Análise: Senhor dos Anéis: Guerra no Norte – Edição Legado é a tentativa de redenção de um jogo esquecido

Aventure-se com Andriel, Eradan e Farin em um jogo de ação que mostra batalhas não contadas nas histórias de Tolkien.

em 25/08/2026
Jogos da franquia O Senhor dos Anéis podem ser divididos em três tipos: adaptações dos livros/filmes, como os jogos na era do GameCube; histórias originais que nem sempre levam em conta o que é canônico, como Sombras de Mordor; e jogos que tentam criar algo novo que segue o material original, que é onde fica Senhor dos Anéis: Guerra no Norte – Edição Legado.

Essa é uma remasterização de um jogo de ação que apresenta personagens originais lutando em outras regiões da Terra-média enquanto Frodo vai até a Montanha da Perdição. E, no fim das contas, é uma boa forma de mostrar algo inédito no universo de Tolkien.


Agandaûr e os exércitos do norte

O jogo começa com Eradan (Guardião Dúnedain), Andriel (Elfa Mestre das Tradições) e Farin (Anão Campeão de Erebor) chegando ao Pônei Saltitante em Bri, onde encontram Aragorn e o informam que, três dias antes, a guarda Dúnedain em Vau Sarn foi atacada pelos Nazgûl, que invadiram o Condado.

Após o ataque, o trio de heróis desconhecidos avistou o Rei Bruxo de Angmar encontrando-se com um Númenoriano chamado Agandaûr, que lhe contou que seus orcs estão formando um exército nas ruínas de Fornost, próximo das colinas do norte da Terra-média.

Como comentei, os eventos do jogo ocorrem em paralelo com a história dos livros. Portanto, enquanto a Sociedade do Anel se atenta ao Um Anel, os personagens do jogador ficam responsáveis por investigar Fornost e as terras do norte.

Tudo o que os jogadores precisam saber sobre a história desse jogo não exige nenhum conhecimento prévio da franquia. Mesmo alguém que nunca viu os filmes ou leu os livros acompanha uma narrativa que é resolvida dentro de si mesma, mas há espaço para saber mais.

As cenas de diálogos com personagens como Aragorn, Elrond ou Gandalf sempre apresentam escolhas extras que explicam mais sobre locais, criaturas e acontecimentos da Terra-média.

Além disso, no mapa do jogo há textos informativos sobre cada região, mesmo aquelas que não fazem parte da trajetória dos três guerreiros. Tudo isso, como o próprio nome do jogo indica, está traduzido para o português, o que é melhor para aproveitar a história.

Fórmula antiga, mas com melhorias notáveis

Guerra no Norte é totalmente focado na ação. Sua fórmula ainda segue a mesma da versão original de 2011, sendo um jogo separado por fases e contendo alguns itens secretos ou simples missões secundárias pelo caminho.

Antes de começar, você escolhe qual dos três personagens quer usar, enquanto os outros dois são controlados pela CPU ou por jogadores online (no caso do Switch 2, existe a opção de coop local).

Porém, diferente do lançamento original, a Edição Legado agora permite ao jogador trocar entre os personagens a qualquer momento durante a fase. Essa é uma das melhorias mais bem-vindas para quem joga o modo single-player, tornando possível usar o personagem mais útil em cada momento.

Considerando apenas os ataques básicos, os três não diferem muito, mas todos eles têm árvores de habilidades que elevam a personalidade de cada um. Eradan recebe bônus de ataque ao acertar um crítico no inimigo sem levar dano; Andriel, como Mestre das Tradições, pode conjurar feitiços simples, como uma proteção que cura e impede o ataque de projéteis; e Farin tem a valentia e resistência dos anões, fazendo com que ele chame a atenção de inimigos e possa aguentar as pancadas mais fortes. Basicamente, eles são o DPS, a Healer e o Tank.

Outra crítica no lançamento original era sobre a IA dos outros personagens. Jogando sozinho, era muito difícil conseguir passar por grupos grandes de inimigos, porque, ao cair em batalha, dificilmente acontecia de ser levantado por um dos NPCs. Nessa nova versão, pude jogar a campanha toda sozinho sem que isso fosse um problema. 

Por exemplo, se estou controlando Andriel e ela é derrotada, Eradan e Farin automaticamente correm para perto de mim e focam em ressuscitar a personagem o quanto antes.

Esse comportamento é o mesmo entre a própria CPU, caso acontecesse algo com Eradan ou Farin e eu não pudesse ir até um deles. Claro, às vezes há inimigos demais por perto e isso acaba em um game over de qualquer forma, mas houve uma melhoria notável que faz muito bem ao jogo.

Lute contra orcs, trolls e outros inimigos clássicos

Indo desde Bri até Carn Dûm, existem fases que variam entre vales montanhosos, florestas, áreas nevadas e fortalezas. O lado visual do jogo é inspirado nos filmes e apresenta locais inéditos e outros já icônicos, como Valfenda.

Essa estética também está nos inimigos, que não têm uma variedade particularmente grande, mas o suficiente para que fãs não sintam a repetição. No entanto, o equilíbrio é meio estranho, porque a variedade é maior só no final.

Durante quase toda a campanha, os adversários são orcs e trolls, e eles não têm muita diferença entre si. As mudanças das batalhas têm mais a ver com o terreno e as condições da luta. Pode ser um corredor estreito, uma área aberta com inimigos vindo de diferentes direções, um cerco com arqueiros em terreno alto ou aquele clássico “proteja o fulano por X minutos enquanto hordas correm até ele”.

Essas situações, junto com as habilidades dos protagonistas, são o que sustentam o jogo, pois não há muita estratégia que não seja esmagar o botão de ataque e usar habilidades. Como se trata de uma campanha que pode variar entre oito a dez horas, dependendo de o jogador querer buscar todos os segredos, não chega a ficar cansativo.

Monte a sua sociedade

Talvez esse seja mais um jogo de ação e aventura do que um RPG em si, mas alguns aspectos comuns em jogos do gênero estão presentes, mesmo que de forma simplificada. Não há criador de personagem, mas o jogador pode editar a aparência de cada um dos protagonistas, com algumas opções predeterminadas de rosto, olhos, cabelo, etc.

Além disso, as árvores de habilidades possuem três segmentos: habilidade de status, combate corpo a corpo e ataque à distância. Não é possível chegar até o fim do jogo com todas as melhorias desbloqueadas, então cabe ao jogador escolher as habilidades que julgar úteis ao seu estilo e focar nelas.

No caso das armas e armaduras, a evolução é praticamente linear. Sempre é possível pegar uma arma mais forte que a anterior conforme avança nas fases. Algumas possuem aspectos elementais diferentes, como ataque de raio, gelo ou fogo, mas, no geral, isso não faz tanta diferença.

E, para as armaduras, algumas peças únicas podem ter diferenças em alguns status, mas o objetivo mesmo é ver qual aumenta mais a sua defesa. O lado bom é que existem algumas mudanças visuais, dependendo de qual armadura é escolhida. Então há uma leve sensação de progressão nessa parte.

Todas as melhorias e mudanças visuais permanecem com os personagens após o zeramento para fazer o novo jogo+, que não oferta muito além de tentar achar os segredos que ficaram para trás na primeira jogatina.

Falta de otimização no Switch

Essa análise foi feita utilizando o Nintendo Switch. Tudo bem que, a essa altura, ele já pode ser chamado de um velho guerreiro da Big N — há nove anos no mercado —, mas a falta de otimização do jogo ainda parece um problema que poderia ser corrigido.

Estamos falando de um título de 2011 (que nem era tão avançado na época) sendo relançado para plataformas atuais, e ele está com problemas piores do que suas versões de Xbox 360 e PlayStation 3. Isso acontece principalmente nas fases de Charneca Etten, Montanha Gundabad e Carn Dûm.

Por algum motivo, o jogo não só apresenta instabilidade na taxa de quadros, como todo o visual dele some e ficam apenas luzes piscando na tela. Cheguei a pensar que fosse um problema com meu Switch, mas só aconteceu nessas três fases, enquanto o resto do jogo estava normal.

Ainda bem que as melhorias no comportamento dos companheiros (e um bocado de sorte) me permitiram passar. Eu só precisei me preocupar em ficar quieto em um canto, torcendo para que o jogo não fechasse sozinho enquanto os outros dois personagens cuidavam da maior parte dos inimigos. Essa versão precisa de alguma atualização urgente, porque chegou ao ponto de ser quase impossível progredir na história.

Não é possível dizer se a versão de Switch 2 está com a otimização ideal em todas as fases, mas no novo console a taxa de quadros é mantida em 60 FPS e é bem provável que entregue uma experiência bem mais suave do início ao fim. Ainda assim, pareceu mais um problema do jogo do que incapacidade do Switch.

Um relançamento interessante para fãs da Terra-média

Senhor dos Anéis: Guerra no Norte – Edição Legado é um lançamento muito bem-vindo para fãs de Tolkien e histórias da Terra-média. Porém, mesmo quem não esteja familiarizado ainda pode se divertir com o combate e se interessar pelos personagens, mas há um sabor especial em jogar conhecendo as referências presentes na trama.

Talvez as melhorias de qualidade de vida, como a IA dos personagens e troca entre os protagonistas em tempo real, sejam a redenção de um jogo que ficou completamente esquecido em sua época. Lançado no mesmo mês de The Legend of Zelda: Skyward Sword, Call of Duty: Modern Warfare 3, Uncharted 3: Drake's Deception e, especialmente, The Elder Scrolls V: Skyrim, eram bem baixas as chances de alguém dar atenção.

Ainda assim, no momento, a versão de Nintendo Switch não é a mais indicada. Para quem ainda está no console anterior da Nintendo, é melhor esperar por atualizações, pois no Switch 2 não deve haver tantos problemas.

Prós

  • Uma boa adaptação do universo dos livros de Tolkien para os videogames;
  • Os protagonistas possuem estilos de combate bem variados entre si, graças às habilidades;
  • O jogo está completamente traduzido para português brasileiro;
  • A Edição Legado trouxe melhorias significativas na IA dos companheiros ao jogar offline.

Contras

  • Problemas pesados de otimização no Nintendo Switch em algumas fases mais avançadas do jogo;
  • Novo jogo+ não é interessante;
  • A variedade de inimigos é baixa, com a maioria das fases tendo apenas orcs e trolls;
  • A evolução de armas e armaduras é linear e pouco eficiente na variedade de elementos.
Senhor dos Anéis: Guerra no Norte – Edição Legado — Switch/Switch 2/PC/PS5/XSX — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Cristane Amarante 
Análise feita com cópia digital cedida pela Aspyr
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Lucas Henrique
Redator e tradutor, sempre planejando escrever sobre algo (mesmo que seja só um rascunho). Acima disso, apenas a paixão por videogames e as várias formas que essa mídia conta histórias.
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