja até o local, mas logo são interrompidos: o helicóptero que levava o grupo é atingido por uma tempestade misteriosa originada do centro do arquipélago.Felizmente todos sobreviveram e, após um mês juntando entulho, o grupo consegue construir um barco. Com a nova base flutuante, o Deep Cut decide desbravar as ilhas em busca de pistas e tesouros, tarefa que se revela complicada por causa da presença de hordas agressivas de Salmonids. O grupo é acompanhado por uma mecânica, que pode ser inkling ou octoling, que se torna a líder das incursões — além de ser exímia atiradora, ela usa seus conhecimentos para criar armas e equipamentos.
A história é básica, funcionando mais como uma motivação para explorar do que um aprofundamento no universo da franquia. O trio Deep Cut é carismático e protagoniza algumas cenas interessantes, só é uma pena que este jogo não foi localizado para o português. Já a atmosfera em si aposta em cenários tradicionais, como praias, geleiras, vulcões e cavernas, deixando de lado o ambiente urbano estiloso característico de Splatoon — no fim funciona, apesar de pouco memorável.
Saqueando tesouros em ilhas perigosas
No controle da mecânica, exploramos diferentes estágios em busca de tesouros e itens. Como é de praxe, a protagonista usa armas para lançar tinta e é capaz de se transformar em lula (ou polvo) para nadar rapidamente pela substância, recuperando munição no processo. Os inimigos Salmonids também deixam um rastro de tinta, o qual nosso personagem tem dificuldade de atravessar. Sendo assim, a intenção é atirar nos inimigos e pintar o cenário para aumentar nossa mobilidade.Durante as incursões, a heroína é acompanhada por um dos membros do Deep Cut, que controla um pequeno robô. Além de atirar, o bot é capaz de lançar a mecânica para o ar, o que é perfeito para alcançar locais altos ou acertar inimigos de cima. Fora isso, após preencher uma barra, é possível ativar um ataque especial capaz de acabar com muitos Salmonids de uma vez — cada um dos membros do Deep Cut conta com um finalizador diferente.
Além das tradicionais armas, como pistolas, pincéis, rolos de tinta, baldes e até mesmo guarda-chuvas, a mecânica tem Gadgets à disposição. Alguns desses equipamentos são ofensivos, como um machado capaz de quebrar defesas, já outros são de suporte, como uma torreta que acerta inimigos próximos. É possível levar dois Gadgets por vez e a seleção disponível depende do tanque de tinta equipado no momento: Speed, Power e Tactical.
Há muitos elementos de customização em Splatoon Raiders. Os Gadgets têm suas características alteradas com painéis de habilidade, enquanto as armas podem ser melhoradas por meio de itens. Também é possível equipar relíquias que dão vantagens diversas para a protagonista, como saltar novamente no ar ou recarregar tinta mais rápido. Já as roupas são puramente cosméticas e são liberadas ao completar tarefas específicas no universo do jogo. O personagem também sobe de nível, o que aumenta suas características básicas. Conforme avançamos, expandimos a base, o que libera novas opções de customização e até mesmo minigames.
Pintando e nadando em intensas guerras de tinta
Confrontos frenéticos com cenários cobertos de tinta colorida são uma das características marcantes de Splatoon, e isso se mantém em Raiders. Os embates são ágeis, sendo muito fácil atirar nos inimigos e alternar para a forma de lula para se locomover rapidamente pela a arena. A estrutura das fases lembra bastante o modo Salmon Run dos títulos anteriores: enfrentamos hordas de Salmonids enquanto coletamos ovos para preencher a barra de especial e energizar a broca do robô em algumas situações.Enfrentar criaturas isoladas é trivial, mas na maior parte das vezes aparecem diferentes tipos de inimigos juntos que nos forçam a mover constantemente e avaliar prioridades — derroto primeiro esse peixe rápido ou corro para acabar com aquela torre estranha que ataca de longe? A diversão está justamente em conseguir dar conta de tanta coisa diferente ao mesmo tempo, sendo muito recompensador sobreviver a uma horda complicada de Salmonids.
Muito da estratégia vem do equipamento selecionado. Algumas armas são apropriadas para situações específicas, já os Gadgets ajudam a trazer variedade tática. Em um estágio, por exemplo, para acabar com uma quantidade imensa de inimigos pequenos, usei bombas flutuantes; em outra situação, o problema eram criaturas voadoras difíceis de acertar: usei um gancho para me aproximar e acabar com elas. Foram várias as vezes que consegui superar algum desafio complicado ao mudar o meu equipamento.
A seleção de armas e Gadgets é bem variada, oferecendo uma grande gama de combinações. Apesar disso, achei a parte da customização básica demais: boa parte das habilidades se resume a aumentar atributos ou diminuir tempos de carregamento, somente algumas poucas mudam de fato o funcionamento dos itens ou libera técnicas significativas para a protagonista. Isso faz com que o impacto dessas alterações seja reduzido, o que é uma pena, ainda mais levando em conta o histórico de customização rico da franquia.
Escorregando em uma aventura limitada
A guerra de tinta de Splatoon Raiders é bem divertida, porém o jogo fica aquém em outras características importantes, especialmente quando comparado com outras campanhas solo da franquia.Há quatro tipos de missões. Nas fases normais, o objetivo é avançar até o final, coletando itens que aparecem pelo caminho. Há uma variação desse tipo de estágio em que coletamos ovos em uma área ampla para energizar a broca do bot. Nos ninhos, as batalhas acontecem em arenas fechadas infestadas de inimigos, e precisamos coletar ovos para preencher uma barra antes de o tempo acabar. Já nos calabouços, é necessário navegar por desafios diversos com equipamentos específicos.
Parece uma seleção razoável, mas, na verdade, a variedade de situações nos estágios é bem reduzida: na maior parte deles, somente andamos por cenários lineares, parando eventualmente para enfrentar hordas de inimigos. Raramente aparecem elementos de exploração, mas eles são extremamente básicos — a habilidade de nadar pela tinta na forma de lula, inclusive subindo pelas paredes, é completamente subutilizada. Já nas arenas, chega um ponto que simplesmente aparecem tantos inimigos que mal dá para entender o que acontece na tela.
Claramente o foco do jogo está em enfrentar hordas de Salmonids, mas um pouco de diversidade não faria mal. Há alguns pontos que se destacam, como os calabouços e seus puzzles de navegação e algumas arenas que exigem estratégias únicas para serem vencidas, porém é só uma ínfima parte do conteúdo disponível. O resultado é uma campanha que aposta nas mesmas ideias e mal evolui, fazendo com que os estágios sejam muito parecidos entre si.
Outro ponto que atrapalha a experiência é a necessidade de grind: chega um momento que aparecem estágios de nível muito alto e, para avançar na campanha, somos forçados a revisitar fases já completadas. Isso se torna especialmente irritante nas partes finais da aventura, cujos requisitos são altíssimos. O pior é que isso é mandatório, já que a maior parte dos estágios têm limite de tempo, o que dá mais importância à força dos equipamentos em vez de à técnica do jogador.
Apesar dessas decisões questionáveis, o jogo é interessante e conta com boa quantidade de conteúdo: levei 15 horas para terminar a campanha. Há muitos extras a serem explorados e todos os estágios contam com versões mais difíceis, que apresentam hordas complicadas que exigem domínio das armas e uma boa combinação de equipamentos. A dificuldade é customizável, permitindo que jogadores de diferentes níveis aproveitem a aventura. Há também multiplayer local e online, sendo uma ótima opção para enfrentar os desafios mais complicados.
Caça ao tesouro modesta
Splatoon Raiders mantém o combate ágil e divertido característico da série, oferecendo boas opções de armas, Gadgets e personalização que tornam os confrontos contra as hordas de Salmonids bastante satisfatórios. O problema é que a campanha repete as mesmas ideias com frequência, explora pouco suas mecânicas mais interessantes e ainda exige muito tempo dedicado ao grind para seguir adiante, o que acaba comprometendo o ritmo da aventura.Mesmo sem alcançar o mesmo nível de criatividade dos outros jogos da franquia, Splatoon Raiders ainda consegue entreter graças ao seu sistema de combate e à boa quantidade de conteúdo disponível, especialmente para quem pretende enfrentar os desafios mais difíceis ou aproveitar o multiplayer. É uma experiência competente, ainda que pouco inspirada, indicada para quem procura mais uma oportunidade de mergulhar no universo de Splatoon sem esperar grandes surpresas.
Prós
- Tiroteio ágil e frenético característico da franquia;
- Boa diversidade de armas e gadgets para experimentar e dominar;
- Quantidade de conteúdo razoável, com direito a missões extras e segredos;
- Dificuldade ajustável e suporte a multiplayer local e online.
Contras
- A maioria dos estágios são simples e pouco inspirados;
- Variedade de situações muito limitada entre as missões;
- Grande necessidade de grind, especialmente nos trechos finais;
- A customização é um pouco básica e de impacto limitado.
Splatoon Raiders — Switch 2 — Nota: 7.0
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nintendo
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nintendo











