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Análise: Dillon's Dead-Heat Breakers (3DS) traz ação e tower defense em um mundo devastado

A terceira aventura do tatu tem como maiores destaques uma dificuldade mais acessível e maior polimento geral.


A série de jogos do tatu durão Dillon oferece um misto de ação e tower defense, sendo a dificuldade intensa uma das características marcantes. Dillon’s Dead-Heat Breakers, terceira aventura do personagem para o 3DS, traz mais polimento e uma mudança significativa na temática — um mundo pós-apocalíptico no lugar do Velho Oeste americano. Várias novidades resultam em uma experiência mais acessível, variada e divertida.

Um animal perdido em meio ao caos

Depois de um cataclismo, boa parte do mundo foi destruída pelos Grocks, os imensos monstros de rocha que assolavam o Velho Oeste. Sendo assim, os sobreviventes se concentraram em The City e em algumas vilas próximas. A aventura de Dead-Heat Breakers começa quando Dillon e seu parceiro tagarela Russ salvam um animal de um ataque de Grocks. Depois de estar em segurança, o personagem descobre que sua vila está sob domínio dos monstros, com uma estranha barreira impedindo a entrada de qualquer um. Diante disso, Dillon e Russ decidem ajudar o animal e, para isso, o grupo terá que trabalhar para conseguir recursos para construir uma arma capaz de penetrar a barreira.


Um detalhe curioso é a identidade desse animal protagonista. Ele é, na verdade, um Amiimal: um Mii transformado em um animal humanoide. Dead-Heat Breakers transforma em animais os avatares registrados no 3DS e os coloca no jogo. Confesso que achei um pouco estranho no começo, mas depois me diverti ao ver meus amigos transformados em ovelhas, patos, tigres e outros animais — o meu Mii virou um lobo, em uma mistura simultaneamente desconcertante e divertida.

Trabalhando para obter recursos

A aventura do grupo é dividida em dois momentos. Durante o dia, controlamos nosso Amiimal e participamos de atividades na The City a fim de conseguir dinheiro. Há muito o que fazer pela cidade: trabalhar em um mercadinho, ajudar em um centro de reciclagem, jogar um título de realidade virtual e participar de corridas no estádio. Cada uma dessas tarefas é um minigame diferente que consome parte do tempo livre.

Essas atividades são variadas e ajudam a trazer diversidade ao jogo (a repetição é uma reclamação constante na série). Dessas, a minha preferida é cuidar do mercadinho por causa da sua complexidade: podemos escolher quais itens vamos vender, temos que arrumar as prateleiras, precisamos somar manualmente os itens dos clientes e mais. A corrida no circuito da cidade também é bem interessante, pois utiliza as habilidades de Dillon de uma maneira não vista nos estágios de ação. Mas, infelizmente, os minigames são bem simples e podem cansar rapidamente — até existem versões mais difíceis deles, porém elas alteram pouco a fórmula. Por sorte, eles são alternados com as missões de ação, o que ajuda a quebrar um pouco a sensação de repetição.

Preparações para noites perigosas

Quando chega a noite, é hora de defender alguma vila dos ataques dos Grocks. Estes momentos seguem a fórmula dos jogos anteriores e contam com várias mudanças.

Antes mesmo de sair de The City, precisamos contratar pistoleiros para nos auxiliar. Estes personagens são Amiimals criados com os Miis encontrados no console e cada um deles utiliza tipos diferentes de armas: pistolas de curto alcance, metralhadoras, canhões e mais. Os atiradores ficam posicionados em uma das várias torres espalhadas nos mapas e atacam os monstros que se aproximam de sua linha de tiro. Somos livres para colocar os aliados nas torres que bem entendemos, ou então podemos simplesmente utilizar a organização automática.


Uma vez feita a preparação da equipe, é hora de explorar o mapa antes da batalha no controle de Dillon. Este momento é essencial para entender a topografia do cenário e procurar itens para aumentar a chance de vitória, como minério (reforça defesas) e alimentos (aumentam a quantidade de Scrogs, as criaturinhas que precisamos proteger dos ataques dos Grocks) — há, também, alguns tesouros escondidos nos lugares. Uma mudança interessante em Dead-Heat Breakers são os comandos: Dillon é controlado por meio do circle pad e botões, ao contrário dos jogos anteriores que utilizavam a tela de toque. Com isso, é muito mais fácil explorar os cenários.

Batalhas e corridas

Em seguida, os Grocks atacam, em um momento que mistura tower defense e ação. As criaturas vão tentar destruir as torres e invadir a base; nossa tarefa, no controle de Dillon, é impedi-las. As torres atacam automaticamente, porém precisamos participar ativamente do combate, pois dificilmente os aliados conseguem dar conta de tudo sozinhos. Sendo assim, Dillon precisa enfrentar diretamente os inimigos em uma batalha em tempo real em uma pequena arena — o tatu ataca com suas garras e se lançando na forma de uma bola. Este combate é simples, ágil e bem divertido, principalmente quando tipos diferentes de inimigos aparecem e exigem outras estratégias. Com o avançar da aventura, Dillon adquire novos equipamentos e movimentos.

Em comparação com os anteriores, as sessões de tower defense de Dead-Heat Breakers estão bem mais fáceis. Um dos motivos é a presença do nosso Amiimal: ele pode ser direcionado para partes do mapa rapidamente para interceptar inimigos. Além disso, os aliados são mais versáteis, sobem de nível e têm contratos de custos mais razoáveis. Por fim, são mais raros os momentos em que grandes quantidades de inimigos atacam simultaneamente. Mesmo assim, ainda aparecem situações em que somos forçados a mudar nossa estratégia rapidamente por causa da aparição repentina de algum inimigo — estes são meus momentos preferidos na aventura, a tensão é palpável. Há, também, vários mapas de topografia complicada, o que torna a navegação mais complicada. Entretanto, senti falta de trechos mais difíceis, achei a maior parte das missões bem fácil.


Uma novidade de Dead-Heat Breakers acontece no final das batalhas. Quando quase todos os inimigos forem derrotados, um ovni (!?) aparece e lança um laser que desabilita as torres e transforma os Grocks restantes em versões que lembram veículos. Neste momento, o jogo assume um aspecto de corrida: Dillon precisa perseguir e derrotar os monstros restantes por um circuito no mapa antes do tempo acabar. Estes trechos são bem intensos e é necessária destreza para conseguir alcançar e derrotar os inimigos, principalmente pelo fato de que eles também desferem ataques — foram várias as vezes que venci por um triz. É uma maneira bem legal e estilosa de concluir as missões.

Mundo pós-apocalíptico carismático

É fácil ver que Dead-Heat Breakers tem muito mais polimento que os anteriores, com modelos mais detalhados, mais coisas para fazer e amplos lugares para explorar. Além disso, a quantidade de conteúdo é boa: a jornada dura por volta de 20 horas, com vários extras e missões opcionais. A mudança de temática e a dificuldade mais acessível são características perfeitas para aqueles que nunca experimentaram a série. Mesmo assim, é difícil não se incomodar com a repetitividade da jornada e com a simplicidade de algumas coisas, principalmente os minigames.

História elaborada nunca foi uma preocupação da série, e isso não mudou no terceiro jogo. Contudo, a ambientação é cativante com a presença de personagens carismáticos e diálogos divertidos. Gostei, especialmente, de interagir com Weldon, o dono da lojinha, pois ele sempre dá uma descrição curiosa para os “tesouros” que encontramos durante as fases: ele diz que um rolo de papel higiênico é na verdade um travesseiro, uma peça de Lego é uma armadilha letal muito utilizada no passado, e assim por diante. E, claro, me diverti com a transformação dos Miis em animais inusitados.


Uma jornada exótica e viciante

Dillon’s Dead-Heat Breakers refina e expande a fórmula da série de ótima maneira. A mistura de ação e tower defense é divertida e intensa, exigindo estratégia e reflexos rápidos na mesma medida. As mudanças e inclusões fazem com que o jogo seja mais acessível ao custo de uma dificuldade mais branda, o que pode afastar aqueles que procuram um desafio mais intenso. Além disso, há muito o que fazer em vários minigames (mesmo que simples) e em interações com personagens legais. Dead-Heat Breakers oferece uma experiência única por causa da mescla de gêneros e é também a melhor aventura do tatu até o momento.

Prós

  • Ótima combinação de ação e tower defense;
  • Alterações nas mecânicas deixam a aventura mais acessível;
  • Boa variedade de atividades;
  • Temática interessante e com texto divertido.

Contras

  • Minigames simples podem trazer sensação de repetição;
  • Baixa dificuldade na maior parte do tempo.
Dillon's Dead-Heat Breakers — 3DS — Nota: 8.0
Revisão: Vinícius Rutes
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo redator
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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