The Legend of Zelda: os personagens mais icônicos da franquia

Entre heróis, vilões e companheiros, estes são os personagens que deixaram uma marca difícil de apagar na história de Zelda.

em 03/10/2026

The Legend of Zelda é uma daquelas franquias que conseguem atravessar décadas sem perder o lugar entre as mais queridas dos games. A jogabilidade certamente tem grande parte da culpa, mas a longevidade da série também passa pelos personagens que fomos conhecendo ao longo dos anos. Link, Zelda, Ganondorf e tantos outros acabaram se tornando figuras tão marcantes quanto os próprios mundos e aventuras em que aparecem.

A lista de hoje reúne os personagens que considero mais marcantes de toda a franquia e que, de uma forma ou de outra, conquistaram os fãs ao longo dos anos. Não é um ranking para decidir quem é o maior de todos, mas uma seleção que mistura protagonistas, vilões, companheiros e figuras que ajudaram a definir o que The Legend of Zelda representa para diferentes gerações de jogadores.

Urbosa


Urbosa talvez seja uma das personagens que melhor representam o quanto Breath of the Wild conseguiu trabalhar seus personagens secundários. A líder Gerudo não está ali apenas para ser uma guerreira poderosa ou uma das antigas Campeãs. Sua relação com Zelda funciona como um contraponto direto àquela estabelecida entre a princesa e o rei de Hyrule.

Enquanto o pai de Zelda representa uma cobrança quase sufocante, Urbosa oferece proteção, carinho e uma espécie de presença materna que a princesa precisava naquele momento. Isso torna sua morte ainda mais cruel. Zelda perde, em diferentes circunstâncias, duas figuras que poderiam ocupar esse papel. A Balada dos Campeões reforça justamente essa dimensão mais íntima da personagem, transformando uma guerreira que já seria memorável por si só em uma das perdas mais dolorosas da história de Breath of the Wild.

Impa


Poucos personagens de Zelda carregam uma função tão consistente ao longo da história da série quanto Impa. Seja como conselheira, guerreira, cuidadora ou guardiã, ela quase sempre aparece ligada diretamente à proteção e à orientação da princesa Zelda.

Essa recorrência fez de Impa uma espécie de ponte entre diferentes eras da franquia. Ela pode mudar de aparência, idade e até de personalidade dependendo do jogo, mas sua função permanece reconhecível: é alguém que entende o peso que Zelda carrega e está disposta a ajudá-la a suportá-lo. Em uma série cheia de reencarnações, linhagens e versões alternativas dos mesmos personagens, Impa é uma das presenças que melhor transmite a sensação de continuidade.

Fi


Fi é uma escolha que provavelmente vai gerar algumas sobrancelhas levantadas. E talvez justamente por isso ela mereça estar aqui.

Em Skyward Sword, a entidade ligada à Goddess Sword não é apenas uma companheira que acompanha Link. Fi está integrada à própria estrutura do jogo, servindo como interface entre o jogador, a espada e as informações que Link precisa receber. Seu comportamento extremamente lógico e literal também cria um contraste curioso com o protagonista. Ela pode ser insistente até o limite da paciência humana, mas sua despedida é emocionante pois, aos poucos, aquilo que parecia apenas uma inteligência artificial dentro da espada ganha uma dimensão emocional inesperada.

Fi também representa um período em que Zelda experimentava mais diretamente com a ideia de transformar seus companheiros em extensões da própria mecânica do jogo. Nem sempre essa experiência funcionou para todo mundo, mas deixou uma personagem difícil de esquecer. E vale mencionar que os pequenos sinais de Fi na Master Sword nos jogos mais recentes da série tornaram sua presença ainda mais especial.

Great Deku Tree


O Great Deku Tree é praticamente um ponto fixo dentro de Zelda, tal qual os próprios protagonistas. Desde Ocarina of Time, sua imagem ficou associada à ideia de que Hyrule é um mundo antigo, cheio de forças que existiam muito antes do que a mais longínqua memória poderia recordar.

Sua importância vai além de ser um NPC gigante que entrega uma missão. Ele é mentor, guardião e, em diferentes jogos, uma representação da própria natureza de Hyrule. Em Ocarina of Time, sua morte logo no começo estabelece o tom da aventura e apresenta ao jogador uma regra importante daquele mundo: até as figuras mais antigas e poderosas podem cair diante do mal. Isso deixa a nossa missão ainda mais urgente.

É difícil imaginar a identidade visual de Zelda sem aquela árvore com uma cara gigantesca e cheia de sabedoria.

Rei Daphnes Nohansen Hyrule


O Rei de Hyrule de The Wind Waker tem uma presença que combina perfeitamente com o próprio jogo. Antes mesmo de abrir a boca, Daphnes parece carregar séculos de história nas costas. Seu design, sua postura e até seu tema musical passam a sensação de uma figura que pertence a uma Hyrule que já não existe.

Mas o que torna o personagem realmente marcante é a maneira como The Wind Waker lida com sua relação com o passado. Daphnes sabe que o antigo reino está condenado e, mesmo assim, passa boa parte da aventura tentando recuperar aquilo que perdeu. No final, sua decisão de impedir que Hyrule seja simplesmente ressuscitada transforma o personagem em alguém que aceita deixar o passado morrer para que o futuro possa existir. É sem dúvida um dos personagens que mais transmite nobreza em toda a franquia.

É uma solução bastante adulta para um jogo que, visualmente, parece ter saído de um desenho animado.

Midna


Midna provavelmente é a personagem que mais se aproxima da ideia de um verdadeiro co-protagonista ao lado de Link. Ela tem personalidade marcante, interfere diretamente na aventura e, principalmente, possui habilidades que fazem parte da própria estrutura de gameplay de Twilight Princess.

Isso já seria suficiente para diferenciá-la de muitos companheiros da série, mas sua evolução narrativa é o que realmente sustenta sua presença. A criatura arrogante e provocadora que aparece no começo da aventura gradualmente revela suas próprias perdas, responsabilidades e motivos para enfrentar Zant e o Reino do Crepúsculo.

A despedida entre Midna e Link funciona é agridoce porque Twilight Princess passou o jogo inteiro construindo aquela relação.  Midna consegue ocupar um espaço enorme do jogo sem roubar a aventura de Link.

Link


Link é um daqueles personagens cuja simplicidade é parte fundamental da sua força. Ele não precisa ter uma personalidade extremamente definida para ser reconhecido instantaneamente. Link é um simbolo de responsabilidade, entrega e sacrifício absoluto.

Mais importante ainda, Link funciona como uma espécie de constante em uma franquia construída sobre mudanças. O Link de Ocarina of Time não é o mesmo de Wind Waker, que não é o mesmo de Twilight Princess ou Breath of the Wild. Mesmo assim, todos carregam elementos suficientes para serem imediatamente reconhecidos como parte da mesma tradição. Link é o espírito heróico que atravessa gerações.

Poucos protagonistas dos games conseguiram se tornar tão identificáveis sem depender de grandes discursos ou bordões. Link basicamente responde às necessidades mundo com ação, sacrifício e uma quantidade preocupante de bugingagas guardadas nos bolsos.

Zelda / Sheik — Ocarina of Time


A Zelda de Ocarina of Time talvez seja uma das versões mais trágicas da personagem. Ainda criança, ela percebe que existe uma ameaça gigantesca se aproximando e acredita que pode impedir aquilo ao lado de outro garoto que mal conhece. A intenção é justa. O problema é que ela está tentando enfrentar forças muito maiores do que consegue compreender.

Suas próprias decisões acabam contribuindo para que Ganondorf consiga colocar as mãos na Triforce. Enquanto Link permanece selado por sete anos, Zelda passa esse período escondida sob a identidade de Sheik, aguardando o momento em que o Herói do Tempo poderia finalmente retornar. Quando Link volta, Hyrule que ele conhecia já não existe mais.

É isso que torna essa Zelda tão interessante: ela não é apenas uma princesa esperando ser salva. Ela toma decisões, tenta agir e paga um preço enorme por elas. Sua inocência inicial acaba ajudando a criar a tragédia que ela passa o restante do jogo tentando consertar.

Ganondorf - The Wind Waker


Ganondorf é um caso curioso porque suas melhores versões são justamente aquelas em que a franquia permite enxergar o homem por trás do arquétipo do vilão. O Ganondorf de Ocarina of Time, Twilight Princess e The Wind Waker pertence à mesma continuidade e, em poucos momentos, recebe camadas que vão além do sujeito que simplesmente quer dominar Hyrule.

The Wind Waker é quando ele recebe seu momento mais brilhante. O velho Ganondorf fala sobre Hyrule com uma nostalgia quase desconfortável, como alguém que passou a vida desejando aquilo que nunca teve. É uma das poucas vezes em que o maior vilão da série parece entender perfeitamente que seu próprio desejo também foi sua ruína.

O seu discurso em The Wind Waker entrega a ideia de que ele vem de uma terra hostil e viu seu povo sofrendo ajuda a explicar sua ambição inicial. O problema surge quando o desejo legítimo de mudar aquela realidade se mistura à obsessão pelo poder. A Triforce deixa de ser apenas um instrumento para transformar o destino dos Gerudo e passa a representar uma possibilidade de domínio absoluto. Essa versão do personagem em poucos diálogos no final da jorna criam profundidade até para outras de suas versões.

Navi


Navi talvez seja a personagem mais fácil de transformar em piada dentro desta lista. O famoso “Hey! Listen!” virou uma das reclamações mais recorrentes associadas a Ocarina of Time, mas reduzir a fada a isso é ignorar uma parte enorme de sua importância para Zelda e para os próprios jogos 3D.

Navi funciona como guia, parceira e ponto de contato entre Link e o jogador. Seu sistema de mira também está ligado a uma das soluções mais influentes de Ocarina of Time: o Z-targeting, que tornou muito mais administrável combater e interagir com inimigos em um espaço tridimensional. A ideia de travar a câmera e a atenção do jogador em um alvo se tornou praticamente uma linguagem própria dos jogos de ação em 3D.

E existe ainda o lado narrativo. Navi acompanha Link durante toda a aventura e desaparece assim que seu papel chega ao fim. A ausência dela no encerramento reforça justamente a natureza passageira daquela amizade. Então sim, ela pode ter passado boa parte do jogo gritando no seu ouvido. Mas talvez você devesse agradecer à fada antes de reclamar pela centésima vez.

Menções honrosas


Os Sábios de Ocarina of Time mereciam uma vaga coletiva. Saria, Darunia, Ruto, Nabooru, Impa e Zelda representam diferentes formas de amadurecimento e responsabilidade, e suas histórias estão diretamente ligadas à transformação de Hyrule durante os sete anos em que Link permanece selado.


E Majora's Mask, junto da Fierce Deity, merece uma categoria à parte. A máscara continua alimentando teorias porque a franquia nunca explica completamente a natureza da entidade associada a ela. Dentro de um jogo já carregado de morte, luto e histórias interrompidas, esse mistério combina perfeitamente com o clima da obra. E, em termos puramente práticos, a Fierce Deity continua sendo uma das maneiras mais absurdamente poderosas que Link já encontrou para resolver uma discussão.

Personagens que tornaram a franquia icônica 

Não esqueçamos da Epona. Um dos cavalos mais icônicos dos games.

No fim, talvez esse seja justamente o melhor sinal de que Zelda construiu personagens realmente icônicos: existe material suficiente para montar uma segunda lista inteira sem precisar recorrer a figurantes aleatórios. E provavelmente ainda sobrariam nomes para uma terceira.

Agora quero saber quais personagens você colocaria nessa seleção. E, principalmente, quem deveria ter ficado de fora para abrir espaço para a sua escolha.

Revisão: Dinho Paixão

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Fernando Lorde
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