Pokémon Blast

Competitivo 102: Mergulhando de cabeça nas batalhas em dupla de Pokémon

Em um território cujo toda decisão é crucial, entenda como é um pouco do metagame Doubles e VGC no mundo Pokémon.

Após a aula introdutória sobre a nossa nova coluna de Pokémon competitivo, estamos aqui na segunda parte do nosso Competitivo 102. Agora que já sabem os motivos de se jogar no cenário Doubles, é muito provável que estejam animados para entender como ele funciona e colocar a mão na massa. Contudo, antes disso, é preciso entender melhor como esse metagame se comporta e suas diferenças em relação à Singles. Por isso, é chegada a hora de mergulhar de cabeça nas batalhas em dupla!

Problema em dose dupla

A primeira coisa que se pensa ao lembrar de batalhas em dupla em Pokémon é que você lança dois monstrinhos ao mesmo tempo para a batalha. Claro que o que é comumente ignorado é  o fato de seu oponente fazer o mesmo. Quando se está lidando com dois oponentes ao mesmo tempo, é preciso ter duas vezes mais precaução antes de qualquer movimento. Achava que era difícil acertar o que o seu oponente faria com seu Rotom-W? Imagine agora ter de adivinhar o próximo passo do adversário com um Rotom-W e um Heatran ao mesmo tempo.

Precaução em dobro é
essencial.
Essa situação ilustrada acima serve apenas de exemplo para a primeira grande máxima das batalhas em dupla: tudo que você pensava em Singles, terá de pensar em dobro em Doubles. Embora pareça extremamente óbvio, o raciocínio acima passa despercebido por muitos jogadores principiantes, que acreditam que a mesma mentalidade se aplica aos dois metagames. É um ledo engano que separa os treinadores dos mestres, já que muitos se frustram e desistem da modalidade ao perder muitas vezes ao pensar como se estivessem numa  batalha comum.

A segunda máxima é que Doubles é um metagame extremamente acelerado. Como já fora explicado na primeira aula e em alguns trechos do Competitivo 101, o dinamismo é algo predominante nas batalhas em dupla; enquanto em Singles uma única partida pode levar mais de meia hora e dezenas de turnos, Doubles pode ter sua conclusão em menos de uma dúzia de rodadas. Isso se deve ao fato de haver quatro Pokémon atacando simultaneamente, o que faz com que o HP de todos acabe em uma velocidade record. Um único erro em qualquer turno pode definir a partida inteia, o que nos leva de volta à primeira regra.

Mega Audino só pode
brilhar em Doubles.
Por fim, é preciso sempre ter em mente que nem tudo que funciona em Singles funcionará em Doubles. Diversos Pokémon extremamente eficientes no um-contra-um não se saem tão bem quando estão num confronto de duplas. O reverso também é válido, no qual existem coisas que funcionam em Doubles que não funcionam em Singles. Tendo isso em mente, você está pronto para começar a estudar o que realmente difere as batalhas comuns e em dupla.

A fronteira dobrada

Agora que já sabemos o básico de como Doubles funcionam, é hora de começar a entender um pouco do que diferencia ele de um metagame padrão. Como nosso foco nessas aulas é preparar os treinadores para o VGC, usaremos de referência as suas regras, enquanto outras vertentes de batalhas em dupla (como Smogon Doubles) serão abordadas posteriormente.

Dito isso, a primeira coisa a ser dita é que você nunca usará o seu time inteiro em uma única batalha. As regras de VGC definem que, após visualizar o time do seu adversário, você deve selecionar quatro Pokémon para irem ao embate. Isso acelera ainda mais as partidas já rápidas, abrindo espaço para batalhas em melhor de três - que são predominantes nos campeonatos do gênero. Com apenas quatro contra quatro, torna-se ainda mais complexo prever as ações do oponente num confronto que já se inicia antes da batalha.
Prelúdio do Combate: antes mesmo da batalha ter início, é possível ler todos os passos que o seu oponente fará, através do Team Preview. O simples fato de visualizar o time do oponente permite que você saiba se o inimigo usará um time climático, de Trick Room ou apenas de bons atacantes e defensores. Indo um passo além, ainda é possível ler os movimentos iniciais do confronto só de bater o olho em algumas cartas marcadas; com a experiência adequada, ficará fácil identificar usuários de Fake Out, Wide Guard, Follow Me e outras táticas comuns, como Earthquake + Discharge.
Estando ciente de que somente quatro Pokémon entram em campo na batalha e como o Team Preview é onde o confronto realmente inicia. Fica fácil de definir que o Lead é muito mais importante em Doubles. Se você tem apenas quatro Pokémon para lutar e a batalha é de dois contra dois, tenha em mente que você já começa a partida com metade do seu time em campo. Escolher adequadamente os dois que irão para o fronte perante a estratégia do adversário é essencial para que a batalha já comece a seu favor.

E não, isso não torna o
metagame desequilibrado.
Outra coisa importante é que não há Pokémon banidos que não sejam lendários ou de evento. Isso significa que as grandes ameaças de Singles, como Mega Kangaskhan, Mega Lucario e Aegislash podem andar soltos no território das batalhas em dupla. Contudo, isso não quer dizer que eles sejam tão fortes aqui; claro que eles ainda são poderosos, mas sua verdadeira força só aparece quando estão no um-contra-um. Com mais dois Pokémon em campo, a coisa muda de figura.

Para concluir, não há nenhuma regra que proíba o abuso de Evasion ou Sleep. Basicamente, se quiser colocar o time do seu oponente inteiro pra dormir, fique à vontade. Quer usar Double Team até nem você conseguir atingir seu próprio Pokémon com a pokébola para que ele retorne? Manda ver. Nada disso é proibido, são todas táticas válidas, mas existe um motivo pelo qual é muito raro aparecer esse tipo de estratégia em grandes torneios: toda estratégia baseada em sorte perde por azar, e existem muitos Pokémon que são capazes de precaver indução de sono. Com o tempo se pega o jeito.

Agora que já sabe como é a ambientação do cenário Doubles, provavelmente você deve estar se perguntando: “Tá, agora podemos começar a montar o time? Preciso escolher meus Sweepers e Walls!”, e é aí que vamos para a parte final deste capítulo do Competitivo 102:

Abandone seus velhos conceitos

Volt Switch é um
 caso à parte.
É isso mesmo. Quando você jogar em Doubles, boa parte dos conceitos que absorveu em seu treino como Singles terão de ser deixados de lado. Táticas defensivas, dano residual, e até mesmo a nomenclatura dos Pokémon serão abandonadas quando começar a aprender a batalhar em duplas, pois o metagame totalmente diferente torna inviável ter a mentalidade de Singles. Se está duvidando, explico o porquê:

Quando o seu Pokémon fica diante de um outro que pode lhe apresentar perigo, é comum ter o instinto de recuá-lo e colocar outro que seja mais viável para o matchup. Entretanto, nas batalhas em dupla, dificilmente ocorrem trocas no meio do confronto. Usadas quase sempre como último recurso, é mais comum recorrer a táticas defensivas (como uso de Protect) do que fazer um switch, já que uma troca deixa o Pokémon que irá entrar vulnerável para receber golpes dos dois monstrinhos adversários. Por isso, a troca é sempre um recurso emergencial, ou quando se tem certeza da segurança do seu Pokémon que entrará em campo.

Outra coisa importante é saber que as funções que os Pokémon exercem em Singles não valem para Doubles. Basicamente, um Pokémon Sweeper no seu time de batalhas comuns nem sempre servirá para combater em combates em dupla, bem como suas Walls podem não estar com a melhor estrutura. São muitos os Pokémon que preenchem locais ofensivos, defensivos e de suporte ao mesmo tempo, e muitos monstrinhos cobrem nichos extremamente específicos e únicos, sendo usáveis somente sob determinadas condições.

Prepare-se para combinações
bem inesperadas.
Isso tudo nos leva à última coisa que é preciso ressaltar: não pense que um time elaborado para Singles terá alguma chance em Doubles. Você pode até ter um time de seis Pokémon que se dão muito bem sozinhos, mas eles não terão sinergia para agir em dupla. Os Pokémon de um time em Doubles não devem somente conseguir atuar sozinhos e como um time, mas também em dupla quando estão juntos em campo. Essa é a parte mais difícil de se conseguir criar (atentem a palavra “criar”, ela será importante no futuro) em um time, então se preparem para ralar um bocado.

Basicamente, isso conclui o básico sobre o cenário competitivo de Doubles, e as precauções iniciais que se deve ter para considerar jogar nesse metagame. Estando cientes dessas informações, já é meio caminho andado para a compreensão da mentalidade que um treinador deve ter ao pisar nesse território tão dinâmico e complexo. Agora só basta conhecer um pouco da sua história e das regras, mas isso fica para uma outra aula…

Ask Me-owth

Assim como fazíamos no Competitivo 101, reservo o final das aulas para responder perguntas nos comentários da publicação. Para respostas mais completas, não tenham vergonha de expor suas dúvidas na seção de comentários logo abaixo, mas se estiverem afobados ou tiverem alguma pergunta rápida, podem me contatar diretamente via Twitter. Sem mais delongas, vamos às perguntas da semana!
Na LOP-AP, a Smogon é amplamente difundida, mas toda vez que fazemos algum torneio VGC rola a seguinte pergunta: "Por quê lendários de 'tier baixa' (Victini, Celebi, Meloetta) são banidos do VGC? Qual a razão desse banimento?" Eu sempre explico que Smogon =/= VGC e digo que esses são lendários extremamente raros obtidos apenas por eventos. Mas fica só aí a resposta?
— Igor Matheus
Depois de um Tail Glow,
adeus vida.
Então, Igor, a maioria dos lendários estão banidos de VGC pela sua força. É o caso do mascotes de versão e membros do seu trio. Contudo, realmente existem estes lendários “menores” que são igualmente banidos. Embora eles tenham sim algum uso, alguns podendo inclusive serem monstros em batalha (como Victini e seu V-Create), estes lendários pertencem a eventos específicos que não foram liberados em todas as partes do mundo - e, se foram, foi por tempo limitado.

O VGC tenta preservar uma regra de igualdade de oportunidade. Isso quer dizer que apenas Pokémon que possam ser acessados por qualquer jogador estão disponíveis. Claro que existem as funções de troca para a aquisição deles, mas ainda assim seriam remotas as chances do Pokémon vir da forma que o jogador queria. Portanto, a maneira mais adequada de equilibrar o jogo é, justamente, impedindo que qualquer jogador use algo que possa ser inacessível ao seu adversário.
Só eu que valorizo mais o competitivo de smash bros que o de pokemon?
— Rafael Luiz Ferreira Reis
Também sou um jogador ávido de Super Smash Bros., Rafael, inclusive no cenário competitivo. Aliás, já considerei fazer uma coluna focada no competitivo de Smash nos moldes do Competitivo 101 e 102. Contudo, este tipo de comentário foi uma isca que eu tive de morder, apesar de não haver necessidade.

O cenário competitivo de Smash está em ascensão no meio oficial, tendo seu primeiro campeonato mundial “verdadeiro” durante a E3 2014, através do Super Smash Bros. Invitational. Com isso, apesar de ter um cenário rico e baseado em habilidade (com mínima influência de sorte, diferente de Pokémon), é ainda um jogo que está começando a ter seu potencial competitivo reconhecido pela Nintendo.


Pokémon, por outro lado, já tem campeonatos desde 2009 sancionados pela Pokémon Company, além de haver torneios desde 2004 com as Estampas Ilustradas. Com isso, o cenário de maior notoriedade oficial é o de Pokémon, indubitavelmente. Mas Smash Bros. também é um excelente jogo, e tentarei fazer um guia futuramente sobre ele!

Isso conclui a segunda etapa de nosso Competitivo 102. O que estão achando até agora? Estão conseguindo ter uma boa noção sobre o cenário das batalhas em dupla? Qualquer dúvida, deixem seus comentários ou me contatem via Twitter, tentarei responder o quanto antes. Podem guardar o material e até a próxima aula!
Revisão: Leonardo Nazareth
Capa: Daniel Silva
Fellipe Camarossi é graduando em Ciências Contábeis e amante de uma boa discussão sobre videogames. Além de escrever para o Nintendo Blast, também é redator nas revistas Nintendo World e EGW. Para elogios e críticas, pode encontrá-lo no Facebook ou Twitter.

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