Jogamos

Análise: The Banner Saga (Switch) — lidere refugiados e forje sua história neste épico moderno

Comande tropas, honre seus mortos e lidere seu povo na primeira parte dessa trilogia que está chegando ao Nintendo Switch.



Os deuses estão mortos. É com essa frase cínica que somos introduzidos ao mundo gélido de The Banner Saga. Gélido não apenas nas suas belas paisagens, inspiradas fortemente em locações escandinavas, mas também em seu tom. Esse pode ser um jogo tático tal como a série Fire Emblem, porém com um tom mais cético que muito lembra obras como The Witcher 3: Wild Hunt (Multi) e Game of Thrones (Multi).


O despertar de uma saga

Em The Banner Saga somos convidados a acompanhar a jornada de dois bandos de refugiados que fogem da ameaça dos dregde — uma raça de colossos ancestrais — e buscam um novo lar. Em ambas as histórias, você assume o papel de líder e deve resolver qualquer conflito que surgir para ganhar o respeito de seu povo.

Junto com o combate, resolver conflitos está no cerne da experiência. Enquanto seu povo caminha de um vilarejo ao outro em busca de abrigo, surgem pequenos problemas no caminho e o jogo te oferece um punhado de opções para resolvê-los. Como lidar com um guerreiro bêbado que só te traz problema? Você expulsa ele de sua caravana ou proíbe ele de beber? A escolha certa pode ser a diferença entre prosperar, perder alguns recursos ou até a morte de personagens queridos.

Aprecie as mais belas paisagens enquanto a próxima crise não surge

Liderar não é moleza

Gerenciar recursos é um outro aspecto interessante do jogo. Como um líder, você deve não só comandar as batalhas, mas também fazer o que for preciso para garantir a sobrevivência de seu povo. É importante sempre estar de olho na quantidade de recursos que a sua caravana tem para garantir que ninguém vai passar fome ou coisa pior. Mesmo sendo um bom combatente, se você se mostrar um péssimo gerente, as pessoas vão acabar lhe deixando. Afinal, ninguém quer passar fome.

Para comprar novos recursos é necessário gastar reputação. Numa terra onde tudo já foi perdido, reputação acaba se tornando a moeda de troca para um povo sem esperanças. Você compra suprimentos com reputação, novos equipamentos e o mais importante: promove suas tropas.

Ele aguenta algumas batalhas sem melhorar a armadura, mas será que o seu povo aguenta dias sem comer?


Isso mesmo, o dinheiro do jogo também é essencial para subir o nível dos seus personagens, o que acaba adicionando uma camada extra de estratégia ao jogo. Você vai melhorar aquele seu arqueiro mesmo que isso signifique deixar seu povo passar fome? A escolha é sua.

A melhor defesa é o ataque

The Banner Saga também traz uma abordagem bastante particular em seu sistema de combate. Fãs de Fire Emblem e Final Fantasy Tactics (PS1) vão se sentir em casa com a movimentação e o modo de atacar. O campo é dividido num sistema de grid clássico de qualquer RPG tático e cada personagem pode se mover apenas alguns quadrados por turno. Os comandos são meio confusos no modo docked, mas incrivelmente intuitivos usando a tela touch do Switch.

Quando um inimigo está dentro do seu alcance, você pode escolher atacá-lo ou usar sua habilidade especial. O que torna as coisas bastante interessantes é como o game lida com a sua vida, armadura e motivação. Usando motivação você pode superar os limites do seu personagem. Ande mais casas ou ataque com mais força, você decide. Para recuperar pontos de motivação, basta não atacar em um turno, algo similar aos pontos de bravura de Bravely Default (3DS).

Sempre com uma dose certa de desafio, é no combate que Banner Saga mostra para que veio


A armadura funciona como uma defesa. A quantidade de dano que uma unidade leva é o quanto de ataque o inimigo tem menos a barra de armadura dessa unidade. A cada ataque você deve escolher se acerta a armadura ou diretamente a vida do oponente. Deste modo, você tem que estar sempre avaliando se vale a pena causar dano agora com a sua unidade ou mais dano depois, diminuindo a armadura.

Essa decisão se torna ainda mais complicada quando analisamos como funciona a barra de vida. Nesse jogo, os seus pontos de vida também funcionam como pontos de ataque. Assim, acertar a vida do adversário acaba funcionando como uma ação defensiva também, já que adversários com menos vida causam menos dano. A melhor defesa pode realmente ser o ataque em Banner Saga, o que torna o sistema de batalha bem dinâmico e único.

A morte vem para todos

O mais controverso no jogo é como ele escolhe lidar com a morte. A arte desenhada a mão vai te deixar boquiaberto em diversos momentos. A música sempre casa muito bem com cada cena. O combate é ríspido, mas bastante satisfatório. Agora, as mortes por escolhas completamente arbitrárias podem te deixar bastante frustrados.

Diferente de Fire Emblem em que cair em batalha quer dizer a morte permanente de seu personagem, aqui seu personagem só vai ficar ferido por alguns dias. Agora experimenta tomar uma decisão errada em uma situação completamente arbitrária para você ver se seu personagem não morre em algumas linhas de texto.

A história vai te deixar mais tenso que os combates


Enquanto em alguns momentos essas mortes te deixam frustrados consigo mesmo por não ter sido capaz de salvar seu amigo, em outros você fica frustrado com o jogo por te punir por escolhas tão arbitrárias. Lembrando que suas decisões serão carregadas pelo restante da trilogia, então cada morte se torna ainda mais amarga. No final do dia, é este gosto amargo que define The Banner Saga. Suas batalhas podem ser cruéis e difíceis, mas são suas decisões que realmente fazem a diferença.

Prós

  • Direção de arte impressionante;
  • Sistema de batalha bastante inovador que convida estratégias bem elaboradas;
  • História realmente moldada por suas escolhas;
  • Controles por toque responsivos; 
  • História de cada jogador continua nos próximos jogos.

Contras

  • Mortes dependem de escolhas por vezes arbitrárias;
  • Controles tradicionais bastante confusos;
  • Capítulos se prolongam artificialmente com algumas batalhas genéricas.

The Banner Saga — Switch/PC/PS4/XBO/Mobile — Nota: 8.5

 Revisão: Vinícius Henning
Análise produzida com cópia digital cedida pela Versus Evil
Gabriel Mattos faz joguinhos na UFRJ, quando deveria estar estudando Computação. Estuda computação, quando deveria estar escrevendo. Escreve, quando deveria estar dormindo e não dorme, porque fica sempre no Twitter. Também pode ser encontrado noInstagram.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook