A narrativa de The Legend of Zelda é uma poesia na qual diversos elementos rimam através da cronologia: a trindade de coragem, sabedoria e poder; uma grande presença maligna que assola o mundo; um herói valente destinado a combatê-la; uma espada lendária cujo poder sagrado vence toda a escuridão; e um artefato poderoso capaz de tornar desejos em realidade. Embora essa não seja uma regra obrigatória para todas as entradas da franquia — com alguns jogos fugindo um pouco dessas convergências narrativas, como Majora's Mask —, a grande maioria apresenta, no mínimo, alguma harmonia.
O peso do sacrifício e a ascensão do Rei Gerudo
Ocarina of Time é uma história em que um inocente garoto se torna homem ao lidar com situações perigosas que apenas escalam durante a jornada. Link, o Herói do Tempo, enfrenta ameaças e enigmas e, no processo, abdica de sua infância para fazer o que é certo — especialmente em um futuro que não lhe pertence. Em Tears of the Kingdom, Zelda encontra-se isolada em uma época desconhecida, quando precisa lutar para defender seu reino em éons passados. No processo, a princesa sacrifica não a sua infância (afinal, já é uma adulta), mas a sua própria humanidade: para fazer o correto, Zelda abdica de sua mente e corpo, tornando-se o Dragão da Luz imortal que carrega a Master Sword envolta em poder sagrado.
Ganondorf contempla quatro aparições distintas ao longo da franquia — embora seja o mesmo personagem em tempos diferentes. Com exceção de Tears of the Kingdom, algumas abordagens tentaram conceder uma visão mais trágica e melancólica ao vilão, como visto em The Legend of Zelda: The Wind Waker. Entretanto, Tears of the Kingdom oferece um Ganondorf arrogante, astuto, cruel e ganancioso, características presentes em todas as suas versões, mas aqui acentuadas de forma muito semelhante à sua versão de Ocarina of Time. Por ser um personagem narcisista e egoísta, cujas ações são arquitetadas apenas em benefício próprio, ele estabelece um nítido contraste com a união de Link e seus companheiros contra o rei maligno.
Em ambos os jogos, o rei do deserto lidera a tribo Gerudo, uma raça composta por mulheres na qual nasce um homem a cada 100 anos, destinado a se tornar o monarca daquele povo. Ganondorf ajoelha-se perante o Rei de Hyrule e jura lealdade, mas o faz com segundas intenções: no título de 1998, ele queria acessar o Reino Sagrado e usurpar o artefato das deusas, a Triforce; no título recente, quer pôr as mãos na Pedra Secreta Zonai, relíquia que amplia as habilidades de seu portador. Em ambos os jogos, ele trai o reino e cumpre seu objetivo — ao menos em parte, como em Ocarina of Time, no qual obtém o fragmento da Triforce que reflete sua personalidade: o Poder. Dotado de extremo poder, Ganondorf lança o caos pelo mundo e intitula-se o Rei de Tudo.
Em 1998, Zelda usa seu poder mágico para imobilizar Ganon, permitindo que Link desfira o golpe decisivo com a Master Sword. Em 2023, essa cooperação ganha uma escala ainda mais intensa e poética: o herói combate a besta sombria nos céus de Hyrule montado no próprio Dragão de Luz, culminando em um trabalho em equipe que transcende as barreiras do tempo e da própria forma humana.
Por fim, em Tears of the Kingdom, Link utiliza a habilidade Recall — concedida a ele por Zelda no início do jogo e intensificada com os poderes combinados de Rauru e Sonia (primeira rainha de Hyrule e antiga Sábia do Tempo) — para fazer Zelda retornar à sua forma original. Esse desfecho espelha Ocarina of Time, no qual é a própria Zelda quem concede a Link o poder de manipular o tempo através da ocarina do tempo e, ao final da jornada, utiliza o instrumento para enviá-lo de volta ao passado, permitindo que o herói recupere a infância que havia perdido.
Em ambos os jogos, o rei do deserto lidera a tribo Gerudo, uma raça composta por mulheres na qual nasce um homem a cada 100 anos, destinado a se tornar o monarca daquele povo. Ganondorf ajoelha-se perante o Rei de Hyrule e jura lealdade, mas o faz com segundas intenções: no título de 1998, ele queria acessar o Reino Sagrado e usurpar o artefato das deusas, a Triforce; no título recente, quer pôr as mãos na Pedra Secreta Zonai, relíquia que amplia as habilidades de seu portador. Em ambos os jogos, ele trai o reino e cumpre seu objetivo — ao menos em parte, como em Ocarina of Time, no qual obtém o fragmento da Triforce que reflete sua personalidade: o Poder. Dotado de extremo poder, Ganondorf lança o caos pelo mundo e intitula-se o Rei de Tudo.
A união dos Sete Sábios e a jornada até o confronto final
Nos dois jogos, os Sete Sábios se unem e conseguem selar o rei maligno em um evento conhecido como a Guerra do Aprisionamento (Imprisoning War). Os seus elementos e papéis convergem bastante: Em Ocarina of Time, temos Rauru (Sábio da Luz), Saria (Sábia da Floresta), Ruto (Sábia da Água), Darunia (Sábio do Fogo), Impa (Sábia das Sombras), Nabooru (Sábia do Espírito) e Zelda (Líder dos Sábios). Enquanto em Tears of the Kingdom, temos Rauru (Sábio da Luz), Tulin (Sábio do Vento), Sidon (Sábio da Água), Yunobo (Sábio do Fogo), Mineru (Sábia do Espírito), Riju (Sábia do Relâmpago) e Zelda (Sábia do Tempo).Nas duas aventuras, Link precisa purificar os templos dos sábios corrompidos por Ganondorf, tornando-se mais forte no processo para, então, derrotar o usurpador. No final de Ocarina of Time, Link sobe as escadas da torre de Ganondorf derrotando lacaios no caminho, enquanto o vilão o aguarda pacientemente tocando órgão; quanto mais o herói se aproxima do Príncipe das Trevas, mais alto a música ecoa pelo ambiente. Paralelamente, em Tears of the Kingdom, em vez de subir uma torre, Link aprofunda-se mais e mais em uma cratera aparentemente sem fim, enquanto a trilha sonora se torna cada vez mais intensa. Ele derrota as hordas do Rei Demoníaco e o confronta no local onde ele o espera, sentado pacientemente.
Transformações drásticas e a manipulação do tempo
Na batalha, a música-tema da segunda fase de Ganondorf evoca um trecho de seu tema de combate em Ocarina of Time, além de o vilão usar ataques que podem ser rebatidos pela lâmina de Link. Após ser derrotado, Ganondorf, tomado pela raiva, recorre ao poder roubado: em Ocarina, ele usa a Triforce do Poder para se transformar em Ganon, uma criatura monstruosa semelhante a um javali furioso; em Tears, ele engole a Pedra Secreta Zonai, sacrificando corpo e mente para se transformar em um violento Dragão das Trevas.Aqui surge outro paralelo interessante entre o vilão e a princesa de Hyrule: enquanto Zelda se sacrifica pelo seu reino, Ganondorf se sacrifica por si mesmo. Ao final, Link derrota a criatura com o auxílio direto de Zelda em ambos os títulos, reforçando a conexão atemporal entre os personagens na luta contra a escuridão.
Em 1998, Zelda usa seu poder mágico para imobilizar Ganon, permitindo que Link desfira o golpe decisivo com a Master Sword. Em 2023, essa cooperação ganha uma escala ainda mais intensa e poética: o herói combate a besta sombria nos céus de Hyrule montado no próprio Dragão de Luz, culminando em um trabalho em equipe que transcende as barreiras do tempo e da própria forma humana.
Por fim, em Tears of the Kingdom, Link utiliza a habilidade Recall — concedida a ele por Zelda no início do jogo e intensificada com os poderes combinados de Rauru e Sonia (primeira rainha de Hyrule e antiga Sábia do Tempo) — para fazer Zelda retornar à sua forma original. Esse desfecho espelha Ocarina of Time, no qual é a própria Zelda quem concede a Link o poder de manipular o tempo através da ocarina do tempo e, ao final da jornada, utiliza o instrumento para enviá-lo de volta ao passado, permitindo que o herói recupere a infância que havia perdido.
E você, caro leitor? Já havia percebido essas semelhanças? Acha que elas deixam a narrativa de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom mais interessante e simbólica ou menos original? Deixe nos comentários, eu vou adorar saber!
Revisão: Vitor Tibério



