Análise: ONE PIECE: Grand Gourmet troca o combate pelo gerenciamento em uma aventura gastronômica

Deixe a pancadaria de lado e comande a cozinha da tripulação em um charmoso jogo de gerenciamento.

em 27/10/2026

Uma das maiores e mais incríveis histórias que já vi na vida é, sem dúvida, One Piece. O mangá, que narra a jornada de Luffy e seus amigos em busca do tesouro lendário One Piece, completa 29 anos em 2026 — quase três décadas de vida. Ao longo desse tempo, acompanhamos o lançamento de diversos títulos baseados na saga, porém ONE PIECE: Grand Gourmet se destaca por ser bem diferente de seus antecessores. O jogo é um simulador de restaurante em que vários personagens da obra visitam o estabelecimento para saborear os pratos deliciosos do Sanji e interagir entre si.


O título, desenvolvido pela Kairosoft e publicado pela Bandai Namco, deixa de lado a fórmula tradicional da franquia, focada majoritariamente em jogos de ação, para focar no gerenciamento de restaurante, lembrando bastante a proposta de Two Point Museum. Tudo é apresentado em uma estética pixel art muito bonita. Marca registrada da Kairosoft, estúdio com mais de duas décadas de experiência em simuladores de gerenciamento do tipo.

A disputa pela honra da cozinha

A história começa logo após uma batalha no restaurante flutuante Baratie. Ao presenciarem o ocorrido, Luffy e Sanji partem para lá no intuito de ajudar seus amigos. Ao chegarem ao local, eles descobrem que um bando de impostores está se passando pelo Baratie original e vendendo comida superfaturada, manchando gravemente a reputação do estabelecimento. Diante disso, Luffy e Sanji decidem abrir o próprio restaurante para resgatar a honra do Baratie.


Para auxiliar nessa empreitada, o jogo apresenta uma nova personagem chamada Tori — uma pássara — que, ao lado do avatar customizável (um aprendiz de cozinheiro criado por você), junta-se a Luffy e Sanji na equipe de cozinha. O objetivo principal é transformar esse novo empreendimento em uma grande referência gastronômica em todos os mares da Grand Line.

No início do jogo, escolhemos o nome do nosso restaurante e customizamos o nosso personagem, que infelizmente conta com apenas seis aparências pré definidas para escolha.

A travessia pelos mares e a engenharia do cardápio

Algo que achei muito legal como fã de One Piece é que as ilhas que podemos visitar estão divididas pelos mares do próprio mangá. Dessa forma, exploramos os locais na ordem cronológica da história, o que nos permite ir encontrando os personagens que fazem parte de cada arco específico da obra.

O núcleo do jogo é o gerenciamento dos pratos — afinal de contas, é disso que vive um restaurante! Com a ajuda de Sanji, podemos gerenciar receitas e preparar pratos clássicos da obra, incluindo criações inspiradas nas Akuma no Mi, as famosas frutas que concedem poderes aos personagens da franquia.


O título permite personalizar os pratos do seu jeito: é possível montar diferentes combinados escolhendo o prato principal, o acompanhamento, a sobremesa e a bebida. Além disso, dependendo dos enfeites que você adiciona à apresentação do prato, o jogo concede bônus extras.

Podemos ainda escolher acompanhamentos, sobremesas e bebidas compatíveis com o prato principal, deixando a refeição ainda mais saborosa. Conforme o prato ganha sinergia entre seus elementos, ele se torna mais caro e mais requisitado pelos clientes, aumentando a afinidade com os personagens que o consomem e gerando mais receita para o estabelecimento.


Outra mecânica importante é a organização do próprio espaço físico: você pode expandir o restaurante e criar diferentes áreas temáticas inspiradas nas ilhas do mundo de One Piece. O mais legal é que os clientes podem se tornar fãs fiéis do local ao encontrarem decorações que lembram o arco do mangá em que eles aparecem.

Expedições pelas ilhas e o papel da tripulação

Também temos uma mecânica focada na exploração das ilhas que Luffy e seu bando visitam durante a obra. Nessas expedições, podemos encontrar desde aliados até grandes vilões da franquia. Cada um deles possui desejos específicos que, quando cumpridos, aumentam sua afinidade com o restaurante — e alguns deles podem até ser contratados para trabalhar no seu estabelecimento!


Igualmente fundamental é realizar as missões que os visitantes entregam, pois elas ajudam a montar novos pratos e a desbloquear receitas inéditas, aprimorando diretamente o desempenho e o faturamento do restaurante.

O título traz uma variedade impressionante de personagens: com mais de 400. Os encontros vão desde figuras queridas como o cãozinho Chouchou até antagonistas marcantes como Crocodile, Doflamingo e Kaidou.


Há também uma enciclopédia interna em que podemos acompanhar os personagens já encontrados e conferir quem ainda falta desbloquear. O mais divertido é que as figuras presentes no restaurante interagem entre si — inclusive personagens que nunca se cruzaram na história original —, o que rende diálogos e situações hilárias.

No início da jornada, temos apenas Luffy e Sanji como membros da tripulação. Conforme avançamos no jogo e encontramos os outros companheiros do bando, novas funções essenciais para o restaurante são desbloqueadas. Encontrar o Franky, por exemplo, permite expandir o espaço físico do estabelecimento; já resgatar o Usopp habilita a criação de novas decorações personalizadas. Assim, reunir os Chapéus de Palha é fundamental para fazer o negócio prosperar.

A interrupção do fluxo de trabalho

O jogo possui uma premissa incrível e muito divertida — não nego que montar o cardápio e organizar cada detalhe do restaurante se tornam bem viciantes. No entanto, o título traz seus tropeços. A começar pela interface, que está longe de ser intuitiva: achei os menus bastante confusos e poluídos para navegar. Em uma proposta de gerenciamento como esta, contar com menus precisos e dinâmicos é fundamental para não frustrar a experiência do jogador.

Outro ponto que me incomodou foi a forma como as missões são apresentadas. Elas surgem abruptamente na tela, muitas vezes em sequência, gerando uma onda de pop-ups que interrompem o que você está fazendo no momento. Para piorar, no início — quando eu ainda não dominava a navegação pelos menus —, ficava difícil encontrar o registro de missões que não haviam sido aceitas imediatamente.


Por fim, a ausência de uma opção para rotacionar a câmera prejudica bastante a organização do espaço físico. Dependendo de como um móvel ou objeto decorativo está posicionado, a visualização fica bloqueada e perde-se a noção de profundidade. Somado a isso, não há um atalho simples e rápido para mover ou excluir itens colocados no lugar errado, o que torna a redecoração do ambiente um processo burocrático e levemente frustrante.

Um prato cheio de carinho com pequenos descuidos

Em suma, ONE PIECE: Grand Gourmet é uma grata surpresa entre as adaptações da franquia para os videogames. Ao abandonar os combates e investir no gênero de simulação e gerenciamento, o título entrega uma experiência viciante, charmosa e recheada de fan service. A combinação da estética em pixel art, a vasta lista de mais de 400 personagens e o cuidado na criação dos pratos e decorações temáticas mostra um respeito imenso pela obra de Eiichiro Oda.


Apesar de seu brilho, o jogo tropeça em aspectos técnicos e de usabilidade que impedem a experiência de ser impecável. A interface confusa, o excesso de pop-ups intrusivos e a limitação de uma câmera fixa com controles de redecoração pouco práticos geram momentos de frustração.

Mesmo com essas ressalvas, o saldo consegue ser positivo. Para os fãs de One Piece, ver figuras improváveis interagindo enquanto saboreiam as receitas do Sanji é um prato cheio. Para os fãs de jogos de gerenciamento, trata-se de uma proposta calorosa, divertida e cheia de personalidade.

Prós

  • A mecânica de gerenciamento de restaurante oferece uma alternativa aos jogos de ação tradicionais da franquia;
  • O elenco de mais de 400 personagens inclui opções de diálogo e interações entre figuras de diferentes arcos da história;
  • O sistema de progressão vincula o recrutamento de membros da tripulação à liberação de novas funcionalidades no estabelecimento;
  • As mecânicas de elaboração de cardápios e ambientação do espaço incorporam elementos e referências da obra original;
  • O estilo visual em pixel art apresenta um acabamento detalhado na construção do restaurante e dos modelos dos personagens.

Contras

  • A interface de usuário apresenta poluição visual e exige tempo de adaptação para uma navegação eficiente;
  • A exibição frequente de janelas de missões interrompe a dinâmica do gerenciamento durante a partida;
  • A impossibilidade de rotacionar a câmera e a ausência de atalhos diretos dificultam a reorganização dos objetos no cenário;
ONE PIECE: Grand Gourmet — PC/Switch/Switch 2/Android/iOS — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Ariel Rodrigues
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco
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Renzo Raizer
Um entusiasta do universo Nintendo, com especial interesse pelas franquias Pokémon, Mario e The Legend of Zelda. No Nintendo Blast, compartilha notícias, análises, opiniões e curiosidades com um olhar dedicado ao público nintendista, sempre buscando unir informação e paixão pelo mundo dos games.
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