Análise: Castlevania: Belmont's Curse é uma ótima fusão de jogabilidade moderna e aspectos clássicos da franquia

Rose Belmont entra para a longa linhagem de caçadores de vampiros com uma excelente aventura em terras parisienses.

em 13/10/2026
Castlevania, embora estivesse em um limbo sem nenhum grande lançamento para consoles há mais de uma década, sempre continuou presente por meio de coletâneas e da influência da série no gênero Metroidvania. Porém, os fãs ansiavam pelo momento em que um novo título chegaria. Esse jogo chegou e, de forma muito inteligente, Castlevania: Belmont’s Curse trouxe para si algumas modernidades sem perder a sensação de ainda ser Castlevania.

Não é uma armadilha, é um mistério para resolver

A história de Bemont’s Curse acontece em 1499. Paris está tomada pelas chamas quando criaturas monstruosas surgem repentinamente das sombras.

Passaram-se 23 anos desde os eventos de Castlevania III: Dracula's Curse. Trevor Belmont é o herói que derrotou Drácula e foi convocado para encontrar-se com o Bispo de Paris para ajudar a conter os monstros. O herói leva sua filha, Rose Belmont, e sua arma lendária, o Matador de Vampiros. Na capital, os dois se separam: Trevor parte em busca do Bispo, enquanto Rose investiga as ruas da cidade.

Dá para notar no jogo a influência estética da animação da Netflix, mas os eventos da história se conectam muito bem com os jogos canônicos da série. Cronologicamente, essa é a quarta história do cânone, e aspectos dos três jogos anteriores estão sendo levados em conta: de Lament of Innocence até Curse of Darkness. Para fãs muito ligados à saga dos caçadores de vampiros, é interessante ver as referências e conexões criadas pelos desenvolvedores.

Rose não parece ter caído de paraquedas na história. Ela foi treinada por Trevor e conhece os feitos do pai, seus adversários e os sacrifícios feitos por ele, Sypha, Alucard e Grant para conseguir derrotar Drácula.

Rose e a herança de Sypha

Falando da Sypha, as cartas de tarô que Rose herda de sua mãe são o guia da história e da jogabilidade. As criaturas que estão espalhadas por Paris ficam indicadas no baralho, mas Rose precisa encontrar pistas que revelem que tipo de inimigo ela vai enfrentar.

É aí que entra o aspecto da exploração, que é bem recompensadora. Existem espíritos e itens espalhados por diversos locais dos mapas que podem ter alguma informação útil para Rose.

Encontrando essa pista, ela aprende sobre a localização do monstro ou alguma dica para enfrentá-lo. Derrotando o chefe da área, ele é absorvido pelo baralho e suas habilidades, chamadas de arcanos, podem ser utilizadas por Rose.

Cada arcano contém uma magia ou arma para combate e, ocasionalmente, uma habilidade de movimentação, expandindo a capacidade da garota de passar pelos obstáculos. Enquanto as magias/armas só permitem um arcano equipado, as habilidades de travessia de mais de um arcano podem ser utilizadas ao mesmo tempo.

Conforme o jogador progride, o baralho também expande a narrativa. Os monstros absorvidos não morrem; ficam presos às cartas e podem conversar com Rose.

Esses momentos de diálogos servem para contextualizar melhor o universo e desenvolver tanto a protagonista quanto seus algozes. Alguns desistem da luta e passam a ser aliados, enquanto outros continuam torcendo pela derrota da garota.

Expandindo a jogabilidade

Seria impossível Castlevania não se deixar influenciar por outros Metroidvanias modernos, mas como isso impactaria a sensação de estar em um jogo da franquia? Por sorte, a Evil Empire já mostrou sua capacidade não só com expansões de Dead Cells, mas também com The Rogue Prince of Persia. Esse último, mesmo sendo um jogo novo, ainda carrega o DNA da franquia da Ubisoft.

Neste Castlevania, o equilíbrio foi acertado outra vez, especialmente considerando o histórico da própria franquia. Títulos como Aria of Sorrow, Order of Ecclesia e Symphony of the Night não tinham um Belmont como protagonista, dando mais liberdade para criar algo novo.

Belmont’s Curse, como o nome já indica, apresenta membros da famosa família, então o uso do chicote característico do clã precisaria fazer uma aparição digna. Porém, seria estranho limitar Rose a apenas uma arma enquanto Alucard, Shanoa e Soma tinham um arsenal mais vasto.

E a saída foi muito bem pensada: o chicote é mais do que apenas uma arma; é a principal ferramenta de movimentação pelos cenários do jogo. Enquanto Rose pode escolher entre sete estilos diferentes de arma para o combate, as travessias por obstáculos dependem do chicote dela.

As capacidades de movimentação da personagem são as mais bem desenvolvidas e fluidas da franquia. Rose tem muitos arcanos e relíquias à disposição, tornando possível criar builds focadas em exploração ou combate das mais diferentes formas.

Essa fluidez é boa no Nintendo Switch; no entanto, o mesmo não acontece tanto na hora de consultar o mapa. Especialmente quando vários locais já estão desbloqueados e o jogo precisa carregar muitos ícones e caminhos, a navegação fica lenta. Talvez alguma atualização futura possa vir a corrigir isso.

Falando sobre o arsenal de Rose, é possível ver que ele não é perfeito. Embora tenha, de certa forma, um equilíbrio entre as armas, a progressão é linear e a forma de balancear o dano de cada uma é um pouco estranha.

Uma espada pesada, por exemplo, tem o mesmo dano base de 25 pontos que uma espada longa ou até mesmo o cestus, que é uma arma de punho. O que dita a escolha do jogador por determinada arma é o estilo de movimentação de seus ataques. O dano é equilibrado, mas fica a impressão de que escolher a espada pesada é um erro, já que ela é lenta e não causa um impacto maior.

Uma mecânica diferente para a série é a forma de se curar. As paredes escondidas com pedaço de frango ainda estão presentes, mas Rose carrega alguns frascos de cura, que sempre são reabastecidos ao chegar em um ponto de salvamento. E descansar nesses pontos sempre ressuscita os inimigos.

Porém, esse é o limite em que a influência de Soulslike chega. Morrer não te faz perder experiência e não há uma árvore de atributos para gastar pontos ganhos com as almas dos inimigos. Subir de nível aumenta automaticamente o ataque e a defesa de Rose, enquanto a sua vida e a sua barra de mana aumentam encontrando fragmentos de coração pelo caminho.

O bestiário clássico reimaginado

Comentei sobre o frango, mas é possível perceber muitos outros detalhes próprios de Castlevania no jogo. Rose pode desviar para trás como Alucard; sua mana pode ser recuperada destruindo castiçais e velas nos cenários, e vários monstros clássicos reaparecem ao longo da campanha.

Eles basicamente são inimigos novos agora, porque possuem mais movimentos, mais ataques e contra-ataques, criando um desafio apropriado para as capacidades de Rose. O esqueleto vermelho, por exemplo, que sempre revive depois de ser derrotado, agora corre para cima do jogador ao invés de ficar só andando devagar de um lado para o outro, como em títulos anteriores.

Além disso, houve uma repaginada visual em boa parte deles. Artisticamente, não só os inimigos como os cenários estão bem bonitos, mas em alguns momentos é difícil entender o que está acontecendo.

Esse problema é maior no mapa das ruas de Paris. O fundo da cena é vermelho, e inimigos como os morcegos e o esqueleto que citei são quase do mesmo tom e se movimentam muito rápido. Mais de uma vez fui atingido por um deles sem nem saber de onde estava tomando dano.

O exemplo que mencionei acima já é no primeiro mapa, o que pode causar uma primeira impressão ruim. No entanto, conforme o jogo avança e os cenários passam a variar mais, isso deixa de ser um problema.

Belmont’s Curse mantém a identidade de Castlevania em um grande retorno

Usar um chicote, ter mana e vida escondidos pelo cenário e explorar grandes construções góticas é o DNA da saga. É bom saber que Castlevania: Belmont’s Curse manteve todos esses aspectos.

Portanto, quem já tem experiência com a franquia se sentirá em casa. Mas ainda há novidades suficientes que mostram como os desenvolvedores aprenderam com seus próprios projetos e outros títulos do gênero.

Foi um excelente retorno da série para os consoles depois de anos sem muitas novidades, fora alguns jogos gacha mobile ou projetos em outras mídias. Mesmo depois de 40 anos desde sua estreia, Castlevania ainda tem muito potencial para entregar ótimas experiências aos jogadores.

Prós

  • Ótima jogabilidade de combate e plataforma;
  • A dinâmica de Rose com os monstros presos nas cartas de tarô é boa e desenvolve bem a protagonista;
  • Boa variedade de builds com relíquias e arcanos;
  • Exploração que recompensa o jogador;
  • Boa recriação de inimigos clássicos.

Contras

  • As armas têm uma evolução linear e idêntica;
  • Navegar pelo mapa do jogo no Switch às vezes causa lentidão;
  • Alguns cenários e inimigos têm a mesma paleta de cores, tornando difícil diferenciá-los no meio da ação.
Castlevania: Belmont's Curse — Switch/PC/PS5/XSX — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Juliana Alvarenga 
Análise feita com cópia digital cedida pela Konami
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Lucas Henrique
Redator e tradutor, sempre planejando escrever sobre algo (mesmo que seja só um rascunho). Acima disso, apenas a paixão por videogames e as várias formas que essa mídia conta histórias.
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