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Análise: Ikaruga (Switch): o grande retorno de um clássico dos arcades

Com dificuldade elevada e jogabilidade frenética, o jogo acerta em cheio nos corações saudosistas.


Nos anos 90 e inicio dos anos 2000, os arcades eram muito populares no mundo todo. Com pouco dinheiro, era possível ter horas de diversão — pelo menos se o jogador fosse habilidoso (quem nunca gastou os trocados do lanche ou deixou de pegar o ônibus para jogar que atire a primeira pedra), e foi  nessa época que nasceram grandes clássicos e Ikaruga foi concebido nesse período.

Inicialmente lançado no Japão para os fliperamas no final do ano de 2001, o game renovou o gênero shoot 'em up apresentando aos jogadores uma nova mecânica de jogo e um nível de desafio elevado e com isso alcançou um grande sucesso entre o público e crítica, sendo posteriormente portado para outras plataformas e desembarcando em 2018 no Nintendo Switch pela publicadora Nicalis.

O jogo foi produzido pela Treasure e concebido por Hiroshi Iuchi em seus dias de folga durante o desenvolvimento de Sin and Punishment (N64, Wii), e é considerado o sucessor espiritual do título Radiant Silvergun lançado para Sega Saturn.

Em busca de liberdade

Em um passado distante, um dos homens mais influentes de uma nação chamado Tenro Horai, descobre um artefato mítico que lhe concede forças sobrenaturais, com esse novo poder nas mãos, Horai inicia sua jornada sangrenta em busca da dominação de outras nações. Um grupo contrário às ideias de Horai se rebela e decide buscar a liberdade lutando contra a dominação, sem sucesso quase todos os rebeldes foram mortos, exceto Shinra.
Shinra, o rebelde sobrevivente

Sua aeronave foi abatida e o rebelde sobreviveu à queda e foi resgatado por habitantes de um vilarejo chamado Ikaruga. O sobrevivente deixou claro que combateria Horai até o fim, então os moradores da pequena vila confiaram a Shinra um dos seus bens mais preciosos: um caça especial construído pelos moradores que poderia ser capaz de frustrar os planos de dominação de Horai. 

Bullet hell e reflexos apurados

Diferente de outros shooters de rolamento vertical, Ikaruga se destaca pelo fato de não possuir power ups, algo que geralmente todos os jogos do gênero têm em comum. No lugar de upgrades para seu disparo, o game conta com um sistema de polaridades claro e escuro. O caça especial consegue alternar essas cores com um simples apertar de botão: selecionando a polaridade clara, a aeronave fica imune a disparos da respectiva cor e ainda absorve os tiros atingidos que são utilizados para carregar os mísseis teleguiados. O mesmo acontece com a outra polaridade.
Tiros da mesma cor da aeronave são absorvidos

O game exige reflexos muito bem apurados, pois a todo o momento o jogador deve trocar as polaridades para evitar dano — o que no início é penoso para se adaptar, mas, depois de algumas horas de treino (e várias mortes), a troca se torna natural. Ikaruga possui uma trilha sonora que nos mantém imersos no jogo, onde a música aumenta sua intensidade de acordo com o desafio apresentado. Essa nuance permanece durante todo o jogo causando tensão e tranquilidade ao jogador em um looping infinito.

O nível de dificuldade aumenta gradativamente de acordo com a progressão no jogo. Porém, se o jogador não aprender os padrões dos inimigos, o game se torna extremamente difícil e qualquer erro pode ser fatal, pois são muitos projéteis na tela e, à primeira vista  essa característica impressiona quem está jogando. Ikaruga conta com três modos de jogo: o Arcade Mode, que é idêntico ao dos fliperamas, o Prototype Mode, que é um modo onde as munições são limitadas — elas são recarregadas de acordo com os tiros que são absorvidos pela nave — sendo esse modo a primeira versão do game que posteriormente foi descartada e por fim um modo de seleção de capítulos.
A mudança de polaridade é essencial para se manter vivo

Jogabilidade arcade em qualquer lugar

Ikaruga transmite a nostalgia dos tempos de ouro dos fliperamas, com a vantagem de economizar o dinheiro das fichas (que seriam inúmeras) e poder jogar em qualquer lugar, apesar do jogo ter poucas fases para desbravar e infelizmente ser prejudicado no modo portátil. Devido às molduras da tela, a aeronave fica bem pequena, o que dificulta a jogatina, porém o problema pode ser contornado alterando a configuração da tela e deixando o Switch em modo vertical, minimizando o desconforto.
Ikaruga no modo vertical

Nas opções do game, o jogador pode optar por um modo de jogo mais fácil alterando o número de vidas e continues, tornando a experiência com o jogo mais agradável para os iniciantes, porém os recordes não são computados na comunidade do jogo. A função HD Rumble do Joy-Con é muito bem empregada no game, o que ocasiona maior imersão, além do multiplayer local com os Joy-Con separados ser uma ótima opção para as jogatinas fora de casa. 

O jogo da Nicalis consegue nos transportar para um período único e marcante onde não poupávamos esforços para gastar nossos trocados nos saudosos fliperamas, em uma época em que habilidade e um pouco de “decoreba” eram essenciais para zerar um jogo com o mínimo de fichas possíveis, pois não era sempre que conseguíamos umas moedinhas não é mesmo?

Prós:

  • Dificuldade acentuada;
  • Sistema de polaridade que difere de outros shooters;
  • Batalhas frenéticas contra bosses;
  • Fases bem detalhadas com estilo futurista;
  • HD Rumble bem utilizado.

Contras:

  • Poucas fases;
  • O modo portátil é prejudicado pela imagem reduzida.
 Ikaruga — Switch — Nota: 9.0
Revisão: Arthur Maia 
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nicalis 
Pierre Oliveira é formado em letras e skatista nas horas vagas, fascinado por jogos eletrônicos desde que se conhece por gente. Acredita que o melhor videogame lançado até hoje foi o Super Nintendo, embora seja apaixonado pelo seu Playstation 3. Seus jogos prediletos são Donkey Kong Country 2 e Heavy Rain, pode dificilmente ser encontrado no Facebook.

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