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Análise: Mario + Rabbids Kingdom Battle: Donkey Kong Adventure é uma maluca aventura tropical

O novo conteúdo adiciona poucas novidades e repete alguns problemas, mas entrega um resultado cativante e divertido.


Mario + Rabbids Kingdom Battle (Switch) chegou em agosto de 2017. Após uma longa chuva de rumores, ninguém sabia o que esperar dessa impensável mistura entre o mundo do personagem mais icônico da Nintendo e os coelhos pirados da Ubisoft. E não é que deu certo?!


Apesar de aparentar ser relativamente simples, o game consegue desafiar o jogador em vários momentos. Entregou uma boa história, com uma explicação inteligente para a fusão dos mundos, belos gráficos, uma trilha sonora cativante e… alguns problemas técnicos, porque nada é perfeito.

Quem jogou e gostou, ficou esperando por mais conteúdo. Os desafios do jogo são tão empolgantes que jogar novamente não é o bastante, queremos ser desafiados de maneiras diferentes. E a resposta veio a conta-gotas com a DLC gratuita que entregou um modo cooperativo — que não pode ser jogado online — e para quem comprou a season pass em forma de ultradesafios e mais mapas cooperativos. Não era o suficiente.

Cumprindo a promessa feita em janeiro e para coroar sua bela obra, a Ubisoft trouxe Donkey Kong para batalhar contra os rabbids, com a ajuda do novo personagem Rabbid Cranky e também o retorno de Rabbid Peach, em uma ilha tropical baseada nas aventuras do gorilão. Eis que temos um nome ainda maior pro jogo, que já era grande: Mario + Rabbids Kingdom Battle: Donkey Kong Adventure.


Somente um Kong pode dominar a selva

A história do jogo se passa após terminar o primeiro mundo de Mario + Rabbids. Podemos encaixá-la entre o primeiro e o segundo, ou entender que ocorre simultaneamente a partir de então. Rabbid Peach e Beep-0 são enviados por acidente ao mundo de Donkey Kong. Chegando lá, a máquina do tempo se divide em pedaços e os heróis se juntam ao gorilão e ao novo personagem Rabbid Cranky para tentar reconstruir a máquina e conseguir voltar ao Mushroom Kingdom. Para isso eles terão que lidar com Rabbid Kong e seus novos lacaios, que também estão coletando as peças quebradas.

O humor continua no tom certo, combinando o — quase sempre — sereno DK com a exaltação exacerbada dos rabbids. A narrativa foca principalmente no relacionamento entre Rabbid Peach e Rabbid Kong após sua primeira luta, desenvolvendo de maneira interessante a personalidade de ambos, e na rivalidade do coelhão com o forte gorila da Nintendo, que rende boas surpresas e momentos épicos. Já Rabbid Cranky contrasta com a jovialidade de Rabbid Peach, criando cenas engraçadas com o coelho reclamão.


Coelhos de férias

Um dos grandes méritos de Mario + Rabbids é trazer de forma natural os coelhos para o mundo da Nintendo. Durante a aventura na ilha tropical, os cenários ricos em detalhes, fruto de uma belíssima direção de arte, remetem diretamente aos jogos do gorila, principalmente ao Donkey Kong Country Returns (Wii).

As referências estão lá para dar um charme também. Tem coelhos pulando barris em plataformas — eles aprontam em todo lugar, parecem tão à vontade que aparentam estar de férias — e até um navio meio afundado, como no primeiro cenário de Donkey Kong Country 2: Diddy’s Kong Quest (SNES). Por algum motivo, alguns elementos como o resto da família Kong e os inimigos de DK passaram em branco, mas há surpresas interessantes no design de algumas armas do jogo.

A Snowdrop Engine, usada pela Ubi, entrega um visual muito bonito, mas uma de suas falhas aconteceu justamente com Donkey Kong. O principal personagem da trama possui uma aparência bastante pixelada em seu pelo quando visto de perto, e é difícil decidir se prefiro ele assim ou com o “pelo de massinha” tanto usado pela Nintendo. Ainda bem que isso mudou nos jogos recentes.

A trilha sonora assinada por Grant Kirkhope é maravilhosa, fazendo-me querer abrir o jogo novamente só para escutá-la. É composta de músicas originais, versões modificadas do jogo base, e belíssimos arranjos remixados das canções compostas por David Wise, tão marcantes em jogos anteriores de Donkey Kong.


Sim, há inúmeras caixas para empurrar

Os fatídicos puzzles de empurrar e combinar caixas estão de volta para atormentar também o DK e sua nova turma. A estrutura geral de gameplay do jogo permanece praticamente — guarde esta palavra — a mesma. Entre as batalhas há algumas peças de quebra-cabeça coletáveis, bem como algumas áreas maiores com vários baús contendo colecionáveis que quando completamente abertos dão acesso a alguma passagem. Nos portões que precisam ser abertos para se ter acesso a novas áreas, os desafios são bastante criativos.

O sistema de progressão de habilidades foi simplificado: ao invés de pegar um orbe de 10 pontos, um ticket com custo 1 já resolve. Os minigames para pegar armas foram expandidos. Esqueça as pequenas salas azuis, na expansão temos belíssimos cenários, diferentes entre si — tanto os cenários quanto os minigames. A música que toca nesses momentos é um remix perfeito do tema usado nos jogos do DK. É realmente emocionante. 

Falando em armas, um ponto que eu considero contraditório foi diminuído aqui. Mario + Rabbids liberava algumas vezes na loja do Battle HQ duas armas com o mesmo poder, seguidas de uma terceira um pouco mais cara e com algum efeito contra um inimigo em especial, o que não incentiva o jogador a adquirir uma das duas primeiras. Já em DK Adventure, talvez por ser uma aventura mais curta, isso acontece com menor intensidade, fazendo com que o jogador precise analisar melhor sua estratégia antes de comprar um novo equipamento.


Novidades no campo de “bananatalha”

Eu disse praticamente porque a expansão traz coisas realmente novas, e algumas maquiadas para dar um ar fresco à jogatina. Donkey Kong e Rabbid Cranky trazem mecânicas novas, possibilitando uma realista experiência inédita com o game. O idoso rabbid consegue atirar no ar na área que vai cair depois de um salto — é, eu sei, essa se parece com o ground pound de Yoshi, mas esse ataque tem o mesmo efeito freeze presente em algumas armas — e colocar os inimigos para dormir com suas histórias.

Donkey pode se movimentar melhor que qualquer personagem já criado para o game, possuindo a habilidade de se agarrar a cipós a partir de plataformas azuis com a inscrição DK. Além disso, ele é grande e pesado demais para os pequenos rabbids o arremessarem para cima, então ele consegue subir em plataformas mais altas e pasme, segurar e arremessar aliados, inimigos e até elementos do cenário de batalha. Seu “bananarangue” possui uma mira curva, acertando inimigos escondidos quando próximos de outro alvo.

Alguns inimigos presentes em Mario + Rabbids retornam iguais, já outros possuem algumas diferenças que conseguem variar bastante as possibilidades dentro de uma partida. Essas habilidades novas possibilitaram a criação de diferentes objetivos de vitória, invertendo posições anteriormente usadas. Exemplificando, um dos objetivos com Mario e sua turma era escoltar Toad até uma área, já em DK Adventure é preciso impedir inimigos de chegar a determinadas áreas.


Concluindo a jornada

No geral tudo é bastante divertido, mas quando um game recebe conteúdo adicional por download é esperado uma correção de erros e bugs existentes, e para tristeza dos jogadores que tiveram momentos de travamentos e problemas técnicos com o jogo original, eles voltaram com a DLC. No meu caso pessoal está ainda pior, já que nas quatro vezes que aconteceu durante a análise, apenas em uma eu consegui continuar o jogo, tendo que reiniciá-lo nas outras vezes por conta da tela congelada.

Por fim, a aventura tem apenas algo em torno de dez horas de gameplay, dependendo do perfil do jogador, sem nenhum incentivo ao fator replay além dos desafios e colecionáveis. Também é necessário dizer que a nova campanha é totalmente separada da anterior, sendo acessada por uma diferente opção do menu e adicionando mais três opções de saves. Uma pena terem desperdiçado a chance de mesclar os novos personagens com os antigos, mesmo que fosse em um modo separado.

Para aqueles que amaram Mario + Rabbids, gostam de pegar todos os coletáveis e cumprir os desafios extras do game, o novo conteúdo é 100% recomendado. Por já estar íntimo com a sua proposta, é esse perfil de jogador que vai realmente aproveitar o game e continuar com “aquele gostinho de quero mais”. Donkey Kong Adventure é divertido, belo, recheado de músicas e momentos agradáveis, mas é apenas uma versão menor do jogo original, com poucos pontos de melhoria e a repetição de alguns problemas. Não é o que trará o público que já não se interessou, nem mesmo os fãs do gorila de gravata vermelha.


Prós:

  • Trilha sonora inesquecível;
  • História bem desenvolvida;
  • Novos personagens;
  • Novas mecânicas de gameplay;
  • Belíssima ambientação.

Contras:

  • Problemas técnicos;
  • Modelo do Donkey Kong podia ter sido melhor construído;
  • Personagens novos não interagem com os antigos.
Mario + Rabbids Kingdom Battle: Donkey Kong Adventure — Switch — Nota: 7.5
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ubisoft
Lucian Helan é formado em Redes de Computadores, mas gosta mesmo é de pilotar uns Karts por aí, atirar plasma com seu mega buster, correr em loops a toda velocidade e derrotar crocodilos ladrões de bananas. Seus sonhos incluem, pilotar uma X-Wing, andar no recreio com o Peter Parker e conseguir um tempo para se dedicar ao seu Instagram.

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