Crônica

The Legend of Zelda: Tri Force Heroes (3DS) e a diversão do multiplayer local

Dei uma nova chance ao último spinoff da série Zelda e me surpreendi com a experiência.

The Legend of Zelda: Four Swords é um dos meus jogos favoritos de GBA, lembro-me das várias tardes em que me diverti tentando derrotar Vaati na companhia de amigos. Muitos anos se passaram, o 3DS se tornou o portátil da vez, e sempre fiquei me perguntando quando a Nintendo lançaria um novo Zelda multiplayer — Four Swords Anniversary Edition era legal, mas não passava de um port melhorado. A resposta foi The Legend of Zelda: Tri Force Heroes e, em um primeiro momento, não foi muito bem o que eu esperava e não dei muita atenção. Recentemente, meses após o lançamento, dei uma nova chance ao título, o que me fez lembrar o quanto é divertido jogar localmente com amigos.

Uma promessa não correspondida

Tri Force Heroes foi revelado na E3 de 2015 e pensei: finalmente! O jogo parecia legal, mesmo sendo um pouco diferente de Four Swords. Fui ficando cada vez mais animado com o título por conta das novidades como mecânica de totem, roupas especiais e multiplayer local e online, queria muito jogá-lo.

Entretanto a situação foi mudando conforme o lançamento do jogo se aproximava e fui perdendo o interesse por Tri Force Heroes. A Nintendo lançou uma demo e tive sentimentos conflitantes sobre ela: algumas poucas partidas foram legais, mas a maioria delas foi horrível, principalmente por conta da comunicação ser muito difícil. Também não tinha gostado muito da aparente simplicidade do design da aventura. Para piorar, o jogo recebeu baixas notas nas análises e duras críticas da mídia especializada — o consenso foi que o jogo era bem mediano. Tudo isso me fez perder completamente a animação e deixei o jogo pra lá.

Dando uma nova chance

Só fui me interessar novamente por Tri Force Heroes meses depois. Participo de encontros de jogadores de 3DS em Brasília e muitos colegas do grupo diziam que o jogo era legal, mas eu ainda o achava ruim por conta da experiência anterior. Cansado de jogar somente Mario Kart 7 e Super Smash Bros. nos encontros e pensando no que todos falavam, resolvi dar uma chance ao Zelda. Dessa vez, minha opinião mudou.

Antes de convidar meus amigos para as partidas, testei o modo single player e online. Bem, percebi rapidamente que Tri Force Heroes não deve ser jogado sozinho: a experiência de jogo é muito comprometida, já que você tem que alternar entre os Links manualmente o tempo todo (parece um remendo feito de qualquer jeito). Alguns trechos ficam muito difíceis e frustrantes por conta disso, já que eles exigem coordenação e rapidez por parte dos participantes. No fim das contas, achei o modo single player simplesmente horrível e nunca mais pretendo voltar nele.
Sem joinha para vocês, bonecos irritantes!
A minha opinião sobre o multiplayer online, que pude testar antes na demo, não mudou. Algumas partidas são bem legais e tudo flui bem, sendo especialmente divertido quando todos conseguem agir em conjunto para resolver os puzzles — e os quadros de emoções dão um charme especial. Mas jogando com qualquer um apresenta os problemas da aleatoriedade: alguns participantes não colaboram, outros são muito lentos, há também os que só atrapalham. Os quadros de emoções não são suficientes para se comunicar bem com os outros, o que torna muito difícil a resolução de puzzles mais complexos. A conexão também é meio instável, sendo especialmente irritante a partida ser interrompida por um problema de comunicação quase no final do estágio. Ok, existe a possibilidade de chamar amigos e conversar via Skype, mas acho que é muito trabalho para pouca diversão. Frustante e cansativo são as palavras que eu escolhi para resumir o multiplayer online.
A própria Nintendo fez uma imagem para representar o multiplayer online

Jogando com amigos é mais legal

Depois de testar os outros modos, fiquei receoso de jogar o multiplayer local por conta da experiência mediana. Mesmo assim eu juntei coragem e convidei alguns amigos durante um dos encontros de 3DS em Brasília. Facilita muito, também, o fato de que toda a campanha possa ser jogada via Download Play. O resultado me surpreendeu e passei a gostar muito do jogo.

Depois de algumas partidas, cheguei à conclusão de que Tri Force Heroes deve ser jogado sempre no multiplayer local. Com as pessoas do seu lado a comunicação flui muito bem, os lags são mínimos e fica tudo bem divertido. No começo eu e meus amigos achamos as primeiras fases bem fáceis, banais até, mas conforme avançamos a coisa foi ficando bem complicada (e prazerosa). Foram vários os momentos nos quais ficamos alguns minutos tentando entender como resolver alguns puzzles, pois eles não eram muito claros — imagino o terror que é fazer isso no online, com as ferramentas de comunicação limitadas. Mesmo estando fisicamente próximos, sempre usávamos os emotes para comemorar ou reagir ao que acontecia no jogo.
\o/ \o/
A zoeira ajudou muito na experiência: foi bem legal comemorar e se frustrar na companhia dos amigos, as risadas eram constantes. Em uma partida, por exemplo, um colega vivia se jogando nos buracos e na lava (e me levando junto, naturalmente), mas mesmo assim ele ficava falando que era um excelente jogador. Já meu outro amigo não podia ficar com itens que lançavam projéteis: a mira dele era péssima, ele errava tudo e a gente acabava morrendo (fiquei falando que ele tinha Mal de Parkinson, só assim para justificar tanta tremedeira). Gostei especialmente da mecânica de Totem, na qual um Link sobe em cima de outro para alcançar locais altos. A sensação que eu tive é que isso foi pensado para gerar confusões: foram inúmeras as vezes que tentamos fazer um totem pra resolver algum puzzle e o resultado era alguém sendo jogado na lava no meio da bagunça (muitos joinhas irônicos pipocavam na tela, claro).

Um ótimo multiplayer local

Jogar The Legend of Zelda: Tri Force Heroes localmente com os amigos é uma ótima experiência. Um dos motivos disso é que o título tem uma estrutura bem diferente de outros Zeldas, pois tudo é mais direcionado à ação, os puzzles são mais diretos e o grupo normalmente sempre anda junto — o que é reforçado pelo fato de que todos os jogadores compartilham entre si a energia das armas e os corações. O resultado é um jogo dinâmico e intenso, bem distinto de Four Swords (nesse o grupo podia se separar e explorar os grandes cenários).

É realmente uma pena que muitos jogadores não podem experimentar o modo local, mesmo com a ajuda de grupos de jogadores de 3DS que esse tipo de interação. A sensação que eu tive é que o jogo todo foi construído para essa modalidade e o resto, inclusive o online, foi colocado depois — o que justifica o fato de esses outros modos serem tão medianos. Para mim, o multiplayer local do título resgatou tempos passados e divertidos nos quais eu chamava meus amigos para jogar até não aguentar mais (o que é bem mais difícil agora na vida adulta). Por conta de tudo isso, não vejo a hora do próximo encontro para poder avançar ainda mais em Zelda: Tri Force Heroes.
E vocês, jogaram The Legend of Zelda: Tri Force Heroes? Tiveram a oportunidade de jogar localmente?Como foi a experiência de jogo? 
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura e Motoi Sakuraba, é apreciador de boardgames, game music, fotografia, livros e animes. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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