Super Mario 64 (N64): uma revolução no mundo dos videogames

Relembre os 20 anos de uma das mais épicas e influentes aventuras dos videogames


Clássico do Nintendo 64 lançado em 1996, Super Mario 64 redefiniu os conceitos dos jogos em 3D, iniciando, de forma brilhante, uma nova fase dos jogos do Mario, estabelecendo modelos para toda uma geração e marcando a vida de milhões de jogadores com uma aventura complexa, profunda, mágica e cativante. Por isso, nesses 20 anos de seu lançamento, completos em 2016, nós do Nintendo Blast vamos relembrar com você este que é, sem dúvidas, um dos melhores jogos de todos os tempos.

Tempos de mudanças 

Em 1996, o Super Nintendo ainda recebia títulos de peso como Donkey Kong Country 3 e Super Mario RPG; o PlayStation e o Saturn viviam o auge da disputa pela geração 32-bit; e as revistas de videogame ainda eram a principal fonte de informação dos jogadores brasileiros. Foi nesse contexto que o mundo dos games recebeu, perplexo, a notícia do lançamento do Nintendo 64.

Numa época em que a potência dos consoles era medida por bit, o Nintendo 64 prometia um salto de duas gerações em relação ao seu antecessor, o Super Nintendo. Seria a geração dos jogos em três dimensões, com novas formas de jogabilidade e interação. A expectativa era altíssima. Até que em 23 de junho de 1996, no Japão, e em 29 de setembro do mesmo ano nos Estados Unidos, o mundo conheceria a nova geração de jogos através de Super Mario 64.

Origem duvidosa
Segundo os boatos, existem duas possíveis origens para o desenvolvimento de Super Mario 64. A primeira: o conceito do jogo teria surgido quase cinco anos antes de seu lançamento pelas mãos de Shigeru Miyamoto enquanto trabalhava em Star Fox para o Super Nintendo. A ideia era produzir um jogo de Mario utilizando a tecnologia do chip Super FX. O jogo se chamaria Super Mario FX durante esse período de desenvolvimento. A segunda: segundo Jez San, um dos fundadores da Argonaut (empresa que ajudou no desenvolvimento de Star Fox), Super Mario 64 foi influenciado por um protótipo da Argonaut de jogo de plataforma 3D estrelado por Yoshi, que acabou cancelado, mas que mais tarde se tornou Croc: Legend of the Gobbos, game de aventura 3D lançado em 1997 para PC, PlayStation e Saturn. 

Chegando ao mercado junto da estreia do Nintendo 64, Super Mario 64 foi a estrela do novo console da Nintendo. O jogo foi o responsável  por demonstrar todo o potencial do novo console para os seus fãs e consumidores. E isso, convenhamos, foi feito de forma brilhante.

Mais uma vez no Reino dos Cogumelos 

A aventura começa quando, resolvendo fazer um mimo para o seu eterno herói, a Princesa Peach convida Mario, através de um carta, para comer um bolo em seu castelo feito por ela mesma. Animado, claro, Mario aceita o convite de sua amada e vai, pelo cano, ao encontro do tão aguardado momento a sós.

Para dois
Por pouco Super Mario 64 não foi um jogo multiplayer. Segundo os produtores do game, a ideia era implementar uma opção para que até dois jogadores explorassem os níveis, cada um podendo seguir a rota que quisesse e se encontrando quando necessário. Infelizmente, por não conseguir transpor de forma adequada a ideia para o produto final, a opção foi cancelada. Uma pena para o Luigi. 

Para variar, a alegria do nosso sofrido encanador dura pouco tempo. Chegando ao castelo, Mario descobre que Bowser sequestrou Peach mais uma vez, levando consigo até seus criados. E para completar, o malvadão também roubou todas as 120 Power Stars, utilizando o poder dessas estrelas, escondidas em quadros espalhados pelo castelo pelos capangas de Bowser, para aprisionar Peach e seus amigos.

Disposto a ajudar, como sempre, Mario deixa a batuta de encanador para assumir o seu posto de herói, e com toda a coragem que lhe é característica, encara o desafio de salvar o dia. Para isso, ele precisará usar todas as suas habilidades para explorar os desafios do castelo da princesa, que, para surpresa de muitos, esconde uma imensidão de mundos e perigos.

Por todas as direções

A maior novidade de Super Mario 64 era o seu fantástico mundo em três dimensões. Vale lembrar que na primeira metade da década de 1990 ainda estávamos jogando jogos 2D, em sua maioria de plataforma, como Super Mario World, Mega Man, Metroid e Castlevania. As poucas experiências em 3D ainda eram bastante rudimentares. Basta lembrar de Star Fox.

Mesmo o PlayStation que surgiu com a proposta de ser uma plataforma para os jogos em 3D com gráficos poligonais, pouco apresentava de novo nesse sentido. Portanto, quando Super Mario 64 foi lançado, o mundo dos videogames girou de ponta a cabeça, rodando para todos os lados.

Sem liberdade
No início do planejamento de Super Mario 64, Miyamoto e os outros designers cogitaram uma aventura com visão isométrica, muito semelhante ao que vimos em Super Mario RPG no Super Nintendo. A ideia seria seguir um caminho fixo, partindo do ponto A para o ponto B, como nos outros jogos da série para NES e SNES. Obviamente, a escolha por um mundo livre venceu, mas ainda é possível ver resquícios das primeiras ideias nas fases contra o Bowser, nas quais o jogador inicia numa ponta da fase e precisa alcançar o final, como nos velhos tempos. 
O game trouxe um mundo amplo, diverso e poligonal, permitindo, de forma quase inédita, total liberdade para o jogador controlar o seu personagem em qualquer que fosse a direção. Logo nos instantes iniciais já é possível usar o jardim do Castelo para sentir e experimentar as mudanças que o game se propunha.

Mario, diferentemente de tudo que já havia feito, agora possuía muitos movimentos, como andar, correr, saltar, bater, abaixar, rastejar e nadar. Além disso, combinando esses movimentos, é possível gerar uma enorme gama de outras possibilidades de movimentação, como Salto Comum, Salto Duplo, Salto Triplo, Salto Reverso, Salto Mortal, Salto em Distância, Ground Pound (esmagar o chão) e Wall Kick (pular em uma parede e usá-la como impulso).

Combinando esses movimentos com a liberdade de controle de câmera, é possível fazer de quase tudo em Super Mario 64, exigindo do jogador muita destreza caso deseje completar o jogo, que aliás, não é tarefa fácil.

Mais do que arte

Com tantas possibilidades de movimentação, não daria para esperar menos do que níveis que exigissem domínio de tudo isso. E Super Mario 64 é justamente assim. Para completar os estágios, o jogador precisava ter domínio total sobre o personagem. Sabendo explorar as virtudes do encanador, combinando movimentos e calculando onde aplicar cada ação. Só assim para encontrar todas as 120 estrelas.

Música para o coração
Assim como nos principais jogos da franquia, a trilha sonora de Super Mario 64 foi composta por Koji Kondo. O experiente músico recriou melodias já consagradas em jogos anteriores utilizando a nova tecnologia sonora do Nintendo 64, além de dar vida a lindas canções originais. Elogiadas pelos críticos e jogadores, as músicas também podem ser encontradas num raro disco chamado Super Mario 64: Original Game Soundtrack.  
Falando em estrelas, eram delas que o jogador precisava para avançar no game. Espalhadas pelo castelo de Peach, as estrelas estavam guardadas pelos capangas de Bowser. Para recuperá-las, era necessário procurar por quadros mágicos nas paredes do castelo que levariam para um mundo especial. Nele, Mario precisaria vencer um dos vários desafios de cada fase para recuperar as estrelas.

Pequenos mundos de um universo
Um dos maiores atrativos do jogo são sua belas fases. Construídas para dar ideia de liberdade ao jogador, a Nintendo soube bem como explorar a limitação de espaço do cartucho do Nintendo 64. Em um mesmo estágio, o jogador precisava vencer várias missões diferentes para conseguir todas as estrelas. Dessa forma, todo o cenário era explorado de forma criativa. Isso também contribuiu para criar um laço afetivo com as fases do jogo. É difícil esquecer da bela Bob-omb Battlefield, da imponente Whomp's Fortress, da aquática Jolly Roger Bay, da gélida Cool, Cool Mountain e tantas outras.
Com essas estrelas, era possível liberar novas passagens que levariam a outras partes do castelo, e, assim, pular para dentro de outros quadros, acessando novos desafios e conseguindo novas estrelas. Para marcar a passagem entre os mundos do jogo, ainda era preciso vencer Bowser em fases desafiadoras. A cada vitória, uma nova chave era liberada para dar acesso a outras partes do castelo.

Exploração, habilidade, estratégia, ação. O título explorava vários aspectos do jogo e exigia do jogador muito empenho. Mas nada disso era por acaso. Cada desafio era pensado para extrair o melhor da fase em que se encontrava e do próprio jogador. Nem mesmo os momentos de busca pelas 100 moedas de cada estágio eram enfadonhos, pois exigia habilidades específicas.

O jogo transmitia bem a sensação de liberdade e exploração. A partir do centro do castelo, era possível explorar os arredores em busca de quadros que davam acesso aos pequenos mundos e até fases especiais, como as divertidas corridas.

Uma aventura pessoal

Com tantas possibilidades ao alcance, Super Mario 64 foi uma experiência única para cada jogador. Lembro com extrema clareza da primeira vez que liguei um Nintendo 64 e vi aquele rosto imponente do Mario girando na tela com uma perfeição gráfica inédita para mim. Passei longos minutos rodando e mexendo no rosto poligonal do encanador, apenas admirando o poder de renderização e modelagem 3D do console.

Quase 2
Uma sequência para Super Mario 64 foi planejada para o Nintendo 64DD, dispositivo que permitia a leitura de discos magnéticos. O próprio Miyamoto mencionou o projeto em 1997 durante convenção na E3. Segundo ele, “estamos apenas começando. Em 1999, boatos sobre o lançamento do jogo invadiram a mídia especializada, porém, com o fracasso do Nintendo 64DD, o jogo foi deixado de lado.  

Mais minutos ainda eu gastei passeando pelo jardim do castelo, quando pude, pela primeira vez, controlar uma personagem em um jogo em três dimensões. Foi uma experiência inesquecível. Aquilo tudo parecia mágico. Essa magia, aliás, espalhou-se pelo mundo dos videogames, atingindo cada um que empunhasse um controle de Nintendo 64 e guiasse Mario por entre quadros.
Na palma da mão
Um remake de Super Mario 64 foi lançado junto com o portátil Nintendo DS em 2004. Super Mario 64 DS trazia a versão original do Nintendo 64 com visuais melhorados, uso das duas telas do console, novos minigames e estágios, opção multipayer e a possibilidade de jogar com outros personagens, como Yoshi, Luigi e Wario.

A magia também acertou em cheio aqueles que criavam a nossa diversão favorita: os desenvolvedores. Existe o mercado de jogos eletrônicos antes e depois de Super Mario 64, tamanha a importância de suas mecânicas e conceitos estabelecidas durante aquele momento de transição que os videogames viviam. Controle de câmera, estrutura de fases, liberdade de exploração, desafio, visual, Super Mario 64 estabeleceu novos paradigmas.

Uma lenda

Vendendo mais de 11 milhões de cópias no Nintendo 64, mais de 10 milhões de sua versão no Nintendo DS e tantos outros milhões em versões digitais, Super Mario 64 foi uma marco para a Nintendo e, claro, para a indústria de jogos em geral, servindo de base para quase todos os jogos que se propuseram a entregar uma experiência de exploração e aventura em três dimensões nos últimos 20 anos e divertindo milhões e milhões de jogadores que aceitaram o convite de comer um bolo com a princesa e acabaram sendo levados para um mundo mágico de diversão e fantasia. Parabéns pelas duas décadas de sucesso, Super Mario 64.

E você, caro leitor? Quais as suas lembranças de Super Mario 64? Não deixe de comentar.
Revisão: Luigi Santana
Ítalo Chianca escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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