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Análise: Explore as profundezas de um misterioso mundo subterrâneo em SteamWorld Dig: A Fistful of Dirt (eShop/3DS)

Foi por acaso que eu soube da existência de SteamWorld Dig: A Fistful of Dirt . Lembro de ter visto algumas imagens há muito tempo e m... (por Farley Santos em 07/10/2013, via Nintendo Blast)

Foi por acaso que eu soube da existência de SteamWorld Dig: A Fistful of Dirt. Lembro de ter visto algumas imagens há muito tempo e me pareceu bonito e bem acabado, mas a ausência de informações e o fato de ser produzido por uma desenvolvedora desconhecida fizeram com que eu me esquecesse rapidamente dele. Meses depois, do nada, o jogo foi lançado no eShop e rapidamente tornou-se o título mais vendido da loja virtual da Nintendo. A mecânica do game, que utiliza alguns conceitos de séries consagradas como Mr. Driller e Metroid, me convenceu e decidi arriscar. E depois de começar a jogar, eu não conseguia mais largar o 3DS.

Cavando, cavando e cavando

SteamWorld Dig tem uma premissa bem simples: você controla um robô movido à vapor chamado Rusty, que explora uma mina deixada como herança por seu tio Joe. Para avançar, é necessário cavar a terra com uma picareta, construindo túneis e passagens, sempre descendo mais e mais fundo. Pelo caminho, estão escondidos minérios e outros vários tesouros, que são guardados na mochila. Acontece que a bolsa tem espaço bem limitado e uma vez completamente preenchida é hora de voltar à vila para vender todos os itens de valor. É nesse momento que as coisas começam a ficar interessantes: é necessário escalar pela mina para voltar à superfície, passando pelos túneis construídos anteriormente. Por conta disso, é importante ter cuidado ao cavar para não ficar preso na mina.


No pequeno vilarejo de Tumbletown, moram alguns poucos habitantes, que oferecem serviços diversos. Uma personagem compra os minérios coletados no subterrâneo, já outro robô vende itens e melhorias. Conforme Rusty vende itens, mais e mais andróides se mudam para a vila. Uma vez reabastecido, é hora de continuar a exploração. Este ciclo de explorar a mina e vender os itens na vila dura entre oito e dez minutos e se repete inúmeras vezes durante a aventura.

Uma mina cheia de surpresas

Explorar a mina não é fácil. Além de se preocupar com os túneis feitos a fim de não ficar preso no subterrâneo, Rusty tem que prestar atenção a outros detalhes. Um deles é a sua tocha: ela ilumina a área em volta do robô, mas conforme o tempo passa, sua luz vai diminuindo até apagar. E acredite, você não vai querer que isso aconteça, já que sem luz é muito difícil identificar minérios e perigos. Sim, as cavernas são habitadas por criaturas bizarras e vários obstáculos, como espinhos, que você vai querer evitar a todo custo devido à pouca resistência de Rusty. Caso o robô seja destruído no subterrâneo, ele é transportado de volta à superfície ao custo da metade de seu dinheiro. Já os itens que se encontravam na mochila no momento da morte ficam exatamente no local do acidente, sendo possível recuperá-los posteriormente.


Pelo caminho, aparecem também algumas cavernas. Estes locais, que costumam estar infestados de monstros, contêm puzzles simples e sessões de plataforma que exigem saltos precisos. A recompensa por explorar as cavernas são minérios de maior valor, além de novas habilidades. São equipamentos como um propulsor hidráulico para um salto mais alto e uma broca, que facilitam muito a exploração do subterrâneo. Para ativar estes movimentos avançados, Rusty precisa ter água disponível em seu reservatório. O líquido pode ser recolhido em pequenos lagos espalhados pela mina, mas a frequência deles é pequena, logo é importante usar com sabedoria as reservas de água.

Isolação em um mundo de robôs

A melhor característica de SteamWorld Dig é sua ambientação, que causa uma forte sensação de isolamento. Rusty explora a sombria mina sozinho e conta com pouquíssimas dicas de onde deve ir. Essa atmosfera é reforçada pela trilha sonora: a quantidade de composições é limitada, mas elas são sérias e angustiantes, acentuando o clima de isolação. Mesmo com a jogabilidade meio repetitiva, é difícil largar a aventura. A todo momento, algo novo aparece, seja na forma de uma nova habilidade, uma melhoria ou uma caverna cheia de desafios. Como não existem muitas dicas do que vem pela frente, a vontade é sempre explorar mais e mais. Os belos gráficos só tornam a experiência mais prazerosa.

Mas nem tudo é perfeito nas profundezas de Tumbletown. Em alguns momentos, a jogabilidade se torna repetitiva e o universo do título é pouco explorado. Existe sim uma trama por trás: o mundo é habitado por robôs e os humanos só existem em histórias antigas, mas pouquíssimos detalhes do que aconteceu são explicitados. A vila de Tumbletown, cujos habitantes são vários robôs de traço interessante, é sem vida. Os personagens até conversam um pouco, mas seria muito mais legal se o vilarejo tivesse locais para visitar, personagens para conhecer e detalhes da história do mundo para descobrir. Outro problema é a ausência de extras: uma vez terminada a aventura, são poucos os incentivos de explorar novamente o subterrâneo. Ao menos o formato da mina é diferente a cada aventura, o que pode animar quem gosta de fazer speedruns.

Um subterrâneo viciante

SteamWorld Dig é uma experiência única e viciante. O título, que mistura a escavação de Mr. Driller e a exploração e isolação de Metroid, conta com produção caprichada. A aventura, que dura por volta de cinco horas, é repleta de segredos e desafios interessantes. A jogabilidade centrada em cavar é simples e pode ser repetitiva em algumas ocasiões, mas a intercalação entre momentos de escavação e de plataforma ajuda a quebrar o ritmo. Infelizmente o universo do game é subdesenvolvido e o fator replay é reduzido. Mas acredite: uma vez que você entre na mina, é difícil largar a aventura sem explorar todos os segredos.

Prós

  • Ambientação envolvente, com forte sensação de isolação;
  • Belos gráficos e direção de arte;
  • Mecânica de jogo simples e competente;
  • Ritmo excelente, que incentiva a exploração.

Contras

  • Universo e personagens subdesenvolvidos;
  • Baixo fator replay.
Steamworld Dig: A Fistful of Dirt — eShop/3DS — Nota: 8.5
Desenvolvimento: Image & Form — Preço: R$19,99
Revisão: Alberto Canen

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros.

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