Análise: Shard Squad é uma boa mistura de Vampire Survivors e Pokémon

Monte seu esquadrão com até seis criaturinhas elementais e enfrente hordas gigantes de inimigos neste jogo brasileiro, que está estreando nos consoles

em 11/08/2026
O gênero “Bullet Heaven”, que se popularizou (praticamente surgiu) com Vampire Survivors, logo abriu portas para diversas abordagens de outros estúdios independentes, que tentaram colocar seu próprio DNA nesse estilo. Dessa vez, é a desenvolvedora brasileira The Root Studios que está apresentando sua forma de fazer esse tipo de jogo com Shard Squad. O título, originalmente lançado para PC em 2025, chega aos consoles com muito carisma e um visual um tanto familiar para fãs da Nintendo.


Monte seu esquadrão e vá para a luta

A jogabilidade de Shard Squad leva o nome ao pé da letra. A história acontece em uma terra mágica, com criaturinhas chamadas Shard, que precisam lidar com um evento cataclísmico chamado Desalme. Para salvar o reino, é necessário montar um esquadrão capaz de combater essa grande ameaça.

No início, há apenas cinco personagens desbloqueados, cada um de um elemento do jogo: fogo, elétrico, água, natureza e cristal. Você escolhe um deles para ser o seu líder e parte para um campo de batalha top-down, no estilo mais puro de Vampire Survivors.

O objetivo é simples: derrotar hordas gigantes, pegar fragmentos de XP e evoluir seu personagem com melhorias aleatórias até, eventualmente, alcançar um estado chamado de Evolução Prime, no estilo Pokémon.

A grande diferença está na mecânica do esquadrão: outras criaturas podem se juntar à sua luta, funcionando como armas adicionais. Cada Shard possui um ataque próprio, e todos atacam automaticamente em intervalos, usando um de seus golpes a cada poucos segundos.

A variedade é interessante, mas limitada. Cada criatura traz um estilo de ataque diferente, desde dano em área até foco em alvos individuais ou aplicação de efeitos, mas a maioria das melhorias durante a partida se resume a aumentar estatísticas básicas: dano, velocidade e alcance ou ricochete.

Não há combinações visualmente incríveis ou quebradas que poderiam virar o jogo de cabeça para baixo. O jogador pode apenas aprimorar o que já existe, e não criar algo verdadeiramente novo a cada tentativa.

Características que combinam, mas não impressionam

Mesmo com uma progressão mais linear, o aspecto principal de Shard Squad está nas características das criaturas. Como cada Shard tem ataques e elementos diferentes, montar seu esquadrão de, no máximo, seis, exige pensar em cobertura de área, dano concentrado e utilidade.

Em alguns casos, certos Shards combinam melhor que outros, pois suas características são parecidas. Essas informações ficam disponíveis em um menu que apresenta todos os times possíveis e o que eles podem fazer. Além disso, quando uma nova opção de Shard aparece no meio da partida, a característica que combina com o esquadrão atual é destacada em amarelo.

Não é obrigatório seguir a estratégia indicada, já que a dificuldade padrão não é tão exigente, mas ter uma boa sinergia entre os Shards dá um gostinho de estratégia que falta em muitos títulos do gênero e ajuda na maior dificuldade.

Há também um modo cooperativo local para dois jogadores, e essa é uma opção bem-vinda no jogo, mas que poderia ser melhor aproveitada no caso do Switch. Dividir as criaturas entre dois controles aumenta as possibilidades de sinergia e mantém a diversão das partidas; porém, o jogo não permite usar Joy-Con separados, apenas dois controles completos.

Isso é ruim para o caso do Switch, levando em consideração o quão simples são os comandos, já que um único Joy-Con seria capaz de realizar cada ação. Há mira manual e automática, andar, um dash com tempo de recarga e nada mais. Não há combos, não há parries, não há interações mais complexas entre os golpes. A fórmula funciona, claro, mas aproveitar o recurso dos Joy-Con poderia ser um ponto a favor aqui.

Um esforço nacional que merece atenção

Se há uma coisa em que Shard Squad não peca é em quantidade, ainda mais considerando o escopo do jogo. São mais de vinte criaturas para desbloquear e dez estágios com níveis de dificuldade variados, que garantem a rejogabilidade.

O jogo também traz melhorias permanentes, relíquias com bônus de atributos e conteúdos de história que podem exigir horas de dedicação, o que é ótimo para quem gosta de sentir que está sempre progredindo. Ao mesmo tempo, há uma conclusão para o modo história, destinada a quem se dá por satisfeito ao cumprir apenas os objetivos principais.

Trata-se de um jogo brasileiro que merece destaque. É um produto polido, com pixel art caprichada e animações suaves, que mantêm o ritmo acelerado das batalhas. A versão para Nintendo Switch, utilizada nesta análise, roda de forma estável, sem quedas de desempenho, mesmo em momentos de tela cheia de inimigos e efeitos.

Para um jogo que se beneficia tanto do elenco grande de Shards, a mecânica do esquadrão é um diferencial enorme, que faz com que seja possível experimentar quase todos os personagens sem muita repetição dos estágios.

No entanto, ainda assim, pode ser que a sensação de “mais do mesmo” acabe chegando rápido. Vencer os inimigos e chefes do estágio 2 não é muito diferente de derrotar os do estágio 6, por exemplo. Pelo menos, existe desde o início a opção de um modo mais difícil para quem já tem experiência com jogos do gênero.

Prós

  • O sistema de esquadrão permite que o uso dos Shards seja mais variado;
  • Jogabilidade viciante no estilo bullet heaven, perfeita para partidas curtas e relaxantes;
  • Boa quantidade de conteúdo para desbloquear, incluindo Shards, relíquias e melhorias permanentes.

Contras

  • Os estágios não apresentam nenhuma mudança interessante conforme o jogador avança;
  • O modo cooperativo no Switch não permite utilizar Joy-Con separados;
  • Pouca variedade de inimigos e comportamentos.
Shard Squad — Switch/PC/PS4/PS5/XBO/XSX — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Mariana Marçal
Análise feita com cópia digital cedida pela Nuntius Games
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Lucas Henrique
Redator e tradutor, sempre planejando escrever sobre algo (mesmo que seja só um rascunho). Acima disso, apenas a paixão por videogames e as várias formas que essa mídia conta histórias.
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