Análise: Mewgenics — gatos à solta em um divertido e viciante roguelite

Monte um arsenal de felinos e conquiste o que há além dos muros da sua casa, uma partida por vez.

em 21/09/2026
Chegando ao Switch 2 e aos demais consoles do mercado após sua bem-sucedida estreia no PC, Mewgenics é o mais novo título assinado por Edmund McMillen (The Binding of Isaac, Super Meat Boy) e Tyler Glaiel (The End is Nigh, Bombernauts). Unindo elementos de estratégia em turnos com mecânicas roguelite, temos aqui um título com potencial para consumir dezenas de horas do seu tempo, caso a proposta de montar exércitos de gatos cada vez mais poderosos (e esquisitos) lhe soe interessante. Confira a nossa análise!

Mergulhando na felinologia

Mewgenics começa nos apresentando ao excêntrico cientista Thomas A. Beanies, um pesquisador dedicado ao estudo e aprimoramento de gatos. Ao perceber o aparente interesse do jogador nos felinos, Thomas exibe, orgulhosamente, os resultados dos seus experimentos mais recentes, que geraram espécimes tão curiosos quanto perigosos.

Mas qual seria o motivo para investir na manipulação genética de gatos? Para Beanies, a resposta é (quase) clara: com felinos suficientes, talvez a humanidade consiga reverter o fluxo do tempo. Talvez seja possível alcançar a imortalidade. Ou, talvez — quem sabe? —, os gatos poderiam substituir as armas nucleares como principais instrumentos bélicos.

Sim, há mais perguntas do que respostas, mas é aí que você entra na história: de posse de um casal de bichanos gerados em laboratório, a sua missão é ver até onde eles conseguem chegar em jornadas perigosas por locais como becos, ferros-velhos, esgotos e até o espaço sideral. Afinal, não se sabe, ainda, tudo o que um punhado de gatos geneticamente modificados consegue fazer. Preparado para descobrir?

Para além dos muros e grades

Mewgenics é um jogo de estratégia em turnos com mecânicas roguelite. Na prática, isso significa que você escolherá e controlará um grupo de até quatro gatos em campanhas de dificuldade crescente, com batalhas e eventos gerados aleatoriamente que se passam tanto em arredores simples — onde os bichos normalmente costumam passear — quanto em ambientes totalmente inesperados.

Para ajudar na missão de desbloquear o máximo potencial dos felinos, o jogador possui uma casa virtual para os animais, na qual os gatos residem e podem ser selecionados para as próximas aventuras. Porém, com perigos como insetos venenosos, ratos e outras ameaças à espreita, é provável que nem todos os aventureiros retornem vivos de suas partidas. Por isso, é possível coletar os felinos que aparecem uma vez por dia nos arredores do lar ou esperar que a natureza faça seu trabalho, recrutando os filhotes que, inevitavelmente, surgem quando machos e fêmeas convivem no mesmo ambiente.

Sobre isso, algo bem legal em Mewgenics é que cada gato encontrado (ou gerado) no jogo é verdadeiramente único. Isso se deve principalmente ao sistema de atributos do título, que conta com parâmetros como força, constituição, destreza e carisma, mas também ao seu sistema próprio de classes, que lembra o encontrado em RPGs de mesa e, aqui, está atrelado ao uso de coleiras especiais.

Dessa forma, a chave para triunfar nas partidas está em selecionar gatos apropriados para cada função antes de partir em uma aventura. Um bichano que se destaque pela inteligência, por exemplo, é um ótimo candidato a receber a coleira de mago do time, enquanto felinos mais fortes são naturalmente bons tanques e combatentes corpo a corpo.

Assim, por mais que as batalhas por turnos do jogo sempre aconteçam em grids 10x10, a aleatoriedade dos desafios, juntamente com a variedade de habilidades e golpes possíveis para cada gato, faz com que nenhuma partida seja exatamente igual à anterior (uma característica inegociável para todo bom roguelite). A partir daí, fica a missão do jogador de extrair o melhor do time para conseguir voltar para casa com os louros da vitória (geralmente, comida para os gatos que ficaram e itens que podem ser guardados para as próximas partidas).

Pensando nas gerações futuras

Recrutar novos gatos com frequência é fundamental em Mewgenics, já que os bichanos que partiram em uma aventura no passado são declarados aposentados e, por isso, não podem participar de novas campanhas. Logo, para ajudar na missão de montar times cada vez mais fortes, é necessário criar ambientes propícios para cruzamentos e também investir nos aprimoramentos permanentes.

Falando primeiro dos cruzamentos, como os filhos herdam os traços dos pais, com uma boa dose de paciência, é possível conseguir gatos com atributos iniciais bastante altos se a linhagem for propícia (e fértil). Já os aprimoramentos envolvem melhorias para a casa ou para o armazenamento e são obtidos com os personagens que vamos conhecendo ao longo das partidas.

A bem da verdade, alguns desses personagens requerem um certo número de gatos específicos, como filhotes ou aposentados, antes de ajudar o jogador a progredir. Inevitavelmente, tais pedidos exigem uma boa quantidade de grinding, mas as recompensas oferecidas costumam valer o esforço (sem entrar no campo dos spoilers).

No mais, também vale mencionar que, para quem gosta de desbloquear todos os recursos e ver tudo o que um título pode oferecer, Mewgenics é um prato cheio. Ao longo de mais de uma dezena de horas de jogo, não me deparei com um único diálogo ou interação repetida, e há potencial para criar builds realmente poderosas (ou quebradas, no bom sentido) conforme nos familiarizamos com os sistemas — gatos com motosserras podem ser especialmente perigosos, adianto.

Um título que se adapta perfeitamente ao Switch 2, mas que não é para todos

Feitos os elogios, é preciso frisar que Mewgenics não é uma obra para todos os públicos. Sendo honesto, jogos de estratégia em turnos já são naturalmente nichados, mas há um paradoxo em relação à temática deste título: apesar de os gatos serem criaturas normalmente adoráveis em suas retratações midiáticas, há aqui uma tendência de colocá-los em situações desagradáveis e até mesmo repulsivas.

Essa decisão criativa não chega a ser uma surpresa quando analisamos o humor ácido e os traços deliberadamente toscos das obras anteriores de McMillen e Glaiel, mas o alerta é importante — especialmente se você estiver esperando lidar com gatinhos fofinhos (e não com criaturas e eventos cada vez mais bizarros, que é o que acontecerá na prática). 

No mais, para um jogo desenvolvido originalmente para PC, Mewgenics se adapta perfeitamente ao Switch 2. Não encontrei nenhum problema de performance ou apresentação durante as várias horas de jogo que dediquei à produção desta análise, e há até suporte ao modo mouse dos novos Joy-Con para quem deseja mais liberdade e velocidade na hora de navegar pelas arenas e pelos mapas do título no modo TV.

Com partidas rápidas que podem ser pausadas a qualquer momento, o jogo também “casa” perfeitamente com a flexibilidade do console da Nintendo (assim como outros roguelites). E, por fim, Mewgenics conta com legendas e menus em português brasileiro, facilitando a leitura e compreensão dos efeitos mais complexos e tornando a obra uma recomendação fácil para o nosso público.

Gatos à solta em um divertido e criativo roguelite

Mewgenics transforma a tarefa de cuidar de gatos em um divertido e viciante roguelite, que frequentemente subverte as expectativas ao colocar os felinos em situações esdrúxulas. Por mais que o humor ácido e a apresentação deliberadamente tosca do título não venham a agradar a todos os jogadores, é inegável que a nova obra de Edmund McMillen e Tyler Glaiel tem potencial para entregar horas de diversão para quem aprecia jogos de estratégia e roguelites que fogem do óbvio. Agora, com licença — este redator que vos escreve precisa continuar a construir seu exército de gatos.

Prós

  • Subvertendo expectativas, transforma gatos em guerreiros e passeios pela vizinhança em aventuras que lembram pequenas, mas divertidas, campanhas de RPG;
  • A grande variedade de habilidades, movimentos e itens, além da impossibilidade de reutilizar felinos que já participaram de outras campanhas, faz com que nenhuma partida seja exatamente igual à anterior, aumentando consideravelmente o fator replay;
  • Buscar o exemplar felino perfeito é divertido e praticamente um outro jogo dentro do jogo, graças às mecânicas de reprodução;
  • Apresenta ótima performance técnica no Switch 2, com destaque para o suporte ao Modo Mouse;
  • Localizado em PT-BR.

Contras

  • O senso de humor ácido e a estética deliberadamente grosseira do título podem não agradar a todos os jogadores;
  • Alguns aprimoramentos requerem quantidades consideráveis de grinding, desembocando na repetição.
Mewgenics — PC/PS5/XSX/Switch 2 — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nicalis
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Alan Murilo
é publicitário e copywriter que aprecia um bom jogo tanto quanto um bom café. Gamer desde que segurou um controle de Super Nintendo pela primeira vez, tem um apreço especial pelos títulos independentes e pelas diversas franquias da Big N.
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