Impressões: Kingdom Hearts III mostra potencial no Nintendo Switch 2

Demo do aguardado RPG da Square Enix entrega boa qualidade visual, carregamentos rápidos e reacende o sonho de jogar Kingdom Hearts em qualquer lugar.

em 09/09/2026

Depois do desastroso lançamento da coleção de Kingdom Hearts em versões via nuvem para o Nintendo Switch original, parecia que a oportunidade de jogar a franquia da Square Enix de forma portátil em um console da Nintendo havia morrido de vez. A experiência dependia totalmente de uma boa conexão com a internet, algo que já limitava bastante o público, especialmente aqui no Brasil. O resultado foi um lançamento que nasceu cercado de críticas e que nunca conseguiu conquistar os fãs.

Quando o Nintendo Switch 2 foi revelado, minha esperança voltou imediatamente. Afinal, se o novo console era capaz de receber títulos muito mais exigentes tecnicamente, por que não sonhar com versões nativas da franquia? Durante meses, porém, não houve qualquer sinal de que isso pudesse acontecer. Rumores apareciam aqui e ali, mas nada concreto. Até que, durante o Nintendo Direct de junho de 2026, a confirmação finalmente chegou.

E para mostrar que a nova coleção não seria apenas uma simples adaptação, a Square Enix decidiu disponibilizar uma demonstração de Kingdom Hearts III, justamente o jogo mais ambicioso e tecnicamente exigente da série. Depois de passar algumas horas com a demo, chegou a hora de compartilhar minhas primeiras impressões.

O reino da fantasia — parte 3

Preciso admitir: foi algo especial iniciar Kingdom Hearts III em um console da Nintendo de forma nativa. Como alguém que acompanha a franquia há muitos anos, ver Sora, Donald e Pateta rodando diretamente no Switch 2 traz uma sensação de realização difícil de explicar.

Para quem não conhece a história, Kingdom Hearts III acompanha Sora após os eventos de Dream Drop Distance. Durante o Teste da Marca de Maestria, o protagonista acaba perdendo boa parte de seus poderes e precisa recuperá-los rapidamente para enfrentar a ameaça que se aproxima. Seu objetivo é despertar novamente o chamado Poder do Despertar, habilidade fundamental para os eventos que estão por vir.

Enquanto isso, Riku e o Rei Mickey partem em busca dos antigos mestres da Keyblade — Terra, Aqua e Ventus — enquanto Kairi inicia um treinamento especial para se preparar para a batalha final contra a escuridão.

A demonstração nos coloca exatamente nesse início da jornada. Sora, Donald e Pateta chegam ao mundo de Olympus, inspirado no universo de Hércules. Lá, Hades liberta os Titãs e inicia um ataque contra o Monte Olimpo, obrigando o trio a enfrentar hordas de Heartless enquanto sobe a montanha para ajudar Zeus.

Uma demonstração tecnicamente promissora

A primeira coisa que chama atenção é que Kingdom Hearts III continua sendo um jogo visualmente impressionante. Mesmo oito anos após seu lançamento original, os cenários possuem ótima qualidade artística, os modelos dos personagens são excelentes e os efeitos especiais continuam espetaculares.

Durante a demonstração, há momentos em que dezenas de partículas, explosões, magias e efeitos ocupam praticamente toda a tela. Além disso, as famosas atrações inspiradas nos parques da Disney retornam com toda sua extravagância visual, transformando o campo de batalha em um verdadeiro espetáculo.

Felizmente, o Switch 2 consegue lidar muito bem com tudo isso. Durante a maior parte da experiência, encontrei poucos engasgos e uma performance bastante estável. A sensação geral é de que estamos diante de uma adaptação competente.

Por outro lado, existe um ponto que me deixou um pouco decepcionado: a taxa de quadros. Em nenhum momento tive a impressão de estar jogando a 60 quadros por segundo. A experiência permanece agradável, mas para um RPG de ação tão dinâmico quanto Kingdom Hearts III, uma taxa mais elevada faria bastante diferença. A própria comunidade que testou a demo relatou comportamento semelhante, com desempenho aparentemente abaixo dos 60 fps.

Considerando que estamos falando de um jogo originalmente lançado para PlayStation 4 e Xbox One em 2019, eu esperava um pouco mais nesse aspecto. Ainda existe tempo até o lançamento, então torço para que a Square Enix consiga otimizar melhor a versão final ou, quem sabe, oferecer um modo de desempenho voltado para quem prefere priorizar a fluidez.

Toy Box também impressiona

Além de Olympus, a demonstração oferece acesso ao mundo Toy Box, inspirado em Toy Story. Essa segunda parte da demo pode ser iniciada diretamente pelo menu principal e permite experimentar uma área consideravelmente maior, incluindo o quarto de Andy e trechos da loja Galaxy Toys.

Foi justamente nesse mundo que tive uma das melhores impressões técnicas da demonstração. Os cenários são amplos, bastante coloridos e repletos de detalhes, mas ainda assim o jogo se mantém estável durante os combates.

Também é possível testar algumas das principais Keyblades disponíveis nas primeiras horas da aventura, incluindo a clássica Kingdom Key e as transformações especiais que se tornaram uma das marcas registradas de Kingdom Hearts III. Essas mudanças de forma alteram completamente os ataques de Sora e tornam os combates ainda mais divertidos.

Outro aspecto que merece destaque são os carregamentos. Comparado às versões da geração passada, as transições são mais rápidas e praticamente eliminam aquela pequena espera entre áreas e menus. Pode parecer um detalhe simples, mas faz uma enorme diferença no ritmo da aventura.

Primeiras impressões

Ao terminar a demonstração, fiquei com um sorriso no rosto. Como fã da franquia e alguém que sempre sonhou em levar Kingdom Hearts para qualquer lugar em um console da Nintendo, finalmente jogar Kingdom Hearts III de forma nativa no Switch 2 parece até uma espécie de reparação depois do decepcionante lançamento das versões em nuvem. Durante muitos anos, essa possibilidade parecia impossível, mas agora ela está finalmente se tornando realidade. Seja na TV ou no modo portátil, a sensação é de que a série finalmente encontrou o seu lugar no ecossistema da Nintendo.

Claro, ainda existem algumas dúvidas sobre a performance final e gostaria muito de ver o jogo rodando a 60 quadros por segundo, principalmente no modo dock. Mesmo assim, o trabalho apresentado na demo é bastante positivo.

No fim das contas, Kingdom Hearts III continua sendo o mesmo grande RPG que conquistou milhões de jogadores ao redor do mundo, com uma trilha sonora memorável, personagens carismáticos, combates divertidos e alguns dos mundos mais encantadores já criados pela Disney e pela Pixar. Se o restante da coleção mantiver esse mesmo padrão de qualidade, os fãs da franquia terão finalmente a experiência definitiva para jogar onde quiserem, sem depender de internet ou de serviços de streaming.

Agora resta aguardar o lançamento da coleção KINGDOM HEARTS Collection [I~III] em 8 de outubro para descobrir se a versão final conseguirá cumprir tudo o que essa promissora demonstração começou a mostrar.

Revisão: Vitor Tibério
Texto de impressões produzido a partir da demonstração disponível gratuitamente na Nintendo eShop.
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Leandro Alves
Leandro Alves é designer gráfico formado e especialista em Design Estratégico pela Unicarioca, além de UX Designer com formação pela ESPM e pela escola britânica Design Institute. Diretor Geral, Diretor Editorial e Diretor de Arte das revistas GameBlast e Nintendo Blast, iniciou sua paixão por videogames com The Legend of Zelda: A Link to the Past. Fã da Nintendo, mas sem esconder sua admiração pelo PlayStation, tem como séries favoritas Kingdom Hearts, Pokémon, Fire Emblem, Splatoon, The Last of Us, Uncharted e Xenoblade Chronicles. Está no Instagram e Twitter.
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