High On Life 2 chegou ao Nintendo Switch 2 em 1º de julho de 2026, alguns meses depois das demais versões e após um adiamento que deu à Squanch Games mais tempo para trabalhar na adaptação. A espera acabou valendo a pena em muitos aspectos, principalmente porque a velocidade e a movimentação que definem o jogo foram bem preservadas. Ainda assim, algumas arestas acabam aparecendo durante a aventura.
Uma nova caçada pela galáxia
Para quem nunca teve contato com a série, High On Life 2 é um jogo de tiro 3D em primeira pessoa que mistura combates, exploração e trechos de plataforma. No papel de um caçador de recompensas, o jogador percorre diferentes regiões da galáxia, enfrentando inimigos com armas alienígenas falantes, enquanto um skate pode ser usado tanto para atravessar os cenários quanto durante os confrontos.
Não é necessário conhecer o primeiro High On Life para entender a ideia central da sequência. Após ajudar a humanidade e alcançar uma vida confortável, o protagonista precisa voltar à ativa quando uma figura misteriosa de seu passado coloca sua irmã em perigo. A partir daí, a busca o leva a enfrentar uma conspiração intergaláctica ligada a um conglomerado farmacêutico que pretende lucrar com vidas humanas.
O jogo rapidamente deixa claro que não pretende levar essa premissa muito a sério. Os personagens dificilmente conseguem permanecer muito tempo sem fazer alguma piada; as conversas tomam rumos inesperados, e situações aparentemente comuns acabam se transformando em sequências absurdas.
Enquanto eu jogava, notei que algumas piadas pareciam se prolongar além do necessário, fazendo certos diálogos perderem força pela insistência. Um exemplo é a piada recorrente envolvendo um personagem chamado Acerola, que diversas vezes é acusado de ter feito algo terrível, mas o jogo nunca explica exatamente o que aconteceu.
Nas primeiras vezes, o mistério funciona como parte da piada; porém, depois de tantas repetições, comecei a sentir mais frustração por nunca receber uma resposta do que achar a situação engraçada. Ainda assim, quando o humor acerta o tom, as situações mais absurdas rendem alguns dos momentos mais memoráveis da aventura.
O skate como um aliado excepcional no combate
A principal mudança que ajuda High On Life 2 a se diferenciar imediatamente do primeiro jogo é o skate. A princípio, ele pode parecer apenas uma nova forma de atravessar os cenários, mas não demora muito para se tornar peça-chave de toda a movimentação.
Isso fica ainda mais evidente durante os combates e nas partes de plataforma, em que é preciso ganhar velocidade, utilizar rampas e cruzar rapidamente de um ponto a outro.
Durante os confrontos, o skate deixa tudo mais rápido e ajuda a evitar que o jogador fique parado, apenas trocando tiros com os inimigos. É possível deslizar enquanto atira, abrir distância rapidamente e utilizar o próprio cenário para continuar em movimento.
Foi uma das mudanças de que mais gostei, já que o skate tenta deixar os combates mais rápidos e dinâmicos. Na maior parte do tempo, consegue, mas algumas situações acabam quebrando esse ritmo.
Nem sempre é fácil manter o ritmo
O skate funciona muito bem quando o jogo permite aproveitar sua velocidade e manter o movimento pelas arenas. O problema aparece quando os inimigos começam a se aproximar constantemente do jogador. A pé, isso normalmente exige apenas um pouco mais de atenção, mas, em alta velocidade, alguns adversários acabam saindo do campo de visão com bastante facilidade.
Enquanto eu jogava, houve momentos em que precisei diminuir a velocidade ou mudar minha trajetória apenas para localizar novamente um inimigo que havia ficado para trás. Isso é mais perceptível no skate porque sua direção acompanha para onde o jogador está olhando; então, virar a câmera para procurar um adversário também interfere no caminho que está sendo seguido.
Não chega a tornar os combates ruins, nem diminui o quanto é divertido ganhar velocidade com o skate. O problema é que, em algumas situações, essa necessidade de procurar novamente os inimigos acaba interrompendo, por alguns instantes, o ritmo que a própria mecânica incentiva.
Sim, elas continuam falando
As armas falantes continuam sendo uma das principais características de High On Life 2. Gus, Sweezy e Creature retornam do primeiro jogo, enquanto novos Gatlians — como Sheath, Travis, Jan e Bowie — passam a integrar o arsenal ao longo da aventura. Cada um possui uma personalidade própria, perceptível tanto nas conversas quanto nas reações ao que acontece ao redor.
As diferenças entre elas também aparecem no combate. Sweezy, por exemplo, pode desacelerar inimigos com sua bolha temporal, enquanto Sheath possui um ataque capaz de atingir vários adversários em sequência. Travis utiliza gravidade para suspender inimigos e objetos, e Creature continua sendo especialmente útil quando é necessário lidar com vários inimigos ao mesmo tempo.
As habilidades dos Gatlians também vão além de simplesmente causar dano. Algumas são necessárias para avançar pelos cenários e resolver situações específicas, fazendo com que a troca de armas também tenha importância durante a exploração.
No mundo poligonal, por exemplo, precisei recorrer diversas vezes a Bowie e ao Soul Hole para interagir com elementos do cenário e abrir caminhos que impediam a progressão.
Nos combates, porém, senti uma liberdade bem maior para escolher qual arma e habilidade usar em cada situação. Sweezy foi uma das armas que mais me ajudaram, principalmente quando vários inimigos avançavam ao mesmo tempo. Como a movimentação rápida com o skate às vezes dificultava acompanhar todos os adversários, sua bolha temporal me dava alguns segundos para diminuir a pressão, mudar de posição e recuperar o controle da batalha sem quebrar completamente o ritmo do confronto.
Gus também acabou sendo uma escolha recorrente quando eu precisava lidar com grupos maiores. Seu disparo de disco conseguia atingir vários inimigos e ajudava a limpar parte da arena com rapidez, o que combinava muito bem com a necessidade constante de continuar me movimentando. Em situações mais caóticas, recorrer a ele me ajudava a abrir espaço antes de voltar a ganhar velocidade com o skate.
Essa liberdade de alternar entre os Gatlians também combina bem com o skate.Atravessar rapidamente uma arena enquanto troca de arma permite controlar grupos de inimigos, abrir espaço e aproveitar diferentes habilidades de acordo com o que está acontecendo, em vez de depender de uma única arma durante os confrontos.
Fora das batalhas, os comentários durante a exploração, as reações aos acontecimentos e as conversas entre as próprias armas fazem com que os Gatlians pareçam mais personagens acompanhando a aventura do que simples equipamentos. Algumas dessas interações me pegaram completamente de surpresa e renderam diversas risadas sinceras ao longo do jogo.
Explorar também faz parte da diversão
High On Life 2 também dá bastante espaço para a exploração, trazendo áreas maiores em que nem sempre é necessário seguir diretamente para o próximo objetivo. Há atividades secundárias, personagens espalhados pelos cenários e colecionáveis que ajudam a dar motivos para sair do caminho principal.
O skate contribui bastante para isso, não apenas por tornar os deslocamentos mais rápidos, mas porque a própria movimentação acaba sendo divertida.
Em vários momentos, percebi que estava passando mais tempo procurando cartazes de procurado, um dos colecionáveis do jogo, ou simplesmente fazendo manobras com o skate do que avançando na história. Acabar adiando o próximo objetivo simplesmente porque explorar e brincar com a movimentação continuavam divertidos foi um dos aspectos que mais me agradaram nessas áreas maiores.
Caçando recompensas com estilo
High On Life 2 também oferece opções de personalização para o caçador de recompensas e para o skate. É justamente no segundo que o sistema acaba sendo mais interessante, permitindo trocar separadamente o shape, os trucks, as rodas e até a lixa. Como o skate está presente durante boa parte da exploração e dos combates, essas opções ajudam a deixar uma das principais novidades da sequência com um visual mais próprio.
Essa diferença entre os dois sistemas foi algo que me incomodou. Considerando o visual exagerado e cheio de personalidade de High On Life 2, senti falta de poder misturar peças e criar combinações próprias para o protagonista. Enquanto o skate oferece bastante liberdade para mexer em pequenos detalhes, a personalização do personagem acaba parecendo simples demais em comparação.
Visualmente, High On Life continua sendo High On Life
High On Life 2 mantém o visual exagerado e estranho que caracteriza a série. Isso aparece principalmente nos próprios alienígenas, que frequentemente têm proporções incomuns, formas exageradas e aparências que parecem combinar o grotesco com o cartunesco. Mesmo personagens que estão apenas ocupando as cidades ajudam a fazer com que cada lugar pareça pertencer a um universo em que praticamente qualquer criatura pode existir.
Essa criatividade também aparece na maneira como o jogo diferencia suas regiões. Prismeria foi o exemplo que mais me chamou atenção: o cenário abandona boa parte do visual mais detalhado encontrado no restante da aventura e assume propositalmente uma aparência poligonal, com modelos e ambientes que remetem aos primeiros jogos tridimensionais. A mudança é tão brusca que entrar nessa área pela primeira vez parece quase como trocar de jogo.
Foi justamente esse tipo de surpresa que mais me agradou na direção artística. Eu nunca sabia exatamente que tipo de criatura ou cenário encontraria ao chegar a uma nova região, e Prismeria é o melhor exemplo de como High On Life 2 consegue levar sua estranheza além das piadas e incorporá-la ao próprio visual.
O desempenho nem sempre acompanha a velocidade
A versão para Nintendo Switch 2 também apresenta algumas arestas técnicas. Durante a aventura, encontrei pequenos engasgos, quedas na taxa de quadros e breves congelamentos, estes últimos mais comuns durante o carregamento de novas áreas.
Esses problemas incomodam principalmente porque High On Life 2 depende tanto de velocidade quanto de resposta rápida aos comandos. Nos combates, as oscilações ficaram mais perceptíveis para mim quando aconteciam durante manobras com o skate ou em momentos com muitos inimigos na tela. Houve situações em que uma queda ou breve congelamento aconteceu no meio de uma manobra e acabou interferindo naquilo que eu estava tentando executar.
A diversão consegue falar mais alto
High On Life 2 consegue evoluir aquilo que já funcionava no primeiro jogo, principalmente ao transformar o skate em uma parte importante da movimentação, da exploração e dos combates. Foi justamente quando essa mobilidade se juntou às armas falantes e ao humor absurdo que mais me diverti durante a aventura.
A versão para Nintendo Switch 2 não acompanha toda essa velocidade com a estabilidade que o jogo pede, mas os problemas técnicos não foram suficientes para apagar o que funcionou. No fim, encontrei uma sequência que me divertiu bastante e que consegue criar uma identidade própria sem abandonar aquilo que tornou o primeiro High On Life tão diferente.
Prós
- O skate se encaixa muito bem na proposta do jogo, tornando a movimentação mais rápida e dando um novo ritmo aos combates;
- A boa variedade de armas e habilidades incentiva a alternância entre elas durante os confrontos;
- As áreas maiores dão mais espaço para explorar, encontrar atividades secundárias e descobrir as situações absurdas espalhadas pelo jogo;
- A personalização do skate é bastante completa, permitindo alterar separadamente o shape, os trucks, as rodas e a lixa;
- A direção artística mantém o estilo colorido, estranho e cheio de personalidade que caracteriza High On Life;
- O humor presente nos personagens, diálogos e missões rende alguns dos momentos mais divertidos e absurdos da aventura;
- Legenda em PT-BR.
Contras
- Pequenos engasgos, quedas na taxa de quadros e breves congelamentos podem quebrar o ritmo, principalmente durante combates e deslocamentos mais rápidos;
- A perseguição constante dos inimigos pode dificultar a leitura das batalhas quando vários adversários ficam fora do campo de visão;
- A personalização do personagem poderia ser mais completa, já que os trajes só podem ser trocados por inteiro, sem a opção de combinar peças diferentes, enquanto apenas os sapatos podem ser alterados separadamente;
- Algumas piadas se prolongam mais do que deveriam e podem tornar certos diálogos cansativos para quem não se identifica tanto com o humor do jogo.
High On Life 2 — Switch 2/PC/PS5/XSX — Nota: 8.0Versão utilizada para análise: Nintendo Switch 2
Revisão: Mariana Marçal