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Análise: Flood of Light (Switch) transborda solidão e puzzles bem elaborados

No papel de uma garota que controla a luz, o game desafia o jogador a superar enigmas e a diminuir o nível de inundação de uma cidade.


Hope City é agora uma cidade sem esperança. Devido a uma chuva incessante, o local acabou inundado e as pessoas o abandonaram. Mas, contrariando o movimento, uma misteriosa garota chega na cidade. Possuindo um misterioso poder sobrenatural de controlar a luz, ela deve iluminar o caminho e achar uma forma de diminuir o nível de água.

Flood of Light é um jogo side-scrolling que transmite o sentimento de solidão em todos os sentidos. Iniciando a jornada no topo de um prédio, o jogador controla a garota, chamada pelos robôs de The Guide (A Guia), para explorar cada um dos oito andares do edifício e iluminar oito pilares.


Antes só do que mal iluminado

Um dos grandes destaques de Flood of Light é seu estilo gráfico. É impossível não se impressionar com o visual desenhado à mão, simulando uma pintura, e os cenários são bastante detalhados. Cada andar apresenta aproximadamente cinco ou seis telas de desafios e a única habilidade da garota é controlar pequenas orbes de luz.

Ao pressionar o botão Y, ela cria um círculo limitado ao seu redor que permite atrair essas pequenas orbes de postes ou lâmpadas acesas. Dessa forma, ela pode transferir essas bolinhas iluminadas para acender outros lustres e, consequentemente, desbloquear portas e passagens ou ativar plataformas. Quando jogado no Dock, o jogador pressiona o botão R para revelar um cursor e, assim, pode guiar os orbes através das lâmpadas utilizando o direcional analógico direito ou o pointer do Joy-Con. Utilizar os movimentos do controle do Switch garante mais precisão e agilidade, assim como no modo portátil, no qual essa mecânica pode ser feita com o simples arrastar do dedo pela tela.

A solidão é sentida principalmente pela trilha sonora. Além do barulho da chuva caindo, solos de piano vão acompanhando o jogador durante toda jornada. A trilha sonora é serena e bastante melancólica, não deixando esquecer que você está sozinho na cidade. A falta de variedade de faixas é o único ponto contra. A garota ganha a companhia de alguns robôs que são reativados pelos níveis. Além de seus diálogos complementarem a história e atuarem como colecionáveis, eles rendem pequenas dicas para solucionar os puzzles.

Puzzles para poucos

Cada andar de Flood of Light introduz uma mecânica diferente. Por exemplo, a garota não precisa estar com as orbes para controlá-las, ela pode guiá-las através das lâmpadas à distância, ou seja, alguns enigmas exigem que você traga as orbes até ela para utilizar em outro local. E economizar as luzes é algo essencial, pois é possível levar as restantes para a próxima área. Um recurso muito exigido durante todo o jogo é a divisão de orbes. Às vezes você tem mais bolinhas de luz do que o necessário e precisa ficar distribuindo entre as lâmpadas próximas para não desperdiçá-las.

Uma característica marcante do jogo é o seu nível de dificuldade crescente. Cada enigma apresenta sempre uma única forma de solucioná-lo e um simples erro obriga o jogador a reiniciar o puzzle. Por exemplo, uma orbe não pode passar por uma lâmpada já acesa, logo, o jogador não consegue levar a luz até o pedestal, assim como quando uma luz fica longe do alcance do raio de atração da garota. É claro que antes de cada enigma o jogo salva o progresso, mas, por ser focado em tentativa e erro, Flood of Light pode frustrar e irritar jogadores mais impacientes.



Em níveis mais avançados, há ainda a introdução de orbes azuis. Essas podem ser transferidas em lâmpadas em áreas inundadas e exigem atenção pois transformam orbes douradas em azuis quando são reunidas. Como há pilastras douradas e azuis que devem ser iluminadas com a cor de luz respectiva, o jogador precisa usá-las com sabedoria e misturar apenas a quantidade necessária. Faltou uma orbe de cor específica para completar o enigma? Vai ter que clicar no restart.

Para jogadores que gostam ainda mais de desafio, Flood of Light traz pequenos Wicks nos cenários. São uma espécie de luminárias com um símbolo no centro que devem ficar acesas. Isso significa que, além do jogador ter que pensar em estratégias para acender as lâmpadas dos puzzles, precisará poupar orbes para deixar os Wicks iluminados em cada área. Ao final de cada nível, Flood of Light classifica o seu desempenho com um ranking avaliando a quantidade de robôs que você reativou, os Wicks acesos e se você resolveu os enigmas do andar utilizando menos movimentos possíveis. É um belo incentivo para revisitar as áreas e completar 100% do jogo com avaliação máxima.



Disponível na eShop do Nintendo Switch, Flood of Light é um game competente que transmite solidão e serenidade na sua proposta e trilha sonora, mas esconde puzzles bem elaborados e transborda desafio. É um título indicado para quem gosta de mergulhar nos desafios do gênero e para ser jogado em dias chuvosos.

Prós

  • Belíssimo estilo gráfico desenhado à mão;
  • Jogabilidade bem adaptada aos recursos do Switch com suporte ao pointer do Joy-Con e da touchscreen;
  • Os puzzles são bem elaborados e exigem perspicácia do jogador.

Contras

  • Apesar de serena e melancólica, a trilha sonora é repetitiva;
  • Por sempre terem solução única e serem focados em tentativas e erros, os enigmas podem frustrar jogadores.
Flood of Light — Switch/PC/Android/iOS — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vinícius Rutes
Análise produzida com cópia digital cedida pela Indienova

Alex Sandro de Mattos é formado em Gestão de TI. Entre se aventurar por Hyrule e se perder em Silent Hill, gosta de publicar fatos interessantes e bobagens no Nintendo Blast. Pode ser encontrado jogando games 2D e também no Facebook.

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