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Análise: Ultra Space Battle Brawl (Switch) é uma inusitada combinação de clássicos do arcade

Imagine um jogo que une o clima de Street Fighter com a jogabilidade de Pong. O resultado? Uma dose de diversão e um pouco de frustração.


Estamos em uma época em que os videogames abrem espaço para todo tipo de experimentação, indo das inovações e uso do poderio gráfico dos consoles mais recentes até revivals de estilos antigos reimaginados para os dias atuais. Ultra Space Battle Brawl se encaixa exatamente no segundo modelo, um jogo que combina a narrativa e estilo visual dos arcades de luta com a jogabilidade de clássicos como Pong e Arkanoid. Disponível apenas para o Switch, o game desenvolvido pelo Mojiken Studio e publicado pela Toge Productions traz uma boa experiência multiplayer e algumas horas de desafio (e frustração).

Ready? Fight!

Ultra Space Battle Brawl não tem nenhuma intenção de esconder sua aproximação com Street Fighter. Apesar de não ser um jogo de luta propriamente dito, toda a construção narrativa e referência visual é baseada na forma como a Capcom estabeleceu o imaginário desse estilo na cultura dos videogames. Apresentação dos personagens, quantidade de rounds, representação das vitórias e derrotas, desafios intermediários, luta contra um chefe final, tudo isso remete ao que já vimos antes em Street Fighter e, longe de ser um aspecto negativo — já que os desenvolvedores optaram por deixar as referências claras, como uma espécie de homenagem —, todas essas aproximações deixam o jogo imediatamente familiar e carismático, principalmente para os fãs do estilo.

Contudo, a jogabilidade se espelha em um outro clássico, Pong. Mas enquanto neste jogo cada competidor se resumia a acertar a bola lançando-a para o lado do adversário, em Ultra Space Battle Brawl essa mecânica aparece disfarçada de uma batalha espacial, em que cada um dos personagens deve utilizar as armas que possui para rebater a bola para o lado do oponente, destruindo a sua defesa e uma pedra preciosa que ele protege. Outra diferença em relação a Pong é que não basta colidir com a bola, é necessário atacá-la utilizando um botão (“Y”, se você estiver jogando no modo portátil do Switch), o que traz um nível grande de tensão frente à exigência de precisão nos ataques e defesas. E é aí que começam alguns problemas.

Suando os dedos

Ultra Space Battle Brawl não é exatamente difícil. Sua mecânica é simples e descobrir as estratégias dos personagens é relativamente simples. Importante dizer aqui que a escolha do personagem determina também o tipo de ação que você poderá fazer em momentos específicos. Dependendo da opção, será possível utilizar um taco de beisebol, uma raquete de tênis de mesa, um mata-moscas, um machado ou os próprios polegares, dentre outras opções bizarras. Cada uma dessas armas possui características distintas no que se refere à velocidade e força, além de um ataque especial, bem ao estilo dos clássicos de luta. Com isso, conhecer os personagens e perceber com qual deles você se dá melhor, é parte da experiência. E suas escolhas implicam, aí sim, em alguma dificuldade para terminar o jogo.

No modo história é preciso vencer seis oponentes e passar por uma fase bônus para chegar ao chefe final. Mas não se engane. Apesar de não ser algo impossível, terminar Ultra Space Battle Brawl é cansativo. E isso ocorre porque é inevitável perder muitas partidas, especialmente quando você encarar um adversário que possui um ataque ou especial mais forte do que o seu. Felizmente, o jogo permite o uso de continues infinitos, o que evita que você tenha que recomeçar tudo, perdendo o tempo investido.


Outra característica do modo história é que podemos acompanhar detalhes do nosso personagem, com uma breve apresentação de seu background e motivações. Apesar de ser algo simples, é interessante o investimento nesse tipo de construção narrativa. Infelizmente, o jogo não é prazeroso o suficiente para motivar o jogador a terminar com todos os personagens, principalmente por conta da ausência de mecânicas distintas. Além da movimentação no analógico, as únicas coisas que podemos fazer é atacar, utilizar um botão para um movimento rápido (dash) e acionar o especial. Contudo, durante a maior parte do tempo, só o que fazemos é esmagar o botão de ataque. É repetitivo e pouco recompensador. Mas pelo menos existe o multiplayer para dar uma sobrevida ao título.

Destruindo amizades

Ultra Space Battle Brawl brilha no desafio local. É possível jogar nos modos 1x1, 1x2, ou 2x2, com quatro controles ou com a ajuda da inteligência artificial ocupando o lugar de um ou mais adversários. Como as partidas são rápidas e frenéticas, o game se mostra perfeito para momentos de disputa descompromissada. Só é necessário ter cuidado para não se empolgar demais e acabar comprometendo as amizades.

Mas infelizmente, mesmo nesse modo, nem tudo funciona bem. O jogo sofre com algumas quedas de desempenho, principalmente com muita coisa acontecendo na tela, com quatro personagens simultâneos. No singleplayer também é possível perceber isso, mas com menor intensidade. Se encararmos esses pequenos entraves como parte do desafio, conseguimos abstrair os problemas. Mas o fato é que eles estão lá, e isso não é nada bom. Outro problema está no uso da IA. Mesmo escolhendo o nível mais fraco, o computador é bom demais, desequilibrando o multiplayer a ponto de tornar o humano que joga a seu lado um mero espectador. Assim, o melhor mesmo é jogar apenas com os controles na mão, sem envolver personagens apelões controlados pela máquina.

Mais um round

Alguns jogos parecem ser feitos pensando em um público que viveu experiências com games do passado. E parece ser esse o caso de Ultra Space Battle Brawl. Se você gosta das referências utilizadas aqui, bem como do estilo de design antigo, dificilmente não passará bons momentos rebatendo bolas. No entanto, é difícil imaginar que o título alcance da mesma forma jogadores mais novos. Existe carisma, boas ideias e a possibilidade de muita diversão entre amigos. No entanto, os problemas com o desempenho e as partidas repetitivas no modo história diminuem a longevidade da experiência. Não é um jogo que parece agradar à maioria das pessoas, mas não deixa de ser algo interessante de se ter no Switch.

Prós

  • Multiplayer local divertido;
  • Boas referências a jogos do passado;
  • Personagens estranhos e interessantes.

Contras

  • Mecânicas repetitivas;
  • Modo história com pouco fator de replay;
  • Queda de desempenho em momentos de muita ação.
Ultra Space Battle Brawl - Switch - Nota: 7.0
Revisão: Pedro Franco
Análise produzida com cópia digital cedida pela Toge Productions
Marcos Ramon tem doutorado em Comunicação e faz pesquisas na área de filosofia da arte. Além de ser professor e escrever no Nintendo Blast, ele faz um podcast sobre filosofia e cotidiano, escreve sobre cultura seu blog e compartilha links no Twitter.

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