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Análise: Crash Bandicoot N. Sane Trilogy (Switch) retorna com a odisseia do nosso marsupial favorito

Prepare-se para sentir a nostalgia ou se aventurar pela primeira vez na ilha Wumpa.

Crash Bandicoot é sem dúvidas uma das séries de jogos eletrônicos mais famosa e querida por todos. O primeiro jogo foi lançado na década de 90 pelos fundadores da Naughty Dog, Andy Gavin e Jason Rubin, e o grande sucesso dele possibilitou com que a empresa crescesse e se tornasse o que é hoje. Na época, a Sony precisava de um mascote que batesse de frente com os maiorais da Nintendo e Sega – Mario e Sonic, respectivamente –, e hoje, Crash é certamente um amuleto da sorte por onde passa.


Crash Bandicoot N. Sane Trilogy é um remake dos três primeiros jogos da série e foi lançado primeiramente para o Playstation 4 em 2017. Como a marca não é mais propriedade da Sony, a Activision, junto com a Vicarious Visions – responsável pela repaginação da trilogia –, trouxe o nosso marsupial favorito para o Xbox One, PC e é claro, Nintendo Switch.

Por mais que a versão para o console híbrido seja a mais “fraca” em quesitos técnicos, ainda trata-se de Crash, logo, a diversão é garantida.

A odisseia de Crash Bandicoot

O jogo começa com os cientistas malucos, Neo Cortex e Nitrus Bio, realizando experimentos em animais selvagens, visando criar um exército de mutantes para dominarem o mundo. O plano vai por água abaixo quando a Vórtice Cortex (máquina responsável por fazer as alterações genéticas nos animais) falha ao ser usada em um certo marsupial laranja, fazendo com que o laborátorio entre em estado de alerta e possibilitando a fuga de nosso héroi.

Infelizmente Crash esqueceu a sua namorada para trás, e agora precisará entrar em uma jornada para salvar o seu amor. Os jogos seguintes têm a mesma premissa: Neo Cortex tentando recriar a sua máquina maligna enquanto Crash, junto com sua irmã Coco, lutam para impedi-lo. De fato o enredo da trilogia não é lá essas coisas, mas pode se encaixar no termo odisseia, porque querendo ou não, o marsupial passa por diversos acontecimentos desagradáveis, sem poder ficar em paz na ilha Wumpa enquanto saboreia sua fruta favorita.
Na nova versão, a história é a mesma, mas conta com cinemáticas lindas e nostálgicas

Mais difícil do que nunca

No lançamento, em 2017, os fãs se surpreenderam com a jogabilidade do remake, alguns da velha guarda até afirmaram que estava mais difícil do que os clássicos, e de fato está. O gerente editorial da Activision, Kevin Kelly declarou que: “O desenvolvimento do game conta com um sistema de colisão diferente, combinado com a adição de física. Por isso, certos pulos requerem mais precisão do que nos jogos originais”. Na versão do Switch, a jogabilidade seria fiel ao dos outros consoles se não fosse por um pequeno problema: a queda de quadros e o atraso na resposta dos comandos.

Por se tratar de um hardware inferior ao de PlayStation 4 e Xbox One, era de se esperar certo downgrade – diminuição de gráficos – na versão do console híbrido, mas infelizmente essas alterações impactam diretamente com o jogo. Sente-se certo atraso nos comandos e isso acontece de maneira randômica, tanto com o console no modo dock quanto no portátil. O jogo se mantém em 30 quadros por segundo na maior parte do tempo, mas há ocasiões onde esses quadros caem, principalmente em fases onde há muitos acontecimentos na tela, e isso pode frustrar alguns jogadores.
Cuidado para não escorregar da beirada

Um milagre gráfico

Com o anúncio do remake de Spyro, também sendo desenvolvido pela Vicarious, percebe-se que eles acertaram em cheio na remasterização de Crash, principalmente no quesito gráfico. A versão de Switch é milagrosamente linda, mesmo sendo a mais limitada em relação aos outros consoles. Por mais que o título rode com a resolução de 480p no modo portátil e 720p no dock, ainda continua fantástico o trabalho que a empresa fez para trazer o port do jogo.

Em relação a esta versão, é notável: perda de shader e sombras, texturas e folhagens inferiores e principalmente, uma redução na profundidade de campo. Essa técnica de reduzir a distância da visão do jogador já foi usada em uma das obras clássicas do mundo dos games, e trata-se do primeiro Silent Hill. No caso do jogo de terror, era usado o Fog – uma fumaça que esconde o fundo do cenário.

As cinemáticas e a trilha sonora são um espetáculo à parte. Rever a narrativa da trilogia com visuais totalmente novos e ouvir as músicas em alta qualidade é algo surpreendente, principalmente no console da Nintendo.
Gráficos belos e formosos

O conjunto da obra

Os Relic Challenges – modo que permite com que o jogador jogue fases já completadas para obter o seu melhor tempo – e os capítulos feitos para o remake, Stormy Ascent e Future Tense, estão presentes nesta versão. As fases especiais são divertidas e difíceis, principalmente a do primeiro jogo (Stormy Ascent), que certo redator gastou mais de 20 vidas para completá-la. Uma dica interessante é usar o sistema de save manual – que não existia nos originais – para guardar vidas ao decorrer da jogatina.

Há também a possibilidade de se jogar com a Coco, tanto no primeiro quanto no terceiro título, mas a jogabilidade dela é idêntica a de seu irmão. O primeiro jogo da trilogia envelheceu mal, o que o faz um pouco esquecível se compará-lo aos outros. Isso se deve pelo fato de que a movimentação é limitada e que não há ganho de habilidades extras (que estão presentes no títulos posteriores), tornando-se assim repetitivo.

Tirando o problema do primeiro jogo, as continuações são bem diferentes e com fases únicas, deixando a diversão garantida para aqueles que querem conhecer a série e para os fãs da velha guarda.
Esperamos ver esse sorriso de novo

Prós

  • Port para Switch bem executado;
  • Se mantém fiel aos originais;
  • Gráficos espetaculares para o console híbrido;
  • Fases especiais: Stormy Ascent e Future Tense.

Contras

  • Primeiro jogo envelheceu mal;
  • Queda de quadros por segundo.
Crash Bandicoot N. Sane Trilogy – Switch / PS4 / XBOX / PC – Nota: 8.5
Plataforma utilizada para análise: Switch 
Revisão: Vinícus Fernandes
Análise produzida com cópia digital cedida pela Activison
Gustavo Miranda escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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