Análise: Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition – A jornada definitiva em Alrest

A Nintendo Switch 2 Edition aprimora um dos maiores RPGs do console, mantendo uma história marcante e personagens inesquecíveis.

em 12/08/2026

Lembro como se fosse hoje, quando Xenoblade Chronicles 2 foi revelado durante uma Nintendo Direct, em 2017. O trailer apresentava Rex, Pyra e um mundo gigantesco, repleto de mistérios, além de dar os primeiros vislumbres de uma aventura que viria a se tornar uma das mais importantes do Nintendo Switch.

Apesar de todo o sucesso conquistado ao longo dos anos, o jogo original sofria com algumas limitações técnicas. A resolução baixa em determinados momentos, a perda de nitidez em áreas abertas e o desempenho inconsistente, especialmente no modo portátil, mostravam que a ambição da Monolith Soft era maior do que o hardware conseguia entregar.
Agora, com Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition, a aventura retorna prometendo corrigir justamente esses problemas. Mas será que essa nova versão consegue, finalmente, apresentar Alrest da forma como os fãs sempre imaginaram?

Me leva ao Elysium?

Xenoblade Chronicles 2 conta a história de Rex, um jovem mergulhador de salvamento que vive nas costas do Titã Azurda, seu fiel companheiro e figura paterna. Durante um de seus trabalhos, ele recebe uma proposta irrecusável de um grupo de indivíduos influentes. A missão parece simples: recuperar um artefato misterioso localizado nas profundezas do mar de nuvens. Em busca de uma boa recompensa, Rex aceita o serviço, sem imaginar que sua vida está prestes a mudar para sempre.


Para entender melhor sua jornada, é preciso conhecer Alrest, o fascinante mundo onde a aventura acontece. Diferente de um planeta convencional, Alrest é coberto por um vasto oceano de nuvens, tão denso que substitui os mares e continentes tradicionais. Acima dele vivem gigantescas criaturas conhecidas como Titãs, seres colossais que vagam lentamente pelo mundo e servem como lar para diferentes civilizações.

Cada Titã possui sua própria geografia, clima, fauna, flora e cultura. Existem regiões tropicais, desertos escaldantes, reinos militaristas e até áreas marcadas por conflitos políticos e religiosos. Como os Titãs são seres vivos, porém, eles também envelhecem e morrem. Esse fato cria uma preocupação constante para os habitantes de Alrest, já que o espaço habitável está se tornando cada vez mais escasso à medida que os Titãs desaparecem.


É nesse cenário que surge a lenda de Elysium, um paraíso localizado no topo da Árvore do Mundo. Segundo as histórias, esse seria o lugar onde a humanidade poderia viver sem as limitações impostas pela decadência dos Titãs. Quando Rex conhece Pyra, uma Blade lendária que deseja retornar a Elysium, ele decide ajudá-la, dando início a uma jornada repleta de descobertas, conflitos e revelações que moldariam o destino de todo o mundo.


A menina é uma o que?

É justamente durante sua missão que Rex conhece Pyra, uma misteriosa Blade que carrega um desejo muito especial: retornar a Elysium. Convencido de ajudá-la a alcançar esse objetivo, o jovem mergulhador embarca em uma jornada que o levará a conhecer novos aliados, enfrentar grandes ameaças e descobrir mais sobre o próprio mundo de Alrest.


Mas, antes de continuar, é importante entender um dos conceitos centrais de Xenoblade Chronicles 2: a relação entre Drivers e Blades. Os Drivers são pessoas capazes de despertar e formar laços com as Blades, seres com poderes extraordinários que se manifestam por meio de cristais especiais. Quando unidos, Driver e Blade compartilham uma conexão única, permitindo o uso de habilidades especiais e aumentando significativamente seu poder em combate.

Esse sistema não serve apenas como base para as batalhas. A relação entre Drivers e Blades também é um dos pilares da narrativa, influenciando o desenvolvimento dos personagens e a forma como o mundo funciona. Ao longo da aventura, Rex encontrará diversas Blades, cada uma com sua própria personalidade, história e habilidades, tornando a jornada ainda mais rica e memorável.

Felizmente, Xenoblade Chronicles 2 apresenta todos esses conceitos de forma gradual. O que, inicialmente, parece complexo logo se transforma em um dos sistemas mais interessantes já criados pela Monolith Soft, tanto em termos de jogabilidade quanto de construção de mundo.

Um sistema de combate que exige dedicação

Assim como nos demais jogos da série, Xenoblade Chronicles 2 não é um RPG de ação tradicional. Embora os personagens ataquem automaticamente ao se aproximarem dos inimigos, as batalhas dependem principalmente do uso correto das Arts, habilidades especiais que são ativadas manualmente pelo jogador.

À primeira vista, o sistema de combate pode parecer confuso. O jogo apresenta diversas mecânicas ao longo das primeiras horas, incluindo cancelamentos de ataques, combos de Arts, Combos de Blade, Orbes Elementais e os devastadores Chain Attacks. Felizmente, tudo é introduzido de forma gradual, permitindo que o jogador compreenda cada camada do sistema antes de avançar para desafios mais complexos.

O grande diferencial está justamente na relação entre Drivers e Blades. Cada Blade possui atributos, elementos e funções específicas dentro da equipe, incentivando a experimentação constante. Montar um grupo eficiente vai muito além de equipar os personagens mais fortes: é preciso pensar em sinergias, elementos e estratégias capazes de maximizar o dano e controlar o fluxo das batalhas.

Quando todas as mecânicas finalmente se encaixam, Xenoblade Chronicles 2 entrega alguns dos combates mais satisfatórios do gênero. Construir sequências de golpes, combinar elementos e destruir múltiplos Orbes Elementais durante um Chain Attack cria momentos extremamente recompensadores, especialmente durante confrontos contra chefes e inimigos únicos espalhados por Alrest.

Fora das batalhas, a exploração também desempenha um papel importante. Cada Titã funciona como uma grande área aberta, repleta de segredos, tesouros, missões secundárias e criaturas poderosas. O mundo recompensa constantemente a curiosidade do jogador, seja por meio de novos pontos de interesse, eventos opcionais ou histórias paralelas que ajudam a desenvolver ainda mais seus personagens.

Nem todas as mecânicas envelheceram tão bem

Se o sistema de combate continua excelente, algumas mecânicas acabam dividindo opiniões até hoje. A principal delas é o sistema de obtenção de Blades através dos Núcleos de Cristal. Com exceção de algumas Blades obtidas pela história, a maioria depende de um sistema baseado em sorte para ser desbloqueada.

Embora a proposta incentive a experimentação e a formação de equipes variadas, sua execução é bastante punitiva. Conseguir determinadas Blades raras pode exigir dezenas — ou até centenas — de tentativas, transformando a busca pela coleção completa em uma tarefa extremamente trabalhosa. Para os jogadores que desejam obter todas as Blades do jogo, o processo pode se tornar demorado, repetitivo e, em muitos momentos, genuinamente estressante.

O maior problema é que não existe uma forma totalmente confiável de direcionar quais Blades serão obtidas. Assim, mesmo após investir horas acumulando Núcleos de Cristal, o resultado final continua dependendo da sorte. Felizmente, a campanha principal pode ser concluída sem a necessidade de possuir todas as Blades raras, mas isso não impede que o sistema permaneça como uma das decisões de design mais controversas de Xenoblade Chronicles 2.

Outro elemento que ajuda a expandir o universo de Alrest são as missões de afinidade das Blades. Cada uma delas possui sua própria história, personalidade e objetivos, fazendo com que deixem de ser apenas ferramentas de combate. Algumas dessas missões apresentam momentos divertidos e emocionantes, aprofundando o desenvolvimento de personagens que poderiam facilmente passar despercebidos durante a campanha principal.

Embora nem todas as histórias tenham o mesmo nível de qualidade, elas ajudam a reforçar um dos maiores méritos de Xenoblade Chronicles 2: a sensação de que cada personagem possui um papel importante dentro daquele mundo. Eu mesmo tenho Blades que andam comigo não pelo seu poder, mas pelo carisma construído ao longo da aventura.

Outra mecânica que recebeu muitas críticas no lançamento original está relacionada aos testes de Habilidades de Campo. Durante a exploração de Alrest, diversos caminhos, baús e áreas opcionais exigem determinados níveis de habilidades específicas das Blades para serem acessados. A ideia, em teoria, era incentivar o jogador a conhecer melhor suas companheiras e montar equipes variadas.

Na prática, porém, o sistema acabava prejudicando o ritmo da aventura. Não eram raras as situações em que o jogador encontrava um obstáculo e precisava abrir menus, trocar diversas Blades e reorganizar a equipe apenas para alcançar os requisitos necessários. O problema ficava ainda maior durante a exploração livre, quando a constante troca de personagens se tornava mais uma tarefa burocrática do que uma decisão estratégica.

Felizmente, a Nintendo Switch 2 Edition corrige justamente esse ponto. Agora, as Habilidades de Campo são contabilizadas considerando todas as Blades obtidas pelo jogador, sem a necessidade de mantê-las equipadas na equipe ativa. A mudança parece simples, mas melhora drasticamente a experiência de exploração, permitindo que o jogador mantenha sua equipe favorita durante a aventura, sem ser interrompido constantemente pelos menus.

É uma daquelas pequenas alterações que mostram como a nova versão não se limita apenas a melhorias visuais e de desempenho, mas também busca resolver alguns dos problemas de design que acompanhavam Xenoblade Chronicles 2 desde seu lançamento original.

A versão definitiva de uma grande aventura?

Falando nas melhorias, se existe um aspecto em que Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition realmente se destaca, é na parte técnica. Os problemas de resolução dinâmica que marcaram a versão original praticamente desapareceram, permitindo apreciar melhor um dos mundos mais impressionantes já criados pela Monolith Soft.

Os cenários de Alrest continuam belíssimos, mas agora podem ser aproveitados com muito mais qualidade. No modo portátil, o jogo roda em 1080p a 60 quadros por segundo, enquanto, no modo TV, alcança 4K também a 60 quadros. Além disso, as texturas estão mais definidas, a imagem apresenta maior nitidez e os tempos de carregamento foram reduzidos, tornando a exploração dos gigantescos Titãs muito mais agradável. As cenas em vídeo da história também receberam melhorias, com maior qualidade visual e uma taxa de quadros mais estável, deixando os momentos cinematográficos ainda mais próximos da experiência idealizada pela Monolith Soft.

Mas a nova edição não se limita apenas aos gráficos. A Monolith Soft também aproveitou para corrigir alguns problemas antigos, como as Habilidades de Campo. No jogo original, encontrar um obstáculo durante a exploração significava abrir menus e trocar constantemente as Blades equipadas para alcançar os requisitos necessários, quebrando o ritmo da aventura. Agora, basta possuir a Blade com a habilidade necessária para que ela seja considerada durante a exploração, sem precisar deixá-la na equipe ativa. É uma mudança simples, mas que melhora muito a experiência, permitindo que o jogador mantenha sua formação favorita sem interrupções desnecessárias.

A Nintendo Switch 2 Edition também adiciona novos conteúdos, como a Blade inédita MOMO, que possui uma missão própria e duas formas diferentes, Real e Imaginária.


Outra adição importante é o modo Merc Assault, uma das principais novidades desta edição. O que antes eram simples Merc Missions realizadas automaticamente em segundo plano agora podem ser vivenciadas pelo próprio jogador, através de desafios de ação com limite de tempo. Nele, é possível controlar diretamente as Blades, alternando entre personagens e utilizando ataques, defesas e habilidades especiais que são carregadas enquanto você desfere os golpes para derrotar hordas de inimigos. Existem, basicamente, três tipos de missões: Elimination, que exige derrotar todos os inimigos; Defense, na qual é preciso proteger um determinado alvo; e Collection, que consiste em derrotar os adversários para coletar itens. Além de tornar as atividades da Mercenary Group muito mais envolventes, o modo finalmente realiza um antigo desejo dos fãs: permitir que personagens como Pyra, Mythra, Brighid, Pandoria e Kos-Mos sejam controladas diretamente em batalha.

A possibilidade de assumir o controle das Blades faz com que Merc Assault lembre, em certa medida, a experiência de Xenoblade Chronicles 2: Torna – The Golden Country. No entanto, as semelhanças parecem parar por aí. Enquanto a expansão utilizava uma versão mais refinada do sistema de combate original, baseada na alternância constante entre Drivers e Blades, Merc Assault aposta em uma abordagem muito mais focada na ação, com desafios independentes, hordas de inimigos e um ritmo mais acelerado. O resultado é um modo complementar que adiciona variedade à aventura principal e oferece uma nova forma de aproveitar o enorme elenco de Blades disponível no jogo.

A Nintendo também adicionou suporte aos amiibo, permitindo desbloquear itens e recompensas extras por meio da tecnologia NFC. Embora não seja uma novidade capaz de transformar a experiência, o recurso funciona como um bônus interessante para colecionadores e jogadores que possuem figuras da franquia, oferecendo mais uma forma de obter recursos durante a jornada. Pyra e Mythra também receberam novos visuais exclusivos, que aparecem tanto durante a exploração quanto nas cenas da história, adicionando uma pequena camada extra de personalização para dois dos personagens mais importantes da aventura, que podem ser liberadas tanto pelos amiibo quanto ao realizar as missões do Merc Assault.


Individualmente, essas novidades podem parecer pequenas, mas, juntas, tornam Xenoblade Chronicles 2 uma experiência muito mais refinada. A Monolith Soft não apenas entregou uma versão mais bonita de sua aventura, como também corrigiu algumas das decisões de design mais criticadas pelos jogadores desde o lançamento original.

O resultado é justamente aquilo que muitos fãs esperavam desde 2017: uma versão capaz de fazer justiça à ambição do estúdio. Xenoblade Chronicles 2 continua sendo um RPG memorável, mas agora, finalmente, pode ser aproveitado sem as limitações técnicas que prejudicavam parte de sua grandiosa jornada.

Uma jornada que merece ser revisitada

Xenoblade Chronicles 2 sempre foi um jogo muito especial para mim. Desde seu lançamento, a aventura de Rex, Pyra e seus companheiros em busca de Elysium conseguiu construir uma experiência única, combinando um mundo gigantesco, personagens marcantes e uma constante sensação de descoberta de uma forma muito própria. Mesmo com seus problemas técnicos e algumas decisões de design questionáveis, sempre existiu algo naquele universo que fazia valer a pena continuar explorando cada canto de Alrest.

Mas, para mim, o maior destaque de Chronicles 2 está justamente em seus personagens e no desenvolvimento de cada um deles. São poucos os jogos que conseguem me fazer realmente me importar com seus protagonistas e companheiros, acompanhar suas histórias, torcer por suas conquistas e sentir suas perdas. A jornada de Rex, Pyra, Mythra e dos demais personagens me prendeu do início ao fim justamente porque não era apenas uma aventura para salvar o mundo, mas uma história sobre pessoas, seus sonhos e os laços que elas constroem ao longo do caminho.

Jogar novamente essa aventura na Nintendo Switch 2 Edition foi uma experiência ainda mais especial. Ver esse mundo com uma qualidade visual muito superior, sem os problemas que prejudicaram a versão original, fez com que eu enxergasse ainda mais detalhes em uma jornada que já era memorável. Há muito tempo eu tinha vontade de retornar a Alrest e reviver essa história ao lado desses personagens, e esta nova versão chegou no momento perfeito para isso. Finalmente pude iniciar um New Game Plus e continuar uma aventura que, mesmo anos depois, ainda consegue me prender da mesma forma.

Essa é a maior conquista desta nova edição: ela não tenta reinventar Xenoblade Chronicles 2, porque o jogo original já era uma experiência grandiosa. O objetivo aqui é entregar a melhor forma possível de conhecer Alrest, corrigindo problemas que incomodavam os jogadores e permitindo que a ambição da Monolith Soft brilhe com muito mais força.

Apesar de algumas limitações ainda permanecerem, como o sistema de obtenção das Blades através do gacha, Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition é facilmente a melhor maneira de jogar um dos RPGs mais importantes do Nintendo Switch. Para quem nunca explorou esse mundo, esta é a oportunidade perfeita para embarcar nessa jornada. Para os fãs antigos, é uma excelente desculpa para retornar a um dos universos mais cativantes já criados pela Monolith Soft.

Afinal, assim como Rex descobriu ao longo de sua jornada, algumas aventuras não são marcadas apenas pelo destino final, mas pelas pessoas que encontramos pelo caminho. E Xenoblade Chronicles 2 continua sendo uma dessas viagens que permanecem no coração mesmo depois dos créditos finais.

Prós

  • O mundo de Alrest é impressionante, com uma excelente construção de universo;
  • Personagens carismáticos e narrativa emocionante;
  • Sistema de combate profundo e extremamente recompensador;
  • Melhorias visuais e de desempenho transformam a experiência;
  • Correções de qualidade de vida, principalmente nas Habilidades de Campo;
  • Novos conteúdos adicionados enriquecem a aventura.

Contras

  • O sistema de obtenção das Blades continua dependente de sorte e bastante punitivo;
  • Algumas explicações das mecânicas poderiam ser mais claras;
  • A grande quantidade de sistemas pode afastar jogadores iniciantes;
  • Algumas missões secundárias possuem objetivos pouco intuitivos.
Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition — Switch 2 — Nota: 9.0
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nintendo
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Leandro Alves
Leandro Alves é designer gráfico formado e especialista em Design Estratégico pela Unicarioca, além de UX Designer com formação pela ESPM e pela escola britânica Design Institute. Diretor Geral, Diretor Editorial e Diretor de Arte das revistas GameBlast e Nintendo Blast, iniciou sua paixão por videogames com The Legend of Zelda: A Link to the Past. Fã da Nintendo, mas sem esconder sua admiração pelo PlayStation, tem como séries favoritas Kingdom Hearts, Pokémon, Fire Emblem, Splatoon, The Last of Us, Uncharted e Xenoblade Chronicles. Está no Instagram e Twitter.
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