Discussão

Nintendo e Square-Enix: discutindo a (re)aproximação

Após a aparição de Cloud (Final Fantasy VII) no último Nintendo Direct, discutimos se a Big N e a casa de Final Fantasy estão se reaproximando, e como isso pode ser proveitoso para elas.

Todo Nintendo Direct traz esperanças aos fãs e donos dos consoles da Big N, e a história não foi diferente em relação ao último Direct de 2015, que foi ao ar no dia 12 de novembro. Com apenas duas grandes novidades — sendo que uma delas já era esperada — muita gente torceu o nariz para a transmissão. Se a versão HD de Legend of Zelda:Twilight Princess não pegou muita gente de surpresa, ainda que a confirmação tenha alegrado os fãs da série, a revelação de que Cloud, personagem principal de Final Fantasy VII, irá se juntar ao roster de Super Smash Bros. (Wii U/3DS) surpreendeu todo mundo.


Além disso, vários títulos da Square-Enix para o Nintendo 3DS foram confirmados para o Ocidente, e alguns rumores apontam para o lançamento de Dragon Quest XI (PS4/3DS) também no NX. Será que estamos presenciando uma reaproximação entre as duas empresas? Como isso iria ajudar cada uma? É o que vamos discutir hoje.

A história da relação

Na época do NES e do SNES, tanto Squaresoft quanto a Enix (antes empresas distintas) eram importantes desenvolvedoras third-party para os consoles da Nintendo. Não apenas Dragon Quest e Final Fantasy nasceram e se fortaleceram em parceria com a Big N, como tantos outros jogos (principalmente RPGs) também foram publicados com exclusividade para os consoles Nintendo. Nunca é demais lembrar que alguns dos principais jogos da história do gênero foram exclusivos em suas respectivas gerações: Dragon Quest IV, Final Fantasy VI e Chrono Trigger, por exemplo.
Que empresa não gostaria de ter um jogo desse nível exclusivo em seu console?
Na geração do Nintendo 64 essa história mudou. Após começar o desenvolvimento de Final Fantasy VII para o console, a Square decidiu desenvolver o título para o PlayStation, máquina da Sony que entrava no mercado de games. Na 5ª geração nenhum jogo da empresa chegou para sistemas Nintendo, e na 6ª geração (PS2/Gamecube) a óbvia preferência foi pelo console da Sony. A Enix trilhou caminho semelhante: também migrou sua principal franquia, Dragon Quest, para o console da Sony. Além de Dragon Quest, outros grandes jogos e séries da Enix passaram para o Playstation, inclusive algumas que nasceram em consoles da Nintendo, como Star Ocean.

Final Fantasy Tactics Advance.
Apenas no início da década de 2000 a Square voltaria a lançar um jogo para um sistema da Big N: Final Fantasy Tactics Advance (Game Boy Advance). A partir daí a empresa voltou a publicar jogos nos consoles e, principalmente, portáteis da Nintendo. O caminho permaneceu o mesmo após a fusão com a Enix, e o principal foco da empresa para AAAs continuou sendo a concorrência. Ainda que os grandes lançamentos (do ponto de vista do orçamento) não apareciam em consoles Nintendo, tantos outros jogos importantes e exclusivos foram publicados para Wii, Nintendo DS e Nintendo 3DS.

A Square-Enix foi mais uma, entre tantas outras empresas, a não produzir ou deixar de produzir jogos para o Wii U. A Nintendo parece ter consciência de que foi muito problemático o abandono das thirdies e já surgem rumores positivos sobre a aproximação da Big N com grandes desenvolvedoras tendo em vista o NX. Será que o console está nos planos da Square-Enix?

Por que Cloud?

Alguns fãs da Nintendo reclamaram da utilização do personagem em Smash Bros. já que ele é uma figura mais ligada à Sony, pois a Big N poderia usar um personagem da franquia Final Fantasy de algum jogo que esteve em seus consoles. Por mais estranha que possa ser a escolha, ela faz sentido e pode ser um indicativo de mais novidades a caminho. Vamos por partes.

Cloud e Sephiroth são, a despeito de qualquer preferência dos fãs da série, os personagens mais icônicos da franquia, as “marcas” mais expressivas de Final Fantasy. Durante a E3 deste ano pudemos ver como o sétimo jogo da série e seus personagens continuam causando comoção. No anuncio deste último Direct vimos como Cloud ainda é um personagem capaz de gerar notícias com exclamações contundentes em seus títulos. Assim, a escolha do personagem para se juntar ao elenco de Super Smash Bros. é interessante para as duas companhias, ainda mais se o cheiro de amiibo que está no ar se concretizar, mas já voltaremos a isso.
Equipe de peso!
Mas não é só de Cloud que se faz essa parceria. Vimos também a confirmação dos lançamentos ocidentais de Dragon Quest VII e Dragon Quest VIII para Nintendo 3DS, além de mais informações sobre Final Fantasy Explorers, também para 3DS. Essa parceria da Square-Enix com os portáteis da Nintendo se fortaleceu ainda mais no 3DS, com importantes títulos como Bravely Default (e sua sequência, Bravely Second) e Theathrythm Final Fantasy (e sua sequência, além da versão de Dragon Quest). Entretanto, no Wii U, ainda não vimos, no Ocidente, nenhum lançamento da empresa além de Deus Ex: Human Revolution Director's Cut, um título multiplataforma da geração anterior (Dragon Quest X chegou ao Wii U no mercado japonês).

Neste ano surgiram rumores de que Dragon Quest XI não sairia apenas para PS4 e 3DS (versão diferente da de PlayStation 4), mas também para o NX. Também tivemos rumores de que outras empresas estariam se aproximando da Nintendo para desenvolver e publicar seus jogos no novo sistema, entre elas a Capcom e a Ubisoft. Trago isso para apontar que a Nintendo está tentando obter o apoio das grandes desenvolvedoras para seu novo console, e que entre elas está a Square-Enix, uma empresa que já lança muitos jogos para o portátil da Big N.
Dragon Quest XI chegará ao 3DS...
Se o novo console for potente, atrativo para o desenvolvimento e não representar uma adição muito grande de tempo e custo para as empresas publicarem seus jogos também nele, não vejo motivo algum para que essas parcerias não se firmem. Para a Square-Enix seria mais um segmento do mercado que ela poderia atingir, para a Nintendo significaria jogos de peso como Dragon Quest XI, Final Fantasy XV, Final Fantasy VII Remake, etc, fazendo parte de sua biblioteca.
... mas não seria bacana ele também chegar ao NX?
Existe um problema: será que esses jogadores foco da Square-Enix já não terão comprado um PS4 ou Xbox One tendo em vista esses jogos e outros multiplataforma? É possível, mas ainda estamos no campo da conjectura. Existe algo, no entanto, que poderia ser um diferencial para os fãs de uma empresa como a Square-Enix escolherem o console da Nintendo.

Amiibo: o possível fruto dessa união

Primeiro fato: personagens de outras empresas que apareceram em Smash Bros. ganharam suas versões amiibo (Mega Man e Sonic, por exemplo). Segundo fato: a Square-Enix possui uma gama vasta de propriedades intelectuais importantes e com uma grande base de fãs, e mesmo estando em boa posição financeira, não a vejo entrando por si no mercado figuras NFC (do inglês near field communication), que já conta com 4 marcas (Skylanders, Disney Infinty, Amiibo e Lego Dimensions).

Esses amiibo, que começariam com a chegada do Cloud, podem se transformar em uma boa fonte de renda para as duas empresas, bem como fortalecer mutuamente suas propriedades intelectuais. Imaginem o impacto que um amiibo do Slime (Dragon Quest) ou Chocobo (Final Fantasy) pode representar do ponto de vista comercial e do marketing. Sem falar em tantos outros jogos e personagens. Será que não poderia ser um importante diferencial na hora de disputar o fã com os outros consoles?

Em dezembro teremos uma transmissão especial sobre Super Smash Bros. e pode ser que as novidades envolvendo a Square-Enix ainda não tenham acabado. Afinal, não é raro ver Cloud e Sephiroth aparecendo juntos em participações especiais.

Parceria de quase 30 anos

Nintendo e Square-Enix foram empresas que se fortaleceram em parceria. Seus caminhos foram se distanciando, chegando a uma época de mais de 7 anos sem lançamentos conjuntos. Hoje, com a retomada dessa parceria já durando anos e gerando spin-offs, jogos para portátil e até mesmo entradas das principais franquias (como Dragon Quest IX), ficamos no aguardo de que os grandes lançamentos na 8ª geração cheguem também para o novo console da Big N. Se essa parceria trouxer amiibo, tanto melhor para a Nintendo, para a Square-Enix e para os fãs.

Revisão: Gabriel Verbena
Capa: Felipe Fabrício
Pedro Vicente não é corredor de Fórmula Truck e nem sambista. Também não é escritor e muito menos desenvolvedor de jogos. Todo dia repete como um mantra que irá atrás dos seus sonhos amanhã. Enquanto isso, pode ser encontrado em Campinas, ou São Paulo, quem sabe Santos, até mesmo no Facebook.

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