The Legend of Zelda e suas referências mitológicas

Uma das mais amadas franquias da Big N contém diversas referências mitológicas fora de Hyrule.



Preenchido com sua própria mitologia, o universo de Zelda também possui diversas referências mitológicas tiradas de mitos gregos, celtas e de diversas outras culturas pelo globo, tornando sua tapeçaria colorida, extremamente diversificada. A franquia transporta formas, nomes, sons e até mesmo cenas de diversas dessas histórias, sejam elas mais famosas ou não.



Em outro artigo, comentamos como havia uma forte influência do cristianismo no universo de Zelda, ao analisarmos a simbologia de Hyrule, assim como diversas ideias puxadas também da religião mais praticada no Japão, o Shintoismo. Zelda, no entanto, é um caldeirão, com várias influências religiosas de várias culturas diferentes, ocidentais ou orientais.

De Hyrule para a Grécia Antiga

Talvez a mitologia grega seja a coleção de mitos mais comum de se ver, não apenas em Zelda, mas influenciando qualquer outro tipo de jogo, filme ou série. Seus personagens são diversos e muito bem conhecidos, incluindo seu panteão de deuses. Podemos até começar a traçar um comparativo bem óbvio, já que a mitologia grega, assim como diversas outras, utiliza o conceito da trindade, tão visto em Zelda, com Zeus, Poseidon e Hades como os três pilares principais de suas histórias.

Os mitos gregos emprestam principalmente monstros para a franquia. Um exemplo fácil de vir à mente são os Lynels, criaturas em diversos jogos da franquia, mas é em The Legend of Zelda: Breath of the Wild que temos uma facilidade maior de visualizar as referências gregas em seu modelo. Sua constituição lembra muito a de um Centauro do mito grego, com patas de cavalo da cintura para baixo e um corpo humanoide acima. Sua cabeça é o maior diferencial, sendo de leão. É curioso, também, como em algumas línguas seu nome é uma mescla da palavra Centauro e leão, como em francês, Centaléo.

A influência de nomes e itens gregos também aparece em alguns equipamentos da série. Existem as Pegasus Boots, um item bem recorrente na série, por exemplo, que deriva seu nome do cavalo alado da mitologia grega. Outro par de botas que sofrem influência desses mitos são as Hover Boots. Os dois equipamentos possuem pequenos pares de asas em suas laterais, uma clara referência às sandálias que Hermes, um dos deuses do panteão grego, usava.

Os deuses da Grécia também emprestam alguns nomes importantes para a franquia. Em alguns jogos da franquia, por exemplo, há um lugar chamado Tower of Hera, provindo da mulher de Zeus. Ainda há o curioso fato de que a torre fica em cima de uma das localizações mais recorrentes da série, Death Mountain, que pode ser uma referência à morada dos deuses, no topo do Monte Olimpo, onde Hera habitava com o restante de sua família divina.

Outro bom exemplo de como a mitologia grega influencia Zelda fortemente, seria um dos chefes mais recorrentes na série, Gleeok. A criatura pode ter sido baseada na Hidra do mito grego, já que ambos são criaturas reptilianas, geralmente representadas em águas e com diversas cabeças que se movem de uma forma independente.

Hylians e Celtas

Visualmente falando, Zelda possui uma impactante influência celta. Muitos de seus elementos primordiais são tirados dessa cultura, começando pela túnica clássica do herói, com suas cores verdes e seu capuz, indo para a aparência geral dos Hylians, com suas orelhas pontudas. Esses dois elementos podem ter sido muito bem tirados de elfos e duendes que fazem parte da mitologia celta.

Um dos fatos mais conhecidos, no entanto, é o nome da fiel companhia de Link, sua égua Epona. No mito celta, Epona é o nome dado a uma deusa, que era justamente protetora de animais quadrúpedes como cavalos, pôneis, mulas e burros. Ela também era uma deusa da fertilidade, já que existem diversos elementos visuais em suas representações mais antigas, como esculturas e pinturas, que indicam isso, como a presença de grãos, plantas e similares.

A lenda do Rei Arthur também faz-se presente. Existe uma linha de crenças que ditam que a figura mítica britânica era, na realidade, celta. Por exemplo, seu nome, Arthur, deriva de uma palavra que significa “urso”, correspondendo com os deuses ursos da mitologia celta, Artos ou Artio. O mito arturiano mostra-se presente em uma das cenas mais icônicas da série. A famosa Master Sword é uma clara representação de Excalibur, a espada lendária empunhada pelo rei.

Como no mito de Arthur, a Master Sword é uma espada um tanto especial. Assim como Excalibur, só pode ser tirada de seu repouso pela pessoa certa, escolhida. Link é o claro candidato, que possui todos os atributos comuns que várias representações de Arthur também compartilham, já que em algumas histórias ele era apenas um menino quando puxou a espada de sua pedra, além de não demonstrar nenhuma característica física marcante, sendo um rapaz um tanto comum, em uma aventura muito maior do que ele mesmo.

Por fim, vamos pensar na icônica cena onde Link puxa a Master Sword de seu lugar de descanso, tão recorrente na franquia. Ela é uma clara alusão ao jovem Arthur puxando Excalibur de seu pedestal de pedra. É também um divisor de águas na aventura. Arthur, assim como Link, sofre uma série de mudanças em sua vida após retirar a espada lendária de lá. Um garoto sem nada muito especial que, com uma virada repentina do destino, acaba por se tornar um herói lendário.

Revisão: João Paulo Benevides
Yorran Rosa Bergamaschi escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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