Kingdom Hearts: uma jornada sobre amizade, esperança e o poder dos sonhos

A chegada de Kingdom Hearts Collection I–III ao Switch 2 celebra os 25 anos da franquia com emoção, nostalgia e liberdade para jogar.

em 01/10/2026

Em 2027, Kingdom Hearts completará 25 anos de uma trajetória que marcou gerações de jogadores. O que começou como uma parceria improvável entre a Square Enix e a Disney acabou se transformando em uma das franquias mais amadas da indústria dos videogames, conquistando fãs ao redor do mundo com sua mistura única de RPG, ação e narrativa emocional. E não poderia haver momento melhor para celebrar esse legado do que a chegada de Kingdom Hearts Collection I–III ao Nintendo Switch 2, reunindo grande parte da saga em uma única coleção.

Para quem nunca teve contato com a série, a coletânea representa a oportunidade ideal para acompanhar a jornada de Sora desde seus primeiros passos nas Ilhas do Destino até os eventos que culminam em Kingdom Hearts III. Já para os veteranos, é uma chance de revisitar personagens, mundos e momentos que ajudaram a transformar a franquia em algo muito maior do que um simples crossover entre Disney e Square Enix.

No meu caso, Kingdom Hearts faz parte da minha vida há muitos anos. Curiosamente, só consegui jogar o primeiro título muito tempo depois de seu lançamento original, já que eu não tinha um PlayStation 2. Ainda assim, a franquia acabou me conquistando de uma forma que poucas conseguiram. Desde então, acompanhei praticamente todos os lançamentos, jogando cada capítulo em sua plataforma de origem. A única exceção foi Kingdom Hearts Coded, que experimentei apenas em sua versão Re: Coded para Nintendo DS. Também fui um daqueles fãs que se aventuraram em Kingdom Hearts χ, na época exclusivo do Japão, utilizando VPN para acompanhar aquela importante parte da história antes mesmo de ela chegar ao Ocidente.

E talvez seja justamente essa dedicação que me faz enxergar Kingdom Hearts de uma forma diferente. Quando olhamos para a série pela primeira vez, é fácil enxergá-la apenas como um encontro entre personagens famosos da Disney e personagens de Final Fantasy. No entanto, quem embarca nessa aventura descobre algo muito mais profundo. Por trás das batalhas contra os Heartless, dos mistérios envolvendo a Organização XIII e dos inúmeros conceitos que tornam a narrativa tão complexa, existe uma história sobre amizade, conexões e a importância das pessoas que cruzam nosso caminho.
Organização XIII
Confesso que Kingdom Hearts ocupa um lugar muito especial no meu coração. Cresci assistindo aos clássicos da Disney, me encantando com personagens como Aladdin, Simba, Hércules, Ariel (não é o revisor), Jack Skellington e tantos outros. Poder explorar esses mundos, interagir com seus habitantes e vê-los integrados a uma narrativa inédita foi uma experiência mágica quando finalmente tive a oportunidade de jogar a série. Era como participar de um grande encontro entre histórias que fizeram parte da minha infância.

Mas o que realmente me conquistou não foram apenas os mundos da Disney. Foi a história original criada pela Square Enix. Sim, ela pode ser confusa em alguns momentos. Existem muitos personagens, linhas temporais, corações, memórias e conceitos que exigem atenção do jogador. Ainda assim, por trás de toda essa complexidade existe uma narrativa surpreendentemente humana. Uma história que fala sobre solidão, pertencimento, amizade, sacrifício, esperança e a importância de seguir em frente mesmo diante das maiores dificuldades.

Sora talvez seja o personagem que melhor represente essa mensagem. Não por acaso, ele é um dos meus favoritos ao lado de Riku e Terra. Cada um deles possui jornadas muito diferentes, mas compartilham o mesmo tema central: a busca por seu lugar no mundo e pelas pessoas que são importantes para eles. Ao longo dos anos, acompanhei suas vitórias, derrotas e reencontros, criando uma conexão emocional que poucas franquias conseguiram despertar.

Terra à esquerda, Riku ao centro e Sora à direita.
Essa ligação também aparece em outros detalhes. Tenho um carinho especial por Keyblades como a Fenrir, a Royal Radiance (Crown Unlimit, no Japão), a Divewing e a Braveheart, armas que marcaram diferentes momentos da série e que até hoje considero algumas das mais icônicas já criadas. O mesmo vale para mundos como Olympus Coliseum, The Grid, Toy Box e Halloween Town, cenários que revisitei inúmeras vezes e que continuam entre meus favoritos de toda a franquia.
Riku segurando a Braveheart, enquanto Sora, à direita, empunha a Fenrir.
Meus jogos preferidos também refletem diferentes momentos da história de Kingdom Hearts. Kingdom Hearts II continua sendo, para mim, um dos melhores RPGs de ação já produzidos. Birth by Sleep expandiu o universo da série de forma brilhante ao apresentar Terra, Aqua e Ventus, enquanto Dream Drop Distance trouxe algumas das ideias mais criativas da franquia. Aliás, meu carinho por esse capítulo é tão grande que possuo até hoje a edição especial Mark of Mastery Edition, lançada para Nintendo 3DS. Também guardo com muito orgulho a edição especial de Kingdom Hearts III, duas peças que representam anos acompanhando essa saga.

Kingdom Hearts: Dream Drop Distance Mark of Mastery Edition do Nintendo 3DS
Outro aspecto que torna Kingdom Hearts tão especial é sua capacidade de equilibrar momentos leves e divertidos com cenas profundamente emocionantes. Em um instante estamos explorando o Olympus Coliseum ou vivendo aventuras em Toy Box. No outro, estamos acompanhando despedidas dolorosas, reencontros aguardados por anos ou personagens lutando para encontrar seu lugar no mundo. Poucas franquias conseguem transitar entre esses extremos com tanta naturalidade.

A chegada de Kingdom Hearts Collection I–III ao Nintendo Switch 2 também representa algo que muitos fãs aguardaram por anos: a possibilidade de ter toda essa jornada reunida em um único lugar. Mais do que uma simples coletânea, ela funciona como uma celebração de uma franquia que atravessou gerações e continua emocionando novos jogadores mesmo após mais de duas décadas.

E existe outro fator que torna esse lançamento ainda mais especial para os jogadores da Nintendo. Diferentemente das versões em nuvem disponibilizadas no Nintendo Switch original, Kingdom Hearts Collection I–III chega ao Nintendo Switch 2 de forma nativa, permitindo que toda a aventura seja aproveitada sem depender de uma conexão constante com a internet. Vale lembrar que a edição física é um Game-Key Card: o cartucho funciona apenas como uma chave de acesso, e o jogo precisa ser baixado da internet antes da primeira partida. Depois disso, porém, não é preciso manter a conexão. Isso significa poder embarcar na jornada de Sora onde e quando quiser, seja no conforto de casa ou no modo portátil durante uma viagem. Para uma série tão extensa, repleta de segredos e momentos memoráveis, ter a liberdade de jogar em qualquer lugar representa um dos maiores atrativos desta nova edição.

Enquanto a série se aproxima de seu aniversário de 25 anos e se prepara para o futuro com novos capítulos, revisitar essa aventura é também uma oportunidade de lembrar por que Kingdom Hearts se tornou tão importante para tantas pessoas. Para alguns, será uma viagem nostálgica de volta à infância. Para outros, será a descoberta de uma das histórias mais emocionantes já contadas nos videogames.

Para mim, será mais uma oportunidade de revisitar uma saga que me acompanhou durante boa parte da vida. Uma série que me fez rir, me emocionou em diversos momentos e me apresentou personagens que jamais esquecerei. Porque, no fim das contas, Kingdom Hearts nunca foi apenas sobre Disney, Final Fantasy ou Keyblades. Sempre foi sobre conexões. E algumas delas permanecem conosco para sempre.

Revisor: Ariel Rodrigues
Siga o Blast nas Redes Sociais
Leandro Alves
Leandro Alves é designer gráfico formado e especialista em Design Estratégico pela Unicarioca, além de UX Designer com formação pela ESPM e pela escola britânica Design Institute. Diretor Geral, Diretor Editorial e Diretor de Arte das revistas GameBlast e Nintendo Blast, iniciou sua paixão por videogames com The Legend of Zelda: A Link to the Past. Fã da Nintendo, mas sem esconder sua admiração pelo PlayStation, tem como séries favoritas Kingdom Hearts, Pokémon, Fire Emblem, Splatoon, The Last of Us, Uncharted e Xenoblade Chronicles. Está no Instagram e Twitter.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).