Crônica

#Mario30th: New Super Mario Bros. (DS)

O redescobrimento de Mario, de jogos 2D e de videogames através de uma grata reconstrução das características clássicas da franquia.

A indústria estava numa época diferente. Jogos pareciam diferentes. Aquele papo de gráficos, quantidade de frames, processamento, recursos extras do console, tudo aquilo parecia mais importante do que aquele papinho de interatividade e tudo mais…


Mas a Nintendo sabe, mais que qualquer uma, como fazer joguinhos. E, se ela salvou os videogames em 1983, após o grande crash do mercado, em 2006 ela faria mais uma virada de mesa com Super Mario Bros. no Nintendo DS.
Eita, pera lá. Não está certo isso aí…

Agora sim!

Não é só Mario Bros., é NEW Super Mario Bros.

Após Super Mario 64, Sunshine e Galaxy, o encanador retorna às origens: assim como fez sucesso nos anos 1990, o jogo de plataforma 2D traz de volta os itens, inimigos e moedas, tais como funcionavam nos velhos tempos de NES e SNES. Dessa vez, Bowser Jr. segue os passos do pai e sequestra a princesa Peach, fazendo com que Mario volte à ativa como antes (literalmente).

Mas não só de velhos truques vive New Super Mario: o encanador agora pode usar habilidades que surgiram no mundo tridimensional, como deslizar nas paredes e pular apoiando-se nelas. Há uma adição enorme de power ups para o encanador, além de novos inimigos. As moedas não são as únicas coisas que podem ser coletadas; é a primeira vez que surgem as Star Coins, moedas especiais distribuídas pelas fases que fazem com que o jogador consiga liberar caminhos no mapa. O level design dos estágios apresenta uma excelente progressão, pois o jogo é fácil e agradável no começo, mas, com o avançar, a dificuldade vai progredindo bastante, mas sem ser injusto, afinal, o game vai lhe preparando pouco a pouco para o que vem pela frente. Não tem como não pensar neste título  como uma espécie de presente, devido ao cuidado com cada detalhe que tem. E não é à toa que, quando joguei pela primeira vez, pensei: “caramba, esse Mario foi feito pra mim!”.

Sim, eu havia dito mapa!

Assim como Super Mario Bros. 3 e World, temos um mapa em escala reduzida, organizado com os mundos e estágios selecionáveis — são oito mundos exploráveis no total. Como nos velhos tempos, temos várias fases bônus e secretas, que nos dão a possibilidade de cortar caminho ou até acessar diferentes deles. Esses segredos parecem ter sido mais bem trabalhados do que nunca, uma vez que as saídas podem ser liberadas em acessos bem complicados ou até terminar determinadas fases com algum item específico. Isso traz de volta aquela velha conversa entre amigos que, se antes discutiam onde estavam as fases secretas de Super Mario World, agora compartilham o que foi descoberto em New Super Mario Bros.

As músicas são um mix das clássicas com novos arranjos, que introduzem alguns toques vocais no meio das melodias, funcionando em perfeita harmonia (até os inimigos reagem a elas!). Os cenários são bonitos e variados, indo de florestas tropicais até desertos.

O jogo não deixa de utilizar as duas telas do DS. Em alguns momentos, ao entrar em um cano, a tela usada para o gameplay passa para a de baixo. Além disso, a segunda tela é usada para mostrar o quanto falta para chegar ao fim da fase, a quantidade de Star Coins coletadas e mostra um item reserva, assim como em Super Mario World, que, para usá-lo, você consegue ativá-lo com apenas um toque! Há também um modo multiplayer, no qual os jogadores competem para ver quem coleta mais moedas em mapas específicos. Existem vários minigames que brincam com os recursos do DS, como o microfone e a tela sensível ao toque: perfeito para passar o tempo com o portátil enquanto estava ocioso (assim como eu, que várias vezes tive o DS tomado pelos professores por jogar durante a aula).

Não é só nostalgia

É meio difícil não se empolgar ao falar de New Super Mario Bros. Afinal, esse jogo era o retorno aos tempos clássicos. É tentar passar todas as fases novamente. É tentar abrir todos os caminhos novamente. É se irritar quando morre por besteira novamente. É comemorar quando passa por uma parte difícil novamente. É como estar nos anos 1990 de novo.

Embora a impressão é que o jogo se prenda à nostalgia, ao jogá-lo, podemos ver que é bem diferente. Temos a fórmula clássica, mas totalmente reinventada. Se a Nintendo e Miyamoto tivessem decidido fazer o primeiro jogo de Mario em 2006, pode ter certeza que o resultado seria New Super Mario Bros.

New Super Mario Bros. acabou influenciando toda a indústria de jogos, revivendo um estilo “arcade”, desafiando o jogador, mostrando que o estilo 2D não havia morrido, fazendo com que muitas séries voltassem às origens, como Street Fighter e Rayman, além de dar força para uma grande onda de jogos indie que surgiriam no futuro. Com ele, vimos que não só de poderosos gráficos, experiências tocantes ou de utilizar tecnologias revolucionárias vivem os jogos. Precisam apenas ser, como disse Satoru Iwata, divertidos. E é exatamente isso que New Super Mario Bros. é.
Super Mario Sunshine (GC) Índice Super Mario Galaxy (Wii)

Revisão: Jaime Ninice
Capa: Diego Migueis
Guilherme Almeida , também conhecido como SkSonicSk, escreve para o Hyrule Legends. Fã da Nintendo (mesmo com Sonic no nickname!) e de Zelda, pretende ser produtor de jogos no futuro e, quem sabe, produzir algo para a empresa que tanto ama. Às vezes, reclama no Twitter.

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