Crônica

Pokémon VGC 2018 e a minha jornada de 15 anos

Uma pequena crônica, embora humilde, mas com a mais sincera gratidão para com a franquia.


Em meados de 2003, um jovem Pedro Henrique estava na casa de seus primos jogando o já surrado Super Nintendo. Embora todos fossem apaixonados por videogames, apenas um deles possuía um console portátil, o Game Boy Advance. E foi após uma derrota no Mario Kart que esse pequeno Pedro, ao passar o controle para as mãos de seu primo, sentiu a curiosidade de experimentar aquele pequeno aparelho, e lhe fez uma pergunta apontando para o portátil. Questionamento esse que mudaria completamente a sua vida.

O primeiro "Start" a gente nunca esquece

Route 01

Aquele não havia sido o meu primeiro contato com a franquia Pokémon, eu já havia jogado horas e horas de Pokémon Stadium no meu amado Nintendo 64. Também tinha assistido diversos episódios do anime, e inclusive os filmes. Mas quando eu liguei aquele Game Boy Advance, e percebi que naquele jogo eu tinha que andar, conversar com as pessoas, realmente caçar os Pokémon, dar nomes, treinar e fazer até mesmo com que eles procriem, tudo mudou. Eram tantas as possibilidades, que a minha cabeça explodiu. Aquilo era liberdade, o jogo não precisava ter os lindos gráficos do Stadium, ele me oferecia a mais pura liberdade e eu imaginava o resto. Vale a pena ressaltar que tudo isso estava acontecendo em um portátil, o que aumentava exponencialmente a sensação de liberdade.

Não demorou muito para que eu estivesse andando de um lado para outro carregando o meu próprio Game Boy, com a minha versão Sapphire. Em seguida, uma Fire Red, Emerald, Diamond, Platinum, Soul Silver, Black, White 2, Y, Alpha Sapphire, Moon e por fim Ultra Sun. O console de bolso também foi mudando, do Advance até o New 3DS, sem pular uma única versão. Se nesse momento você pensou que eu exagerei quando disse que esse jogo mudou a minha vida, é agora, depois de toda essa contextualização, que as coisas vão realmente fazer sentido.

Para tudo na vida, nós temos que passar pela Route 01

Festival Plaza

Uma das principais coisas que a franquia Pokémon me fez ao longos desses 15 anos foi construir um forte círculo de amizades. Primeiro, com o pessoal que morava algumas ruas para baixo da minha. Depois, com a galera de um bairro próximo, outra cidade, outro estado. Já fiz amizade até com pessoas de outros países. Todas elas começaram graças aos jogos de Pokémon. Alguns contatos já não existem mais, mas muitos são para a vida toda. E todas as amizades que a franquia de certa forma me apresentou, também me ensinaram diversas coisas sobre o jogo e sobre a vida. Essas pessoas  me apresentaram suas ideias, gostos e opiniões. E foram, de certa forma me ajudando a "evoluir" e moldar a pessoa que eu sou hoje. Se eu não tivesse experimentado aquele Game Boy Advance há 15 anos, certamente nem estaria escrevendo esse texto.

Uma amizade muda a vida, Pokémon me trouxe várias!

Victory Road

Depois de muitos anos jogando e fazendo amizades finalmente tive a oportunidade de participar de um campeonato oficial, o Pokémon Video Game Championships (VGC). Minha primeira participação foi em 2017, quando tive a oportunidade de conhecer e batalhar com pessoas de diversos lugares do mundo. Das oito partidas, venci cinco, não conseguindo me classificar para as finais. Mas isso pouco importa, pois no momento em que eu cheguei ao local do evento e percebi que as pessoas atravessam continentes para participar de campeonatos de Pokémon, cheguei a conclusão de que a franquia não mudou apenas a mim, ela influenciou milhares de vidas e isso me deixou extremamente feliz.

Neste ano meu resultado foi pior, fiquei com quatro derrotas e quatro vitórias. No entanto, o que senti ao sair do evento no final foi a sensação de dever cumprido. Eu havia terminado uma etapa importante na minha jornada, e isso vale mais que qualquer vitória. Por mais clichê que essa frase possa parecer, no universo de Pokémon a vitória pouco importa (não é mesmo Ash?), mas sim a nossa jornada, a nossa estrada, e todos os "NPC's" que aparecem enquanto a estamos atravessando.
As minhas insígnias da vida real. 

Oitava Geração

Poxa, escolhe o Charmander...
Não é nenhum segredo que a oitava geração da franquia está a caminho. Acredito que ela será apresentada ainda na E3, dentro de alguns dias. Eu não faço ideia de como vai ser esse jogo, mas estou muito ansioso para descobrir. Espero que seja possível realizar a transferência dos Pokémon, afinal de contas, alguns deles eu carrego comigo desde 2003. Espero que o jogo me proporcione novas amizades e experiências, como a franquia sempre fez. A minha torcida é para que esse jogo faça muito sucesso e que as crianças de hoje em dia possam sentir o mesmo impacto que eu tive quinze anos atrás. Porém independentemente do que vier, eu serei eternamente grato a franquia, e um dos meus primeiros textos no Nintendo Blast não poderia ser outra coisa, se não um agradecimento a franquia Pokémon e aos amigos que compartilharam essa jornada por tanto tempo. Obrigado e que venham mais sete gerações pela frente!


Revisão: Vinícius Veloso

Pedro Henrique escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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