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Análise: 3...2...1...GO! Super Smash Bros. for 3DS inaugura a franquia nos portáteis

Depois de horas de pancadaria na telinha 3D, venha saber se Super Smash Bros. é um mero aperitivo para a versão de Wii U ou um verdadeiro e completo título da série.


Com muita expectativa, especulação e um consagrado selo de qualidade, a série Super Smash Bros. acompanha os consoles da Nintendo desde o N64. Agora, o crossover de luta da Big N ancora pela primeira vez num portátil. Elevando ao máximo o potencial do 3DS, a equipe de Masahiro Sakurai nos permitiu levar Super Smash Bros. no bolso com a difícil tarefa de fazer jus à futura versão de Wii U e trazer motivos para que não seja apenas um "aperitivo" antes do prato principal a ser servido no dia 21 de novembro.


Entre no ringue

Super Smash Bros. for 3DS não altera radicalmente a fórmula da série, mas atualiza seu conteúdo nintendístico (com adição da Capcom e Namco Bandai à mistura) e traz novos elementos de gameplay que dão um ar novo à porradaria crossover.

Basicamente, escolhemos um personagem icônico da Nintendo ou de uma das empresas convidadas para batalhas com até três outros lutadores, nas quais entram estágios interativos, itens com efeitos distintos, modos de jogo bem diferentes, diversas músicas retrabalhadas e muita aleatoriedade.

O sistema de dano é o que faz de Super Smash Bros. tão
único, divertido e... controverso
Claro, ainda temos um cenário competitivo (que até foi reforçado), mas o foco continua sendo as lutas por diversão repletas de elementos de jogo bizarros e imprevisíveis. Nesse sentido, trata-se de um jogo de luta bem acessível, com controles quase que idênticos entre os personagens e um sistema de dano em vez de uma barra de vida. Para o desapontamento de alguns, esse novo Smash não revive a velocidade e brutalidade de Super Smash Bros. Melee (GC), mas está consideravelmente mais rápido que Super Smash Bros. Brawl (Wii). Outras adaptações na mecânica de luta, como a facilidade de morrer, a física e a flutuação dos personagens também sofreram modificações. Só que ainda são difíceis de se medir e cuja aceitação ou reprovação é algo bem pessoal.

Não se engane: Super Smash Bros. for 3DS
tem sim o selo Super Smash Bros. de qualidade
Para caber tudo isso no 3DS, algumas adaptações tiveram de ser feitas, mas, no geral, Super Smash Bros. funciona muito bem no portátil da Nintendo. Essencialmente, os controles são os mesmos de um joystick do GameCube, com exceção das ausências do analógico C e de mais botões laterais - a serem compensadas no New Nintendo 3DS. O tamanho do portátil e a distribuição dos botões pode ser estranha aos acostumados com o controle do cubo roxo, mas, após algumas horas de jogatina, não é difícil se reacostumar. 

O Circle Pad, no entanto, nem sempre dá conta da velocidade e precisão com a qual se precisa desferir golpes. Às vezes, um B+lado poderá ser confundido um B+cima, e essa falha será crucial numa batalha séria. Alguns jogadores por todo o mundo acabaram, na verdade, destroçando a borracha do analógico com as jogatinas prolongadas de Super Smash Bros. for 3DS. 

Nintendo

Repetindo a tradição que parecia ter alcançado seu ápice com Super Smash Bros. Brawl (Wii), a versão para 3DS celebra lindamente o universo criado pela Nintendo nessas últimas décadas. Dos clássicos Mario, Mr. Game & Watch e Duck Hunt aos bem recentes Shulk, Greninja e Robin, jogar esse novo Super Smash Bros. é uma viagem anacrônica pelo histórico da Big N. Temos músicas retrabalhadas simplesmente sensacionais, algo que Brawl fez muito bem e que só ganha em quantidade em relação a essa versão.

Destacam-se pessoalmente a música tema de batalha de Pokémon X/Y (3DS) e a deliciosa coletânea de temas da Rainbow Road.


Os estágios também foram muito bem constrúdos, adequando-se quase perfeitamente ao tamanho da tela do 3DS. Em lutas de três e, principalmente, quatro lutadores, os personagens ficam tão pequenos que podem ficar feios na resolução do portátil, mas, no geral, as arenas são um banho de criatividade. A nova Mute City e Dream Land reproduzidas em sprites originais são lindas e nostálgicas; Spirit Train, Paper Mario e Magicant são fenomenais e outras ainda trazem mecânicas específicas, como Pac-Maze e Golden Plains.


Algumas fases estão entre as mais inspiradas da franquia
O fato de esse novo Super Smash Bros. estar dividido entre versões para Wii U e 3DS provavelmente foi o que impediu todas as franquias de receberem estágios novos, o que é compreensível dado o trabalho que daria criar fases inéditas em ambas as versões, mas também não deixa de ser um ponto negativo para cada versão individualmente. Séries como Metroid, Donkey Kong e Star Fox ficaram apenas nas fases retrô mesmo tendo bons títulos lançados para portáteis, enquanto Mario abusa de cinco arenas próprias.


Picto-Chat 2 é um exemplo de estágio retrô reimaginado, enquanto
Brinstar é mais um elemento ofuscado de Metroid
Todo esse fator "Nintendo" é reforçado pelo conteúdo extra. Modos alternativos como All-Star, Multi-Man, centenas de troféus colecionáveis e muitos outros elementos de jogo permitem que se conheça muito sobre a Big N de maneira interativa. Embora, nesse sentido, a versão de 3DS muito provavelmente ficará atrás da de Wii U, o conteúdo de Super Smash Bros. for 3DS é vasto e incrível.

Escolha seu lutador...

Nesse sentido, a lista de lutadores e lutadoras é a mais incrível já vista. Mesmo o diretor Masahiro Sakurai tendo dito que não aumentaria "muito" a seleção em relação aos 35 jogáveis de Brawl, essa versão permite que 49 ícones dos videogames se digladeiem. Embora gigantesca e super interessante, o que mais pode-se dizer da escolha de lutadores?

São "só" com esses lutadores que começamos o jogo


Com o incremento dos golpes customizáveis e roupas alternativas para os personagens, fica aquele nó na garganta quanto aos clones que podiam facilmente ter sido criados através dessas mecânicas. Ness, por exemplo, pode utilizar quase que a mesma seleção de golpes que Lucas, que foi tirado do jogo, e o mesmo poderia ter sido feito, por exemplo, com Dr. Mario e Dark Pit.



Algumas ausências, como Ice Climbers, trouxeram pesares gerais na comunidade, enquanto outras perdas, como Pokémon Trainer e Wolf, desagradaram fãs específicos. Para a alegria da nação, os doze veteraníssimos estão de volta. Falando ainda das roupas alternativas, elas caíram perfeitamente bem em personagens como Link, Bowser Jr. e Olimar, mas é incompreensível a falta de um Toon Link de pijama e modelos diferentes da armadura de Samus, dentre outros.

Só a lista de lutadores já é uma viagem
pelo histórico da Nintendo
Ainda assim, o que mais impressiona é a seleção de novatos. É incrível como cada um deles traz uma mecânica de jogo por vezes totalmente diferente das que conhecíamos. A interação entre Rosalina e Luma, por exemplo, é complexa e esconde combos devastadores. Robin, por sua vez, combina magia e espada com o elemento do racionamento da quantidade de usos de suas armas. Habitante traz toda a sorte de movimentos oriundos de uma pacata vida virtual. Little Mac é força bruta ao extremo... desde que não tire os pés do chão.

Greninja é o mestre da velocidade e abusa de truques e fintas. Shulk pode alternar entre bônus para um atributo em detrimento de outro. Duck Hunt pode invocar os personagens de Wild Gunman (NES) e utilizar seus icônicos projéteis explosivos. Pac-Man e Mega Man fazem referência a suas séries em cada mínimo aspecto. Além desses, temos a incrível seleção de golpes de Palutena, Bowser Jr. e, é claro, os Miis.


Os lutadores convidados são simplesmente incríveis

... ou construa um!

Além de escolher, agora podemos também modificar um combatente ou ainda criar um novo a partir do zero através dos Lutadores Miis. A customização foi de longe a maior inovação dessa nova versão de Super Smash Bros., e ainda nem está finalizada, pois a interação com a versão de Wii U e as miniaturas Amiibo provavelmente darão outra dimensão a essa personalização.

Cada lutador tem duas variações adicionais de seus tradicionais ataques especiais. Captain Falcon pode desferir um Falcon Kick elétrico, Shulk tem diferentes maneiras de funcionamento de suas Monado Arts, dentre muitas outras. Esse elemento abre um novo leque para as batalhas competitivas, embora as customizações não possam ser ativadas nos modos online contra lutadores aleatórios.


Mega Man e Palutena mandam ver com sua
variedade de golpes customizáveis
Infelizmente, nem todos os golpes customizáveis são inspirados. Em alguns lutadores, como Palutena, essa opção abre um leque gigantesco de ataques que não poderiam ser resumidos em apenas uma seleção. Já muitos outros combatentes, sobretudo os veteranos, como Mario, têm seus golpes customizáveis como meras variações de força, alcance e velocidade de seus ataques tradicionais. Ainda assim, dá para gastar horas testando diferentes golpes para seus personagens preferidos - uma pena que habilitar todos os ataques customizáveis leva um tempo.

Mas o ápice da customização com certeza são os Lutadores Miis! Com esses personagens, qualquer pessoa no mundo pode entrar num ringue de Super Smash Bros., algo que permite desde que você e sua turma de amigos se enfrentem nas telinhas quanto que astros do cinema, cantores e até políticos se diagladeiem. Os Miis são totalmente customizáveis, desde seus golpes a seus equipamentos, incluindo roupas e chapéus. Seu estilo de luta é dividido em três: lutadores braçais, espadachins e atiradores. Acredite, construir Lutadores Miis é uma das coisas mais divertidas de Super Smash Bros. for 3DS... pena que não dá para usá-los em lutas online aleatórias também.

Ah, esses aí são sem graça! Vamos colocar Yoda, Ivete Sangalo,
Indiana Jones, Renato Russo e Patcher no jogo

Pronto para a batalha?

Super Smash Bros. for 3DS é um trabalho expecional para o 3DS. Resumidamente, temos a franquia de luta funcionando perfeitamente no portátil, com quase todas as limitações de hardware suprimidas (Ice Climbers, infelizmente, tiveram de ficar de fora) e um bocado de novos elementos de jogo.

Enquanto alguns brilham, como a customização de personagens, outros não cativaram tanto, como o Smash Run, que tem um momento singleplayer muito longo para uma curta resolução final em grupo. Não só o Smash Run não pode ser jogado online, como também as customizações e outras funcionalidades online vistas em outros jogos não estão presentes na jogatina em rede.

Ainda assim, Super Smash Bros. 3DS é o primeiro da série a suportar de fato confrontos pela internet (Brawl, você infelizmente não conta porque seu online era impraticável). Os visuais também não deixam a desejar - longe disso. Com gráficos mais bonitos do que os de Melee e equiparando-se (se não superando) aos de Brawl, é incrível como Super Smash Bros. for 3DS consegue ser muito mais bonito, fluido e bem animado do que as imagens e trailers pré-lançamento nos mostravam.

Mesmo sem mais três amigos que tenham um 3DS, a jogatina
online finalmente funciona adequadamente

Com uma seleção fantástica (porém longe de perfeita) de lutadores, estágios, músicas, Assist Trophy, Pokémon, troféus e conteúdo extra, a versão para 3DS de Super Smash Bros. consegue não apenas suprir nossa necessidade pela de Wii U, mas também consegue ser uma versão soberana da série, que pode ser aproveitada sem se deixar diminuir pelas de console. Mesmo que os modos de jogo não sejam tão legais e diversificados (na prática, não há uma aspecto singleplayer tão legal quanto o de Brawl), a pura e simples pancadaria frenética em grupo é claramente o foco principal do jogo - e, nesse sentido, Super Smash Bros. for 3DS não deixa desejar.

Prós

  • Mesmo num portátil, a fórmula de Super Smash Bros. funciona muito bem;
  • Lindos gráficos e animações muito fluidas impressionam
  • Exímia lista de personagens agrada fãs antigos e jogadores atuais com lutadores novatos ímpares;
  • Estágios criativos trazem estilos visuais e mecânicas diferentes;
  • Customização de golpes e criação de um Lutador Mii refrescam a mecânica de jogo.
  • Conteúdo extra vasto é uma verdadeira homenagem à Nintendo;
  • Canções retrabalhadas são fantásticas;
  • Algumas roupas alternativas caíram muito bem.

Contras

  • Modos de jogo alternativos e singleplayer não são tão cativantes quanto se propuseram a ser, especialmente o Smash Run
  • Algumas séries foram subrepresentadas em estágios, enquanto outras tiveram um número exagerado de fases;
  • Clones desnecessários e veteranos cortados podem desagradar;
  • Circle Pad não é o melhor analógico para Super Smash Bros;
  • Certas roupas alternativas não terem aparecido é incompreensível.
  • Alguns personagens têm golpes customizáveis não tão inspirados
Super Smash Bros. for 3DS - Nintendo 3DS - Nota: 9.0
Revisão: Jaime Ninice
Capa: Felipe Araújo 
Rafael Neves é estudante de psicologia na UFBA e planeja ingressar no mundo da literatura como escritor. A paixão por videogames e a vontade de escrever unem-se na experiência como jornalista do ramo. Também trabalha em sua HQ virtual. Encontre-o no Facebook.

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