Entrevista: Dep. Luiz Carlos Busato e o Projeto Jogo Justo

(por Alveni Lisboa em 30/07/2010, via Nintendo Blast)

Ser gamer no Brasil não é fácil. O preço dos consoles, games e acessórios são absurdamente caros, tornando a diversão limitada. Não é todo mundo que pode desembolsar mais de R$ 1.000 em um Nintendo Wii ou R$ 250 em cada jogo. Infelizmente, as pessoas mais humildes ou são completamente excluídas, ou então apelam para a pirataria. Pirataria essa que afasta grandes empresas da America Latina no geral. A Sony, por exemplo, não lançou o PS3 no país. É um mercado que tem tudo para explodir, mas que não se desenvolve devido à burocracia, os altos impostos e à falta de investimento.
Levantamento recente do IBGE mostrou que as classes mais baixas não tem acesso à aparelhos modernos, como tocadores de mp3 ou videogames de última geração. A causa são os preços abusivos cobrados do consumidor brasileiro. O país tem tantos impostos que os eletroeletronicos importados chegam a custar até quatro vezes mais do que deveriam. Por exemplo: o Wii americano custa US$ 199. Sem imposto, ele deveria sair por, no máximo, R$ 500. É um preço ainda bem elevado, mas muito mais acessível. Os jogos vão pelo mesmo caminho: Super Mario Galaxy custa US$ 49,99. Se chegasse sem imposto ao país, seria vendido por aproximadamente R$ 120.

O Projeto Jogo Justo


À partir dessa preocupação nasceu o projeto “Jogo Justo”, que visa reduzir impostos sobre consoles e jogos importados, além de buscar apoio do governo para desenvolver a indústria de games no país. Atento a importância dessa luta, o deputado federal e vice-líder do Governo na Câmara, Luiz Carlos Busato (PTB-RS), resolveu apoiar a causa. É o primeiro mandato dele como deputado federal. Antes, Busato foi secretário de obras na cidade de Canoas (RS). O Nintendo Blast entrevistou com exclusividade o parlamentar gaúcho. Confira:

Nintendo Blast - Como o senhor ficou sabendo do projeto “Jogo Justo” e por que resolveu aderir?
Dep. Luiz Carlos Busato: Conheci a ideia do projeto através de uma amiga que indicou o meu nome para o senhor Moacyr Alves, responsável pelo “Jogo Justo”. Primeiramente, achei a proposta muito boa, mas resolvi aderir ao movimento quando tomei conhecimento de que os jogos e consoles são muitos caros e hoje se tem a possibilidade de reduzir a carga tributária desses produtos. Depois, avaliando, viu-se que a medida também pode gerar emprego e diminuir a pirataria.

Como líder do Governo, o que o senhor tem feito para sensibilizar os políticos e os gestores do governo sobre a importância do “Jogo Justo”?
Busato: No momento, tudo está numa fase de estudo. Antes de conversarmos com o Governo e seus representantes, temos que ter um embasamento de que com a redução de impostos aumentará também a arrecadação, e em consequência os benefícios que o Governo terá.

Atualmente, é possível reduzir a carga tributária para que videogames, jogos e acessórios cheguem ao país a um preço mais acessível? Como isso pode ser feito?
Busato: Acreditamos que sim, uma vez que será um incentivo para a venda e criação de jogos, novas fábricas e geração de emprego. Mas o estudo que a equipe do Jogo Justo está realizando nos dará mais respostas.

O senhor acredita que essa medida pode reduzir a pirataria no Brasil?
Busato:
Este é um dos motivos que deverão ser provados junto ao Governo. Com a redução do valor dos jogos com certeza muitos irão adquirir jogos originais, aquecendo o mercado. Além de outras formas de inibir a compra de jogos piratas.

O senhor planeja apresentar algum projeto sobre o assunto? Se sim, o que vai propor?
Busato
: A princípio não. Uma vez que apresentado o projeto, se o Governo não se manifestar favoravelmente, dificilmente será aprovado. Nós estamos indo pelo caminho mais fácil, ou seja, indo direto ao Governo e provar para eles que a redução da carga tributária é favorável tanto para o Brasil, quanto para os consumidores.

Há no país bons desenvolvedores de games, mas que não obtém sucesso por falta de recursos. O que poderia ser feito para desenvolver essa indústria no país?
Busato:
Em primeiro lugar, aquecer a economia com a venda de jogos com preços justos, tendo este aquecimento, o mercado interno vai começar a desenvolver jogos, visto a demanda de compra e também as grandes fabricantes se sentirão incentivadas a investir em nosso País.

Na sua opinião, qual a importância dos jogos na vida das pessoas?
Busato:
A princípio os jogos são uma distração, em muitos casos educativos e temos alguns até ligados à área médica. Por isso, avalio os jogos como o lazer de muitas famílias e a possibilidade de recuperação de doentes e do ensino na sala de aula e em casa.

O senhor joga ou já jogou algum game? Se sim, poderia citar algum que tenha sido marcante?
Busato:
Atualmente não, eu sou do tempo do Atari. Mas sou admirador e só não jogo por falta de tempo.

Gostaria de deixar um recado para os nossos leitores?
Busato:
Este movimento realizado através do Jogo Justo está mexendo com vários segmentos de nossa economia e política. Por esse motivo, acredito que, com a manifestação popular, junto ao estudo, poderemos sensibilizar o Governo. Assim poderemos conseguir a redução da carga tributária, a diminuição da pirataria, podendo desenvolver jogos no Brasil, ter a geração de novos empregos e tantos outros benefícios a serem conquistados.
O Nintendo Blast agradece ao deputado pela participação, e você leitor fique conosco para mais novidades sobre projeto Jogo Justo!
Alveni Lisboa escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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