A história do 3D na Nintendo e seu auge em Super Mario 3D Land (3DS)

Poucos jogos te dão motivos suficientes para usar o 3D estereoscópico do Nintendo 3DS, mas em Super Mario 3D Land esse recurso faz parte da experiência e se torna um fator de imersão.

A Big N fez (e ainda faz) história no mercado de games com suas inovações em seus consoles. Dos controles com sensores de movimento do Wii aos consoles de duas telas como DS, 3DS, Wii U e Switch. Uma dessas inovações trazidas para o mundo dos games é o 3D estereoscópico que se tornou um recurso muito usado no cinema a fim de trazer novas experiências aos espectadores.

Uma nova forma de ver os games

A estereoscopia é um fenômeno natural onde o cérebro funde duas imagens ligeiramente diferentes dando a percepção de apenas uma imagem. Isso resulta numa percepção tridimensional, onde conseguimos detectar planos de profundidade, além da altura e da largura da imagem. Talvez muitos não se lembrem, mas alguns livros infantis já usavam essa técnica de forma bastante rudimentar com aqueles óculos de papel com “lentes” de cores vermelha e azul.


Essa técnica foi aprimorada e trazida para o cinema e, claro, para os games. Todavia, nos jogos, essa tecnologia se viu abandonada pela maioria dos gamers, pois esse 3D era usado majoritariamente pelas produtoras para “dizer que tem 3D” e o jogador pode ativar quando quiser. Tudo era uma questão apenas de estética. Apenas mais um recurso que o gamer poderia utilizar para uma experiência a mais nos games, no entanto, nunca necessário de fato.

Uma ideia antiga na Big N

O 3DS não foi o primeiro console da Nintendo a implementar esse tipo de tecnologia a fim de levar para seus games recursos que inovassem seu conceito. Em 1992, o designer da Nintendo Gunpei Yokoi focou-se no Project Reality, um protótipo que seria o sucessor do Super Nintendo na época. A ideia era implementar nesse console duas ideias chave: portabilidade e estereoscopia 3D.




Dessa forma, o projeto se desenrolou com o console Virtual Boy, um “portátil” fracassado da Big N que contava com o 3D e jogos apenas na cor vermelha que causavam dores de cabeça nos jogadores.


A aplicação de sucesso no 3DS

Anos após o fracasso do Virtual Boy, com o lançamento do 3DS, a Nintendo deixou claro que não havia desistido da ideia da implementação do recurso em seus consoles. O Nintendo 3DS veio com a promessa de potencialização da imersão dos jogadores em seus games, com uma tecnologia ainda mais chamativa: o 3D que não dependia do uso de óculos.

Os jogos exclusivos da Big N passaram a ter um tratamento diferente em sua produção. Eram pensados para essa tecnologia. Mario Kart 7 (3DS), The Legend of Zelda: A Link Between Worlds (3DS) e Metroid Samus Returns (3DS) são apenas alguns dos vários exemplos de exclusividades que tiveram uma boa aplicação do recurso no intuito de aprimorar a experiência ao jogá-los. Todavia, nenhuma experiência chegou próxima à aplicação do recurso do 3D estereoscópico de Super Mario 3D Land (3DS).

Por que o 3D de Super Mario 3D Land é algo único?

É inegável que a franquia Mario seja a maior de todos os tempos no mundo dos games. Um game que sempre “experimenta” novos recursos em diversos tipos de jogos diferentes, que vão desde as simples plataformas a jogos tridimensionais que passeiam em gêneros como luta, esporte e puzzles que ultrapassam os limites de sua concepção como um jogo de aventura.

O recurso do 3D foi utilizado no Virtual Boy em Mario Clash e no cancelado VB Mario Land. Este último, apenas uma demo foi lançada para o console. Todavia, tal tecnologia em um jogo do Mario só passou a fazer sentido no 3DS com o game Super Mario 3D Land, onde o 3D deixa de ser algo basicamente estético ou apenas mais uma opção para o jogador e passa a ser algo necessário para sua experiência.


Muitos puzzles e salas de Super Mario 3D Land só podem ser concluídos com a ajuda do 3D, pois o posicionamento de alguns blocos só fica claro com a ativação do recurso. Em muitos momentos do jogo a sensação de profundidade passa a ser uma aliada, no sentido de que facilita a visualização das posições das plataformas, dessa forma o jogador tem uma melhor percepção se elas estão por cima ou por baixo, na frente ou atrás do famoso bigodudo. Essa característica colabora e muito para uma maior imersão (e diversão) do gamer.

Além de ser algo necessário, o 3D no jogo é algo que dá gosto de ver. O jogo foi planejado de forma a não tornar o uso do 3D como algo cansativo, mas sim como necessário e agradável aos olhos. Super Mario 3D Land é um daqueles jogos onde a ativação do recurso não é algo negativo para sua experiência.

Por esse e outros motivos, Super Mario 3D Land é considerado por muitos um dos melhores jogos da série. Sobretudo, também se tornou um jogo revolucionário no sentido de que ele marca um momento de sucesso na difícil e demorada implementação do recurso 3D nos diversos conceitos da Nintendo em seus jogos.


Essa história, assim como outras atreladas à Big N, só traz ainda mais expectativas do que pode ser o novo conceito de portátil da Nintendo que possa vir a substituir o 3DS. Façam suas apostas!

Revisão: João Paulo Benevides
Ramon Mulin escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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