Análise: Arashi Gaiden: quando a velocidade do ninja exige o cálculo frio de um tabuleiro

Arashi Gaiden une ação ninja, pixel art e quebra-cabeça tático pelas mãos de estúdios brasileiros.

em 11/08/2026

Desenvolvido pela união dos estúdios brasileiros Statera Studio e Wired Dreams Studio, Arashi Gaiden é um jogo de ação no estilo dash and slash. A proposta combina a brutalidade estética em pixel art (que me lembrou muito um jogo arcade) com o raciocínio rigoroso de um quebra-cabeça, entregando uma experiência ágil, cerebral e altamente desafiadora.

A caçada pelas relíquias

A história nos coloca no papel de Shinji Arashi, um jovem ninja guiado por seu mentor, Lobo. O objetivo principal: recuperar três relíquias místicas que foram roubadas pela Matilha, uma organização criminosa que ameaça a estabilidade do Japão e estão espalhadas por diferentes províncias.

O jogo se estrutura ao longo de sete atos principais, cada um ambientado em uma localização diferente do Japão. Embora a história funcione primariamente como uma conexão para as sequências de ação, a ambientação se destaca ao integrar elementos do folclore ninja a um contexto urbano.

A geometria das investidas e o risco da movimentação em linha reta

O ponto alto de Arashi Gaiden está no seu sistema de combate no estilo dash and slash, por conta desse estilo, me lembrou muito um jogo de celular. Embora o visual sugira um jogo de ação em tempo real, a mecânica real segue uma lógica mais reativa: os inimigos e os perigos do cenário só se movimentam quando Arashi também realiza algum movimento.


Cada sala funciona como um pequeno enigma tático. Arashi se desloca em quatro direções executando investidas em alta velocidade que cortam qualquer inimigo posicionado em seu caminho. O movimento de dash só é interrompido ao atingir uma parede, um obstáculo ou uma armadilha. Um movimento errado pode levar o protagonista direto para uma lâmina inimiga ou para uma armadilha mortal. Para contornar isso, Arashi conta com um arsenal de recursos ninja:
  • Shurikens: permitem atingir alvos fora da rota direta, desativar armadilhas e acionar mecanismos à distância.
  • Teleporte e Correntes: habilidades utilizadas para imobilizar inimigos ou alterar instantaneamente o posicionamento no tabuleiro.
  • Mudança de Direção: capacidade de redirecionar a investida no meio do percurso, essencial para esquivar de ataques.

Essas ferramentas consomem mana, que é restaurado ao eliminar inimigos, estabelecendo um ciclo constante de risco e recompensa, que faz com que você precise pensar bem antes de cada movimento. Os itens podem ser coletados e aprimorados, ampliando o leque de opções estratégicas disponíveis ao jogar.

As fases apresentam novidades ao longo dos atos do jogo. Conforme o jogador avança, o jogo insere lasers, plataformas móveis, pisos falsos e tipos variados de inimigos que exigem abordagens específicas. Por exemplo, alguns inimigos precisam de mais de um ataque para serem derrotados. Ou seja, você precisa bolar uma estratégia que mate ele em dois ataques ou então utilizar uma das suas ferramentas ninjas disponíveis como parte da sua tática.


No final de cada ato, você recebe uma pontuação baseada em seu desempenho. A conclusão de cada sala rende de uma a três shurikens douradas, concedidas de acordo com a quantidade de movimentos e a velocidade da resolução. Já as batalhas contra chefes ao final dos atos quebram a dinâmica tradicional do jogo. Os chefes atacam em padrões diferentes, exigindo adaptação entre o planejamento tático e a velocidade de reação. 

Porém, posso dizer que é um pouco frustrante explorar a cena sem encontrar a solução adequada (tanto nas fases quanto nas batalhas contra chefes) levando você a reiniciar a fase e tentar novamente, às vezes mais de uma vez. Por conta disso, demoramos mais do que necessário em uma fase.

Um exercício de precisão que fortalece o cenário indie nacional

Arashi Gaiden é uma adição de peso ao catálogo de jogos indie nacionais, destacando-se pela habilidade de transformar o combate ágil de um ninja em um exercício tático inteligente. O equilíbrio entre a dificuldade dos quebra-cabeças e a empolgação do estilo dash and slash não compensa muito a eventual frustração decorrente da tentativa e erro, entregando uma experiência gratificante mais para aqueles que buscam desafio e precisão em cada movimento.

Prós

  • O sistema de combate que mistura dash and slash com turnos reativos transforma cada sala em um quebra-cabeça tático inteligente e instigante;
  • O arsenal ninja com shurikens, teleporte e correntes oferece diversas soluções estratégicas para superar a defesa dos inimigos;
  • A evolução do level design ao longo dos sete atos mantém o interesse do jogador ao introduzir novos obstáculos como lasers e plataformas móveis;
  • As lutas contra os chefes quebram a rotina de forma positiva ao misturar o planejamento por turnos com reflexos em tempo real.

Contras

  • O sistema de tentativa e erro pode se tornar frustrante quando o jogador fica preso em uma sala sem conseguir enxergar a rota correta;
  • A história funciona apenas como um plano de fundo funcional, sem grande aprofundamento nos personagens ou na narrativa geral;
  • O ritmo do jogo pode desapontar quem esperava uma ação frenética tradicional em tempo real em vez de um ritmo pausado e focado no raciocínio.
Arashi Gaiden — Switch/PS4/PS5/XBO/XSX/PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Beatriz Castro 
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nuntius Games

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Renzo Raizer
Um entusiasta do universo Nintendo, com especial interesse pelas franquias Pokémon, Mario e The Legend of Zelda. No Nintendo Blast, compartilha notícias, análises, opiniões e curiosidades com um olhar dedicado ao público nintendista, sempre buscando unir informação e paixão pelo mundo dos games.
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