A história dos JRPGs — NES (Parte 2)

Relembre os RPGs japoneses do NES/Famicom.

Em outubro deste ano iniciamos um ambicioso projeto: recontar a história dos RPGs japoneses. No primeiro artigo da série, falamos sobre os JRPGs do Master System e explicamos um pouco da ideia do projeto. Semana passada começamos nossa viagem pelos importantes jogos de NES, e hoje falaremos de mais títulos que chegaram ao simpático console da Nintendo no ano de 1989. Recarregue seu estoque de poções e venha com a gente nessa jornada!

Final Fantasy II

Desenvolvedora:  Square. Lançamento: 17 de dezembro de 1988

Por Alexandre Wolowski

Após o sucesso do primeiro jogo, que salvou a Square da falência e alavancou a série de mais sucesso da empresa, era hora de lançar uma sequência para consolidar a série. Contando com a mesma equipe do original, o segundo jogo consegue ser muito melhor em relação ao primeiro, tanto graficamente, como também na jogabilidade.
O lendário Tiamat.
Como acabou se tornando uma característica da série, a história do segundo jogo não tem relação com a do jogo anterior. Aqui, o imperador de Palmeceia invocou seres do submundo e iniciou sua jornada para controlar o mundo. Em meio a isto, um grupo de rebeldes resolve enfrentar o imperador. Quatro jovens se unem aos rebeldes e partem em uma jornada para derrotar o imperador e recuperar sua cidade.

Ancient Ys Vanished: The Final Chapter

Desenvolvedora: Nihon Falcom. Lançamento: 1989.

Por Nicolas Tavares

Como está no nome, Ys II é a parte final da primeira saga da série, iniciada com Ys I: Ancient Ys Vanished (já falamos sobre a versão de Master System). Assim como o primeiro jogo, Ys II foi adaptado para o NES e lançado em 1989, apenas no Japão.

A trama segue exatamente de onde paramos em Ys I. O jovem (e silencioso) aventureiro Adol Christin foi até Esteria para desvendar o mistério por trás da tempestade que destrói qualquer barco que se dirige à ilha. Após juntar os seis livros e enfrentar uma torre cheia de inimigos, Adol é transportado para a lendária terra de Ys, que flutua muito acima de Esteria. Agora o espadachim ruivo terá que descobrir o que separou as duas terras e vencer o mal que ameaça a ilha.

A jogabilidade é a mesma do primeiro jogo, utilizando o famoso bump system: matamos os inimigos trombando com eles em um certo ângulo. A novidade é o sistema de magia, que permite que Adol faça ataques à distância. Ys I e II para NES é ligeiramente diferente das versões para outros consoles. O mapa é diferente, e as músicas originais, feitas por Yuzo Koshiro, foram substituídas — uma pena, pois é um dos melhores trabalhos do artista. Todo o visual é bem melhor trabalhado do que no Master System. Se tivesse sido lançado no ocidente, teria feito sucesso.

Destiny of an Emperor

Desenvolvedora: Capcom. Lançamento: 19 de maio de 1989.

Liu Bei, Zhang Fei e Guan Yu. Se você tem familiaridade com os jogos da série Dynasty Warriors ou Romance of the Three Kingdoms, sabe muito bem quem são esses três lendários guerreiros. Em Destiny of an Emperor, eles são o grupo de heróis controlados pelo jogador. Neste RPG baseado no mangá Tenchi wo Kurau e também nas histórias do romance dos três reinos, levamos Liu Bei e seus guerreiros a vencer a rebelião do turbante amarelo e, por fim, unificar a China.
A capa da versão japonesa.
Os menus e toda a interface, assim como parte do design, seguem a escola de Dragon Quest. Existem algumas diferenças notáveis, no entanto. Aqui, temos os três generais como personagens principais, mas podemos recrutar outros. Além disso, nossos personagens não tem HP, mas sim o número de membros na unidade, já que cada general leva consigo dezenas de guerreiros. Outra distinção interessante é a possibilidade de usar o comando “All-out battle”, no qual todos os generais executam suas ações ao mesmo tempo e de forma contínua, até que um dos lados caia.

Destiny of an Emperor pode parecer a primeira vista um clone de Dragon Quest, mas suas ideias interessantes e a escala maior nas batalhas são o suficiente para prender a atenção do jogador. E, convenhamos, nunca é demais controlar Guan Yu e sua magnífica barba nos videogames.

Willow

Desenvolvedora: Capcom. Lançamento: junho de 1989.

O estranho filme Willow, de 1988 (e com história de George Lucas), gerou diferentes adaptações nos games. A versão de arcade é um game de plataforma com um quê de Akumajou Dracula, a de PCs consiste de cinco mini-games. Já a versão de NES é um RPG de ação, algo entre The Legend of Zelda e o futuro Secret of Mana.

O visual do jogo chama a atenção, seja em cavernas ou em matas, que recebem um efeito de vento quando entramos em batalha. A luta é dinâmica e existe uma boa variedade de inimigos, porém muitos deles repetem o mesmo padrão (vir para cima do herói como quem quer levar espadas rápidas e morrer logo).

A exploração do jogo é feita basicamente como em The Legend of Zelda, vemos nosso herói por cima e guiamos ele tela por tela. Nem tantos anos assim após E.T., Willow surpreendeu por ser um excelente título gerado a partir de um filme, algo tão incomum naquela época quanto hoje.

Ghost Lion

Desenvolvedora: Kemco. Lançamento: 14 de julho de 1989.

Como vimos até agora, muitos títulos bebem diretamente de Dragon Quest. Alguns deles, infelizmente, acabam sendo cópias sem boas ideias ou execução. Ghost Lion, ou ホワイトライオン伝説, é uma destes títulos que não se destacaram de uma forma positiva.

Certa vez um leão branco misterioso atacou a vila de Maria. Seus pais resolveram ir atrás do animal e, um tempo depois, Maria também resolveu achar seus pais e o tal leão branco. No meio do caminho ela acaba parando em um mundo estranho e misterioso. O enredo, ainda que não seja nada extraordinário, não compromete.


Todo o resto parece uma cópia de Dragon Quest, desde os menus e a forma de explorar cidades e dungeons, até o sistema de batalha similar. Para sermos honestos, esse tipo de RPG se tornou um forte gênero no Japão, desta forma, tantos jogos similares à Dragon Quest apareceram para Famicom e PCs. Para quem gosta do estilo, com certeza Ghost Lion trouxe uma jornada interessante, apenas não era uma das mais empolgantes da época.

Faria: A World of Mystery and Danger

Desenvolvedora: Game Arts. Lançamento: 21 de julho de 1989

Faria, ou ファリア 封印の剣, publicado alguns meses após Phantasy Star, é outro RPG que trouxe uma personagem mulher como protagonista, ou pelo menos é o que pensamos no começo do jogo. Nossa heroína, chamada apenas de “Soldier”, se vê em meio a uma trama complexa envolvendo um rei, uma princesa e um poderoso feiticeiro. Depois de uma árdua jornada, ela confronta o tal feiticeiro que havia lhe transformado em mulher, ou seja, o personagem era um homem inicialmente. A história misteriosa e incomum é apenas um dos aspectos do game.

Temos um world-map para ser explorado, e batalhas aleatórias pipocam, nos levando para uma arena (não acontecendo a luta na própria tela do mapa). O sistema de batalha é algo entre o bump system e um RPG de ação mais complexo. O visual e a trilha sonora agradam, ainda que não estejam entre os melhores do gênero. Para quem queria um enredo diferente do usual e uma batalha mais dinâmica, Faria foi uma boa pedida.

Mother

Desenvolvedora: Ape. Lançamento: 27 de julho de 1989.

Cerca de três anos após o início de um gênero, JRPG, Shigesato Itoi, alguém inicialmente de fora do meio dos games, nos trouxe um título ímpar. Se era uma experiência típica dos JRPGs, era ao mesmo tempo uma subversão do próprio gênero. Os primeiros instantes com o jogo já nos mostravam sua originalidade. O tema principal mais relaxante e misterioso, a necessidade de dizer qual é nossa comida preferida, a envolvente história de George e Maria chegando até os anos 1980, a perspectiva lateral da câmera no quarto do personagem principal e, sobretudo, nossa primeira batalha contra um… abajur!

A partir daí todos os elementos do jogo se desenvolviam e se desdobravam em mais surpresas. Faixas de jazz na trilha sonora, uma alta dose de humor e referências, inimigos incomuns e satíricos, além da batalha com narração leve e divertida. Ao contrário de Mother 2/Earthbound, aqui não vemos os inimigos no cenário, apenas dentro das batalhas geradas aleatoriamente.
Já o nome do personagem principal, Ninten, deixa claro a descontração do título.
O visual e a perspectiva da câmera do jogo agradam bastante, tanto do ponto de vista dos gráficos quanto da representação de um mundo mais parecido com o nosso, e ainda assim estranho o suficiente para nos prender a atenção à todos os detalhes.

Mother é um dos principais RPGs da história, e a série como um todo permanece na memória de muitos jogadores e nas ideias de tantos outros desenvolvedores. Seus ecos chegam até 2015, com jogos recentes como LISA e o excelente Undertale.

Dungeon Magic: Sword of the Elements

Desenvolvedora: Natsume. Lançamento: 10 de novembro de 1989.

Este RPG em primeira pessoa remete ao clássico Bard’s Tale. A exploração e a busca por missões e trabalhos para se completar são os principais aspectos do jogo. Seu enredo não é incomum: no passado um grande guerreiro venceu as forças do mal, e agora elas se erguem novamente, portanto um novo herói deve surgir para vencer o mal novamente.

O grande destaque do sistema de batalhas são as magias elementais (até com possibilidade de unir os efeitos de diferentes runas). O visual não é dos melhores, mas a proposta de ambientes que simulam 3D é bem executada.

Glory of Heracles II

Desenvolvedora: Data East. Lançamento: 23 de dezembro de 1989

Heracles no Eikō II: Titan no Metsubō, ou ヘラクレスの栄光II タイタンの滅亡, continuava as aventuras de Hércules de uma forma inusitada: o personagem controlável é um garoto que vive em uma época em que Hércules já é um herói lendário e reconhecido. Dessa vez o novo guerreiro precisa vencer o último dos titãs, que está trazendo caos ao mundo.

Pela primeira vez na série, seguindo os passos de Dragon Quest II, podemos controlar um grupo de heróis e não apenas um. Também vemos pela primeira vez fluxo de tempo, com ciclo de dia e noite. O título traz um sistema de batalha sólido e uma história trágica com várias referências à mitologia grega.

Little Ninja Brothers

Desenvolvedora: Culture Brain. Lançamento: 1989.

Conhecido no Japão como Super Chinese 2, o título é muito mais um jogo de ação com elementos de RPG do que um RPG de ação propriamente dito. A forma de explorar o world-map, a necessidade de ganhar experiência e evoluir de nível, e as batalhas aleatórias compreendem o que tem de RPG em Little Ninja Brothers. A batalha, que ocorre em uma pequena arena, traz muitos elementos de ação.

A escolha por falar do jogo se dá muito mais no intuito de apontar que elementos de RPG invadiam tantos outros gêneros e que isso não é algo novo. De certo, Little Ninja Brothers tinha potencial para agradar fãs de diferentes estilos.
Capa da versão japonesa.
O título traz uma história simples e a possibilidade de jogar em dupla. Traz, também, em sua capa uma imagem muito conhecida de muitos brasileiros que costumavam alugar games para jogar. Sim, é de Little Ninja Brothers que a locadora ProGames retirou seu logotipo.

~

E termina aqui a segunda parte de nossa viagem pelos JRPGs de NES. Dessa vez tivemos menos séries famosas, mas espero que vocês tenham apreciado conhecer ou relembrar esses dez jogos. Na semana que vem terminaremos nossa lista de títulos do eterno Famicom. Até lá!

Tem algum memória com esses jogos? Alguma história bacana? Não deixe de nos contar nos comentários.
Revisão: Luigi Santana
Capa: Peterson Barros
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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