Análise: DRAGON QUEST XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition continua sendo um JRPG imperdível, agora no Switch 2

O clássico moderno da Square Enix chega ao novo console da Nintendo sem muitas mudanças, mas sua qualidade geral continua inegável.

em 01/10/2026
Na segunda metade da década de 1980, Yuji Horii, Akira Toriyama, Koichi Sugiyama e Koichi Nakamura — quatro lendas em seus respectivos campos de atuação — reuniram-se para criar um jogo de RPG para o Famicom. Em uma época em que as obras do gênero ainda eram essencialmente produtos de nicho, restritos aos computadores, o objetivo dos envolvidos nesse projeto era ambicioso, mas palpável: criar algo que pudesse ser compreendido e apreciado por pessoas que nunca haviam jogado um RPG anteriormente.




Assim, surgiu o primeiro DRAGON QUEST. Lançado em maio de 1986 para o console da Nintendo da época, o título não somente foi um grande sucesso de crítica e público, como também ajudou a estabelecer convenções seguidas até hoje pelos RPGs japoneses, como a evolução baseada em níveis e as batalhas por turnos. 

Mas por que essa longa introdução? Porque DRAGON QUEST XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition pode ser definido, quatro décadas depois, como o ápice da visão original de seus criadores. Finalmente disponível em uma versão nativa para o Switch 2, após sua chegada ao Switch em 2019, este JRPG continua sendo uma obra-prima obrigatória para os fãs do gênero, de modo que nem mesmo os (poucos) pontos negativos deste port conseguem impedir uma sonora recomendação. Confira a nossa análise!

Descobrindo-se o Luminary

DRAGON QUEST XI S: Echoes of an Elusive Age nos apresenta a história de um herói que, ainda bebê, foi perseguido para ser executado pelas forças do mal. Deixado por sua família à beira de um rio para não ser pego — juntamente com uma carta explicando o perigo que o rondava —, ele foi então encontrado por um idoso chamado Chalky, que o criou como seu neto em Cobblestone, uma pequena vila bastante afastada dos grandes centros.

O tempo passou e, ao completar dezesseis anos e passar pelo rito de passagem local para a vida adulta, o nosso protagonista descobre a verdade por trás de sua perseguição quando criança. Ocorre que ele é ninguém mais, ninguém menos que o Luminary, termo que representa a reencarnação do famoso herói das lendas que, um dia, venceu o grande mal que atormentava o mundo de Erdrea.

Já ciente de sua condição — reafirmada pela peculiar marca espiritual em sua mão esquerda —, o jovem decide então se apresentar ao Rei Carnelian, o que leva a uma grande celebração de despedida em Cobblestone. O que ninguém poderia prever, porém, é que a recepção do monarca ao Luminary foi tudo, menos calorosa.

Isso mesmo: ao chegar ao palácio real, o nosso herói é imediatamente preso, além de ser rotulado como mau agouro e prenúncio do despertar do Senhor das Sombras. Já na prisão, tem início, então, sua tentativa de fuga ao lado de Erik, o primeiro aliado em uma longa jornada que culminará na revelação do real significado de sua existência como Luminary. Preparado para acompanhá-lo nessa?

Um JRPG que se destaca em todos os aspectos essenciais…

Há vários motivos pelos quais DRAGON QUEST XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition é uma obra essencial para todo fã de RPGs japoneses. Começando pela narrativa, a jornada do Luminary reúne personagens cativantes e reviravoltas surpreendentes que, sem entrar no campo dos spoilers para não estragar as maiores surpresas, motivam o jogador a continuar a aventura até o fim.

Já o divertido sistema de combate segue o padrão da série, com os confrontos por turnos e a necessidade de gerenciar o MP dos personagens para usar feitiços e habilidades sendo fatores essenciais. Outra característica importante é a mecânica de Pep — quando um membro do time realiza muitas ações em seguida ou é atacado com frequência, há uma chance de ele entrar em um estado especial que aumenta seus atributos, como ataque e defesa, e permite utilizar movimentos poderosos, chamados de Pep Powers.

Curiosamente, durante a jornada, é possível aprender Pep Powers que só podem ser utilizados quando mais de um membro da equipe está nesse estado. Na prática, com uma certa dose de estratégia, esse recurso cria a possibilidade de desferir golpes verdadeiramente arrasadores, suficientes para derrubar a maioria dos inimigos comuns ou abrir uma vantagem importante nas batalhas contra os chefes.

Em termos de dificuldade, este décimo primeiro capítulo da série é bastante equilibrado, oferecendo desafios empolgantes, mas justos, que tornam o jogo uma ótima porta de entrada na franquia para quem nunca jogou um DRAGON QUEST antes. Por sua vez, os veteranos da saga que, porventura, ainda não trilharam esta aventura certamente gostarão de saber que é possível personalizar parâmetros como a disponibilidade de itens ou o ganho de experiência ao derrotar inimigos mais fracos (os famosos Draconian Settings).

Junte a tudo isso a impecável direção de arte do criador de Dragon Ball, as variadas (mas fáceis de entender) árvores de talentos dos personagens e a possibilidade de forjar equipamentos por meio de um divertido minijogo, e temos aqui um JRPG capaz de agradar tanto os entusiastas do gênero quanto os novatos. Essa proposta soa familiar? Pois é: enquanto DRAGON QUEST XII: Beyond Dreams não ganha uma data de lançamento, Echoes of an Elusive Age representa, de diversas formas, o ápice da lendária franquia imaginada por Horii, Sugiyama, Toriyama e Nakamura, que, merecidamente, celebra seus 40 anos de existência em 2026.

…e que chega ao Switch 2 em toda a sua glória

A bem da verdade, é preciso lembrar que grande parte da impressionante polidez de DRAGON QUEST XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition está relacionada ao fato de que esta é uma versão aprimorada do DRAGON QUEST XI original, lançado em 2017 para PlayStation 4 e 3DS (no caso do último, somente no Japão). Em 2019, a Nintendo, em parceria com a Square Enix, publicou o título exclusivamente para Switch, com uma série de melhorias adicionais, incluindo uma trilha sonora orquestrada, a possibilidade de jogar a aventura completamente em 2D (recurso visto anteriormente na versão do portátil 3D) e ainda mais conteúdo para o endgame.

À época, todas essas melhorias juntas tornaram a versão “S”, de fato, a experiência definitiva da obra, como você pode conferir em nossa análise original. Havia apenas um porém: como o Switch não era um console tão potente quanto o PlayStation 4 (e sua variante Pro), as concessões feitas nos departamentos gráficos asseguraram que a versão do dispositivo da Sony continuasse sendo a mais impressionante, visualmente falando.

Tocar nesse assunto é importante porque, essencialmente, esta adaptação para o Switch 2 consegue nivelar as experiências, graças ao poder do novo hardware da Nintendo. Uma prova disso é que, se DRAGON QUEST XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition está limitado a 30 quadros por segundo no primeiro Switch, agora é possível priorizar a performance e jogar a obra a estáveis 60 fps no Switch 2.

Isso mesmo: ao começar o jogo no novo console, é possível escolher focar nos gráficos (limitando a experiência a 30 quadros por segundo, mas em uma resolução mais alta) ou no desempenho (que tem como objetivo os 60 fps). Particularmente, como DRAGON QUEST não exige reflexos rápidos ou respostas imediatas, preferi jogar no modo voltado para os gráficos, para desfrutar dos belíssimos traços de Akira Toriyama em toda a sua plenitude — mas não há uma “escolha errada” aqui.  O upgrade em relação à versão de Switch é muito significativo em ambos os casos, tanto no modo TV quanto no portátil, tornando esta uma ótima forma de jogar esse clássico moderno.

Dito isso, o grande ponto negativo deste port é que, tirando os gráficos melhores e a opção de focar na resolução ou na performance, não houve quaisquer outras mudanças neste relançamento. Se você estava esperando novidades como a implementação do Modo Mouse, suporte a PT-BR ou até mesmo algum conteúdo inédito para a aventura do Luminary, não as encontrará aqui. Infelizmente, a Square Enix também não implementou um programa de desconto nem um recurso para importar o save para quem já possui o jogo no Switch. Logo, se você já tem o game ou uma campanha avançada no console anterior, é preciso botar na balança o quanto aspectos como resolução e performance importam para justificar a nova compra.

Particularmente, reforço as críticas acima, mas, ao mesmo tempo, fico muito feliz que DRAGON QUEST XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition finalmente tenha uma versão com desempenho técnico à altura do hardware do Switch 2. Como costumo escrever em minhas análises, jogo bom não envelhece, e este é, precisamente, o caso aqui. O décimo primeiro capítulo principal da franquia japonesa é uma das poucas obras que eu classificaria como essencial tanto para veteranos de JRPGs quanto para quem deseja conhecer a franquia da Square mais a fundo.

Assim, caso você, por qualquer motivo, nunca tenha jogado a aventura do Luminary, reitero que o Switch 2 representa uma ótima forma de finalmente conhecer essa encantadora jornada. E, se você já jogou anteriormente, basta saber que as melhorias gráficas e de performance deste relançamento são significativas e fazem jus ao hardware mais potente da atual geração — só é preciso ponderar o quanto isso importa para você a nível particular.

Ecos de uma jornada imperdível, agora no Switch 2

Com dois modos gráficos distintos — um focado nos visuais e outro na performance —, DRAGON QUEST XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition chega ao Switch 2 em uma versão que faz jus tanto ao legado do elogiado JRPG quanto ao poder gráfico do novo hardware híbrido da Nintendo. Dessa forma, por mais que a ausência de conteúdo inédito ou de um desconto para os donos do jogo no Switch incomode, não há como negar que, hoje, esta é a versão definitiva da jornada do Luminary para os fãs nintendistas e mais uma adição de peso ao catálogo do novo console. 

Portanto, independentemente se você pretende conhecer Erdrea pela primeira vez ou simplesmente revisitar essa terra mágica e colorida, descanse tranquilo sob a Yggdrasil: esta é uma jornada que se prova imperdível também no Switch 2.

Prós

  • Com dois modos gráficos (um focado nos visuais e outro na performance) e apresentação bastante superior à versão de Switch, independentemente da configuração escolhida, consagra-se como a versão definitiva do título nas plataformas da Nintendo;
  • Mesmo anos após seu lançamento, prova que jogo bom não envelhece e continua sendo um JRPG encantador, apreciável tanto pelos novatos quanto pelos veteranos do gênero, graças aos Draconian Settings;
  • O sistema de combate divertido de aprender e dominar, a trilha sonora orquestrada e a assinatura visual inconfundível de Akira Toriyama fazem deste, sob diversos aspectos, o ápice de DRAGON QUEST em seus 40 anos de existência;
  • Os personagens carismáticos e os ocasionais plot twists se combinam para garantir uma narrativa ao mesmo tempo descontraída e envolvente.

Contras

  • Mesmo com as melhorias visuais e de performance, a ausência de conteúdo inédito e/ou de um programa de desconto para quem já possui o jogo no Switch compromete, em partes, o apelo deste lançamento;
  • Sem cross-save com a versão de Switch (ou outras plataformas);
  • Não apresenta suporte a PT-BR, nem mesmo nas legendas e menus.
DRAGON QUEST XI S: Echoes of an Elusive Age — Definitive Edition — PC/PS4/XBO/XSX/Switch/Switch 2 — Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix
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Alan Murilo
é publicitário e copywriter que aprecia um bom jogo tanto quanto um bom café. Gamer desde que segurou um controle de Super Nintendo pela primeira vez, tem um apreço especial pelos títulos independentes e pelas diversas franquias da Big N.
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