AM2R: Return of Samus (PC) é a maior homenagem que Metroid já recebeu

Apesar de uma infeliz controvérsia após seu lançamento, o remake de Metroid II satisfaz uma sede que durou mais de uma década.




Não é supresa que eu adoro Metroid. E também não é surpresa que muita gente adora Metroid. Até por isso, vimos recentemente uma onda de jogos como Guacamelee (Multi), Ori and the Blind Forest (XBO/PC) e Axiom Verge (Multi), feitos por desenvolvedores que provavelmente cresceram acompanhando as aventuras de Samus Aran e hoje usam seus talentos para prestar suas homenagens como podem. A história de Milton "DoctorM64" Guasti é similar, mas inicia um pouco antes do grande boom de jogos indies, em uma era em que eram comuns fangames, mods e ROM hacks. Contudo, como geralmente ocorre com jogos desenvolvidos primariamente como hobbies, AM2R (PC) acabou levando vários anos para ser completado e, quando foi lançado, deixou claras suas origens nos meados dos anos 2000.


Neste caso, assemelhar-se com jogos dos anos 2000 não é algo ruim. Afinal, não tivemos um Metroid 2D oficial desde Zero Mission (GBA), em 2004, que foi uma nota alta na série e nos deixou desejando mais. Na segunda metade da década, vários projetos de "dar o tratamento Zero Mission a Metroid II (GB)" surgiram. Alguns eram ROM hacks de Super Metroid (SNES) ou Zero Mission, enquanto outros eram desenvolvidos com ferramentas como Game Maker. Foi nessa época que surgiu Another Metroid 2 Remake… Como o nome implica, era apenas mais um de aparentes pilhas de tentativas de refazer o clássico de Game Boy.

A principal distinção de AM2R acabou sendo que seu criador, em vez de usar o aprendizado de programação e desenvolvimento de jogos como alavanca para entrar em projetos maiores, continuou lentamente dedicado ao seu jogo durante anos. Ele retroalimentou o aprendizado que obteve para o próprio jogo, tornando-o cada vez melhor. Para quem acompanha a comunidade de Metroid desde aquela época, como eu, provavelmente parecia ser um esforço em vão. Inevitavelmente, a vida real o alcançaria e o forçaria a largar o projeto. No entanto, as raras notícias do jogo pareciam ser sempre positivas: um outro membro da comunidade entrou como colaborador de arte ou música, certa parte do jogo estava quase pronta, e até algumas demos foram lançadas contendo segmentos de jogo que não fazem parte do final.



Finalmente, em 2016, a saga de DoctorM64 chegaria a sua conclusão. Num post em seu blog, o desenvolvedor anunciou que AM2R seria lançado no dia 6 de agosto, comemorando os 30 anos da nossa série favorita. Assim como durante todo o desenvolvimento, eu preferi guardar essa informação no fundo do meu cérebro aguardando o momento certo em vez de me torturar com antecipação por algo que talvez não merecesse.

Meus amigos, fico muito feliz em dizer que teria merecido. Contra quaisquer probabilidades, AM2R acabou sendo tudo que poderíamos esperar de um remake de Metroid II feito principalmente por uma só pessoa. Não vou entrar na discussão sobre o que aconteceu com o jogo logo após seu lançamento. Meu objetivo aqui e falar do que o jogo apresenta e o valor que ele traz para fãs de Metroid.

AM2R não é um ROM hack, mas é imediatamente claro que ele bebe fortemente da fonte de Zero Mission. A maioria dos sprites e tiles encontrados são oriundos diretamente do jogo de GBA, complementados com alguns de Super Metroid (como a nave da Samus) e de Metroid Fusion (GBA) (como algumas criaturas de SR388 que eram estudadas na BSL). Isso tem consequências mistas: em alguns lugares, parece adicionar credibilidade ao jogo, enquanto em outros parece deixar claro que se trata de um projeto de fãs. Isso vale para vários outros aspectos do jogo: o lore adicionado por análises de ambientes e inimigos, a trilha sonora que é composta de novos arranjos de músicas da série, e até as formas de vida encontradas em SR388. Tudo é bem feito com um toque que deixa claro seu fator não oficial (que, em alguns casos, vinha com um pensamento de "bom demais para ser verdade").



Independente disso, é claro que AM2R foi produzido com muito carinho e dedicação. Visualmente, é no nível de um jogo 2D de GBA, com toda a fluidez e agilidade que poucos jogos superam. Animações completamente novas, como a Samus andando em vez de correndo, são adicionadas e, apesar de não necessariamente afetarem a jogabilidade, dão um charme a mais para a produção. O mapa do jogo é construído sobre o de Metroid II, mas dando mais distinção entre as regiões já existentes e adicionando algumas completamente novas. Assim como Zero Mission fez, AM2R utiliza o conhecimento retroativo da história da série derivado de Super e Fusion para incrementar vários aspectos do jogo.

O jogo é generoso em suas opções, dando ao jogador a escolha de utilizar controles semelhantes aos de Super Metroid, Zero Mission ou uma mistura de ambos. Pequenas mudanças, como um botão específico para ativar a Morph Ball ou outro para manter a Samus mirando em uma direção independente de seu movimento, permitem realizar manobras ou atacar inimigos de formas que eram difíceis ou impossíveis em jogos anteriores. Até mesmo mecânicas da série Prime, como um "computador de bordo" que fornece informações sobre regiões e criaturas e a carga do tiro atrair complementos de energia e munição, estão presentes em AM2R.

Metroid II é notório por sua linearidade, definida pela magma que abre caminho à medida que metroids são exterminados, e isso permanece em AM2R. Contudo, vários poderes são opcionais e podem ser completamente ignorados com um bom uso das habilidades mais simples da caçadora de recompensas. A mudança mais significativa, no entanto, fica por conta dos inimigos que devem ser eliminados. Além de dez metroids a mais para exterminar, há a presença de chefes completamente novos ou retrabalhados de Super e Fusion. Quase todos eles são desafiadores e divertidíssimos de enfrentar. Como em poucas vezes na série, os metroids são criaturas verdadeiramente ameaçadoras. Nas primeiras vezes que os enfrentei em suas formas Gamma e Omega, levei surras tão grandes que decidi voltar e pegar mais tanques de energia e mísseis.


É incrível como este projeto pequeno que durou tanto tempo conseguiu capturar o espírito da franquia, além de ser praticamente tão polido quanto se esperaria de uma produção da Nintendo. Após doze anos esperando por uma continuação do meu jogo favorito, membro de uma série quase esquecida por sua empresa criadora, foi o humilde trabalho de DoctorM64 que me trouxe de volta toda esta vontade de explorar cavernas inóspitas a procura dos power ups que me permitirão salvar a galáxia.

Para aqueles que, como eu, cresceram em Zebes e SR388, AM2R é tudo que precisávamos. Procure um download do jogo e divirta-se. Aos que ainda não foram iniciados na arte de caçar metroids, sugiro começar por Super Metroid ou Zero Mission, mas, na ausência de um Wii U ou 3DS, o remake colorido de Metroid II será uma ótima introdução a este legado que já dura 30 anos.

O jogo está disponível apenas para Windows e já conta com uma versão 1.1 com pequenas correções e mudanças. Para encontrá-lo, acompanhe o blog do projeto.

Renan Greca é diretor de áudio e podcaster do Nintendo Blast, encarregado do BlastCast, além de administrador da Liga N-Blast PR. É um cientista da computação que joga de tudo um pouco, mas sua série favorita é Metroid. Não fala muito no Twitter, mas está sempre de olho nos acontecimentos.

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