O retorno de Call of Duty aos consoles da Nintendo é um dos acontecimentos importantes para o catálogo do Switch 2. Depois de mais de uma década sem receber um novo título principal da franquia, a plataforma volta a ter espaço na série com Call of Duty: Modern Warfare 4, que chega ao console em 23 de outubro de 2026, simultaneamente às demais plataformas.
Durante a Brasil Game Show 2026, tive a oportunidade de experimentar o multiplayer do jogo no estande da Nintendo e conferir como essa versão se comporta em uma situação real de combate. Foram duas partidas completas, suficientes para observar os principais aspectos técnicos da adaptação. O resultado me surpreendeu, especialmente pela estabilidade apresentada durante os confrontos, embora algumas concessões gráficas sejam perceptíveis quando prestamos mais atenção à imagem.
6 contra 6
A experiência no estande da Nintendo consistia exclusivamente em partidas multiplayer com 12 jogadores, divididos em duas equipes de seis integrantes. Cada sessão durava o tempo de uma partida completa, o que permitiu acompanhar o funcionamento do modo durante um confronto inteiro e ter uma boa primeira impressão de como ele se comporta no Switch 2.
Outro ponto que vale destacar é o funcionamento da comunicação por headset e microfone. Durante os testes, consegui conversar com os integrantes da equipe sem cortes perceptíveis na voz ou sobreposição de sons que prejudicasse a comunicação. Todo o teste foi realizado com o Pro Controller 2 do Switch 2, portanto, minhas impressões sobre os comandos dizem respeito especificamente a essa configuração.
Sacrificando em gráficos
O primeiro aspecto técnico que merece atenção é a qualidade gráfica. Call of Duty: Modern Warfare 4 é desenvolvido para diferentes plataformas atuais, incluindo PCs capazes de executá-lo com configurações visuais bastante exigentes. Esperar que o Switch 2 reproduza a mesma qualidade de um computador rodando o jogo no ultra não seria realista, ainda que o console já tenha demonstrado capacidade para receber versões tecnicamente competentes de produções multiplataforma.
Dito isso, é evidente que a versão para o console da Nintendo apresenta uma redução na qualidade gráfica, aparentemente acompanhada de técnicas de upscaling. A impressão que tive é de que parte dessas concessões ajuda a preservar o excelente desempenho que observei durante as partidas.
Os pontos mais perceptíveis não estavam tanto nos modelos dos personagens ou das armas, mas em detalhes da apresentação visual. As sombras pareciam praticamente ausentes em determinadas situações, enquanto algumas superfícies apresentavam pequenos borrões e serrilhados nas bordas. São diferenças que ficam mais evidentes quando paramos para observar a imagem com atenção.
Isso, porém, não significa que esses problemas tenham prejudicado minha experiência. Pelo contrário, só fui notar boa parte desses detalhes quando entrei novamente na fila para jogar e passei a prestar mais atenção aos gráficos, em vez de me concentrar exclusivamente no confronto. Durante a partida, com a movimentação constante e os tiroteios acontecendo por todos os lados, essas limitações tiveram pouco impacto na experiência.
Desempenho impecável
Foi no desempenho que o teste de Modern Warfare 4 mais me surpreendeu. Ao longo das partidas, entre explosões, granadas de gás, trocas de armas e movimentação frenética pelo mapa, o jogo manteve uma fluidez impressionante do início ao fim. Não percebi atrasos nos comandos, quedas de quadros ou problemas visuais que comprometessem a jogabilidade em nenhuma das duas sessões realizadas no Switch 2.
Essa impressão ficou ainda mais forte quando comparei a experiência com a que tive no estande da Monster, onde experimentei o mesmo jogo em um PC com as configurações gráficas no máximo. Naquela ocasião, encontrei problemas que não apareceram durante minhas partidas no console da Nintendo, incluindo falhas visuais e situações em que os disparos aparentemente não registravam dano nos adversários. Também presenciei movimentações abruptas dos personagens, semelhantes às que podem ocorrer em situações de ping elevado.
É importante considerar que as duas experiências aconteceram em condições diferentes, portanto, não seria correto atribuir todas essas diferenças exclusivamente ao hardware ou à otimização do jogo. Ainda assim, o contraste chamou minha atenção, principalmente porque o Switch 2 conseguiu oferecer uma experiência multiplayer bastante consistente durante as sessões que experimentei.
No fim, a performance de Modern Warfare 4 no console da Nintendo superou minhas expectativas. Vale lembrar, entretanto, que as partidas foram realizadas em uma estrutura de rede montada para o evento. Será necessário experimentar o jogo em condições normais de uso para avaliar como a conexão se comporta fora da BGS, especialmente em partidas online realizadas de casa.
Um gostinho de quero mais
Embora eu tenha entrado na fila para jogar Modern Warfare 4 mais por curiosidade do que por qualquer expectativa específica, saí do estande da Nintendo com vontade de continuar experimentando o multiplayer. O acesso à área era restrito a maiores de idade, mediante apresentação de documento de identificação, e a oportunidade de testar o jogo acabou sendo uma das surpresas positivas da minha passagem pelo evento.
A combinação de movimentação rápida, resposta imediata aos comandos e desempenho consistente tornou as partidas bastante agradáveis. Mesmo com as limitações gráficas, não senti que a versão para o Switch 2 comprometesse aquilo que considero essencial em um jogo competitivo de tiro: a capacidade de reagir rapidamente ao que acontece na tela e confiar que os comandos serão executados como esperado.
Também fiquei curioso para experimentar o controle por mouse oferecido pelo Joy-Con 2, um dos recursos de controle compatíveis com a versão para o console. Como toda a minha experiência na BGS aconteceu com o Pro Controller 2, essa possibilidade ficou para uma próxima oportunidade.





