Just Dance sempre foi uma franquia para se jogar com a família e amigos — ainda mais aqueles que amam uma boa música e dança. Lembro-me de, quando criança, em festinhas, ser comum colocar no YouTube os vídeos de gameplay de Just Dance para a criançada curtir e de como todos se divertiam; inclusive, são memórias muito boas que tenho com minhas irmãs. Mas Just Dance: Decades of Hits é, como a tradução do seu próprio nome, apenas dança. Apesar de termos boas adições nesta edição, além de uma lista de faixas que passeiam desde os anos 1970 até os anos 2020, o jogo mantém a mesma experiência.
O relógio das décadas
Esta edição traz algo inédito implementado pela Ubisoft: um modo campanha com um pouco de história — e bem pouco mesmo. O enredo acompanha Lyra e seu pai, o Dr. Gigavolt, que foi sugado por uma de suas invenções e acabou parando na década de 1970. Para resgatar seu pai, Lyra precisa viajar pelas eras e dançar para recuperar as areias do tempo, conseguindo assim voltar para casa.
A história é bem simples, mas achei uma adição super legal por dar um motivo para você passar por todas as músicas em sequência, ao invés de simplesmente ir direto ao menu e escolher a faixa desejada. Claro que, no modo tradicional, as canções já estão todas liberadas para dançar na hora que quiser, mas o modo campanha entrega essa motivação extra.
Além disso, a campanha conta com alguns bônus em formato de quizzes, que funcionam muito bem para quebrar a monotonia de apenas dançar. Essas perguntas apresentam curiosidades sobre roupas, penteados, ritmos e objetos característicos de cada época: uma imagem aparece na tela e você precisa identificar se aquele item existia ou não nos anos 1970 — como um fone de ouvido Bluetooth, que sabemos claramente que não pertence àquela época!
E nessas atividades, tanto nas danças quanto nos quizzes, você precisa atingir uma porcentagem mínima para conseguir desbloquear a próxima fase. Quando há mais de uma pessoa jogando, o resultado é calculado a partir da média do grupo — o que pode ser bem interessante para jogar em dupla se vocês gostam de um desafio a mais. No entanto, achei a progressão relativamente fácil, o que pode frustrar um pouco quem busca um teste mais rigoroso. Vale notar que existe a opção de ajustar a dificuldade; eu mesmo joguei no modo normal.
A contagem das faixas e a curadoria do catálogo
O novo jogo reúne 35 músicas inéditas e outras cinco versões alternativas — que são coreografias mais difíceis de determinadas faixas. É um catálogo que junta artistas recentes com nomes já consagrados na história da música, mas que deixa passar alguns artistas que poderiam estar presentes. Quem acompanha de perto todos os lançamentos da franquia pode acabar se decepcionando um pouco.
Temos nomes como Olivia Rodrigo, Britney Spears, Chappell Roan, Zara Larsson, Sabrina Carpenter e Madonna. É uma seleção de bastante qualidade, mas isso não significa que todas as coreografias sejam memoráveis. Os movimentos não são complexos e, em muitos casos, é fácil conseguir aquela pontuação "Perfect", o que faz com que faixas que deveriam ser os grandes destaques da edição não ganhem o brilho merecido.
Nomes como Katy Perry, Taylor Swift, P!nk e Beyoncé não estão disponíveis no jogo. São artistas que possuem músicas que se encaixam perfeitamente com o título, e a ausência delas deixa o jogo um pouco menos empolgante do que poderia ser.
O saldo da pista de dança
Just Dance: Decades of Hits é uma celebração nostálgica de uma das franquias mais carismáticas da indústria. A adição do modo campanha, ainda que modesta, traz um sopro de ar fresco bem-vindo, dando propósito e ritmo à jornada musical. Por outro lado, o título esbarra em certas limitações conhecidas: uma progressão permissiva, coreografias que por vezes carecem de desafio e a ausência sentida de grandes ícones da música pop.
Ainda assim, o coração da experiência permanece intocado. Se o objetivo é reunir amigos e família na sala para dar boas risadas, relembrar épocas marcantes e criar novas memórias ao som de ótimas músicas, a nova edição cumpre perfeitamente o seu papel. Just Dance: Decades of Hits pode não revolucionar a fórmula, mas prova que dançar junto continuará sendo, por muito tempo, uma das formas mais divertidas de celebrar a música nos videogames.
Prós
- A inclusão inédita de um modo campanha traz um propósito divertido para dançar as músicas em sequência e resgatar o Dr. Gigavolt pelas décadas;
- Os quizzes com curiosidades históricas sobre moda, música e tecnologia das épocas funcionam muito bem para quebrar o ritmo entre as danças;
- A seleção musical passeia dos anos 1970 até a atualidade com nomes de peso como Olivia Rodrigo, Britney Spears, Sabrina Carpenter e Madonna;
- O cálculo de pontuação pela média do grupo torna a experiência cooperativa e ideal para curtir em festas ou em família.
Contras
- A ausência de ícones pop como Taylor Swift, Beyoncé, Katy Perry e P!nk deixa uma lacuna sentida no repertório da edição;
- A facilidade exagerada na pontuação e a falta de complexidade em várias coreografias reduzem o desafio para jogadores mais experientes;
- O enredo da campanha é bem raso e serve apenas como uma desculpa modesta para a transição entre as faixas musicais;
- Para quem já acompanha todos os lançamentos anuais da franquia, a experiência geral pode parecer mais do mesmo sem grandes evoluções.
Just Dance: Decades of Hits — PS5/XSX/Switch — Nota: 7.0Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Juliana Alvarenga
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ubisoft






