Colocando um ponto final na história da Trindade
Shadow of the Tomb Raider: Definitive Edition se passa cerca de um ano após os eventos de Rise of the Tomb Raider. Aqui, retornamos à pele da exploradora mais famosa dos games para, finalmente, tentar encerrar os planos da organização secreta Trindade.
Se o jogo anterior levou a jovem Croft a investigar as regiões mais inóspitas da Síria e da Rússia, desta vez, a busca por pistas e artefatos que podem revelar informações sobre os seus inimigos acaba colocando Lara em uma longa viagem pelas Américas, passando pelo México e pelo Peru. Com o inestimável apoio de Jonah, seu fiel companheiro, somos convidados a explorar ruínas, tumbas e templos esquecidos, à procura de segredos deixados por civilizações antigas que podem impactar toda a humanidade.
Calejada por tudo que descobriu e enfrentou desde os eventos de Tomb Raider: Definitive Edition, Lara Croft aparece aqui ainda mais madura e determinada a seguir a sua jornada até o fim, custe o que custar. No entanto, essa determinação, por vezes, dá lugar à obsessão, sentimento que leva a aventureira a tomar atitudes precipitadas, inclusive colocando a vida de pessoas inocentes em risco mais de uma vez.
Em termos de narrativa, é uma interessante demonstração de como heróis e heroínas também são humanos e podem falhar em seus julgamentos e ações. Sem entrar no campo dos spoilers, embora algumas decisões de roteiro possam ser questionadas, o jogo consegue oferecer uma conclusão digna para a saga que começou em Yamatai e transformou Lara na aventureira experiente e habilidosa que conhecemos de outras mídias e jogos.
O grande ponto negativo em relação a isso está no fato de Shadow of the Tomb Raider não ser um bom ponto de partida para quem deseja conhecer a série Survivor ou a franquia como um todo. Ao contrário de outros encerramentos que funcionam relativamente bem quando vivenciados sozinhos — como The Witcher 3: Wild Hunt —, o ideal aqui é jogar os dois primeiros jogos (ou pelo menos Rise of the Tomb Raider) antes de se aventurar em Shadow. Do contrário, tanto a história em si quanto o desenvolvimento da senhorita Croft serão bem menos impactantes do que o esperado.
Fazendo jus ao legado da franquia
Por falar nos jogos anteriores, Shadow of the Tomb Raider é um claro exemplo de uma sequência iterativa, na qual não se busca “reinventar a roda”, mas sim aprimorar o que já deu certo no passado. Na prática, isso significa que, se você gostou dos dois primeiros jogos da Trilogia Survivor, certamente apreciará o que a Eidos-Montréal, com apoio da Crystal Dynamics, entregou aqui. Da mesma forma, se você não se encantou com o início ou o meio da saga, provavelmente não será a conclusão que irá conquistá-lo.
Em linhas gerais, temos aqui então, novamente, uma aventura linear em terceira pessoa com forte vertente cinematográfica. Para os fãs desse estilo de jogo, é difícil não se encantar e imergir de fato nos vistosos cenários virtuais criados pelo time de desenvolvimento; outro ponto positivo é que vários aspectos do título — como a densidade de NPCs nas cidades e a atenção às texturas — ainda se sobressaem em 2026.
Em termos de jogabilidade, a principal mudança de Shadow em relação a Rise of the Tomb Raider está na maneira como a aventura distribui seu foco entre o combate, a exploração e os enigmas. Enquanto o segundo jogo da trilogia buscou equilibrar esses elementos, o terceiro redistribui as prioridades, dando significativamente mais ênfase à exploração, à resolução de enigmas e à furtividade — Lara pode usar lama para se camuflar e até manipular inimigos com novas flechas especiais.
Outro aspecto que merece destaque são as tumbas e seus quebra-cabeças. Mais numerosas e elaboradas, essas estruturas apresentam armadilhas e desafios ambientais que exigem bastante atenção do jogador. Embora boa parte delas seja opcional, são justamente esses momentos que melhor representam a identidade da franquia e ajudam a diferenciar Shadow de outras aventuras cinematográficas em terceira pessoa.
Para ajudar o jogador, Lara está mais inventiva em termos de acrobacias, com frequência sacando cordas para balançar sobre abismos e alcançar plataformas distantes. A exploração subaquática também foi expandida, com mais sequências urgentes e claustrofóbicas que, confesso, me deixaram levemente nervoso e sem fôlego até na vida real.
Mas, no geral, pode-se afirmar que temos uma aventura que manteve o que é bom dos jogos passados e procurou refinar os seus pontos positivos em vez de revolucioná-los. O que se perde em ineditismo, ganha-se em familiaridade — uma decisão segura para o encerramento de um ciclo, que facilita a identificação do público com a experiência e a recomendação para os jogadores que chegaram até este ponto da jornada.
Um exemplo desses refinamentos é a possibilidade de ajustar individualmente a dificuldade do combate, da exploração e dos quebra-cabeças no menu a qualquer momento. Assim, um jogador que prefere confrontos mais difíceis não necessariamente precisa abdicar das dicas que a própria protagonista solta para os quebra-cabeças; é possível customizar a experiência de acordo com as próprias preferências.
Um port burocrático, mas competente
No Switch 2, Shadow of the Tomb Raider roda em resolução 1080p tanto no modo TV quanto no modo portátil. Já o desempenho mira os 30 fps — infelizmente, assim como na adaptação de Rise of the Tomb Raider, não há um modo focado na performance que permita jogar a 40 ou 60 quadros por segundo.
A boa notícia é que a taxa de quadros é bastante estável, sem quedas ou travamentos perceptíveis que prejudiquem a experiência. Apesar da resolução 1080p e da sua idade — já se passaram oito anos desde a estreia em outras plataformas, afinal —, Shadow também continua sendo um jogo muito bonito visualmente. E, claro, poder jogar uma aventura deste tamanho e calibre de forma inteiramente portátil é algo que tem seu apelo, sem dúvida.
No mais, a aventura possui suporte ao HD Rumble 2 (que, estranhamente, vem desativado por padrão), à tela tátil do console (para navegar pelos menus e mapas), e o modo Mouse e aos sensores de movimento dos novos Joy-Con. Bizarramente, não é possível usar o giroscópio para mirar com o arco (somente para rotacionar artefatos nos menus), então fica registrada a esperança de que o recurso seja implementado futuramente, para quem gosta dessa opção.
Por fim, todos os DLCs lançados anteriormente estão incluídos, adicionando sete tumbas extras para explorar (cinco delas jogáveis cooperativamente com outro jogador online), além de armas e trajes especiais. A aventura também conta com suporte completo ao português do Brasil (PT-BR), inclusive com dublagem em nossa língua.
Infelizmente, a mixagem de áudio deixa um pouco a desejar, com o baixo volume das vozes praticamente obrigando a ativação das legendas para entender tudo que está sendo falado. Sendo sincero, não chega a ser algo que comprometa a experiência, mas é um alerta para quem vai jogar sem fones de ouvido potentes, por exemplo.
A esperada conclusão da trilogia e um bem-vindo port para o Switch 2
Pela primeira vez disponível para os fãs da Nintendo, Shadow of the Tomb Raider chega ao Switch 2 em uma adaptação um tanto quanto conservadora em termos de recursos, mas, ainda assim, satisfatória. Embora a ausência de um modo focado na performance deixe a desejar quando consideramos as capacidades técnicas do novo hardware da Nintendo, é inegável que esta é uma forma consistente de vivenciar a conclusão de uma das trilogias mais importantes para Lara Croft, além de uma bem-vinda adição à crescente biblioteca de experiências cinematográficas no console.
Prós
- Entrega um final satisfatório para uma trilogia bastante importante para Lara Croft, completando a saga Survivor pela primeira vez para os fãs da Nintendo;
- Apresenta performance sólida no Switch 2, tanto no modo TV quanto no modo portátil, com destaque para os cenários amplos e vistosos;
- A inclusão dos DLCs adiciona desafios extras para quem gosta de explorar cada segredo das tumbas;
- Localizado em PT-BR com dublagem de alto nível.
Contras
- Sendo o capítulo final da Trilogia Survivor e uma sequência direta de Rise of the Tomb Raider, não é um bom ponto de partida para quem deseja conhecer a série ou a franquia como um todo;
- Infelizmente, a mixagem de áudio atual deixa a desejar, com o baixo volume das vozes contrastando com a qualidade da dublagem e praticamente obrigando o jogador a ativar as legendas;
- Assim como no título anterior, a ausência de um modo focado na performance limita a experiência aos 30 fps, deixando a desejar diante das possibilidades oferecidas pelo hardware do Switch 2.
Shadow of the Tomb Raider: Definitive Edition — PC/PS4/XBO/Switch 2 — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Ariel Rodrigues
Análise produzida com cópia digital cedida pela Aspyr










