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Análise: Hyrule Warriors Definitive Edition (Switch) é a maior versão do spin-off de Zelda

Em seu terceiro lançamento, o musou baseado em Zelda alcança o seu maior nível de qualidade.


Em 2014, o Wii U recebia um curioso crossover entre a fórmula musou dos jogos publicados pela Koei Tecmo e uma das séries de maior sucesso da Nintendo: The Legend of Zelda. Hyrule Warriors reuniu personagens (como Link, Zelda, Impa e outros), cenários e melodias do universo criado por Shigeru Miyamoto em um jogo com uma proposta diferente dos action RPGs que estávamos acostumados.


Apesar de ter pouco menos de quatro anos de vida no mercado, Hyrule Warriors já atingiu a marca de três versões lançadas para consoles da Nintendo — entre eles um relançamento do jogo para o 3DS chamado Hyrule Warriors Legends em 2016. O Switch não ficou de fora e também recebeu um port, responsável por ser a “versão definitiva” da obra da Koei Tecmo.

Diferente, mas ainda sim um Zelda

Hyrule Warriors é um jogo com um foco bem diferente dos Zeldas principais. Ele é um spin-off destinado a combates frenéticos em campo aberto com elementos de estratégia — quem já jogou a série Dynasty Warriors saberá um pouco o que esperar. Os desenvolvedores tiveram um grande cuidado com o universo Zelda, alcançando um resultado fiel aos jogos originais em visuais e referências, mesmo com um distanciamento no estilo de gameplay.



O Legend Mode apresenta uma história original que tem seu início quando Cia, a guardiã responsável por manter o equilíbrio da Triforce, acaba sucumbindo aos ciúmes que sente pelo Herói do Tempo, Link. As mudanças em seu coração a levam a ser dominada por uma entidade maligna e suas ações acabam por trazer as diversas eras de Zelda a uma mesma época. A partir desse ponto, a história se desenvolve ao longo de estágios inspirados em jogos como Ocarina of Time, Skyward Sword e Twilight Princess, respeitando, inclusive, as linhas temporais de cada um.


Quando o jogo começa, o jogador assume o controle de Link, ao lado de Zelda e Impa no exército de Hyrule. Conforme a história avança, mais heróis e vilões são introduzidos nas forças aliadas ou inimigas e todos os personagens trazidos a Hyrule Warriors apresentam uma alta fidelidade às suas origens nos jogos principais de Zelda.

O melhor de tudo é que essa união de tantos personagens diferentes em um mesmo enredo foi feita com excelência e harmonia, e em nenhum momento fica a sensação de alguma interação forçada ou incoerente. Mesmo existindo como uma desculpa para justificar a reunião de toda essa gente, o enredo de Hyrule Warriors não deixa a desejar.


Liderando as forças de Hyrule

O estilo musou de Hyrule Warriors mistura elementos de hack and slash e beat ‘em up, trazendo cenários cheios de inimigos de baixo poder para serem eliminados em combate corpo a corpo — é normal eliminar de 2.500 a 3.000 inimigos em uma missão. Mas não basta sair correndo pelo mapa atacando de qualquer jeito, já que para cumprir os objetivos de cada missão é necessário um pouco de estratégia.


Nos cenários geralmente há um exército das forças de Hyrule (no qual você será aliado) e um ou mais exércitos inimigos, e cada exército tem sua presença representada no mapa por uma cor. Também existem áreas especiais chamadas keeps, que são dominadas por algum exército. Os objetivos mais comuns do jogo envolvem conquistar keeps inimigas e impedir que os demais exércitos façam o mesmo.


É nesse ponto em que a parte estratégica de Hyrule Warriors fica evidente. Será papel do jogador coordenar os ataques e as defesas do exército de Hyrule durante as missões, cumprindo os objetivos como conquistar keeps, proteger a base aliada, resgatar personagens em perigo e derrotar os bosses. Existem várias formas para melhorar as estratégias, como encontrar novas armas para cada personagem que podem ser mais efetivas em certos cenários.

As batalhas contra os bosses gigantes são momentos empolgantes no jogo. Para derrotá-los, você precisará planejar o ataque com o uso de itens para enfraquecê-los, de maneira parecida como fazíamos em jogos como Ocarina of Time. Atacando de maneira certa, a dificuldade contra eles não costuma ser alta.


A versão de Switch carrega melhorias de gameplay que vieram na versão de 3DS, como a possibilidade trocar o personagem que você controla durante uma missão e dar ordens para os outros membros do seu exército, direcionando-os para algum lugar ou alguém. Outra novidade são estátuas de fast travel espalhadas por alguns mapas e que devem ser ativadas. Uma ocarina pode ser usada pelo jogador para se transportar para as estátuas a partir de qualquer ponto do mapa.


Esses novos recursos, que nunca chegaram na versão original do jogo no Wii U, trouxeram formas bem úteis de gerenciar os combates e melhoraram muito a experiência, trazendo uma real utilidade para os outros personagen. Antes, tudo tinha que ser feito somente pelo jogador em uma correria sem fim pelo mapa para cumprir os objetivos que surgiam.

Bastante conteúdo para replay

Há muito a ser feito em Hyrule Warriors além do Legend Mode. Existem outros modos de jogo, como o Free Mode que permite jogar novamente as fases do modo história com os personagens que desejar (mais adequado para o multiplayer). Ele também é bem útil para tentar obter gold skulltulas, que neste jogo são colecionáveis que desbloqueiam itens da galeria. Já o Challenge Mode é ideal para aqueles que querem testar as suas habilidades em sequências de desafios com dificuldade elevada.

O Adventure Mode oferece ao jogador mapas interativos feitos nos moldes do primeiro The Legend of Zelda, em que cada bloco do mapa terá uma missão diferente e algumas delas exigem a escolha de personagens específicos. Existem nove mapas, cada um deles é baseado em um jogo original da franquia e seguem regras específicas quanto ao uso de itens, progressão no mapa e nível de dificuldade. Você pode, inclusive, desbloquear novas skins e armas para os personagens neste modo de jogo.



O jogo tem um sistema progressão por níveis e árvores de habilidades separado para cada personagem, mas que funciona de maneira global — os níveis, habilidades desbloqueadas, armas e pontos de experiência adquiridos valem para todos os modos de jogo. Tudo isso traz um feeling de elementos de RPG, além de oferecer maior variedade para os combates e incentiva o jogador a explorar melhor o jogo para se fortalecer.

Versão definitiva

A primeira versão de Hyrule Warriors recebeu diversas críticas sobre seu desempenho, como as quedas bruscas de framerate com muitos inimigos ao mesmo tempo na tela e durante partidas coop. O hardware do Switch garante uma excelente performance ao jogo, que roda sem problemas inclusive no modo portátil. Não há quedas de framerate em nenhum modo de jogo, nem mesmo no modo cooperativo.



A versão de Switch já engloba todos os conteúdos adicionais que foram vendidos por meio de DLC nas versões anteriores. Isso inclui personagens, armas, skins e capítulos extras de história no Legend Mode:
  • Linkle’s Tale: história protagonizada pela criadora de cuccos Linkle, que acredita ser a reencarnação do Herói do Tempo e esbarra em problemas com Skull Kid;
  • Cia’s Tale: um prólogo aos eventos do enredo principal protagonizado pela própria Cia; 
  • Wind Waker: traz uma nova história inspirada nos eventos de The Legend of Zelda: The Wind Waker, onde Link, Lana, King Daphnes e Tetra tentam desvendar o desaparecimento de Cia e a aparição de novos portais no Great Sea.


Aqueles que já jogaram a versão de 3DS e adquiriram os DLCs não irão encontrar muitas novidades na Switch. Como conteúdo exclusivo da versão definitiva, somente duas novas skins baseadas em The Legend of Zelda: Breath of the Wild estão disponíveis desde o início para serem usadas por Link e Zelda.

Um spin-off de respeito

Hyrule Warriors Definitive Edition é o resultado das melhorias feitas pela Koei Tecmo ao longo de três relançamentos, estando muitos patamares acima de seu lançamento original no Wii U e trazendo melhorias significativas de gameplay da versão de 3DS, mas sem as limitações gráficas do portátil.

O jogo é um prato cheio para os fãs de Zelda, com uma boa campanha, mecânicas divertidas e combates intensos, tudo isso com um grande cuidado com os elementos da série. Talvez a mudança de estilos não agrade a todos, mas é uma experiência que vale a pena tentar.

Prós

  • Excelente fidelidade ao universo Zelda;
  • Jogabilidade fluida e com melhorias em relação à versão original;
  • Gráficos bonitos e sem quedas de FPS;
  • Suporte a amiibo;
  • Todos os DLCs lançados anteriormente já disponíveis.

Contras

  • Ausência de modo cooperativo online;
  • Poucas novidades exclusivas da versão Switch.

Hyrule Warriors Definitive Edition — Switch — Nota: 9.0

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Análise produzida com cópia do game comprada pelo próprio redator
Marcelo Vieira escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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