Future Blast

SEGA Ages no Switch: os clássicos que podemos esperar

SEGA já confirmou que jogos de Mega Drive, Master System e arcade serão lançados no Switch, mas outras surpresas podem estar a caminho do híbrido da Nintendo.


Leia SEGA Ages de trás para frente e você verá como a marca é um palíndromo genial, que não somente tem um forte apelo de marketing como expressa perfeitamente a capacidade da SEGA de olhar para trás e ver seus próprios méritos nas “eras” (ages) passadas.


Com a Nintendo demonstrando pouco interesse no formato Virtual Console, a SEGA não perdeu tempo e já preparou sua própria plataforma para trazer de volta muitos de seus jogos de outras gerações. Mês passado a empresa japonesa divulgou que o seu selo SEGA Ages vai ser o responsável por recolocar títulos importantes da companhia no mercado e, especialmente, no Nintendo Switch.

O selo SEGA Ages surgiu pela primeira vez no SEGA Saturn

SEGA e suas coleções e relançamentos

A marca surgiu há mais de vinte anos como uma linha para relançar clássicos da empresa, ainda na era do Saturn. Depois, já no PS2, SEGA Ages 2500 foi uma série bastante polêmica que apresentou versões bizarras de alguns jogos da SEGA, com gráficos e jogabilidade que deixavam muito a desejar.

Daí por diante a companhia continuou republicando seus games nos mais diferentes consoles e dispositivos (incluindo computadores e smartphones), mas utilizando nomes variados para suas coleções e relançamentos, como SEGA 3D Classics Collection (3DS), Sonic’s Ultimate Genesis Collection (PS3 e Xbox 360), Dreamcast Collection (Xbox 360), Sonic Mega Collection (GameCube), SEGA Classics Collection (PS2), entre outros.

Os cinco jogos já divulgados que chegarão ao Switch

O novo SEGA Ages e o que podemos esperar

A SEGA confirmou que o novo projeto SEGA Ages vai se manter fiel aos jogos originais, mas novos recursos podem ser adicionados para enriquecer a experiência. O estúdio M2, também responsável pela linha 3D Classics do 3DS, é o encarregado dos ports para o sistema da Nintendo. Vários rumores pela internet dão conta de que, a princípio, 15 jogos serão lançados na primeira leva (incluindo os cinco já confirmados), e dependendo do desempenho destes na eShop, novas levas de games chegarão à loja virtual do Nintendo Switch - inclusive dos pouco explorados sistemas Saturn e Dreamcast. Pensando nisso, preparamos essa matéria para analisar os jogos mais prováveis e os que mais queremos que apareçam para o sistema da Big N.

Alguns dos mais famosos jogos dos consoles Mega Drive, Master System e Game Gear provieram de licenças da Disney e Electronic Arts, o que deixa praticamente impossível qualquer relançamento. Desta forma, focamos nos games desenvolvidos ou publicados pela própria SEGA. Todavia, jogos de outras produtoras que foram relançados no Virtual Console do Wii, por exemplo, podem ganhar nova chance no Switch. É o caso de Toejam & Earl, que foi publicado pela SEGA no Mega Drive mas é uma franquia de terceiros – inclusive com novo jogo em produção. Dito isso, vamos às eras!

Era dos arcades

A série Daytona ainda é muito querida pelos fãs dos arcades da SEGA

Os mais prováveis:  

Estamos acostumados a ver grandes jogos de arcade da SEGA sendo relançados nas mais diversas plataformas. Portanto, se vários aparecerem no Switch, não será nenhuma surpresa. Gain Ground já está confirmadíssimo entre os primeiros quinze jogos do novo SEGA Ages; Altered Beast, OutRun e Alien Syndrome volta e meia aparecem em coleções e Daytona USA ganhou até versão para PS3 e Xbox 360, portanto estão sempre na linha de frente. The House of the Dead já apareceu em um punhado de consoles (incluindo o Wii) e com a possibilidade  de aproveitar o sensor de movimento dos Joy-Con, é uma aposta interessante. Power Drift, After Burner, Super Hang On e Fantasy Zone também são fortes candidatos.

Os que gostaríamos de ver: 

A volta de games como Fighting Vipers, Sonic the Fighters, Virtua Cop (mais uma vez utilizando o sensor de movimento dos Joy-Con). Scud Racer – SEGA Super GT no Ocidente – foi prometido para o Dreamcast mas acabou não vendo a luz do dia, sem dúvidas merece nova chance no Nintendo Switch! - Rad Mobile e Golden Axe: The Revenge of Death Adder também são bem vindos e Michael Jackson’s Moonwalker seria um sonho, mas como se trata de uma licença gigante, é melhor não criar expectativas.

Era Master System

Alex Kidd in Miracle World já está confirmado para chegar ao Switch

Os mais prováveis: 

Normalmente a SEGA aposta quase todas as suas fichas no Mega Drive e deixa o injustiçado Master System na sombra. Desta vez, com o sucesso do Switch no mercado Europeu – onde o console 8 bits fez muito sucesso no passado – parece que a história será um pouco diferente. Alex Kidd in Miracle World e Phantasy Star já estão confirmados para o Switch, mas sem dúvidas veremos muitos outros clássicos deste que é um dos consoles mais queridos dos brasileiros. Apostas seguras são jogos da série Sonic (Sonic The Hedgehog, Sonic The Hedgehog 2 e Sonic Chaos), Alex Kidd: The Lost Stars, Alex Kidd in Shinobi World e Fantasy Zone.

Os que gostaríamos de ver: 

Se a SEGA quiser fugir do óbvio, o catálogo do Master System é recheado de games interessantes. Golden Axe Warriors – um clone de The Legend of Zelda – foi um jogo desbloqueável como recompensa na coletânea Sonic’s Ultimate Genesis Collection para PS3 e Xbox 360, tem chances de reaparecer. Também queremos Zillion, Psycho Fox (Sapo Xulé no Brasil), Spellcaster e Master of Darkness – o Castlevania que o Master System não teve. Wonder Boy in Monster Land – cuja versão brasileira da Tec Toy foi o inesquecível Mônica no Castelo do Dragão – seria fantástico, mas como se trata de uma propriedade intelectual de terceiros, que foi publicado pela SEGA no Master System, fica um pouco mais complicado.

Era Game Gear

O Game Gear ganhou algumas versões interessantes da série Sonic

Os mais prováveis: 

O Game Gear nunca foi muito popular, sempre ficou à sombra do grande sucesso do Game Boy, da Nintendo. Na época de seu lançamento, era um portátil fantástico no quesito técnico, com gráficos coloridos comparáveis aos do Master System. Porém, a maioria de seus jogos mais populares eram ports ou versões modificadas de títulos das outras plataformas da SEGA, o que não o torna muito atrativo para possíveis relançamentos. De qualquer forma alguns títulos podem aparecer no Switch, como Sonic Chaos, Sonic Blast, Sonic the Hedgehog 2, Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine e Columns.

Os que gostaríamos de ver: 

Os games listados acima são os mais óbvios, mas o Game Gear também conta com algumas pérolas escondidas que poderiam ser mais exploradas pela SEGA. É o caso de Defenders of Oasis (que chegou a ser lançado para o Virtual Console de 3DS), Panzer Dragoon miniVampire: Master of Darkness (o mesmo de Master System), Phantasy Star Gaiden, Shining Force: The Sword of Hajya e Sylvan Tale (mais um no estilo Zelda).

Era Mega Drive

Streets of Rage é um dos vários jogos de Mega Drive que estão por toda parte

Os mais prováveis: 

SEGA Genesis Collection está a caminho de outros consoles, contando com dezenas de clássicos do Mega Drive. Mas será que a SEGA esqueceu dos fãs da Nintendo? Claro que não! A companhia do Sonic está muito ciente do potencial comercial que o Switch representa e, talvez por isso, esteja planejando uma estratégia diferente para o híbrido da Big N. A questão é: a SEGA vai lançar o pacote completo para o Switch ou os jogos vão chegar de forma individual, capitalizando em cima de cada lançamento?

A segunda opção é a mais provável, a princípio, já que a série SEGA Ages já tem dois jogos de Mega Drive confirmados: Sonic The Hedgehog e Thunderforce IV. De qualquer forma, jogos das séries Golden Axe, Streets of Rage, Phantasy Star, Shining Force e Shinobi, e games como Comix Zone, Kid Chameleon, Beyond Oasis, Ecco the Dolphin, Decap Attack, Ristar e Sword of Vermillion sempre marcam presença nos relançamentos da SEGA. No Switch não deve ser diferente.

Comix Zone deve transbordar estilo também na telinha do Switch

Os que gostaríamos de ver: 

Normalmente os fãs são muito bem servidos quando o assunto é Mega Drive/Genesis, então sobram poucas opções para ficar na expectativa.  Toejam & Earl, Gunstar Heroes e Earthworm Jim foram games marcantes no console, mas não são propriedades da SEGA. Toejam & Earl e Gunstar Heroes estarão presentes na coletânea para PS4 e Xbox One, mas um lançamento com o selo SEGA Ages é improvável para estes títulos.

Enquanto isso, o clássico cult de estratégia, Herzog Zwei, pode ser o próximo a ganhar nova chance, visto que a SEGA adquiriu todo o catálogo da produtora Technosoft (a mesma do já confirmado Thunderforce IV). Agora, se a SEGA de fato quiser agradar o público brasileiro – que sempre foi apaixonado por seus consoles e jogos – pode dar um jeito de relançar o super clássico Ayrton Senna’s Super Monaco GP II. Para nossa alegria!

Era SEGA CD e 32X

Sonic CD é um dos favoritos dos fãs do ouriço azul

Os mais prováveis: 

Os dois polêmicos add-ons do Mega Drive tiveram vida curta e poucos games de qualidade lançados pela SEGA. O SEGA CD tem em Sonic CD seu grande trunfo, e é o lançamento mais provável de aparecer na coleção SEGA Ages. Por outro lado, o pequeno brilho que o 32X teve foi com jogos que ganharam versões muito melhores em outras plataformas. É o caso de Virtua Racing (arcade) e Virtua Fighter (arcade e Saturn). Se a SEGA resolver lançar algum desses, vai ser apenas para saciar a curiosidade do público que não teve a chance de curtir a engenhoca que ia no topo do Mega Drive.

Os que gostaríamos de ver: 

Do pouco que se salva do 32X, Tempo, Knuckles Chaotix e Kolibri podem ser escolhas interessantes para os fãs da empresa, enquanto Virtua Fighter e Virtua Racing são opções curiosas, mas que, como dito antes, possuem versões melhores em outras plataformas. No SEGA CD, os jogos que foram o chamariz do aparelho tiveram seus lançamentos originais pela Digital Pictures – é o caso de Night Trap, Sewer Shark, Prize Fighters, entre outros. Estes títulos, apesar da qualidade duvidosa, são lembrados com carinho pelos fãs, mas a probabilidade de relançamentos com o selo SEGA Ages é praticamente nula. De qualquer forma, existe a possibilidade de vermos estes games novamente por outras distribuidoras – Night Trap, inclusive, chega ao Switch ainda este ano pela Limited Run Games. De resto, aguardamos para jogar Tomcat Alley, Shining Force CD e Dark Wizard na telinha do novo console da Nintendo.

Era Saturn

Panzer Dragoon Saga, um dos jogos mais raros (e caros) para qualquer console

Os mais prováveis: 

Nights Into Dreams já foi relançado para outras plataformas, portanto é uma aposta segura. Quanto a outros jogos do saudoso Saturn, não há como prever a probabilidade de chegarem ao Switch. O console é famoso por ter uma arquitetura de hardware muito complexa, tornando sua emulação extremamente difícil.  O sistema acabou se tornando cultuado pelos fãs da empresa e de jogos retrô em geral, principalmente por ser recheado de pérolas da era 32 bits que poucos tiveram a chance de apreciar. Se a SEGA conseguir a proeza de fazer os jogos do console rodarem de forma satisfatória no Switch, pode ter um verdadeiro tesouro nas mãos.

Os que gostaríamos de ver: 

Queremos a série Panzer Dragoon – incluindo o cultuado Panzer Dragoon Saga que, em mídia física nos sites de leilão, custa uma verdadeira fortuna – Shining Force 3, Shining the Holy Ark, Legend of Oasis, Burning Rangers, Fighting Megamix, Sonic R Clockwork Knight. Isso sem contar os jogos lançados apenas no Japão (e são muitos!) e os excelentes ports de jogos de arcade, como a série Virtua Fighter, Virtua Racing, Daytona USA e SEGA Rally. O Saturn tem muitos jogos bacanas que merecem ser revisitados, tomara que a SEGA presenteie seus fãs com boas versões para o Nintendo Switch.

Era Dreamcast

Crazy Taxi tem aparecido em outros consoles, mas sem a trilha que o fez famoso

Os mais prováveis: 

O último suspiro da empresa japonesa no reino dos consoles domésticos foi breve, mas deixou uma grande marca nos fãs. O Dreamcast tem muitos jogos fantásticos e a SEGA sabe muito bem disso, com certeza vai explorar seu catálogo no console da Nintendo. Jogos como Crazy Taxi (sem a trilha sonora marcante por conta das licenças vencidas), SEGA Rally, Sonic Adventure, Sonic Adventure 2, Space Channel 5 e Jet Set Radio já tiveram versões para os mais diversos consoles, portanto são títulos com grandes possibilidades de receberem ports para o Switch. Por outro lado, tanto Shenmue quanto sua continuação já estão ganhando relançamentos com mais pompa para outros consoles dessa geração, então não devem fazer parte da série SEGA Ages. Apesar de ainda não terem sido anunciados para Switch, Shenmue e Shenmue 2 devem aparecer no console da Nintendo muito em breve.

Os que gostaríamos de ver: 

Achou bacana o Robot Kit do Nintendo Labo? Então imagina poder usar a engenhoca de papelão da Big N para jogar Cyber Troopers Virtual On: Oratorio Tangram do Dreamcast! Seria demais, é claro, mas sabemos que essa possibilidade é muito remota (não custa sonhar). Com ou sem compatibilidade com dobraduras de papelão, gostaríamos de ver diversos clássicos do último console da SEGA, como Skies of Arcadia, Chu Chu Rocket, Ecco: Defender of the Future, Daytona USA 2001, Virtua Tennis, Samba de Amigo e SEGA Rally 2. E também não ficaríamos tristes se Phantasy Star Online voltasse com novos servidores dedicados para matarmos a saudade desse clássico RPG multiplayer.

A turma é grande, mas os fãs também são muitos

Sim, a lista de opções é longa e muito diversificada! Esperamos que a SEGA não somente massageie nossa nostalgia com os clássicos que todos esperam, mas também nos presenteie com jogos inesperados e surpresas que acrescentem à experiência dos jogos que já conhecemos de cor e salteado.
E você, gostou das nossas previsões e anseios? Se lembrou de algum clássico da SEGA que gostaria de ver nos dias de hoje – e que a gente esqueceu de mencionar no artigo – conta pra gente nos comentários!

Revisão: João Paulo Benevides

Carlos Eduardo Cirne escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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