Durante a Brasil Game Show 2026, o Nintendo Blast teve a oportunidade de jogar uma demonstração de aproximadamente 15 minutos do remake. O trecho escolhido foi a masmorra do Castelo de Yukiko, incluindo o momento em que Chie Satonaka confronta sua Shadow. Mesmo com o tempo limitado, foi possível perceber que a reformulação visual é um dos aspectos mais notáveis desta nova versão.
Vale destacar que a versão usada não era para Nintendo Switch 2, então é impossível saber como o game vai rodar no console híbrido. Porém, a essência do game estava ali e deu para tirar algumas impressões sobre o que a Sega apresentou em seu estande.
Um salto visual que chama a atenção
Sabe quando dizem que a primeira impressão é a que fica? Pois neste quesito, Persona 4 Revival se destaca positivamente. Os gráficos foram completamente reformulados, com personagens e cenários que parecem ter recebido um cuidado especial para se adaptar aos padrões atuais da série. Na percepção deste que vos escreve, o resultado visual chega a superar ligeiramente o que vimos em Persona 5, embora essa comparação seja subjetiva e dependa também da direção de arte de cada jogo.
As animações também passaram por uma renovação significativa. Isso fica evidente no All-Out Attack, o golpe coletivo executado quando o grupo derruba os adversários ao explorar suas fraquezas. A ação está muito mais elaborada visualmente, ganhando presença e dinamismo em comparação com a apresentação mais simples do jogo original.
Essa mudança ajuda a dar outra vida aos confrontos sem abandonar a identidade visual da franquia. O remake não parece se limitar a reproduzir o que já existia com uma resolução maior: há um esforço para tornar as ações mais expressivas e modernas.
A parte visual se destaca, ainda, com as expressões dos personagens, que agora reagem muito melhor do que somente pela imagem dos textos escritos, como era no original. Você consegue ver claramente quando Chie está chateada, não somente pela sua ótima dublagem, mas a partir de suas feições.
Exploração familiar nas masmorras
Se os gráficos representam uma mudança expressiva, a estrutura das masmorras segue um caminho mais conservador. O Castelo de Yukiko mantém a exploração linear que caracteriza boa parte dos calabouços do jogo original, com algumas salas avulsas que oferecem pequenas variações no percurso. Tudo ainda segue vazio, sem muito incentivo à exploração, exceto coletar itens espalhados nos corredores.
A familiaridade pode agradar quem gostava do ritmo de exploração de Persona 4, mas também deixa a impressão de que essa parte da experiência poderia ter recebido uma reformulação mais ambiciosa. Em um remake que atualiza de maneira tão perceptível a apresentação dos personagens e dos combates, seria interessante ver a mesma disposição para repensar o desenho dos ambientes.
É importante, porém, não tirar conclusões definitivas a partir de uma única masmorra. A demonstração foi curta, e não houve tempo suficiente para avaliar a variedade dos cenários ou possíveis mudanças que só aparecem em trechos mais avançados da aventura.
Combates e trilha sonora renovados
As batalhas contra as Shadows também pareceram relativamente simples durante a sessão. O sistema por turnos é idêntico ao clássico, e o trecho testado não apresentou elementos suficientes para demonstrar uma mudança profunda na complexidade dos confrontos. Quando você descobre a fraqueza de um inimigo, as batalhas ficam excessivamente simples, inclusive contra a chefe da demonstração.
Essa impressão precisa ser vista com cautela. Quinze minutos não são suficientes para avaliar a progressão das batalhas, a variedade de inimigos ou o equilíbrio dos desafios ao longo de um RPG tão extenso quanto Persona. Por enquanto, o que ficou mais evidente foi a presença de inimigos reconhecíveis e com visual mais rebuscado.
A trilha sonora, que já era um espetáculo à parte, recebeu novos arranjos. As músicas preservam sua identidade, porém surgem com batidas diferentes, dando outra textura a composições já conhecidas. Será interessante perceber como essas versões se comportam ao longo da campanha, principalmente em momentos importantes da história.
Um remake que ainda precisa mostrar mais
A demonstração de Persona 4 Revival deixou uma impressão positiva, embora entregando algo mais semelhante a um remaster do que um remake. Só que é difícil achar defeitos no título, que é para muitos o melhor capítulo da franquia. Neste quesito, a Atlus parece ter encontrado uma maneira de atualizar a apresentação do clássico sem apagar sua identidade.
Por outro lado, a jogabilidade continua muito próxima da experiência original, e os combates não revelaram, nesse primeiro contato, mudanças suficientes para indicar uma evolução significativa da estrutura. São ressalvas que merecem atenção de quem já se aventurou pelo Midnight Channel no passado, mas algo descartável para os debutantes na franquia,.
Persona 4 Revival tem potencial para apresentar Inaba a uma nova geração da maneira primorosa como sempre fez. Resta descobrir se as mudanças irão além da superfície e também incentivarão uma revisita à rotina do Investigation Team. O jogo chega ao Nintendo Switch 2 em 20 de maio de 2027 e terá suporte a português.




