Blast from the Past

Final Fantasy Mystic Quest (SNES): inovação da franquia muito antes de Eos

Muito antes de Final Fantasy XV, seus criadores já buscavam novos públicos em Mystic Quest.

Em 2016, a Square Enix lançou Final Fantasy XV (Multi) com o objetivo de conquistar mais uma fatia do mercado: os jogadores da nova geração no Ocidente, adaptando seus sistemas à mecânicas mais lúdicas, além de se configurar como uma ode a antigos games da franquia. Os RPGs eletrônicos, apesar de muito famosos (devido aos esforços da extinta Squaresoft, inclusive), é um nicho ainda considerado cult, em que grande parcela do público não se sente atraída pelas histórias e mecânicas complexas frente a experiências mais casuais.
Esse afinco pela fidelização de novos fãs através de mudanças em seus jogos não é algo atual. Muitos games da empresa apresentam mecânicas simples e enredos mais lineares para atingir esse objetivo, a exemplos de Legend of Legaia (PS1) e Secret of Evermore (SNES), entre outros. Com esse intuito, no ano de 1992, a Squaresoft lançou Final Fantasy Mystic Quest para Super Nintendo. Um spin-off completamente diferente de seus antecessores do cânone, direcionado ao público mais jovem do Ocidente.
Final Fantasy Mystic Quest coleciona críticas negativas de fãs mais tradicionais
da série, devido a muitos dos pontos que serão elencados nesse texto. Todavia, cabe uma reflexão mais sóbria e menos parcial acerca desse game: será mesmo que é tão ruim como dizem por aí?

Enredo

O game tem uma história padrão dos primeiros jogos da franquia: guerreiros que se unem para buscar os cristais e salvar o mundo. Após um terremoto em sua vila, o protagonista Benjamin parte em uma aventura a fim de encontrar os quatro cristais que são responsáveis pelo equilíbrio dos poderes elementais. Benjamin conta com a ajuda de alguns aliados: Tristam, Phoebe, Reuben e Kaeli.
Sua história simplificada e linear faz com que o jogador tenha uma experiência onde ele joga mais do que lê quadros de mensagens. Final Fantasy Mystic Quest não dispõe de diálogos complexos e demorados, o que colabora para uma gameplay mais dinâmica e menos tediosa para iniciantes.

Jogabilidade

O game é, basicamente, formado por sucessivas dungeons com batalhas e pequenas vilas. Diferentemente dos outros representantes da franquia, em Mystic Quest o jogador não pode explorar o mundo livremente. Seu mapa limita caminhos específicos para cada área, como em Super Mario World (SNES). O game também não conta com arsenais gigantescos de itens e armas, em que o jogador fica limitado a itens chaves em cada dungeon, ao mesmo passo dos jogos da série The Legend of Zelda.

Final Fantasy Mystic Quest conta com gráficos considerados simples, quando comparados aos de outros games da franquia de sua época, mas nada que atrapalhe o jogador em sua aventura. Já a trilha sonora, como de praxe na série, é excelente.

Batalhas

Enquanto os outros jogos da franquia permitem batalhas com até três aliados a escolha do jogador, Final Fantasy Mystic Quest conta com apenas dois personagens nos confrontos: Benjamin, o protagonista, e mais um aliado que ajuda o jogador em seu momento específico no enredo. Para aqueles que não estão familiarizados com as mecânicas de combate, existe o modo Auto para o personagem aliado, em que ele toma as melhores decisões automaticamente, de forma a colaborar (ou não) com o avanço do game.
O jogo também não conta com os tradicionais combates aleatórios encontrados no mapa. Em Mystic Quest, o jogador visualiza cada ponto de batalha no mapa, representado por um inimigo, e decide se quer enfrentar a batalha ou não, além de desafios de duelos sucessivos no mapa onde recebe prêmios ao conseguir enfrentá-los sem morrer.
Os summons de Final Fantasy também não estão presentes em Mystic Quest. O jogador aqui conta apenas com o uso de ataques, defesa, magias e itens. O que torna as batalhas mais rápidas.

É ruim mesmo?

Dizer se um jogo é ruim ou não depende das experiências e gosto pessoal de cada gamer. Mas, cabe aqui, uma reflexão sobre Mystic Quest, tomando uma postura mais afastada de sentimentos que cultivamos sobre a série. O game é estraçalhado pela opinião negativa vindo de muitos fãs da série, mas o fato é que essa sequência não foi feita pensando no fã da franquia, e sim em um novo mercado.

Há de se levar em conta os objetivos que a Squaresoft queria atingir no mercado com esse game: atrair novos jogadores do Ocidente. Olhando mais a frente do ano de seu lançamento, podemos notar que esse objetivo foi alcançado com o sucesso de seus sucessores, Final Fantasy V (SFC) e o icônico Final Fantasy VI (SNES). Isso é algo tão relevante a ser considerado que, por esse motivo, Mystic Quest foi o primeiro game da série lançado na Europa, além de ter saído nos EUA antes mesmo do Japão. Os fãs tradicionais de Final Fantasy nunca foram seu público-alvo.
Final Fantasy Mystic Quest se caracteriza como um RPG linear e casual. Não há complexidades presentes em seu enredo e jogabilidade. Todavia, não deixa de ser um jogo interessante e divertido que vale a pena a experiência. Sem dúvidas, é um game que deve ser revisitado por gamers old school, e para quem nunca o jogou, vale para o conhecimento de um projeto da Squaresoft com características tão diferentes frente aos seus aclamados títulos do cânone.

Revisão: Vinícius Veloso
Ramon Mulin escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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