Por conta disso, trago para vocês todos os jogos de Fire Emblem, ordenados cronologicamente. Vou dizer qual é a melhor versão de cada um deles, por qual você deveria começar e, para quem não tem muito tempo, vou listar quais são aqueles essenciais que você não pode deixar passar.
Fire Emblem: Shadow Dragon
O primeiro jogo é Fire Emblem: Shadow Dragon and the Blade of Light, lançado em 1990, no Japão, para o NES. Ele não foi apenas o primeiro jogo da série, mas o título que estabeleceu as bases de todo um gênero: o RPG tático.
O jogo nos apresenta Marth, o príncipe do reino de Altea, que se vê obrigado a fugir após seu reino ser invadido. A premissa é clássica: reunir um exército, recuperar seu reino e empunhar a espada lendária para derrotar o dragão sombrio. É a história clássica de fantasia medieval, mas também é a origem de praticamente toda a identidade de Fire Emblem.
Este jogo já trouxe a morte permanente, uma das características mais emblemáticas de toda a franquia. Se uma unidade morre, você se despede dela: você a perdeu, e ela não vai voltar. Isso dava muita personalidade ao jogo, dava importância aos personagens e obrigava o jogador a pensar em cada movimento como se fosse uma partida de xadrez.
Embora, nesta primeira edição, as mecânicas fossem muito simples, aqui já se começava a vislumbrar as regras que marcariam o combate tático de toda a série: um “pedra, papel e tesoura” entre espada, lança e machado.
Mas aqui vem o ponto crucial: há um problema com praticamente todos os primeiros jogos de Fire Emblem, que é o fato de nunca terem saído do Japão até Fire Emblem 7, do Game Boy Advance. Hoje em dia, é mais uma peça de museu para os fãs mais assíduos do que um ponto de entrada recomendável para novos jogadores. Mas há uma forma de aproveitar muito melhor este jogo: o seu remake.
Um remake lançado em 2008 para o Nintendo DS: Fire Emblem: Shadow Dragon. O remake de DS não é apenas o mesmo jogo com gráficos melhores; ele praticamente refaz o primeiro jogo. Além disso, introduz capítulos opcionais que aparecem se você perder muitas unidades e aproveita bastante a tela sensível ao toque do console para gerenciar o inventário e os comandos, tornando a experiência muito mais ágil e os menus bem mais legíveis. É a melhor versão para jogar o primeiro Fire Emblem, mas não é a melhor opção para começar a franquia.
Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia
O segundo jogo da série é Fire Emblem Gaiden, lançado dois anos depois do primeiro, em 1992, também para o NES. Foi uma sequência arriscada e experimental, que mudou praticamente todas as regras do jogo.
A história nos leva ao continente de Valentia, mergulhado em uma guerra entre duas divindades: Mila, a deusa da terra, e Duma, o deus da força. Aqui, controlamos dois protagonistas diferentes, Alm e Celica, cujas rotas vão se entrelaçando enquanto tentam restaurar a paz no continente.
Gaiden é considerado a "ovelha negra" da série, principalmente porque quis introduzir ideias de outros RPGs. Você pode se mover por um mapa-múndi, entrar em vilas, comprar itens livremente, conversar com NPCs, visitar calabouços... Isso fazia com que parecesse mais um JRPG do tipo Dragon Quest ou Final Fantasy do que um Fire Emblem.
Mas, além de tudo isso, há coisas interessantes, como o uso de magia que consome seus próprios pontos de vida, um sistema de promoção de classes e a própria dualidade dos protagonistas. Jogar com Alm e Celica separadamente, cada um com seu próprio exército, mecânicas e estratégias, faz o jogo parecer maior.
Se quiserem jogar a melhor versão de Fire Emblem Gaiden, joguem o seu remake lançado em 2017 para o Nintendo 3DS: Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia. Ele melhora muitíssimo o original! A clareza nos menus, na interface e no combate melhora muito, mas o que mais melhora é a relação e o romance entre Alm e Celica. Porém, ainda não entra na lista dos essenciais.
Fire Emblem: New Mystery of the Emblem
Vamos para o próximo: Fire Emblem: Mystery of the Emblem. Chegamos a 1994 e ao Super Nintendo com este título, também exclusivo do Japão. Aqui já se nota o salto gráfico e de jogabilidade do Super Nintendo.
Este jogo é um "dois em um": a primeira parte do cartucho é um remake completo e melhorado do primeiro jogo, e a segunda parte é uma sequência direta que encerra a história do herói de Altea. Voltamos a viver a mesma guerra, mas com uma narrativa muito mais profunda, expandida e melhorada.
E, embora a versão de Super Nintendo represente um salto em relação à de NES, não é a melhor versão para jogar este título. Em 2010, a Nintendo lançou Fire Emblem: New Mystery of the Emblem para o Nintendo DS, um remake incrível que expande a história, adiciona um protagonista criado por você e apresenta uma jogabilidade bastante melhorada. O único problema é que, mesmo sendo um jogo de DS, ele ficou restrito ao Japão.
Fire Emblem: Genealogy of the Holy War
Fire Emblem: Genealogy of the Holy War saiu em 1996 para o Super Nintendo, no Japão, e é possivelmente o jogo mais ambicioso e querido pelos fãs da franquia.
A trama se passa no continente de Jugdral, e o jogo é dividido em duas gerações. É um jogo muito no estilo Game of Thrones: uma epopeia sobre traição política e destino, que conecta a vida dos pais com a dos filhos anos depois. A escala é massiva: os mapas não são cenários pequenos, são continentes inteiros. Você precisa capturar múltiplos castelos em um único mapa, o que torna as partidas muito mais longas, mas também muito mais épicas.
Mas Genealogy of the Holy War tem uma das mecânicas mais legais dessa franquia, que seria muito explorada mais adiante: o sistema de herança. O jogo permite formar casais entre suas unidades para que tenham filhos. Esses filhos herdam os atributos e habilidades dos pais, fazendo com que a estratégia na primeira geração afete diretamente a segunda.
Até hoje, este continua sendo um dos jogos mais pedidos pelos fãs para receber um remake. A Nintendo não lançou nenhuma outra versão até agora, então a única forma de jogá-lo é na versão original de Super Nintendo.
Fire Emblem: Thracia 776
O jogo seguinte é Fire Emblem: Thracia 776. Saiu em 1999, também para o Super Nintendo, no Japão. Este jogo é famoso por ser, provavelmente, o mais impiedoso de toda a franquia, sem perdoar um único erro.
Não apenas os níveis e mapas são complicados, mas ele também introduziu mecânicas como a fadiga, em que suas unidades podem se cansar após uma batalha e ficar indisponíveis para a seguinte, obrigando você a gerenciar todos os personagens e não apenas os seus cinco favoritos.
Na história, acompanhamos Leif, filho de Quan (personagem da primeira geração de Genealogy). Obviamente, este jogo não é a melhor opção para um novato: há mapas com névoa de guerra, prisões onde você fica sem equipamento e chefes que perseguem você sem parar. Assim como Genealogy, não possui nenhuma outra versão, restando apenas a versão de Super Nintendo.
Fire Emblem: The Binding Blade
Entramos na era de ouro do Game Boy Advance com Fire Emblem: The Binding Blade. Saiu em 2002, e este é o último jogo a ser lançado exclusivamente no Japão.
A trama nos situa no continente de Elibe, onde o jovem Roy deve liderar o exército contra o império de Bern, que invadiu outros reinos utilizando dragões. É uma história clássica de fantasia, com um protagonista que precisa amadurecer rápido para salvar seu povo.
É o primeiro Fire Emblem em um console portátil, e o estilo pixel art do Game Boy Advance continua incrível até hoje, com animações excelentes. É um jogo exigente: os mapas são projetados para desafiar você, e os recursos são limitados, fazendo-o pensar duas vezes antes de mover qualquer peça. O jogo saiu apenas no Japão e não tem remake.
Fire Emblem: The Blazing Blade ⭐️
Chegamos ao primeiro essencial da franquia: Fire Emblem: The Blazing Blade. Saiu em 2003 e é o segundo jogo da trilogia do Game Boy Advance. Lançado no Ocidente simplesmente como Fire Emblem, foi o ponto de entrada para toda uma geração. É, até hoje, uma das experiências mais queridas da franquia.
A história se passa em Elibe, alguns anos antes dos eventos de Binding Blade. Acompanhamos três protagonistas: Lyn, Eliwood e Hector. A história começa com Lyn e traz um tutorial perfeito para novos jogadores. As histórias dos três vão se entrelaçando, e é muito legal ver como as decisões afetam o continente inteiro.
Foi o primeiro título que permitiu ao público ocidental desfrutar desta saga, e a recepção foi tão grande que convenceu a Nintendo de que a série tinha futuro por aqui. O jogo não tem remake, então a melhor versão é a disponível no catálogo do Nintendo Switch Online. Como disse, é o grande primeiro essencial, um jogo que envelheceu muito bem. As animações e a pixel art são lindas, e, se você quer entender como funciona o triângulo de armas e como se conta uma história épica na franquia, este é o melhor ponto de partida da velha guarda.