Em 2023, Marsupilami voltou aos videogames depois de décadas desde o título de Mega Drive e surpreendeu fazendo um plataforma 2D competente que abriu espaço para uma sequência. Agora, Marsupilami 2 - Salsa Palombia chega com a missão de expandir o que funcionou, com os três protagonistas jogáveis utilizando habilidades distintas e um modo de desafio focado em velocidade. Há uma boa base, mas a sensação que fica é de que o jogo poderia ter ido mais longe.
Um começo simples que vai ganhando identidade
Os primeiros momentos de Salsa Palombia não causam grande impacto. A floresta inicial é colorida e bem construída, porém familiar demais para quem já jogou qualquer plataforma 2D, especialmente Donkey Kong Country Returns, que parece ser a principal inspiração. Até a premissa da história é a mesma: inimigos chegam à ilha dos Marsupilamis e enfeitiçam os animais, enquanto os protagonistas são imunes à magia.
Os inimigos são previsíveis, os obstáculos são os esperados e a sensação é de que estamos diante de mais um jogo competente, porém seguro. Felizmente, essa impressão consegue mudar um pouco conforme a jornada avança.
Cenários como o da cidade, com carros passando e fios elétricos para desviar, introduzem um ritmo mais frenético e perigoso. É nesse ponto que o jogo revela seu maior acerto e, de certa forma, seu ponto fraco: a variedade de estilos.
Há fases com trens, plataformas para deslizar, sequências de fuga e até momentos em que a câmera se afasta ou muda de ângulo para destacar o cenário. O level design melhora após um primeiro mundo mais simples, mas o jogo acaba justamente quando estava apresentando suas ideias mais legais.
Coloco como algo que é, ao mesmo tempo, positivo e negativo, porque é um jogo bom, mas bem curto. São apenas quatro mapas, com menos de dez fases em cada um. Quando parece que o jogo vai deslanchar e realmente mostrar a que veio, já acabou. Como já se trata de uma sequência, era esperado que fossem um pouco mais longe no conteúdo.
Por conta disso, talvez, para poder tentar fazer o jogo render mais, ele acabe apelando para ideias que tornam a experiência mais repetitiva. O último mapa não pode ser acessado sem que um número mínimo de notas musicais, o item coletável do jogo, seja pego nos outros mapas. Ou seja, é impossível zerar sem rejogar algumas fases, caso você não tenha feito 100% delas de primeira.
Três marsupilamis, três estilos, mas nem tudo funciona
A grande novidade em relação ao primeiro jogo é a habilidade única dos protagonistas. Twister (amarelo) pode planar e dar um dash no ar, Hope (laranja) tem um pulo duplo e consegue quicar em certos inimigos, enquanto Punch (roxo) se transforma em uma bola que quica pelo cenário e é imune a espinhos.
Cada fase usa apenas dois personagens e a dupla já é predeterminada. É possível alternar entre eles a qualquer momento durante a jogatina, sendo até essencial em certas partes para alcançar coletáveis escondidos ou atravessar obstáculos com rapidez.
Na teoria, é um sistema que adiciona camadas de estratégia e variedade. Na prática, a execução é desigual. Twister e Hope oferecem movimentação fluida e satisfatória, com habilidades que se integram naturalmente ao ritmo de plataforma e da maioria das fases.
Já Punch é a bola curva da vez. Sua transformação só é útil contra espinhos, que poucas fases têm, e mesmo nesses momentos, o movimento do personagem é lento e desajeitado, quebrando a fluidez do jogo.
Além disso, há um claro desequilíbrio entre os protagonistas. Não só existem momentos em que qualquer um dos personagens disponíveis consegue resolver os desafios, como Hope fica na vantagem por ter o pulo duplo, que serve para alcançar pontos altos e corrigir o movimento ainda no ar. É uma oportunidade perdida de transformar as diferenças entre os três em escolhas genuínas para o jogador.
Desafios e o modo Salsa
Além das fases tradicionais, Salsa Palombia aposta em dois tipos de conteúdo extra: os Dojos e o modo Salsa.
Os Dojos são desafios escondidos nas fases, apresentados com um visual estilizado que lembra as fases de pôr do sol em Donkey Kong Country Returns. O objetivo varia entre coletar notas musicais, quebrar vasos ou derrotar inimigos, tudo em um tempo limitado, sem ser atingido. São uma mudança bem-vinda do ritmo normal das fases, mas tornam-se repetitivos após alguns encontros, já que a variedade é baixa.
O modo Salsa é a adição mais interessante. Após completar uma fase, o jogador pode rejogá-la com o objetivo de coletar o máximo de frutas possível e manter um combo enquanto avança o mais rápido que puder.
Não basta apenas chegar ao fim da fase; é preciso ser eficiente, coletando as frutas sem deixar o combo cair, não tomando dano, que também cancela o combo, e ainda aprender as rotas ideais e qual marsupilami usar.
Para quem gosta de speedrun, esse modo é um prato cheio. Dentro do jogo, a recompensa do modo Salsa fica por conta das frutas, que são a “moeda” usada para desbloquear fases opcionais, e das notas musicais para ajudar a desbloquear o último mapa.
Um jogo divertido, que ainda não alcançou o potencial
Marsupilami 2: Salsa Palombia é um caso curioso de sequência que desenvolve alguns aspectos, mas ainda fica longe de brilhar como deveria. As fases são divertidas, a jogabilidade é fluida e o modo Salsa adiciona uma camada extra de desafio que recompensa o domínio das fases.
Por outro lado, a sensação constante é de que o jogo termina justamente quando estava engrenando. O último mapa tem ideias mais ousadas e mostra como o projeto poderia ter sido um pouco mais ambicioso.
Para fãs de plataforma 2D, especialmente aqueles que gostam de Donkey Kong Country Returns, Marsupilami 2 oferece algumas horas de diversão bem executada. Não é uma referência do gênero, nem tenta ser. É um jogo modesto, carismático e que, de certa forma, cumpre com o que um bom jogo de plataforma precisa mostrar.
Prós
- Level design interessante, especialmente nos últimos mapas;
- Sistema de três personagens com habilidades distintas adiciona variedade à jogabilidade;
- Modo Salsa oferece um bom incentivo para revisitar fases com foco em eficiência.
Contras
- Punch é consideravelmente menos divertido de controlar que Twister e Hope;
- O design das fases nem sempre dá espaço para bom uso das habilidades dos personagens;
- O jogador é obrigado a pegar um número mínimo de coletáveis para conseguir terminar o jogo;
- Campanha curta.
Marsupilami 2: Salsa Palombia — Switch/PC/PS5/XSX — Nota: 7.5Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Cristiane Amarante
Análise feita com cópia digital cedida pela Microids









