A Link to the Blast

Depois de muita espera, a lua enfim caiu

Embarque na nova coluna do Nintendo Blast e conheça o outro lado da luta de anos para ressuscitar The Legend of Zelda: Majora’s Mask.

Quando eu entrei na equipe do Nintendo Blast em 2012, tinha um projeto sobre uma coluna fixa de The Legend of Zelda, na qual poderia compartilhar um pouco das minhas experiências acumuladas com a franquia. Anos se passaram e um grande anúncio foi feito, a chegada de The Legend of Zelda: Majora’s Mask 3D no próximo ano. Esse foi o gatilho perfeito para dar início a nova coluna do site, o A Link to the Blast, com textos especializados da franquia Zelda, e vamos dar início a essa aventura com um pouquinho da história do porquê Majora’s Mask (N64) ser o “Hoenn Confirmed” do universo de Link e companhia.

A máscara do paradoxo

Olhar pra cima e ver isso
toda vez era algo anormal
em jogos para crianças.
Por muito tempo, Majora’s Mask foi estigmatizado dentro da base de fãs da franquia Zelda como um erro, um jogo apressado que tentava viver dos louros do até então melhor jogo da história, The Legend of Zelda: Ocarina of Time (N64). De fato o jogo era apressado, foi desenvolvido por uma equipe relativamente pequena em um prazo absurdamente curto para que o jogo chegasse às lojas o quanto antes e não deixasse o vácuo criado pelo antecessor passar despercebido, e isso explica sua mecânica totalmente diferente do resto da série envolvendo o ciclo de três dias (dando assim uma estrutura para a equipe trabalhar: um dia para o começo, para o meio e para o fim).

Contudo, anos depois, os fãs passaram a ver o jogo com olhos diferentes, menos preconceituosos com o jogo e aprenderam a ver as qualidades que este possuía. Majora’s Mask não era um jogo ruim por quebrar os paradigmas já forjados por anos com a franquia, na verdade isso era uma das qualidades do título. Sua história sombria e por vezes macabra conseguia manter a atenção do jogador presa o tempo todo, e mesmo diante de cenas que se repetiam durante toda a jogatina, elas sempre pareciam diferentes. Mas claro, aquilo era apenas o precursor de um ciclo de ódio que a fanbase cria para tudo que foge do padrão, como aconteceu com Wind Waker (GC), Twilight Princess (GC) e Skyward Sword (Wii). Hoje a Nintendo está vacinada quanto a isso.

Calma, Skull Kid.
Nós te amamos.
O triste é que muitos jogadores só aprenderam a amar Majora’s Mask muito depois de seu lançamento, quando este já havia saído de linha e novos consoles estavam por vir, e por este motivo não puderam compartilhar com facilidade suas experiências com o game e induzir outras pessoas a darem uma chance à aventura mascarada. Tudo que os fãs podiam fazer era rezar para o Santo Aonuma, padroeiro dos cavaleiros de verde, explorar mais uma vez o território curioso de Termina em uma possível sequência do título, já que a série nunca foi de fazer remakes e remasterizações (e nem a própria indústria de jogos, salvo uma ou outra exceção).

E então, chegou The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D (3DS).

“Operação Queda da Lua”

Em 2011, foi a primeira vez que um jogo da franquia Zelda ganhou uma nova vida, sendo totalmente remasterizado para o console da vez, o Nintendo 3DS. O portátil explorava possibilidades únicas no jogo, como o giroscópio para controle de mira, gráficos mais limpos e, é claro, o 3D sem óculos. Isso acendeu uma chama de esperança nos fãs de Majora’s Mask: se o seu predecessor foi ressuscitado, o mesmo poderia acontecer com a sequência, não?

Tudo começou com uma conversa de Skype entre administradores do portal Zelda Informer, um dos mais famosos sites dedicados à franquia no mundo. Num papo descontraído sobre uma entrevista dada por Eiji Aonuma sobre Skyward Sword e Ocarina of Time 3D, eles identificaram uma frase que dizia que o remake havia se tornado realidade devido a uma comoção dos fãs que até aquele dia ainda idolatravam o título, então um mesmo movimento gerado por outro jogo poderia ser um bom primeiro passo para futuros remakes, como o de Majora’s Mask.

Com essa motivação, os três resolveram criar um movimento para reunir os fãs do jogo subestimado pela maioria de modo a mostrar à Nintendo como haviam pessoas interessadas no retorno de Termina em uma remasterização. Com o apoio de sites como Zelda Dungeon e Zelda Universe, ali era criada a que seria conhecida como Operation Moonfall, ou “Operação Queda da Lua”.

Com uma página no Facebook para reunir os fãs, ali se iniciou uma série de abaixo-assinados e petições direcionados à Nintendo, bem como reuniões em diversos eventos de renome ao redor do globo para chamar atenção à sua causa. Mal sabiam eles que, desde o início, a Nintendo já tinha planos para a máscara amaldiçoada de Majora…

Abaixo está a conversa de Skype que registrou o nascimento da Operation Moonfall, totalmente em inglês. Se houver uma alta demanda, farei a tradução para português e atualizarei aqui, embora seja apenas um papo descontraído entre amigos:

Você encontrou um lindo destino, não é?

Diferentemente de Link em Majora’s Mask, os jogadores foram agraciados com uma linda surpresa no último Nintendo Direct: a chegada do tão esperado remake de Majora’s Mask. Foi quando os criadores da Operation Moonfall souberam que seu esforço havia sido recompensado e que a Nintendo havia escutado o seu clamar. Contudo, eles já tinham ouvido, muito tempo atrás.

E com uma arte épica
logo de cara!
Segundo Aonuma, Majora’s Mask 3D está em produção desde pouco depois da finalização de Ocarina of Time 3D, e isso explica a forte semelhança entre os dois na questão gráfica. Contudo, será que isso fez toda a Operation Moonfall ser inútil, já que a Nintendo sempre teve a intenção de trazer o game de volta? Eu diria que não.

Aquela declaração da entrevista pode ter sido justamente um teste, para saber como a população reagiria. Enquanto a cabeça da Nintendo of America, Reggie Fils-Aime, já afirmou que petições e afins não costumam interferir nas decisões da empresa, a informação de que há um público que deseja uma certa ação nunca será de todo ignorada. Diversos jogos já tiveram sua produção iniciada e nunca viram a luz do dia (como o lendário Super Mario 128), então era possível que sufocassem Majora’s Mask 3D ao saber que não teria uma boa aceitação. Felizmente, não foi o caso.

Mas o que mais levanta questões é justamente o tempo de desenvolvimento do jogo. Enquanto o original foi feito às pressas, e justamente por isso pode ser considerado um jogo curto (com um número muito reduzido de dungeons, quando comparado a outros games da série), o novo está em produção a mais de três anos. Será que isso significa que teremos uma quantidade expandida de missões? Mais missões secundárias? Uma história ainda mais complexa?

Bem, com o alívio do anúncio, temos bastante tempo para pensar nisso com calma. Independentemente do que façamos, já é um fato: a lua, enfim, vai cair.
E não há nada que possa ser feito, nem mesmo tocar a Song of Time.

Surpresas por trás da máscara

Uma série de curiosidades do desenvolvimento de Majora’s Mask levantam ótimas questões sobre o que está por vir no novo game. Por exemplo, sabiam que a proposta original era Link se aventurar num ciclo de sete dias (ou uma semana) ao invés de três? Contudo, o prazo apertado fez com que reduzissem o número de eventos (e, consequentemente, o de dias) do jogo. Entretanto, com mais tempo, será que veremos algumas dessas missões ganhando vida?

Outra coisa curiosa é que um dos planos da Nintendo era lançar Ocarina of Time: Master Quest no período em que Majora’s Mask chegou, mas Aonuma acreditava que o melhor seria fazer um jogo com fases totalmente novas ao invés de apenas pincelar em cima das antigas. Shigeru Miyamoto apoiou essa decisão, e assim nasceu um jogo novo com quatro calabouços completamente novos. Se essa mesma motivação estiver aqui, será que teremos ainda mais territórios e chefões?

Agora faz sentido.
Uma coisa legal é que, quando pensamos que Majora’s Mask está desde 2011 no forno, diversas referências que foram feitas no decorrer dos anos começam a fazer sentido. Desde a máscara de Majora em A Link Between Worlds (3DS), a lua em Hyrule Warriors (Wii U) e até a própria Zelda Williams, filha do finado Robin Williams, aparecendo na E3 2014 com a máscara no rosto. Tudo uma preparação para o lançamento? Testando se o povo se animava? Bom, os resultados foram bons.

Por fim, sabiam que uma máscara de Link (!) estava programada no jogo? Literalmente o rosto do jovem Link era uma das muitas máscaras disponíveis no game. A parte mais curiosa é que, de forma alguma, era possível fazer a máscara surgir no inventário do protagonista. Na verdade, ao mexer na programação do jogo, a máscara surgia na face de Skull Kid em vez da Majora! Será que teremos uma explicação disso no remake? Isso só o tempo dirá.
Isso conclui a primeira edição do nosso A Link to the Blast. O que acharam do conteúdo? O que gostariam que fosse abordado aqui? Vocês podem se inspirar em nossas outras colunas temáticas, Mario Bits e Pokémon Blast, para ter ideias! Comentem, compartilhem suas emoções e nos digam como foi descobrir que Majora’s Mask finalmente está voltando. Até a próxima!
Revisão: Luigi Santana
Capa: Wellington Aciole
Fellipe Camarossi é graduando em Ciências Contábeis e amante de uma boa discussão sobre videogames. Além de escrever para o Nintendo Blast, também é redator nas revistas Nintendo World e EGW. Para elogios e críticas, pode encontrá-lo no Facebook ou Twitter.

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